Um Triunfo Arrasador e uma Surpresa Monumental: A Noite em que os BAFTA Renderam-se a Paul Thomas Anderson

“One Battle After Another” conquista tudo — e muda o jogo

A cerimónia dos BAFTA 2026 ficou marcada por um domínio claro e inequívoco: One Battle After Another, o mais recente filme de Paul Thomas Anderson, saiu da gala com seis prémios — incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador — confirmando o estatuto da obra como uma das grandes forças desta temporada.

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Inspirado no romance Vineland, de Thomas Pynchon, o filme acompanha um revolucionário em fim de linha que tenta proteger a filha de um implacável oficial militar. Uma comédia de contracultura com nervo político e energia anárquica, que conquistou ainda os prémios de Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Actor Secundário e Melhor Argumento Adaptado.

Com 14 nomeações à partida — mais do que qualquer outro concorrente — a produção contou com interpretações de nomes como Leonardo DiCaprio, Sean Penn e Benicio del Toro. Penn acabaria mesmo por vencer o prémio de Melhor Actor Secundário, pela sua composição do arrepiante coronel Steven J. Lockjaw.

No discurso de aceitação, Anderson não poupou palavras: “Quem diz que os filmes já não são bons pode ir dar uma volta. Este é um ano extraordinário.” Citando Nina Simone — cuja frase “I know what freedom is, it’s no fear” ecoa no filme — o realizador apelou à criação sem medo, numa noite carregada de simbolismo.

O cineasta prestou ainda homenagem ao produtor Adam Somner, falecido em 2024, recordando a sua força durante a produção do filme, mesmo após descobrir que estava gravemente doente.

Surpresas, emoções e marcos históricos

Se houve um domínio claro, também houve espaço para surpresas. Uma das maiores da noite foi a vitória de Robert Aramayo como Melhor Actor por I Swear, batendo favoritos como Timothée Chalamet, Ethan Hawke e Michael B. Jordan.

Visivelmente emocionado, Aramayo confessou não acreditar que estivesse sequer nomeado ao lado de tais nomes, quanto mais vencedor. O filme, um biopic sobre o activista John Davidson e a sua luta contra o preconceito associado à síndrome de Tourette, venceu também o prémio de Melhor Casting.

Noutra nota histórica, Jessie Buckley tornou-se a primeira actriz irlandesa a vencer o BAFTA de Melhor Actriz, graças à sua interpretação devastadora em Hamnet, realizado por Chloé Zhao. A actriz agradeceu à filha e celebrou o poder das histórias contadas por mulheres, num dos discursos mais tocantes da noite.

Sinners, o thriller vampírico de Ryan Coogler sobre apagamento racial e cultural, arrecadou três prémios: Melhor Argumento Original, Melhor Banda Sonora Original e Melhor Actriz Secundária, distinção entregue à britânico-nigeriana Wunmi Mosaku.

Cinema político, discursos inflamados e humor mordaz

A noite teve também forte carga política e social. Coogler tornou-se o primeiro realizador negro a vencer o BAFTA de Melhor Argumento Original, sublinhando a importância da comunidade e da empatia. Akinola Davies Jr venceu o prémio de Melhor Estreia Britânica por My Father’s Shadow, deixando uma mensagem sobre memória, identidade e liberdade.

Guillermo del Toro’s Frankenstein conquistou três prémios técnicos, enquanto Sentimental Value venceu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa — a primeira vez que uma produção norueguesa arrecada tal distinção.

A cerimónia foi conduzida por Alan Cumming, que não resistiu a uma abertura carregada de ironia política. Num dos momentos mais comentados, brincou com o enredo de Zootropolis 2, ironizando que até os filmes de animação parecem agora reflectir as tensões do mundo real.

Entre discursos emocionados, críticas subtis e humor certeiro, os BAFTA 2026 confirmaram que o cinema continua a ser um espelho do nosso tempo — inquieto, vibrante e profundamente humano.

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Veja a Lista completa:
Melhores Efeitos Visuais Especiais

Avatar: Fire and Ash – VENCEDOR

F1

Frankenstein

How to Train Your Dragon

The Lost Bus

Melhor Actriz Secundária

Odessa A’zion – Marty Supreme

Inga Ibsdotter Lilleaas – Sentimental Value

Wunmi Mosaku – Sinners – VENCEDORA

Carey Mulligan – The Ballad of Wallis Island

Teyana Taylor – One Battle After Another

Emily Watson – Hamnet

Melhor Actor Secundário

Benicio del Toro – One Battle After Another

Jacob Elordi – Frankenstein

Paul Mescal – Hamnet

Peter Mullan – I Swear

Sean Penn – One Battle After Another – VENCEDOR

Stellan Skarsgård – Sentimental Value

Melhor Filme para Crianças e Família

Arco

Boong – VENCEDOR

Lilo & Stitch

Zootropolis 2

Melhor Direcção Artística

Frankenstein – VENCEDOR

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

Sinners

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Frankenstein – VENCEDOR

Hamnet

Marty Supreme

Sinners

Wicked: For Good

Melhor Documentário

2000 Meters to Andriivka

Apocalypse in the Tropics

Cover-Up

Mr Nobody Against Putin – VENCEDOR

The Perfect Neighbor

Melhor Curta-Metragem Britânica

Magid/Zafar

Nostalgie

Terence

This Is Endometriosis – VENCEDOR

Welcome Home Freckles

Melhor Curta-Metragem de Animação Britânica

Cardboard

Solstice

Two Black Boys in Paradise – VENCEDOR

Melhor Argumento Original

I Swear – Kirk Jones

Marty Supreme – Ronald Bronstein, Josh Safdie

The Secret Agent – Kleber Mendonça Filho

Sentimental Value – Eskil Vogt, Joachim Trier

Sinners – Ryan Coogler – VENCEDOR

Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico

The Ceremony – Jack King (realizador, argumentista), Hollie Bryan (produtora), Lucy Meer (produtora)

My Father’s Shadow – Akinola Davies Jr (realizador), Wale Davies (argumentista) – VENCEDOR

Pillion – Harry Lighton (realizador, argumentista)

A Want in Her – Myrid Carten (realizadora)

Wasteman – Cal McMau (realizador), Hunter Andrews (argumentista), Eoin Doran (argumentista)

Melhor Casting

I Swear – VENCEDOR

Marty Supreme

One Battle After Another

Sentimental Value

Sinners

Melhor Montagem

F1

A House of Dynamite

Marty Supreme

One Battle After Another – VENCEDOR

Sinners

Melhor Filme de Animação

Elio

Little Amélie

Zootropolis 2 – VENCEDOR

Melhor Fotografia

Frankenstein

Marty Supreme

One Battle After Another – VENCEDOR

Sinners

Train Dreams

Melhor Som

F1 – VENCEDOR

Frankenstein

One Battle After Another

Sinners

Warfare

Melhor Banda Sonora Original

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

One Battle After Another

Sinners – VENCEDOR

Melhor Argumento Adaptado

The Ballad of Wallis Island – Tom Basden, Tim Key

Bugonia – Will Tracy

Hamnet – Chloé Zhao, Maggie O’Farrell

One Battle After Another – Paul Thomas Anderson – VENCEDOR

Pillion – Harry Lighton

Melhor Guarda-Roupa

Frankenstein – VENCEDOR

Hamnet

Marty Supreme

Sinners

Wicked: For Good

Melhor Filme em Língua Não Inglesa

It Was Just an Accident

The Secret Agent

Sentimental Value – VENCEDOR

Sirāt

The Voice of Hind Rajab

Melhor Filme Britânico

28 Years Later

The Ballad of Wallis Island

Bridget Jones: Mad About the Boy

Die My Love

H Is for Hawk

Hamnet – VENCEDOR

I Swear

Mr Burton

Pillion

Steve

EE Rising Star Award

Robert Aramayo – VENCEDOR

Miles Caton

Chase Infiniti

Archie Madekwe

Posy Sterling

Melhor Realizador

Bugonia – Yorgos Lanthimos

Hamnet – Chloé Zhao

Marty Supreme – Josh Safdie

One Battle After Another – Paul Thomas Anderson – VENCEDOR

Sentimental Value – Joachim Trier

Sinners – Ryan Coogler

Melhor Actor Principal

Robert Aramayo – I Swear – VENCEDOR

Timothée Chalamet – Marty Supreme

Leonardo DiCaprio – One Battle After Another

Ethan Hawke – Blue Moon

Michael B. Jordan – Sinners

Jesse Plemons – Bugonia

Melhor Actriz Principal

Jessie Buckley – Hamnet – VENCEDORA

Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You

Kate Hudson – Song Sung Blue

Chase Infiniti – One Battle After Another

Renate Reinsve – Sentimental Value

Emma Stone – Bugonia

Melhor Filme

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another – VENCEDOR

Sentimental Value

Sinners

Prémio para Contribuição Britânica de Excelência para o Cinema

Clare Binns

BAFTA Fellowship

Donna Langley

Surpresa, política e ausências sonantes: One Battle After Another lidera as nomeações para os BAFTA

Thriller de Leonardo DiCaprio destaca-se numa edição marcada por diferenças face aos Óscares

As nomeações para os BAFTA Film Awards deste ano confirmam aquilo que já se vinha a desenhar nas últimas semanas: o cinema britânico e internacional segue caminhos próprios, nem sempre alinhados com Hollywood. O grande destaque vai para One Battle After Another, thriller político protagonizado por Leonardo DiCaprio, que lidera a corrida com 14 nomeações, tornando-se o filme mais nomeado desta edição.

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Logo atrás surge o vampírico Sinners, com 13 nomeações, enquanto Hamnet e a inesperada biografia desportiva Marty Supreme arrecadam 11 nomeações cada. Apesar do forte desempenho, nenhum destes títulos conseguiu igualar o recorde absoluto dos BAFTA, fixado nas 16 nomeações por Gandhi (1982).

DiCaprio, Infiniti e Taylor em destaque

Para além de DiCaprio, One Battle After Another valeu nomeações a Chase Infiniti e Teyana Taylor, consolidando o filme como um dos fenómenos críticos do ano. Curiosamente, Infiniti é um dos actores que ficaram de fora das nomeações aos Óscares, mas que aqui encontra reconhecimento — uma tendência que se repete noutras categorias.

Os BAFTA, ao disporem de seis nomeados por categoria (em vez dos cinco habituais nos Óscares), permitem uma maior diversidade de escolhas e dão espaço a desempenhos que ficaram à margem da corrida norte-americana.

Paul Mescal, Jessie Buckley e o peso britânico

13/12/2025 Dublin Ireland. Photo shows actor Paul Mescal and actress Jessie Buckley at the irish premiere of the film Hamnet at the Light House Cinema. Photo: Leah Farrell/© RollingNews.ie

Entre os actores, Paul Mescal e Jessie Buckley surgem nomeados por Hamnet, reforçando a forte presença de talento britânico e irlandês nesta edição. Buckley é, de resto, considerada uma das favoritas também na corrida aos Óscares, ao lado de Timothée Chalamet, que repete igualmente a sua nomeação nos BAFTA.

A lista inclui ainda vários nomes britânicos em evidência, como Carey MulliganEmily WatsonRobert Aramayo e Peter Mullan, sublinhando a missão dos BAFTA em promover o cinema produzido no Reino Unido.

As grandes ausências e as escolhas polémicas

Nem tudo são boas notícias. Quatro actores nomeados aos Óscares ficaram de fora dos BAFTA: Amy MadiganDelroy LindoWagner Moura e Elle Fanning — sendo que Moura e Fanning nem sequer integraram as longlists da academia britânica.

Em contrapartida, Jesse Plemons e Odessa A’Zion, ignorados pelos Óscares, surgem aqui nomeados.

Outro caso curioso é Wicked: For Good, que falhou completamente os Óscares mas conseguiu duas nomeações técnicas nos BAFTA, enquanto o thriller brasileiro The Secret Agent vê reduzido para metade o número de nomeações face à Academia de Hollywood.

A ausência mais notada é, talvez, KPop Demon Hunters, o fenómeno viral da Netflix, que ficou de fora por não ter tido estreia em sala no Reino Unido — um lembrete de que, para os BAFTA, o cinema continua a começar no grande ecrã.

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Cerimónia marcada para Fevereiro

Os BAFTA Film Awards realizam-se no próximo 22 de Fevereiro, no Royal Festival Hall, em Londres, com apresentação de Alan Cumming. Até lá, One Battle After Another parte na dianteira — mas, como sempre, a noite promete surpresas.

Óscares 2026: As Grandes Omissões (e as Surpresas) Que Dizem Mais do Que os Vencedores

Entre recordes, ausências gritantes e apostas inesperadas, as nomeações voltam a revelar o estado de Hollywood

As nomeações para os Óscares 2026 trouxeram um misto de espanto e previsibilidade. Por um lado, Sinners entrou directamente para a história com 16 nomeações, um recorde absoluto. Por outro, alguns dos melhores filmes e interpretações do ano ficaram inexplicavelmente de fora. E como a própria Amanda Seyfried lembrou recentemente, ganhar um Óscar não é sinónimo de carreira bem-sucedida — mas uma omissão continua a doer, sobretudo quando revela contradições difíceis de ignorar.

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Ao longo da história da Academia, os snubs (essas exclusões dolorosas) acabaram por ser, muitas vezes, um barómetro mais honesto do cinema de um determinado ano do que os próprios vencedores. Em 2026, não é diferente.

Surpresa: “Train Dreams” | Omissão: Joel Edgerton

A estreia da nova categoria de Melhor Casting parecia feita à medida de filmes como One Battle After AnotherSinnersou Hamnet. Ainda assim, Train Dreams conseguiu a proeza de ser nomeado para Melhor Filme… sem qualquer nomeação para os seus actores. A ausência de Joel Edgerton, protagonista absoluto, levanta uma pergunta incómoda: o que torna um filme digno de Melhor Filme se não as interpretações que o sustentam?

Omissão: “Avatar: Fire and Ash”

É oficial: pela primeira vez, um filme da saga Avatar ficou fora da corrida a Melhor Filme. Avatar: Fire and Ash até marca presença noutras categorias técnicas, mas a Academia parece ter perdido o deslumbramento com o universo criado por James Cameron. Eywa continua viva em Pandora — mas claramente ausente em Hollywood…

Surpresa (e polémica): “F1”

Talvez a nomeação mais inesperada do ano. F1 chega a Melhor Filme depois de dominar o box office de Verão, mas a decisão divide opiniões. O filme funciona como thriller desportivo competente, mas é difícil ignorar o seu lado promocional da Fórmula 1. Mais estranho ainda: ficou fora de Melhor Fotografia, a categoria onde parecia ter caminho aberto.

Omissão: Paul Mescal em “Hamnet”

Em HamnetPaul Mescal assume um papel secundário — e é precisamente isso que torna a sua ausência tão curiosa. Num filme nomeado para Melhor Filme, Realização, Argumento Adaptado e Casting, a exclusão de um dos intérpretes-chave soa a incoerência. Especialmente quando Jessie Buckley surge como forte favorita.

Surpresa: Delroy Lindo em “Sinners”

Nem todas as histórias são de frustração. A nomeação de Delroy Lindo para Actor Secundário é um dos momentos mais celebrados do ano. A sua personagem em Sinners protagoniza uma das cenas mais intensas e memoráveis de 2025 — e, no meio de um recorde histórico de nomeações, esta pode ser finalmente a consagração que lhe escapava há décadas.

Omissão: Odessa A’Zion em “Marty Supreme”

Se Marty Supreme está nomeado para Melhor Casting, a ausência de Odessa A’Zion torna-se difícil de justificar. Num ano de afirmação e visibilidade crescente, a actriz entregou uma das interpretações secundárias mais vibrantes de 2025 — e foi ignorada.

Omissão total: “No Other Choice”

Talvez o caso mais gritante. No Other Choice, de Park Chan-wook, ficou fora de todas as categorias, incluindo Filme Internacional. É mais um capítulo estranho na relação da Academia com um dos autores mais respeitados do cinema contemporâneo, ainda sem qualquer Óscar no currículo.

Quando os Óscares falam… e quando se calam

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As nomeações de 2026 mostram uma Academia dividida entre abertura e conservadorismo, espectáculo e autor, técnica e emoção. Como sempre, os prémios dirão quem vence — mas as omissões já disseram muito sobre o momento actual de Hollywood 🎬.

Timothée Chalamet bate DiCaprio e conquista o Globo de Ouro numa noite cheia de surpresas Marty Supreme dá a vitória ao actor, enquanto One Battle After Another domina a cerimónia

A 83.ª edição dos Globos de Ouro confirmou aquilo que Hollywood já vinha a sussurrar: Timothée Chalamet está cada vez mais perto de se afirmar como um dos grandes nomes da sua geração. O actor venceu o prémio de Melhor Actor em Filme de Musical ou Comédia pela sua prestação em Marty Supreme, batendo uma concorrência de luxo que incluía Leonardo DiCaprio e George Clooney.

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A vitória representa um momento simbólico na carreira de Chalamet: depois de cinco nomeações, foi a primeira vez que subiu ao palco para receber um Globo de Ouro. No discurso, sublinhou a importância da gratidão, recordando os ensinamentos do pai, e admitiu que as derrotas passadas tornaram este triunfo “ainda mais doce”. O actor aproveitou ainda para agradecer aos pais e à companheira, Kylie Jenner, presente na plateia.

DiCaprio perde o actor, mas vence o filme

Apesar de Leonardo DiCaprio ter saído de mãos a abanar na categoria de interpretação, o seu filme One Battle After Another foi o grande vencedor da noite em termos absolutos. A produção arrecadou quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme de Musical ou Comédia, Melhor Realização e Melhor Argumento para Paul Thomas Anderson.

Visivelmente emocionado, Anderson agradeceu o carinho demonstrado pela indústria, sublinhando o privilégio de continuar a fazer cinema com liberdade criativa. O filme confirmou-se, assim, como um dos pesos pesados da actual temporada de prémios.

Hamnet surpreende no drama

Uma das maiores surpresas da noite foi a vitória de Hamnet na categoria de Melhor Filme Dramático, numa corrida onde Sinners era apontado como favorito. A protagonista Jessie Buckley venceu também o prémio de Melhor Actriz em Drama, agradecendo a oportunidade de participar numa produção internacional que cruzou culturas, equipas e sensibilidades.

A realizadora Chloé Zhao mostrou-se surpreendida ao receber o prémio, enquanto o produtor Steven Spielberg elogiou o romance de Maggie O’Farrell e afirmou que Zhao era “a única cineasta capaz de contar esta história”.

Discursos marcantes e afirmação internacional

Outro dos momentos mais emocionantes da noite pertenceu a Teyana Taylor, distinguida como Melhor Actriz Secundária por One Battle After Another. Em lágrimas, deixou uma mensagem poderosa dirigida às “irmãs e raparigas racializadas”, lembrando que a sua luz não precisa de permissão para brilhar.

Na vertente internacional, o thriller político brasileiro The Secret Agent venceu o prémio de Melhor Filme Internacional, com Wagner Moura a conquistar o Globo de Melhor Actor em Drama. No discurso, falou de trauma geracional e da importância de manter valores em tempos difíceis.

Televisão também em destaque

Como é tradição, os Globos de Ouro distinguiram igualmente a televisão. A série Adolescence continuou a somar prémios, com Owen Cooper, de apenas 16 anos, a vencer como Melhor Actor Secundário. Humilde, descreveu-se como “um aprendiz que ainda está a aprender todos os dias”.

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A cerimónia confirmou, assim, que os Globos continuam a ser um termómetro essencial rumo aos Óscares — e que uma nova geração de talentos está pronta para assumir o protagonismo.

O Filme Que Está a Dividir Críticos: A Estranha Odisseia de Hamnet

Quando Shakespeare Inspira um Drama Fantástico… e Umas Quantas Gripezinhas Criativas

Hamnet chega envolto numa onda de entusiasmo que quase parece maior do que o próprio filme. Depois de conquistar o People’s Choice Award no Festival de Toronto — um prémio que, curiosamente, tem o dom quase místico de irritar sempre os mesmos críticos — o novo trabalho de Chloé Zhao aterra nas salas com a confiança própria de quem já foi proclamado “o melhor filme de sempre” numa citação publicitária tão hiperbolizada que nem o site que a supostamente escreveu parece saber onde ela está. Convenhamos: é um começo… peculiar.

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Adaptado do romance de Maggie O’Farrell, Hamnet reinventa a história por detrás da criação de Hamlet, imaginando um Shakespeare em modo devaneio espiritual, a transformar a morte real do filho de onze anos numa catarse literária. O problema é que, segundo o texto original que inspirou este artigo, esta transformação cinematográfica não só exige um salto de fé, como um salto ornamental completo — daqueles dignos de competição olímpica.

Zhao anuncia desde o primeiro plano que não está interessada no rigor histórico. Jessie Buckley surge enrolada no chão da floresta, vestida de vermelho vivo, quase como uma divindade pagã caída num postal ilustrado de Terrence Malick. A sua Agnes (o nome pelo qual Anne Hathaway, mulher de Shakespeare, é aqui chamada) é apresentada como uma espécie de criatura mística que conversa com aves de rapina, tem poderes telúricos e transforma um parto numa cheia bíblica. Buckley, sempre impecável, tenta dar humanidade a esta figura mitológica, mas nem o seu talento evita que a personagem oscile entre o excêntrico e o involuntariamente cómico.

Depois temos Shakespeare, interpretado por Paul Mescal num registo tão trapalhão e desarticulado que o espectador fica a pensar se a ausência de eloquência será uma piada interna. A decisão artística é ousada, sem dúvida, mas acaba por ser estranha numa narrativa que gira à volta de um dos maiores escritores da História. Mescal — brilhante em Aftersun — vê-se aqui preso a um papel que insiste em transformá-lo num bobalhão melancólico perseguido por ravinas simbólicas que gritam “DESTINO TRÁGICO” com letras gigantes.

Quando chega a morte da criança, Zhao puxa do manual de melodrama com tanta intensidade que qualquer comparação com E.T. passa a parecer elogio moderado. A encenação do sacrifício do pequeno Hamnet, que supostamente “engana” a doença para salvar a irmã, estica o conceito de realismo mágico para lá da elasticidade possível. Buckley entrega uma performance visceral, repleta de gritos, lágrimas e toda a carga emocional possível, mas o filme parece mais interessado em provocar soluços do que em explorar a dor com subtileza.

O luto dá depois lugar ao ressentimento: Agnes transforma Shakespeare no saco de pancada emocional da casa, acusando-o de estar ausente em Londres, ocupado a escrever algumas das maiores obras da literatura, enquanto devia… assistir à tragédia em directo. A tensão culmina numa cena no Globe Theatre que desafia qualquer lógica histórica e que apresenta Agnes como alguém que, ao ver uma peça pela primeira vez, encontra redenção espiritual no exacto momento em que o argumento o exige.

O texto fornecido afirma ainda que Hamnet adopta uma visão quase simplista do processo criativo, atribuindo a génese de Hamlet a um momento de dor tão imediato que ignora completamente o trabalho, reescrita e complexidade inerentes à criação artística. Shakespeare, tal como aqui apresentado, praticamente tropeça no famoso “Ser ou não ser” entre um abismo e outro, como se as palavras lhe caíssem do céu. É um retrato algo redutor, por mais poético que Zhao o tente tornar.

Também há ecos de Nomadland, com os mesmos enquadramentos poético-rústicos ao pôr-do-sol e um uso intensivo da música de Max Richter — incluindo “On the Nature of Daylight”, peça recorrente em tantas produções que já rivaliza com “Carmina Burana” na categoria “banda sonora incontornável, mas desgastada”.

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No fim, Hamnet pode ser visto como uma tentativa ambiciosa de transformar Shakespeare em mito e dor em fantasia. Mas, segundo a crítica que esteve na base deste texto, é uma obra que procura lágrimas antes de procurar verdade, preferindo adornar a emoção em vez de a explorar. O resultado é um filme que divide, que provoca reacções fortes — nem sempre pelas razões pretendidas — e que deixa no ar uma pergunta: será este épico emocional um poema visual ou apenas um truque dramático à procura de prémios?

Steven Spielberg Surpreende na Estreia de Hamnet e Elogia Chloé Zhao: “Ela Está Ligada ao Batimento Sísmico da Terra” 🌍🎬

O lendário realizador apareceu de surpresa no Festival de Londres e emocionou o público com palavras de admiração pela cineasta de Nomadland

O público presente na estreia europeia de Hamnet, o novo filme de Chloé Zhao, não estava preparado para isto: Steven Spielberg subiu inesperadamente ao palco do Royal Festival Hall, em Londres, para prestar uma homenagem sentida à realizadora. O momento arrancou aplausos entusiasmados e deu o tom emocional de uma noite já especial para o cinema.

Spielberg, que é produtor do filme, descreveu Hamnet como “uma poderosa história de amor e perda que inspirou a criação da obra-prima intemporal de Shakespeare, Hamlet”. No filme, Paul Mescal interpreta William Shakespeare e Jessie Buckley dá vida à sua esposa, Agnes, numa narrativa que mistura dor, inspiração e o poder da arte para transformar o sofrimento em eternidade.

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“Chloé Zhao está ligada ao coração da Terra”

O realizador de E.T.A Lista de Schindler e Os Fabelmans começou por recordar o momento em que conheceu Zhao, em 2022, num jantar para realizadores nomeados aos Óscares, logo após a vitória dela com Nomadland.

“Tornámo-nos amigos, e passámos a almoçar juntos na Amblin. Fico sempre maravilhado com ela”, contou Spielberg. “Acredito que a Terra tem um batimento cardíaco — um ciclo sísmico constante, 24 horas por dia — e que todos estamos ligados a esse batimento. Mas a Chloé está ligada a ele de uma forma profunda, porque é daí que vem a sua arte.”

Com a eloquência de quem reconhece um talento raro, Spielberg acrescentou:

“É isso que ela leva para o set todos os dias, é o que partilha com os atores. Quando virem Hamnet, vão sentir o batimento sísmico da Terra — por causa de Chloé Zhao.”

Paul Mescal chama-lhe “uma das grandes bruxas do nosso tempo”

O protagonista Paul Mescal, que dá corpo ao jovem Shakespeare, também não poupou elogios à realizadora, descrevendo-a como “uma das grandes bruxas do nosso tempo”. O ator explicou que o ambiente criado por Zhao durante as filmagens foi “mágico” e “um dos principais motivos pelos quais o público está a reagir tão fortemente ao filme”.

A sua parceira em cena, Jessie Buckley, emocionou-se visivelmente durante a apresentação, tal como a própria Zhao, que confessou sentir uma “imensa gratidão” por finalmente poder mostrar o filme na terra onde ele nasceu — literalmente.

“Trouxemos Hamnet para casa”

Chloé Zhao, visivelmente comovida, dirigiu-se ao público com uma humildade que já se tornou a sua marca:

“Sinto uma enorme gratidão, porque hoje trouxemos Hamnet para casa. Fazer este filme nesta ilha e com esta comunidade deu-me um profundo sentimento de pertença e segurança que nunca tinha experimentado. Ajudou-me a ultrapassar um período muito difícil da minha vida.”

Antes da projeção, a realizadora conduziu a plateia num breve exercício de respiração, pedindo que “todas as emoções fossem bem-vindas” durante o visionamento do filme — um gesto simples, mas profundamente simbólico do tipo de cinema espiritual e humano que Zhao continua a cultivar.

Um dos grandes candidatos à temporada de prémios

Depois de vencer o People’s Choice Award em Toronto, Hamnet chega agora à Europa com estatuto de favorito aos Óscares 2025. O filme terá estreia limitada nos EUA e Canadá a 27 de novembro, pela Focus Features, e chega ao Reino Unido a 9 de janeiro, através da Universal Pictures.

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Com a bênção de Spielberg e a assinatura sensível de Zhao, Hamnet promete ser muito mais do que um drama histórico — é uma experiência emocional, quase espiritual, sobre amor, perda e a pulsação invisível que nos liga a todos.

Hamnet”: O Filme Que Está a Partir Corações e a Rumo aos Óscares 💔🎭

Chloé Zhao regressa com Paul Mescal e Jessie Buckley num drama sobre Shakespeare, a perda e o poder do amor que sobrevive à morte

Prepare os lenços: o novo filme de Chloé Zhao, Hamnet, está a ser descrito como “o melhor filme do ano” — e o trailer agora divulgado confirma que vem aí uma verdadeira torrente de emoções. Depois de conquistar o público com Nomadland (que lhe valeu o Óscar de Melhor Realização), Zhao volta a mergulhar na dor humana com uma história de amor, perda e inspiração, centrada na figura do filho de William Shakespeare.

Antes de Hamlet, houve Hamnet

Baseado no romance homónimo de Maggie O’Farrell, Hamnet leva-nos à Inglaterra do século XVI, onde William Shakespeare (Paul Mescal) ainda luta por afirmar-se enquanto dramaturgo. Quando o seu filho Hamnet morre aos 11 anos, a tragédia transforma-se num ponto de viragem na vida do autor — um trauma que muitos acreditam ter dado origem à escrita de Hamlet, uma das maiores obras da literatura mundial.

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Mas a verdadeira alma do filme é Agnes (interpretada por Jessie Buckley), a esposa de Shakespeare, retratada como uma mulher intuitiva, ligada à natureza e consumida pelo luto. A relação entre ambos, filmada com a sensibilidade que Zhao já nos habituou, promete ser o coração emocional da narrativa.

Uma dor que ilumina

Apontado como um dos grandes candidatos à temporada de prémios, Hamnet já conquistou o People’s Choice Award no Festival de Toronto — distinção que, nos últimos anos, antecipou vários vencedores do Óscar de Melhor Filme. A estreia mundial deu-se em Telluride, onde foi recebido com aplausos de pé e críticas entusiasmadas.

A fotografia de Łukasz Żal (IdaCold War) envolve o filme numa aura etérea: campos verdejantes do País de Gales banhados por luz dourada, contrastando com o peso da dor e a serenidade de quem aprende a aceitar a perda.

Paul Mescal e Jessie Buckley: química e devastação

Depois de Aftersun, Paul Mescal confirma-se como um dos atores mais intensos da sua geração. Aqui, o seu Shakespeare é um homem dividido entre o génio criativo e a culpa pela ausência. Jessie Buckley, por sua vez, oferece uma performance descrita pela crítica como “mística e arrebatadora”, tornando Agnes numa das personagens femininas mais comoventes do cinema recente.

O cinema como elegia

Com argumento coescrito por Zhao e Maggie O’Farrell, Hamnet promete uma reflexão profunda sobre o amor, a morte e a arte como forma de eternizar a dor. Não é apenas um filme sobre Shakespeare — é sobre o que nos resta quando perdemos tudo.

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E se o trailer é alguma indicação, prepare-se: Hamnet não será apenas um dos filmes mais belos do ano — será também um dos mais tristes.