No primeiro domingo de agosto, dia 2, os Canais TVCine transformam a grelha do TVCine Edition numa retrospectiva de um dia inteiro dedicada a Akira Kurosawa (1910-1998), com oito filmes que atravessam mais de duas décadas da carreira de um dos realizadores mais influentes da história do cinema. Todos os títulos ficam disponíveis também no TVCine+, para quem preferir escolher a própria ordem de maratona.
O dia arranca às 7h35 com “Viver” (1952), retrato contido de um funcionário público que descobre ter cancro terminal e decide, pela primeira vez em vinte anos, dar sentido ao tempo que lhe resta — um dos filmes mais intimistas de Kurosawa, e o contraponto perfeito ao título que se segue às 9h55: “Os Sete Samurais” (1954), o épico que foi, à data, o filme mais caro alguma vez feito no Japão, e que se tornou desde então um dos títulos mais influentes e mais citados de toda a história do cinema — sem “Os Sete Samurais” não há “Os Sete Magníficos”, nem grande parte do cinema de acção coral que se seguiu nas décadas seguintes.
A tarde aprofunda o lado mais sombrio do realizador: “O Trono de Sangue” (1957), adaptação livre de “Macbeth” transposta para o Japão feudal, às 13h10; “A Fortaleza Escondida” (1958), aventura de fuga através de território inimigo que serviria mais tarde de inspiração directa a George Lucas para “Star Wars”, às 15h00; e “Yojimbo, O Invencível” (1961), às 17h15, com Toshiro Mifune no papel do samurai mercenário que joga dois bandos de bandidos um contra o outro — um desempenho que lhe valeu o Prémio de Melhor Ator em Veneza.
O final de tarde e a noite reservam três títulos menos citados mas igualmente essenciais: “O Barba Ruiva” (1965), às 19h05, que voltou a dar a Mifune o prémio de Veneza, desta vez pelo papel de um médico íntegro numa clínica pública do Japão do século XIX; “Pouca Terra… Pouca Terra – Dodeskaden” (1970), às 22h00, retrato coral e fragmentado da vida num bairro de lata; e “Dersu Uzala” (1975), a fechar a maratona à meia-noite e vinte, coprodução soviético-japonesa vencedora do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, sobre a amizade entre um explorador militar e um caçador nómada nas florestas siberianas.
É uma maratona pensada tanto para quem já conhece Kurosawa como para quem nunca viu um filme seu além de “Os Sete Samurais” — uma oportunidade rara de perceber, num só dia, como o mesmo realizador conseguiu ser, consoante a década, o autor mais influente do cinema de acção, o mais rigoroso adaptador de Shakespeare ao ecrã, e um dos observadores mais atentos da condição humana em qualquer registo que escolhesse.
Horários (2 de agosto, TVCine Edition e TVCine+)
Viver (1952) — 7h35
Os Sete Samurais (1954) — 9h55
O Trono de Sangue (1957) — 13h10
A Fortaleza Escondida (1958) — 15h00
Yojimbo, O Invencível (1961) — 17h15
O Barba Ruiva (1965) — 19h05
Pouca Terra… Pouca Terra – Dodeskaden (1970) — 22h00
Dersu Uzala (1975) — 0h20
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