“The Mandalorian and Grogu” estreia a 22 de Maio — Star Wars regressa aos cinemas pela primeira vez em sete anos

A última vez que Star Wars esteve nos cinemas foi em Dezembro de 2019, com A Ascensão de Skywalker. Sete anos é muito tempo numa franchise que durante décadas definiu o que significava um evento cinematográfico. A 22 de Maio, Din Djarin e Grogu chegam ao grande ecrã — e com eles regressa uma questão que a Disney tem evitado responder directamente: ainda há público para Star Wars em sala?

O filme, realizado por Jon Favreau a partir de um argumento seu com Dave Filoni e Noah Kloor, é uma continuação directa da terceira temporada da série The Mandalorian do Disney+, mas foi concebido para funcionar como ponto de entrada para quem nunca viu um único episódio. “É como a primeira temporada, episódio um”, disse Favreau ao io9. “Queremos sempre ter uma mão estendida a alguém que nunca viu Star Wars antes.” A premissa é suficientemente simples: o Império caiu, mas os seus almirantes dispersos continuam a ameaçar a galáxia, e a Nova República recrutou o caçador de recompensas mandaloriano Din Djarin — Pedro Pascal, que desta vez aparece sem máscara por tempo considerável — e o seu aprendiz Grogu para uma missão que os colocará frente a frente com os Gêmeos Hutt.

O elenco de apoio é a grande novidade. Sigourney Weaver interpreta a Coronel Ward, uma veterana da Rebelião agora em posição de liderança na República — e a sua presença no trailer final, divulgado na semana passada na CinemaCon de Las Vegas, foi o momento mais comentado da apresentação Disney. Jeremy Allen White, o actor de The Bear que se tornou num dos rostos mais procurados de Hollywood, aparece num papel ainda não revelado. A partitura é de Ludwig Göransson, Óscar por Oppenheimer e responsável pelo som inconfundível da série.

As projecções de bilheteira situam-se nos 80 milhões de dólares para o fim-de-semana de quatro dias do Memorial Day americano — um número sólido mas abaixo dos grandes arranques do universo Star Wars. Filoni, que co-escreveu o filme e substituiu Kathleen Kennedy como co-CEO da Lucasfilm, foi directo sobre as expectativas: “Não temos a pressão de O Despertar da Força. Isto não é o início de uma nova trilogia. É uma celebração destes dois personagens.” Em Portugal, o filme estreia a 22 de Maio nos Cinemas NOS e UCI, em versão normal e IMAX.

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“Good Omens” termina a 13 de Maio com um único episódio de 90 minutos — e chegou aqui por um caminho muito difícil

Há finais de séries que chegam como foram planeados. E há finais que chegam apesar de tudo. Good Omens pertence à segunda categoria — e isso torna a sua chegada ao Prime Video a 13 de Maio num evento que vai muito além de uma última temporada.

A história começa em Julho de 2024, quando o Tortoise Media publicou acusações de agressão sexual contra Neil Gaiman, o criador e showrunner da série. As acusações, expandidas pelo Vulture em Janeiro de 2025, levaram a Amazon a suspender a produção em Setembro de 2024 e a anunciar, em Outubro, que Gaiman saía do projecto. A terceira temporada, que estava planeada como uma temporada completa de seis episódios, foi reformulada num único episódio especial de 90 minutos. As filmagens, em Dezembro, tinham começado na Escócia em Janeiro de 2025 como planeado — mas com um projecto completamente diferente do original. Gaiman é creditado na escrita do episódio final, mas não participou enquanto showrunner nem produtor executivo. A realização ficou a cargo de Rachel Talalay.

É neste contexto que Michael Sheen e David Tennant regressam como Aziraphale e Crowley para o que foi descrito pelo próprio Sheen ao The Times como “sombrio mas satisfatório” — uma formulação que, vinda de alguém que claramente pesou cada palavra, diz bastante sobre o que esperar. A história retoma exactamente onde a segunda temporada terminou: Aziraphale aceitou o cargo de Arcanjo Supremo e deixou Crowley para trás — o momento que deixou os fãs em choque há quase três anos. Agora, como Arcanjo Supremo encarregado de supervisionar a Segunda Vinda, Aziraphale vê-se forçado a pedir ajuda a Crowley. O elenco de apoio inclui Jon Hamm como Gabriel, Derek Jacobi como o Metatron, Quelin Sepulveda como Muriel e Bilal Hasna numa estreia como Jesus — uma escolha que, num contexto de fim do mundo, faz todo o sentido narrativo.

Terry Pratchett, que morreu em Março de 2015, deixou expresso o desejo de que Gaiman adaptasse o romance que escreveram juntos e o levasse até ao fim. O que chegou a 13 de Maio não é o final que qualquer um deles imaginou. Mas é um final — e isso, dadas as circunstâncias, é mais do que era garantido.

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Ralph Fiennes, Colin Farrell e Wagner Moura num filme sobre um quadro branco — Fernando Meirelles realiza

A premissa é deliberadamente absurda: três amigos de longa data entram em colapso relacional porque um deles gastou 200 mil euros num quadro praticamente em branco. Yasmina Reza escreveu Art em 1994, a peça estreou em Paris, passou pelo West End e pela Broadway, ganhou o Tony de Melhor Peça em 1998, e nunca deixou de estar em cartaz em algum palco do mundo desde então. Agora vai finalmente ao cinema — e o elenco anunciado ontem é exactamente tão bom quanto a peça merece.

Ralph Fiennes, Colin Farrell e Wagner Moura são os três amigos — Marc, Serge e Yvan — nesta adaptação dirigida por Fernando Meirelles e com argumento de Christopher Hampton, o mesmo que adaptou As Ligações Perigosas e O Pai. Hampton traduziu originalmente a peça do francês para inglês há trinta anos, tornando este regresso ao material uma espécie de reunião pessoal. O projecto é apresentado ao mercado de Cannes esta semana pela produtora 193, de Patrick Wachsberger.

As ligações entre o realizador e o elenco são múltiplas e relevantes. Meirelles trabalhou com Fiennes em O Jardineiro Fiel (2005), o filme que valeu o Óscar a Rachel Weisz; com Farrell na série Sugar da Apple TV+; e produziu vários projectos com Moura ao longo dos anos. Não é um ensemble reunido por conveniência — é um grupo com história em comum, o que numa comédia sobre amizade masculina e comunicação falhada é um dado que importa. Moura vem de ganhar o Prémio de Melhor Actor em Cannes pelo The Secret Agent; Fiennes foi nomeado ao Óscar por Conclave; Farrell continua a ser uma das presenças mais imprevisíveis e fiáveis do cinema contemporâneo desde Os Espíritos de Inisherin.

Meirelles tem ainda em pós-produção Here Comes the Flood, um projecto Netflix com Robert Pattinson e Denzel Washington. Art chega a seguir — e com este elenco, a questão não é se vale a pena prestar atenção. É quando começa a rodar.

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Meryl Streep disse o que muitos pensam: “Tendemos a Marvel-izar os filmes — é muito aborrecido”

Há declarações que circulam durante um dia e morrem. E há declarações de Meryl Streep. Esta vai ficar algum tempo.

A propósito da estreia de O Diabo Veste Prada 2, a actriz deu uma entrevista ao Deadline em que foi directa sobre o estado do cinema mainstream: “Tendemos a Marvel-izar os filmes agora. Achatamos as personagens em tropos. É muito aborrecido.” A frase está a circular há dois dias em todos os cantos da internet e continua a gerar reacções — de quem concorda entusiasticamente, de quem defende o cinema de super-heróis e de quem simplesmente aprecia ver alguém com o currículo de Streep a dizer o que pensa sem filtro.

O timing é perfeito — ou perfeitamente calculado. O Diabo Veste Prada 2 abriu num slot que estava originalmente reservado aos Vingadores: Juízo Final, depois de a Marvel ter recuado na data. Um filme sem efeitos especiais, sem trajes de combate e sem universo expandido tomou o lugar do franchise mais lucrativo da história do cinema — e fez 233 milhões globais no primeiro fim-de-semana. A declaração de Streep é também uma leitura do momento: o público respondeu a personagens complexas, a diálogos afiados e a actrizes com décadas de ofício. Isso diz qualquer coisa.

Streep não é a primeira a usar o termo “Marvel-izar” — Martin Scorsese abriu caminho em 2019 com a sua declaração sobre o cinema de super-heróis não ser “verdadeiro cinema”, e a polémica que se seguiu alimentou debates durante meses. Mas há uma diferença: Scorsese falou de fora. Streep falou de dentro de um fim-de-semana em que provou, com bilhetes vendidos, que há outra forma de abrir o verão de Hollywood. É mais difícil contra-argumentar assim.

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Olivia Rodrigo fez ontem à noite aquilo que poucos artistas conseguem: apresentar o Saturday Night Live e actuar como convidada musical no mesmo episódio, com a mesma energia nos dois papéis. Foi a sua terceira aparição no programa — esteve como convidada musical em 2021 e 2023 — mas a primeira vez a apresentar. E aproveitou bem a dupla função.

A monóloga arrancou com uma revisitação às suas origens no Disney Channel em Bizaardvark e uma piada sobre Jake Paul — o antigo colega que, segundo Rodrigo, lhe disse em tempos que queria “um dia bater em velhos no Netflix”. A seguir veio uma paródia musical de drivers license, reescrita como uma história de luta com o cartão de cidadão no balcão da conservatória. O público no estúdio 8H respondeu como se fosse um concerto.

Para as actuações musicais, os convidados estiveram à altura do momento. Debbie Harry — líder dos Blondie, 80 anos, presença inconfundível — entrou em palco para apresentar Drop Dead, o primeiro single do terceiro álbum, lançado a 17 de Abril e já no número um do Billboard Hot 100. Foi o quarto número um consecutivo de Rodrigo nessa tabela. Para a segunda actuação, Connor Storrie — o actor canadiano de Heated Rivalry que se tornou num dos rostos mais reconhecidos do momento — apresentou Begged, uma balada melancólica inédita que Rodrigo cantou sentada num baloiço, numa imagem que replica directamente a capa do álbum. A canção, centrada na incerteza e na contenção emocional, é o contraponto perfeito à energia de Drop Dead.

O álbum You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love sai a 12 de Junho. Com dois temas apresentados ao vivo e uma digressão europeia marcada para o outono — a Unraveled Tour passa por várias cidades europeias —, o verão de Olivia Rodrigo está a tomar forma antes de o verão sequer começar.

Hollywood não vai ter greve: SAG-AFTRA fechou acordo de quatro anos com os estúdios — e a IA foi a batalha central

Ninguém em Hollywood queria repetir 2023. As greves simultâneas da WGA e da SAG-AFTRA que paralisaram a indústria durante meses deixaram marcas que ainda se sentem — séries atrasadas, filmes reconfigurados, carreiras interrompidas. Essa memória colectiva esteve presente em todas as reuniões dos últimos meses e ajuda a explicar a velocidade com que o acordo chegou: ontem, 2 de Maio, a SAG-AFTRA e a Alliance of Motion Picture and Television Producers confirmaram um acordo provisório que garante paz laboral até 2030.

É um contrato de quatro anos — um ano a mais do que o habitual, à semelhança do que a WGA aceitou em Abril — com reforço significativo do fundo de pensões do sindicato e um conjunto de protecções específicas contra o uso da inteligência artificial. Estes últimos foram a pedra angular das negociações: Duncan Crabtree-Ireland, director executivo da SAG-AFTRA, deixou claro desde o início que não aceitaria um contrato mais longo sem garantias concretas sobre IA. Os detalhes exactos só serão divulgados após a aprovação pelo conselho nacional do sindicato, que se reúne nos próximos dias — mas as fontes próximas das negociações descrevem um acordo que vai além das protecções de 2023 em matéria de réplicas digitais e uso de imagem sem consentimento.

O contexto é relevante: as negociações começaram a 9 de Fevereiro, foram interrompidas em Março para dar prioridade à WGA, e retomadas a 27 de Abril. Cinco dias depois, estava feito. A diferença em relação a 2023, segundo os próprios negociadores, foi a postura da AMPTP: “As empresas vieram prontas para negociar desde o primeiro dia”, disse um dos envolvidos ao Deadline. “Em ciclos anteriores havia semanas em que não se avançava nada.”

Fica por resolver o acordo com a Directors Guild of America, cujas negociações arrancam a 11 de Maio, lideradas por Christopher Nolan enquanto presidente da DGA. A guild dos realizadores tem um historial de negociações mais tranquilas — só foi a greve uma vez, em 1987, durante três horas — mas o facto de os três grandes contratos expirarem em simultâneo dá a Nolan uma alavancagem que os seus antecessores raramente tiveram.

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“O Senhor das Moscas” em série: Jack Thorne adapta Golding para o Netflix depois do fenómeno “Adolescence”

“O Diabo Veste Prada 2” fez 233 milhões globais no fim-de-semana de estreia: o público deu o seu veredicto

“O Diabo Veste Prada 2” fez 233 milhões globais no fim-de-semana de estreia: o público deu o seu veredicto

Os números finais chegaram esta manhã e são inequívocos. O Diabo Veste Prada 2 fez 77 milhões de dólares nos Estados Unidos e 233 milhões a nível global no fim-de-semana de estreia — o maior arranque de sempre para um filme não-animado liderado por mulheres, e o segundo melhor início de ano a nível global em 2026, apenas atrás de O Super Mario Galaxy Movie. Em Portugal, onde estreou na quinta-feira, as salas registaram sessões esgotadas durante todo o fim-de-semana.

O número que mais importa não é o doméstico nem o global — é o internacional: 156 milhões fora dos Estados Unidos, com o Reino Unido, França, Austrália, Espanha e Coreia do Sul a liderarem um desempenho que confirma que Miranda Priestly é uma personagem verdadeiramente sem fronteiras. A China, onde o filme abriu na quinta-feira, já acumula 4,9 milhões com uma quota de mercado de 62% — o maior arranque do ano no mercado chinês para um título ocidental. Em França, onde o primeiro filme tem estatuto de culto, os 4,6 milhões do fim-de-semana representam a terceira maior abertura do ano.

Para quem ainda não foi — e os números sugerem que há muita gente que foi — o veredicto do público é claro: 89% de aprovação nas audiências do Rotten Tomatoes, bem acima dos 78% da crítica. A diferença entre os dois números diz alguma coisa sobre o filme: os críticos encontraram fragilidades no argumento e na sub-personagem de origem asiática, mas o público simplesmente não se importou. Meryl Streep como Miranda Priestly em modo de fim de carreira, Anne Hathaway a equilibrar nostalgia e presente, Emily Blunt do outro lado da barricada — é uma equação que vinte anos de espera tornaram irresistível.

David Frankel, o realizador, disse esta semana que não havia planos para uma terceira parte. Com 233 milhões globais num fim-de-semana, alguém na 20th Century Studios vai certamente ter uma opinião diferente nos próximos dias.

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