Osgood Perkins tem um talento específico e inconfundível: construir terror a partir do dentro para fora. Não há monstros que saltam da escuridão nos seus filmes — há atmosferas que se instalam devagar, realidades que começam a ceder, personagens que já não sabem distinguir o que é real do que o seu próprio cérebro está a fabricar. The Blackcoat’s Daughter, I Am the Pretty Thing That Lives in the House, Longlegs — são filmes que ficam depois de acabarem, não pela adrenalina mas pelo desconforto. Keeper: Para Sempre segue a mesma lógica e estreia esta sexta-feira, 16 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.
A premissa usa um dos cenários mais clássicos do género — a cabana isolada na floresta — mas recusa o que habitualmente se faz com ele. Liz e Malcolm celebram o primeiro aniversário da relação num refúgio aparentemente idílico. Quando Malcolm se ausenta subitamente, alegando ter de regressar à cidade para tratar de um paciente, Liz fica sozinha numa cabana que começa a revelar um passado que não estava nos planos da viagem. As visões chegam devagar. A percepção da realidade vai cedendo. E quando Malcolm regressa, o seu comportamento levanta questões que Liz não consegue ignorar: o horror pode não estar apenas em quem habita a casa, mas no que se esconde dentro dela — e dentro dela própria.
Tatiana Maslany carrega o filme praticamente sozinha durante grande parte da sua duração — uma tarefa que conhece bem desde Orphan Black, onde interpretou múltiplas personagens em simultâneo com uma precisão técnica e emocional que lhe valeu o Emmy. Aqui está num registo mais contido e mais interior, e o resultado valeu-lhe o prémio de Melhor Actriz nos Film Critics Circle Awards de Vancouver. Rossif Sutherland, filho de Donald Sutherland e irmão de Kiefer, interpreta Malcolm com uma ambiguidade calculada que o argumento precisa.
James Wan — o realizador de Saw, Insidious e The Conjuring, e uma das vozes mais influentes do terror contemporâneo — descreveu o filme como “uma descida aterradora à loucura”. É uma formulação que serve bem o que Perkins faz: não é um filme de sustos, é um filme de erosão. Esta sexta-feira, às 21h30, no TVCine Top e TVCine+.
