Skip to content

Apex — Charlize Theron é Caçada no Deserto Australiano e a Netflix Tem o Thriller do Fim-de-Semana

Há um tipo de thriller que não precisa de ser profundo para ser excelente. Precisa de saber exactamente o que é, de ter dois actores capazes de o sustentar, e de um realizador que conheça o terreno. Apex, que estreou hoje na Netflix, tem as três coisas — e os 95 minutos que dura não desperdiçam um único.

Sasha, interpretada por Charlize Theron, é uma aventureira americana cujo parceiro de escalada morre no início do filme durante uma subida ao Troll Wall norueguês. Em luto, parte em viagem solitária pelo interior da Austrália — uma decisão que qualquer espectador com alguma memória cinematográfica reconhece imediatamente como imprudente. O realizador Baltasar Kormákur e o director de fotografia Lawrence Sher estabelecem desde o início um sentido de perigo físico real, com planos aéreos vertiginosos que capturam tanto a beleza como a hostilidade da paisagem.

A ameaça assume a forma de Ben, um rapaz local de aparência jovial e sotaque australiano, interpretado por Taron Egerton com uma inteligência de casting considerável: projecta uma masculidade mais descontraída e prestável do que o tipo que normalmente se teme nestes cenários — até que muito claramente deixa de o fazer, com uma besta armada na mão. Egerton, que o público conhece de Rocketman e Kingsman, é genuinamente inquietante precisamente porque não parece um villain convencional — e o filme usa isso com habilidade, atrasando o momento em que o perigo se torna inegável.

Kormákur é magistral na utilização das localizações, casando cada curva, gruta, rápido e cascata com a narrativa. É o tipo de realização que raramente recebe o crédito que merece porque parece natural — mas a geografia de um thriller de sobrevivência é tudo, e Apex nunca perde o sentido do espaço nem a consciência de onde estão os dois personagens em relação um ao outro. O filme abre com Theron e Eric Bana a escalar o Troll Wall norueguês em condições meteorológicas extremas, uma sequência que estabelece imediatamente a competência física de Sasha e o nível de risco que ela normaliza. Quando a perseguição australiana começa, o espectador já acredita que esta mulher tem os recursos para sobreviver — o que é exactamente o que o thriller precisa que acredite.

O Deadline descreveu o filme como tendo “uma economia narrativa de bom augúrio” — e é uma descrição justa. Apexnão se detém em backstory desnecessário nem em subtexto que não tem intenção de desenvolver. É um filme sobre duas pessoas num espaço grande e perigoso, uma a tentar matar a outra, a outra a recusar-se a deixar. A balança vai-se inclinando lentamente entre os dois ao longo de uma série de sequências de acção bem coreografadas e revelações bem ganhas.

Gouvernákur — o realizador islandês de Adrift e Beast — rodou Apex em colaboração com a produtora de Theron, Denver and Delilah Productions, o que explica em parte o controlo criativo visível em cada frame. Theron não está aqui apenas como estrela — está como co-arquitecta do projecto, e a diferença nota-se. A força composta de Theron e os olhos assustadoramente lúcidos de Egerton fazem uma combinação que o filme merecia, e que eleva o material acima do thriller de sobrevivência genérico.

É previsível em alguns momentos? Sim. Porque Apex está mais interessado em adrenalina branca do que em emoção excessiva e explicações, o que acaba por ser uma das suas qualidades mais refrescantes. Num fim-de-semana em que os cinemas estão tomados por um biopic que divide críticos e público, a Netflix tem a alternativa mais simples e mais satisfatória. Às vezes isso é mais do que suficiente.

Palavras-chave SEO: Apex Netflix estreia hoje, Charlize Theron Taron Egerton Apex, Apex thriller sobrevivência Austrália Netflix, Baltasar Kormákur Apex 2026, Apex Netflix fim-de-semana ver

Artigos relacionados

No comment yet, add your voice below!


Add a Comment

Segue-nos nas redes Sociais

Os nossos Patrocinadores

Posts Recentes

Os nossos Patrocinadores

<--!-->