A segunda temporada de Beef chegou à Netflix na quarta-feira com aquilo que toda a gente esperava e ao mesmo tempo temia: é boa. Muito boa, em alguns momentos. Mas não é a primeira temporada. E essa frase — “não é a primeira temporada” — vai perseguir esta série durante semanas, porque a primeira temporada de Beef tinha 98% no Rotten Tomatoes e era, por qualquer medida razoável, uma das melhores séries da última década.
Os oito episódios com Oscar Isaac, Carey Mulligan, Cailee Spaeny e Charles Melton estrearam no mercado com 87% de aprovação crítica — uma nota que qualquer outra série receberia como triunfo mas que, no contexto de Beef, inevitavelmente parece uma descida. O público foi ainda mais cauteloso: 62% de aprovação na mesma plataforma, um fosso de 25 pontos entre críticos e espectadores que raramente augura bem para o fenómeno cultural que a primeira temporada representou.

O que os críticos elogiaram é consistente: Oscar Isaac como Josh Martín — o director-geral do country club que explode de formas que o ator deixa rip com uma liberdade física e emocional que raramente se vê neste tipo de papel — é a performance da temporada. Carey Mulligan como a mulher exausta que já não consegue manter as aparências é, como sempre, extraordinária. E a premissa — dois casais de classes e gerações diferentes a competirem pela aprovação de uma milionária asiática (Youn Yuh-jung, que faz exactamente o que a série precisava) — tem uma arquitectura de comédia de costumes que a Slate descreveu como “White Lotus encontra Bong Joon-ho”, o que é simultaneamente uma comparação justa e uma forma de dizer que o destino é bom mas o caminho é às vezes tortuoso.
O que os críticos e o público assinalaram com reservas é a escala. A primeira temporada tinha dois personagens, uma premissa simples e uma economia narrativa que fazia de cada episódio um mecanismo de precisão. A segunda temporada tem quatro protagonistas, uma conspiração crescente e uma ambição que o ScreenRant chamou de “falta de coesão em contraste com o storytelling mais apertado do antecessor.” A NPR foi mais gentil — “menos raro mas ainda bem passado” — mas chegou essencialmente à mesma conclusão: Lee Sung Jin quis fazer algo maior, e às vezes o maior funciona, e às vezes perde-se o fio.
O que é inegável é que a série mantém o que a tornou original: o humor ácido, a capacidade de fazer personagens comportarem-se da pior maneira possível de formas que são ao mesmo tempo horríveis e completamente compreensíveis, e a recusa em julgar os seus protagonistas mais do que o necessário. Beef continua a ser sobre raiva — sobre o que fazemos com ela, sobre de onde vem, sobre o custo de a deixar acumular sem examiná-la. A segunda temporada muda o cenário e o elenco mas não a pergunta central. E essa pergunta continua a ser boa o suficiente para valer oito episódios.
A questão que fica no ar é se Beef vai conseguir repetir o impacto cultural de 2023 — a série que toda a gente viu num fim-de-semana e sobre a qual toda a gente tinha opinião na segunda-feira. Os números iniciais vão dizer muito. Por agora, o que existe é uma boa série com um elenco extraordinário que carrega o peso de uma primeira temporada quase perfeita. Não é pouca coisa.
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