Emmy 2026: Mariska Hargitay veste-se de anfitriã a 14 de setembro, com “The Pitt” e “Hacks” como grandes favoritos

Depois de um fim de semana de Creative Arts Emmys que já distribuiu boa parte dos prémios técnicos e de interpretações convidadas, chega agora a verdadeira grande noite da televisão americana: a 78ª cerimónia dos Primetime Emmy Awards realiza-se a 14 de setembro, ao vivo a partir do Peacock Theater, em Los Angeles, com Mariska Hargitay, a eterna capitã Olivia Benson de “Lei & Ordem: SVU”, a assumir pela primeira vez o papel de anfitriã da noite.

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Do lado do drama, “The Pitt” surge como o grande favorito para arrecadar o prémio de Melhor Série, depois de ter liderado destacadamente todas as candidaturas desta edição com 25 nomeações, um número que por si só antecipa uma noite particularmente boa para o drama médico protagonizado por Noah Wyle. Na comédia, a corrida promete ser mais renhida, com “Hacks” a assumir a posição de favorita para vencer a categoria principal, ainda que “Widow’s Bay”, a série de terror-comédia protagonizada por Matthew Rhys sobre uma ilha amaldiçoada na Nova Inglaterra, tenha somado 19 nomeações e já tenha começado a converter parte desse volume em vitórias concretas durante os Creative Arts Emmys deste fim de semana, incluindo prémios de casting, montagem de som, design de produção, fotografia, supervisão musical, composição musical e edição de som, um total de oito estatuetas que a colocam entre as grandes protagonistas da temporada.

Na categoria de minissérie ou antologia, “DTF St. Louis” lidera as nomeações e já chegou aos Creative Arts Emmys com um desempenho forte, vencendo ambas as categorias de ator secundário em minissérie e arrecadando também os prémios de realização e argumento, sinais claros de que deverá repetir esse sucesso na noite principal. Do lado do cinema para televisão, “Remarkably Bright Creatures” foi já coroado Melhor Telefilme nos Creative Arts Emmys, enquanto “South Park” conquistou o Emmy de Melhor Programa de Animação pela primeira vez desde 2013, encerrando um hiato surpreendentemente longo para uma das séries de animação mais influentes e duradouras da televisão americana.

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A escolha de Mariska Hargitay para apresentar a cerimónia principal surge num momento em que a Academia de Televisão tem vindo a alternar entre comediantes de carreira e figuras mais associadas ao próprio meio televisivo para conduzir a noite, uma aposta que, no caso de Hargitay, joga também com a sua ligação a uma das séries mais longevas e mais premiadas da história da rede NBC, ainda que “Lei & Ordem: SVU” em si raramente figure entre as principais candidatas aos prémios de interpretação ou de série.

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Com os Creative Arts Emmys já a desenharem um retrato relativamente claro de quem chega mais forte à noite principal, resta agora saber se “The Pitt” e “Hacks” confirmam o favoritismo nas categorias mais disputadas, ou se alguma das concorrentes, sobretudo “Widow’s Bay” pelo lado da comédia, consegue surpreender numa noite que promete, de qualquer forma, ser uma das mais equilibradas dos últimos anos.

Rob Reiner recebe Emmy póstumo por “The Bear”, nove meses depois da morte trágica que chocou Hollywood

Nos Creative Arts Emmy Awards deste fim de semana, um dos momentos mais emotivos da noite não pertenceu a nenhum vencedor presente na sala. Rob Reiner, o realizador e ator que morreu tragicamente em dezembro de 2025, foi distinguido com o Emmy de Melhor Ator Convidado em Comédia pela sua participação em “The Bear”, uma vitória recebida com uma ovação de pé prolongada por parte de uma plateia visivelmente comovida, nove meses depois da sua morte.

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Reiner interpretou Albert Schnur, um franchisador de restaurantes que orienta a personagem Ebraheim, numa participação especial de três episódios na quarta temporada da aclamada série da FX. Segundo revelou o próprio ator antes da sua morte, foi Jamie Lee Curtis quem o incentivou a aceitar o papel, um dos últimos trabalhos de uma carreira que atravessou mais de cinco décadas de cinema e televisão americanos. O prémio foi entregue por Wendi McLendon-Covey e David Alan Grier, que o aceitaram em nome de Reiner perante uma audiência que se ergueu em uníssono para celebrar um dos nomes mais queridos da indústria.

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Esta vitória representa o terceiro Emmy da carreira de Reiner, depois de dez nomeações ao longo dos anos, juntando-se aos dois prémios de Melhor Ator Secundário em Comédia que já tinha conquistado em 1974 e 1978 pelo icónico papel de Michael “Meathead” Stivic em “All in the Family”, a série que o lançou para o estrelato antes de se dedicar sobretudo à realização, com clássicos incontornáveis como “Conta Comigo”, “A Princesa Prometida”, “Quando Harry Encontrou Sally” e “Poucas… e Boas”.

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A morte de Reiner, em dezembro passado, chocou profundamente Hollywood: o realizador e a mulher, a fotógrafa Michele Singer, foram encontrados mortos em casa, em Brentwood, Los Angeles, num caso que levou à detenção do filho do casal, Nick Reiner, ainda nesse mesmo dia. Foi uma morte que interrompeu de forma abrupta e violenta uma carreira que continuava ativa e relevante, como prova precisamente esta participação em “The Bear”, gravada pouco antes da tragédia.

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Nove meses depois, este reconhecimento da Academia de Televisão surge como uma forma de a indústria prestar um último tributo a um dos seus nomes mais versáteis, alguém que conseguiu ser, ao longo da carreira, tanto uma das caras mais reconhecíveis da comédia televisiva dos anos 70 como um dos realizadores mais bem-sucedidos comercial e criticamente de Hollywood nas décadas seguintes. A cerimónia principal dos Emmy, marcada para 14 de setembro, deverá também reservar um momento de homenagem semelhante, consolidando aquilo que promete ser uma das despedidas mais sentidas da temporada de prémios televisivos deste ano.

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O teledisco que fiz com a minha filha – A Aura está a Carregar!

Começou com uma lista. A minha filha entregou-ma um dia destes, escrita à pressa no telemóvel, cheia de expressões que eu reconhecia vagamente de ouvir ao longe, “aura a carregar”, “slay”, “main character”, “six seven”, o vocabulário completo de uma geração que comunica em código. Em vez de perguntar o que significava cada uma, decidi fazer o óbvio para quem escreve canções, transformar a lista numa letra.

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O resultado chama-se “Aura a Carregar”, e é provavelmente a coisa mais afastada do que costumo escrever. As minhas músicas tendem para o registo grave, confessional, de desabafo, voz séria a dizer coisas absurdas com naturalidade total e frequentemente afastadas da sonoridade Pop. Esta é o oposto, uma sátira bem-disposta ao dia de um adolescente entre scrolls, provas adiadas para o ChatGPT e dramas de grupo resolvidos em segundos. A letra é dela tanto quanto é minha, cada expressão veio da lista, eu só dei forma e melodia. Para desenvolver a música usei ferramentas de inteligência artificial ao longo de todo o processo, da composição ao arranjo, o que por si só já mudou a forma como abordo uma canção nova.

Mas a música era só metade do plano. A minha filha é fã de manga, e vi ali uma oportunidade óbvia que eu não teria pensado sozinho, fazer o teledisco inteiro nesse registo. Desenhei as imagens com recurso a inteligência artificial, imagem a imagem, animação a animação, mas mantendo tudo o que faz o género reconhecível, os traços, a expressividade exagerada, os momentos de pausa que se sente antes de um golpe.

A paisagem por trás da acção é onde a coisa fica mais interessante, com personagens claramente manga, colei imagens quase realistas com pinceladas de Lisboa.

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Não escondo que o resultado final me surpreendeu a mim primeiro. Não é todos os dias que se vê uma ideia nascida de uma lista de gírias de adolescente chegar a vídeo acabado, com imagens e animações geradas inteiramente por inteligência artificial, sem perder o que fazia a piada funcionar no papel. Fica aqui como prova de que a tecnologia, bem usada, não substitui a ideia, só lhe dá forma mais depressa.

Deixem um comentário a dizer o que acharam, e se ainda não seguem o meu canal pessoal no YouTube, aproveitem para o fazer, é lá que estes projectos vão continuar a aparecer primeiro.

Teresa Madruga celebra 50 anos de carreira nos Prémios Audiovisuais Açorianos, a 9 de janeiro de 2027 no Pico

Nascida na ilha do Faial em 1953, filha de mãe natural do Pico, Teresa Madruga construiu ao longo de quase cinco décadas uma das carreiras mais consistentes e menos ruidosas do cinema português, sempre discreta apesar de ter trabalhado com praticamente todos os grandes nomes da realização nacional das últimas gerações. Essa trajetória vai agora ser celebrada em casa, nos Açores: a MiratecArts anunciou que Teresa Madruga é a grande homenageada da gala dos PAA – Prémios Audiovisuais Açorianos, marcada para 9 de janeiro de 2027, às 16h, no Auditório da Madalena, na ilha do Pico.

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Desde a estreia em 1977, Teresa Madruga participou em mais de uma centena de filmes e séries de televisão, além de ter emprestado a voz a mais de 80 personagens de animação, um lado da sua carreira frequentemente menos conhecido do grande público mas bem documentado entre os fãs de dobragem portuguesa. No cinema de autor português, o seu percurso cruza-se com nomes incontornáveis: colaborou pelo menos cinco vezes com Manoel de Oliveira, entre “Francisca” (1981), “Visita ou Memórias e Confissões” (1982) e “Dia do Desespero” (1992), e trabalhou também com António Pedro Vasconcelos, João Botelho, João Canijo, João César Monteiro, João Mário Grilo, João Pedro Rodrigues, José Álvaro de Morais, Fernando Vendrell, Fernando Matos Silva, Fernando Lopes, António da Cunha Telles e Miguel Gomes, um mapa que atravessa praticamente toda a história do cinema português contemporâneo através de uma única atriz.

O reconhecimento internacional chegou cedo, em 1983, quando protagonizou “Dans la Ville Blanche” (“Na Cidade Branca”), do realizador suíço Alain Tanner, apresentado nesse ano no Festival de Berlim. O papel valeu-lhe o prémio Sete de Cinema de Melhor Interpretação Feminina e abriu-lhe portas para produções em Espanha, França e Itália, incluindo um dos momentos mais marcantes da sua carreira: contracenar com Marcello Mastroianni em “Afirma Pereira” (“Sostiene Pereira”, 1995), de Roberto Faenza, adaptação do romance de Antonio Tabucchi ambientada na Lisboa de Salazar, num elenco que incluía ainda Joaquim de Almeida, Daniel Auteuil e Nicoletta Braschi. Entre os prémios internacionais destaca-se ainda o de Melhor Atriz no Festival du Court Métrage de Clermont-Ferrand, um dos festivais de curtas-metragens mais prestigiados do mundo, pela sua interpretação em “D’Après Maria”, de Jean-Claude Robert, filme que chegou também a ser considerado para os BAFTA e para os Prémios César do cinema francês.

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Já em 2025, Teresa Madruga venceu o Prémio Sophia de Melhor Atriz Secundária pelo filme “O Teu Rosto Será o Último”, de Luís Filipe Rocha, uma longa-metragem que a MiratecArts já tinha apresentado no ano anterior como um dos melhores filmes portugueses do ano. E, ainda este ano, a sua carreira ganhou uma dimensão inesperadamente jovem: integrou o elenco de “Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, curta-metragem de Daniel Soares que competeu pela Palma de Ouro de curtas-metragens no Festival de Cannes de 2026, no papel de Rosa.

Foi precisamente esse Prémio Sophia de 2025 que motivou Terry Costa, diretor artístico da MiratecArts, a organizar esta homenagem. “A primeira vez que vi a Teresa no grande ecrã foi nos anos 80, nos filmes de Manoel de Oliveira. Em 2025, quando recebeu o Prémio Sophia, senti um orgulho como se fôssemos grandes amigos, família até. Desde esse dia tenho trabalhado numa desculpa para nos conhecermos. Finalmente vai acontecer”, explicou Costa, que vai conduzir uma conversa com a atriz durante a gala, seguida da apresentação da curta-metragem “Judite, ou A Primeira Revolta”, de Pedro Carneiro.

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A homenagem a Teresa Madruga integra-se num programa mais alargado que junta, na mesma semana no Pico, o 15º aniversário da associação MiratecArts, a abertura da 13ª edição do Montanha Pico Festival, o Encontro Audiovisual Açoriano e a segunda edição dos próprios PAA, que distinguem produções que vão de videoclipes a séries, filmes de ficção e documentários. Produtores açorianos com obras produzidas entre 2025 e 2026 podem ainda candidatar-se até 1 de outubro. A organização recomenda também que quem pretenda assistir ao evento reserve viagem com antecedência, já que os voos para o Pico costumam esgotar rapidamente nesta época do ano.