Em 2007, tudo parecia alinhado para que Stardust se tornasse um ponto de viragem na carreira de Charlie Cox. A adaptação do romance de Neil Gaiman reunia um elenco de peso, contava com realização de Matthew Vaughn e chegava com boas críticas. No papel, era exactamente o tipo de projecto que costuma lançar novos protagonistas para o estrelato.
Mas a realidade acabou por ser bem diferente.
Apesar da recepção positiva — incluindo uma avaliação sólida da crítica — o filme teve um desempenho modesto nas bilheteiras, especialmente nos Estados Unidos. Com cerca de 38 milhões de dólares arrecadados no mercado norte-americano e pouco mais de 137 milhões a nível global, ficou aquém das expectativas para uma produção com esse nível de investimento e ambição.

Na altura, esse tipo de resultado tinha consequências directas.
O próprio Charlie Cox recorda que, naquele momento, o sucesso de um filme era medido quase exclusivamente pelo desempenho no fim-de-semana de estreia. E, nesse campo, Stardust não conseguiu competir, tendo sido ofuscado por lançamentos concorrentes como Rush Hour 3. O impacto foi imediato: de promessa em ascensão, Cox passou a actor com dificuldades em encontrar novos projectos.
Em entrevistas recentes, o actor britânico descreveu esse período como particularmente duro. Sem trabalho e com dificuldades financeiras, acabou por sair de Los Angeles, chegando a questionar se a carreira de actor teria futuro. A frustração era ainda maior ao ver contemporâneos como Andrew Garfield ou Robert Pattinson a alcançarem o sucesso que ele próprio esperava atingir.
A reviravolta surgiu de forma inesperada.
A oportunidade apareceu com Boardwalk Empire, uma série da HBO onde Cox conseguiu inicialmente um papel pequeno, com poucas garantias de continuidade. O que começou como uma participação limitada acabou por crescer à medida que a personagem ganhou espaço na narrativa, permitindo-lhe demonstrar aquilo que até então tinha passado despercebido ao grande público.
Foi esse trabalho que abriu caminho para o passo seguinte: Daredevil. No papel de Matt Murdock, Cox encontrou finalmente o reconhecimento que lhe tinha escapado no cinema, construindo uma base sólida de fãs e afirmando-se como uma das interpretações mais consistentes do universo Marvel televisivo.
O contraste é evidente.
Um filme que parecia destinado a impulsionar a sua carreira acabou por ter o efeito oposto. E, no entanto, foi precisamente essa fase mais difícil que acabou por conduzir às oportunidades que definiram o seu percurso nos anos seguintes.

Hoje, Stardust é frequentemente visto como um clássico de culto, valorizado pelo público muito depois da sua passagem discreta pelos cinemas. Para Charlie Cox, representa algo mais complexo: um ponto de quebra que quase encerrou a sua carreira, mas que, indirectamente, acabou por levá-lo ao papel que o tornaria conhecido em todo o mundo.
E é talvez aí que reside a ironia desta história.
Nem sempre os grandes momentos são aqueles que parecem, à partida, garantir o sucesso.
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