“North of North” regressa para uma segunda temporada “mais louca”, depois de conquistar a crítica com um retrato inédito da vida inuk

Uma das séries mais surpreendentes e mais elogiadas da Netflix na última temporada está de regresso. “North of North” estreou a segunda temporada esta semana no Canadá, disponível na APTN+ desde 1 de setembro e agora também na CBC Gem, CBC TV e APTN TV a partir de 8 de setembro, com a estreia internacional na Netflix prevista ainda para este outono, embora sem data exata confirmada.

TIFF revela a programação “Primetime”, com “Carrie” de Mike Flanagan e um prelúdio de “Sexta-Feira 13” entre os destaques

Ambientada na vila fictícia ártica de Ice Cove, no Nunavut, a série acompanha Siaja, uma jovem inuk de 26 anos interpretada por Anna Lambe, que decide publicamente afastar-se do casamento com um marido bem-intencionado mas desligado da realidade, procurando reconstruir a sua própria identidade sem deixar de permanecer enraizada na comunidade onde cresceu. Como organizadora de eventos no centro comunitário local, Siaja lida com tudo, desde noites dedicadas aos mais idosos até eventos mais peculiares e culturalmente específicos, enquanto tenta, ao longo da primeira temporada, convencer a vila a acolher um novo centro de investigação, um fio narrativo que serve de pretexto para explorar as tensões entre tradição, modernidade e ambição pessoal numa comunidade pequena e isolada.

“A Ilha Esquecida”: a DreamWorks faz história com a primeira animação de um grande estúdio de Hollywood inspirada na mitologia filipina

O verdadeiro trunfo de “North of North” é aquilo que a tornou, desde a estreia em 2025, um caso raro de representação genuína na televisão de streaming: a série é a primeira produção original canadiana da Netflix, co-encomendada pela CBC em associação com a Aboriginal Peoples Television Network, e foi criada por Alethea Arnaquq-Baril e Stacey Aglok MacDonald, ambas inuk e residentes no Ártico, para quem contar esta história significava também dar visibilidade autêntica à sua própria comunidade e cultura. Esse compromisso com a autenticidade estendeu-se muito para além da sala de argumentistas: para um dos episódios da primeira temporada, a designer inuk Victoria Kakuktinniq viajou três horas de moto de neve para entregar pessoalmente o atigi, o casaco tradicional inuktitut, usado no casamento da personagem principal, um nível de detalhe cultural que a crítica destacou repetidamente como um dos pontos fortes da produção.

Esse cuidado traduziu-se em reconhecimento imediato: a primeira temporada arrecadou uma pontuação de 100% no Rotten Tomatoes e venceu cinco prémios nos Directors Guild of Canada Awards de 2025, incluindo Melhor Realização em Série de Comédia para Danis Goulet, além de outros reconhecimentos que a colocaram entre as estreias mais bem recebidas da televisão canadiana dos últimos anos. Para a segunda temporada, Anna Lambe já avisou que a história promete ficar “mais louca” e mais intensa do que a primeira, ao mesmo tempo que permite ao público conhecer as personagens secundárias com muito mais profundidade, com nomes convidados como o comediante canadiano Bruce McCulloch, dos lendários Kids in the Hall, e a cantora inuk Elisapie a juntarem-se ao elenco.

“Tenzing”: Tom Hiddleston e Willem Dafoe reconstroem a conquista do Evereste de 1953 no filme que abre o Festival de Zurique

Numa paisagem televisiva ainda dominada por representações limitadas ou estereotipadas de comunidades indígenas árticas, “North of North” continua a destacar-se precisamente por recusar tanto o exotismo como o vitimismo fácil, optando antes por uma comédia calorosa, específica e genuinamente enraizada na vida quotidiana de uma comunidade raramente vista com este grau de nuance no ecrã.