Christopher Nolan está a preparar a adaptação cinematográfica de A Odisseia de Homero — um dos projectos mais aguardados do cinema de autor dos próximos anos — e o casting de Lupita Nyong’o como Helena de Troia gerou uma das polémicas mais desnecessárias da semana. Elon Musk publicou repetidamente no X a sua oposição à escolha, argumentando que Helena de Troia deveria ser interpretada por uma actriz branca. Alec Baldwin respondeu no Instagram com uma fotografia de Nyong’o e a legenda: “Caro Elon… mas ela É a mulher mais bela do mundo… Alec.”
Musk respondeu ao artigo do New York Post sobre o post de Baldwin: “Concordo que ela é bela, mas colocar uma mulher negra a interpretar uma mulher branca numa obra fundacional da literatura europeia não é mais correcto do que colocar um homem branco a interpretar Shaka Zulu.” O problema com a comparação é simples: Shaka Zulu existiu. Helena de Troia é uma personagem da mitologia grega — uma figura literária sem registo histórico verificável, cuja aparência física nunca foi documentada além das descrições poéticas de Homero, que a descreve apenas como extraordinariamente bela.
O que torna esta polémica interessante do ponto de vista cinematográfico é o contexto do projecto. The Odyssey de Nolan está a tomar forma como uma das produções mais ambiciosas do cinema dos próximos anos — rodado parcialmente em IMAX, com um elenco que inclui Tom Holland como Telémaco, Matt Damon como Odisseu, Anne Hathaway como Penélope, Robert Pattinson, Zendaya e Charlize Theron. Nyong’o — Óscar de Melhor Actriz de Apoio por 12 Anos de Escravidão, protagonista de Pantera Negra e de Nós de Jordan Peele — interpreta simultaneamente Helena e a sua irmã Clitemnestra. É um casting duplo que exige uma actriz com alcance dramático considerável, e Nyong’o tem exactamente isso.
A polémica vai certamente continuar — este tipo de debate raramente se resolve com factos — mas o filme de Nolan está em produção independentemente do ruído. A estreia está prevista para 2027.
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