A personagem não-binária que dividiu os fãs da série e a resposta serena de Bobbi Salvör Menuez
A segunda temporada de Landman acabou por gerar uma das discussões mais intensas da televisão recente — e não foi por causa de petróleo, poder ou conflitos empresariais. A polémica surgiu com a introdução de Paigyn Meester, uma personagem não-binária interpretada por Bobbi Salvör Menuez, que rapidamente se tornou um dos pontos mais debatidos da série criada por Taylor Sheridan.
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Menuez entra na narrativa já na recta final da temporada, como colega de casa de Ainsley Norris (Michelle Randolph), e admite que não estava totalmente preparado para a dimensão da reacção do público. Curiosamente, o actor revela que aceitou o papel sem conhecer profundamente o universo da série. Tinha visto cartazes, conhecia o nome, mas só percebeu o verdadeiro impacto de Landman quando começou a receber mensagens de agentes e contactos profissionais que raramente se manifestavam — todos conscientes de que aquela participação não passaria despercebida.

Uma personagem num terreno cultural sensível
Depois de mergulhar na série, Menuez percebeu rapidamente que Landman fala para um público vasto e ideologicamente diverso. Inserida num retrato muito específico da América rural e industrial, a introdução de uma personagem não-binária tornava inevitável uma reacção polarizada. O próprio actor reconhece que a identidade de género continua a ser um tema sensível, especialmente num contexto cultural como o da série.
A estreia de Paigyn, no episódio Plans, Tears & Sirens, não facilitou a aceitação imediata. A personagem surge inicialmente como rígida, inflexível e pouco tolerante à confusão em torno de pronomes, levando Ainsley às lágrimas numa das cenas mais comentadas da temporada. Para alguns espectadores, foi um exemplo de provocação deliberada; para outros, um passo importante na representação LGBTQ+ num território televisivo onde raramente existe espaço para esse tipo de personagens.
Uma evolução que muda a leitura
No entanto, o episódio final da temporada, Tragedy & Flies, acrescenta camadas importantes à personagem. Paigyn acaba por salvar Ainsley de um acidente durante um treino de cheerleading e, mais tarde, é Ainsley quem a defende perante ataques homofóbicos. Esta viragem narrativa complexificou a leitura inicial e mostrou que a personagem não se resume a um gesto simbólico ou a uma provocação cultural.

Menuez afirma que não acompanha comentários nem críticas online, sublinhando que o seu trabalho passa por interpretar a personagem de forma honesta e coerente com a história. Para o actor, a existência de personagens queer não é uma agenda nem um manifesto, mas um reflexo simples da realidade contemporânea.
Onde ver e o que vem a seguir
Em Portugal, Landman está disponível em streaming no SkyShowtime, plataforma que acolhe várias produções do universo de Taylor Sheridan no mercado europeu. A terceira temporada já tem produção confirmada para ainda este ano, prometendo continuar a explorar um mundo onde tradição, mudança e choque cultural convivem de forma cada vez mais explícita.
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Gostem ou não, Paigyn Meester provou uma coisa: mesmo nas séries mais improváveis, a representação continua a ser capaz de gerar desconforto, debate — e televisão relevante 📺.



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