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Pamela Anderson está de volta — e desta vez é a musa mais perturbadora do ano

Pamela Anderson tem quatro filmes a caminho nos próximos meses, e o primeiro é também o mais radical de toda a carreira: “Rosebush Pruning”, realizado por Karim Aïnouz e escrito por Efthimis Filippou — argumentista habitual de Yorgos Lanthimos —, uma sátira negríssima sobre uma família obscenamente rica e incestuosa que acredita que a matriarca (Anderson) foi devorada por lobos. Tracy Letts interpreta o marido perverso da personagem, Callum Turner, Jamie Bell, Lukas Gage e Riley Keough são os filhos profundamente disfuncionais do casal, e Elle Fanning surge como a amante de Bell. É um filme que não poupa o espectador: as relações entre os membros da família ultrapassam largamente o desconforto normal do género, com cenas de teor sexual explícito entre parentes a servir de espinha dorsal a uma crítica social mais ampla — segundo Tracy Letts, em conferência de imprensa, “é sobre fascismo”.

Anderson, de 59 anos, não hesita em assumir o incómodo que o filme provoca. “Gosto de mexer com as coisas e não preciso de ser simpática”, resume. Para a actriz, o filme funciona como retrato de uma “epidemia de riqueza jovem sem qualquer justificação”, e o fascismo do título é antes de mais “esta vaziez narcisista, este estilo vazio — uma versão não-poética e clonada de tudo, à IA”. Não é o primeiro projecto em que Aïnouz confia nela: o realizador brasileiro elogia “a generosidade e abertura para arriscar” da actriz, e “uma mistério e um carisma que são a marca registada de uma verdadeira estrela de cinema”.

“Rosebush Pruning” chega no momento mais alto da segunda vida profissional de Anderson. Tudo começou com o documentário da Netflix “Pamela, a Love Story”, nomeado para dois Emmys, que chamou a atenção de Gia Coppola e lhe valeu o papel de uma showgirl de Las Vegas envelhecida em “The Last Showgirl” — a interpretação mais aclamada da sua carreira, com nomeações para o Globo de Ouro e o SAG de Melhor Actriz, ainda que ignorada pelos Óscares, algo que a própria trata com uma leveza quase filosófica: “Sinto que estou apenas no início da carreira.” Seguiu-se a comédia de estúdio “Naked Gun”, ao lado de Liam Neeson, cuja química em cena gerou especulação real sobre um romance fora do ecrã durante a promoção do filme.

A lista de projectos por estrear é longa: “Place to Be”, onde contracena com Ellen Burstyn; “Love Is Not the Answer”, que assinala a estreia de Michael Cera como realizador, com Anderson a estrear cabelo vermelho numa transformação que descreve como um “Hail Mary”; “Sundays”, ao lado de Billy Bob Thornton; e “Alma”, com Sally Potter, um filme a preto e branco passado numa única noite em Londres, que descreve como “uma experiência quase religiosa”.

Fora dos sets, Anderson diz ter feito as pazes com o episódio mais invasivo da sua vida pública — a série “Pam & Tommy”, da Hulu, que recriou sem o seu consentimento os anos mais mediáticos da sua vida. Já não espera o pedido de desculpas de Seth Rogen que outrora reclamou publicamente: “Deixei isso ir. Uso a minha vida inteira como material para as personagens, por isso não me vou queixar. É tudo boa pesquisa.” Também desmentiu ter recusado um papel no reboot de “Baywatch” da Fox — “nunca ouvi falar nisso”, garante, sugerindo que a conversa terá sido antes com os filhos, sobre produção.

O resto do tempo passa-o no jardim de mais de 1.400 metros quadrados que mantém na Vancouver Island, com vista para o mar — motivo, aliás, de um recente sucesso viral nas redes sociais. É lá que faz conservas e picles para angariar fundos para causas de protecção animal, e onde, entre podas e leituras, prepara a próxima personagem: “Cada filme é melhor do que terapia.”

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