Há declarações que circulam durante um dia e morrem. E há declarações de Meryl Streep. Esta vai ficar algum tempo.
A propósito da estreia de O Diabo Veste Prada 2, a actriz deu uma entrevista ao Deadline em que foi directa sobre o estado do cinema mainstream: “Tendemos a Marvel-izar os filmes agora. Achatamos as personagens em tropos. É muito aborrecido.” A frase está a circular há dois dias em todos os cantos da internet e continua a gerar reacções — de quem concorda entusiasticamente, de quem defende o cinema de super-heróis e de quem simplesmente aprecia ver alguém com o currículo de Streep a dizer o que pensa sem filtro.
O timing é perfeito — ou perfeitamente calculado. O Diabo Veste Prada 2 abriu num slot que estava originalmente reservado aos Vingadores: Juízo Final, depois de a Marvel ter recuado na data. Um filme sem efeitos especiais, sem trajes de combate e sem universo expandido tomou o lugar do franchise mais lucrativo da história do cinema — e fez 233 milhões globais no primeiro fim-de-semana. A declaração de Streep é também uma leitura do momento: o público respondeu a personagens complexas, a diálogos afiados e a actrizes com décadas de ofício. Isso diz qualquer coisa.
Streep não é a primeira a usar o termo “Marvel-izar” — Martin Scorsese abriu caminho em 2019 com a sua declaração sobre o cinema de super-heróis não ser “verdadeiro cinema”, e a polémica que se seguiu alimentou debates durante meses. Mas há uma diferença: Scorsese falou de fora. Streep falou de dentro de um fim-de-semana em que provou, com bilhetes vendidos, que há outra forma de abrir o verão de Hollywood. É mais difícil contra-argumentar assim.
“O Diabo Veste Prada 2” fez 233 milhões globais no fim-de-semana de estreia: o público deu o seu veredicto
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