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We Bury the Dead: o filme de zombies que troca os gritos pelo som mais perturbador de todos

Num género onde já vimos praticamente tudo, desde mortos-vivos velozes a apocalipses globais repetidos até à exaustão, We Bury the Dead surge como uma rara tentativa de fazer algo diferente. Em vez de apostar em litros de sangue ou sustos fáceis, o novo filme de zombies realizado por Zak Hilditch escolhe um caminho muito mais desconfortável: o som.

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O elemento mais perturbador do filme não é visual, mas auditivo. Os mortos-vivos de We Bury the Dead são anunciados por um ruído quase insuportável: o ranger obsessivo de dentes. Um som simples, mas visceral, capaz de provocar arrepios imediatos. Segundo o realizador, a ideia nasceu tanto da limitação orçamental como da vontade de criar uma identidade própria para estas criaturas. O resultado é eficaz e profundamente incómodo, funcionando como uma espécie de alarme psicológico que prepara o espectador para o pior.

A história acompanha Ava Newman, uma mulher que viaja até à Austrália depois de um acidente militar que envolve o seu marido. O que começa como uma missão de resgate transforma-se rapidamente numa luta pela sobrevivência quando os mortos começam a regressar. Ava não é uma heroína clássica, nem uma figura de acção preparada para o caos. É uma pessoa comum, atirada para uma situação extraordinária, o que reforça o tom intimista e humano do filme.

Há um peso emocional muito claro em We Bury the Dead. O filme nasce de uma experiência pessoal do realizador, marcada pela perda da mãe e pelo processo físico e emocional de lidar com o luto. Essa vivência reflecte-se na forma como o filme aborda a morte, não como espectáculo, mas como presença constante e incómoda. Enterrar os mortos, literal e simbolicamente, torna-se um acto de sobrevivência emocional tanto quanto física.

A escolha da protagonista revela-se decisiva. Daisy Ridley, aqui bem longe do universo galáctico que a tornou mundialmente conhecida, entrega uma interpretação intensa, contida e profundamente humana. O filme repousa quase inteiramente sobre os seus ombros, acompanhando-a de perto numa espiral de medo, exaustão e dor. Ridley afasta-se de qualquer registo heroico e constrói uma personagem frágil, determinada e credível, mostrando uma faceta da sua carreira que muitos ainda não tinham visto.

Visualmente, We Bury the Dead evita o espectáculo fácil. A Austrália surge como um espaço vasto, isolado e silencioso, onde o perigo pode surgir a qualquer momento, anunciado apenas pelo som dos dentes a ranger. A realização aposta mais na atmosfera do que na acção, criando um filme tenso, por vezes sufocante, que se infiltra lentamente na cabeça do espectador.

Zak Hilditch não esconde que não pretende regressar ao género zombie tão cedo. Para ele, este filme só fazia sentido se conseguisse acrescentar algo de novo ao imaginário já saturado do género. O resultado é uma obra que respeita as regras clássicas dos mortos-vivos, mas que brinca com as expectativas, puxando o tapete ao público quando este pensa saber exactamente o que vai acontecer.

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We Bury the Dead não quer reinventar o género, mas sim lembrar que ainda há espaço para histórias mais pequenas, mais pessoais e mais inquietantes. Um filme onde o verdadeiro horror não está apenas nos mortos que regressam, mas no peso emocional de quem fica para os enterrar.

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