“Dias Perfeitos”: O Fenómeno Cinematográfico que Celebra Um Ano em Cartaz no Cinema Trindade

O Cinema Trindade, no Porto, celebra um marco histórico: o filme “Dias Perfeitos”, do realizador alemão Wim Wenders, cumpre um ano em exibição regular, algo extremamente raro no circuito cinematográfico português atual. Estreado a 14 de dezembro de 2023, esta obra intimista conquistou o público e permanece em cartaz graças ao entusiasmo gerado pelo boca-a-boca e pela experiência única que oferece.

Um Filme que Conquista pela Simplicidade

“Dias Perfeitos” retrata a rotina de um homem solitário, interpretado por Kôji Yakusho, que trabalha na limpeza de casas de banho públicas em Tóquio. O filme foca-se nos gestos simples, nos hábitos quotidianos e nos momentos de introspeção, criando uma narrativa que contrasta com a correria dos tempos modernos. Segundo Américo Santos, programador do Cinema Trindade, “Dias Perfeitos” traz uma mensagem “zen” sobre a vida e convida os espectadores a abraçarem um ritmo mais pausado.

“É um filme contra a correria dos nossos tempos. As pessoas saem felizes da sessão e isso tem gerado um boca-a-boca muito favorável ao filme”, comentou Américo. Essa singularidade emocional é uma das razões que explicam o seu sucesso contínuo e a sua capacidade de atrair público, mesmo um ano após a estreia.

Reconhecimento Internacional e Acolhimento Nacional

O filme foi exibido no Festival de Cannes 2023, onde esteve nomeado para a Palma de Ouro, e Kôji Yakusho conquistou o prémio de Melhor Ator. Apesar de ser dirigido por um realizador alemão, o Japão escolheu “Dias Perfeitos” como o seu candidato oficial ao Óscar de Melhor Filme Internacional em 2024, consolidando ainda mais a sua relevância global.

Em Portugal, “Dias Perfeitos” destacou-se no início de 2024, chegando a ser o 12.º filme mais visto em janeiro e mantendo-se na lista dos 20 filmes mais populares até ao final de fevereiro. Desde então, acumulou perto de 35 mil espectadores a nível nacional, com o Cinema Trindade a contribuir significativamente para este número, ao acolher sessões esgotadas ao longo do ano.

Um Fenómeno Raro no Circuito Cinematográfico Atual

A longevidade de “Dias Perfeitos” em cartaz no Cinema Trindade remonta aos tempos áureos das décadas de 1970 e 1980, quando os filmes permaneciam longos períodos em exibição. No entanto, no panorama atual, caracterizado por uma elevada rotatividade e pela dependência do número de espectadores, tal fenómeno é praticamente inexistente.

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“Este filme conseguiu esquivar-se à rapidez do circuito comercial e fazer um percurso muito singular, o que é encantador”, sublinhou Américo Santos. Atualmente, a continuidade de um filme em sala depende de atingir uma média de 20 espectadores por sessão, um número que “Dias Perfeitos” superou consistentemente, demonstrando a força do boca-a-boca e a ligação emocional com o público.

Um Ano de Sucesso e o Futuro em Cartaz

Com uma sessão especial marcada para sábado, às 21h30, o Cinema Trindade espera que “Dias Perfeitos” continue a atrair público e ultrapasse a marca dos 10 mil espectadores apenas nesta sala. Histórias de famílias e grupos de amigos que assistem ao filme juntos, ou de pessoas que o veem repetidamente, sublinham o impacto emocional e cultural desta obra única.

O filme prova que, mesmo num mundo acelerado, há espaço para histórias que tocam a alma e convidam à reflexão. Para os amantes de cinema, “Dias Perfeitos” é mais do que uma experiência visual: é uma celebração do poder transformador da simplicidade.

Espectadores nos Cinemas Portugueses Sobem em Novembro, Mas Ficam Abaixo de 2023

As salas de cinema em Portugal registaram um aumento no número de espectadores em novembro de 2024, um sinal encorajador para a indústria cinematográfica nacional. Contudo, os números anuais continuam a apresentar valores abaixo dos registados em 2023, o que reflete desafios ainda por superar no setor.

Os dados mais recentes mostram que estreias como “Killers of the Flower Moon” e “Napoleão”, duas grandes produções de Hollywood, ajudaram a atrair público, mas não foram suficientes para recuperar totalmente a frequência habitual pré-pandemia. Adicionalmente, a crescente competição com plataformas de streaming continua a impactar negativamente a afluência às salas.

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Especialistas da área destacam que, embora o cenário esteja a melhorar lentamente, o mercado necessita de uma estratégia diversificada para cativar os espectadores. Isto inclui a aposta em estreias exclusivas para cinema, experiências imersivas e iniciativas para destacar o cinema independente e português.

Apesar dos desafios, a resiliência do setor é evidente, com distribuidoras e exibidores a trabalharem em sinergia para promover o cinema como uma experiência cultural única. O público, embora mais seletivo, tem respondido positivamente a eventos especiais e sessões temáticas, uma tendência que poderá marcar o caminho para o futuro.

Filme cabo-verdiano “A Última Colheita” estreia no Festival de Roterdão

O realizador cabo-verdiano Nuno Boaventura Miranda apresentará a curta-metragem “A Última Colheita” na 54.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, em janeiro de 2024. O filme, uma coprodução entre Cabo Verde e Portugal, explora a vida de três personagens na comunidade cabo-verdiana em Lisboa.

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Uma visão única sobre a diáspora cabo-verdiana
Após o sucesso com o filme “Kmêdeus”, apresentado em Roterdão em 2020, Miranda volta a abordar temas sociais e culturais, desta vez centrando-se nos desafios da comunidade emigrante. O festival descreve o filme como uma reflexão íntima sobre identidade, pertença e resiliência.

Um futuro promissor para Nuno Miranda
Além da estreia de “A Última Colheita”, Miranda está a desenvolver a sua primeira longa-metragem, “As Flores dos Mortos”, uma produção que promete continuar a explorar as complexidades das experiências cabo-verdianas.

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Com o apoio de realizadores como Pedro Costa e Basil da Cunha, Miranda está a afirmar-se como uma voz relevante no panorama do cinema contemporâneo. “A Última Colheita” é mais um exemplo do impacto da cultura cabo-verdiana na sétima arte.


Exposição na Cinemateca Portuguesa celebra a obra de Noémia Delgado

A Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, apresenta até ao dia 16 de dezembro a exposição “noémia.”, uma homenagem à obra e legado da realizadora Noémia Delgado. Conhecida pelo seu contributo ao Cinema Novo português, Delgado teve uma carreira marcada tanto pelo sucesso artístico como pelos desafios institucionais.

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Uma abordagem íntima ao arquivo de Noémia Delgado
A exposição, localizada na Sala dos Carvalhos, desvenda os arquivos pessoais da realizadora, incluindo desenhos, crónicas e poesia, proporcionando um olhar íntimo sobre a sua vida e obra. Duas salas adicionais expandem o percurso com foco na sua prática cinematográfica, destacando ideias para filmes que nunca chegaram a ser materializados.

Noémia Delgado é mais lembrada pelo documentário “Máscaras” (1976), inspirado no trabalho etnográfico de Benjamim Pereira. A cineasta também colaborou com grandes nomes do cinema português, como Manoel de Oliveira e Paulo Rocha, e trabalhou como assistente de realização no emblemático documentário “Torre Bela” (1977).

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Um legado a redescobrir
A exposição, de entrada livre, está aberta de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 19h30, e oferece uma oportunidade única para conhecer a obra de uma das figuras mais subestimadas do cinema português. Não perca a chance de explorar este tributo à realizadora que foi casada com o poeta Alexandre O’Neill e cuja visão cinematográfica continua a inspirar.


José Barahona: O Legado do Realizador que Transformou Histórias em Cinema

O cinema português perdeu uma das suas vozes mais únicas com a morte do realizador José Barahona, aos 55 anos, em Lisboa. Com uma carreira marcada por obras que exploram temas como o colonialismo, a escravatura e as tensões políticas, Barahona deixa um legado que transcende fronteiras, ligando Portugal, Brasil e outras partes do mundo através da sétima arte.

Uma Carreira Dedicada à História e à Reflexão

Nascido em Lisboa em 1969, José Barahona formou-se na Escola Superior de Teatro e Cinema e complementou os estudos nos Estados Unidos e em Cuba. Estreou-se no cinema com curtas-metragens documentais, incluindo Vianna da Mota, uma homenagem ao compositor de quem era bisneto. O documentário foi uma porta de entrada para projetos que exploraram o impacto da história recente de Portugal, como Anos de Guerra – Guiné 1963-1974 (2000), que revisitou o período da guerra colonial.

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Entre os seus trabalhos mais conhecidos estão Estive em Lisboa e Lembrei de Você (2014), uma coprodução luso-brasileira baseada na obra de Luiz Ruffato, e Nheengatu – A Língua da Amazónia (2020), que examina o impacto linguístico e cultural do colonialismo na Amazónia. Barahona também trabalhou com figuras icónicas do cinema português, como Margarida Cardoso e Rita Azevedo Gomes, contribuindo para fortalecer o diálogo entre diferentes vozes artísticas.

Um Legado que Perdura

A sua obra recente, Sobreviventes (2023), abordou as questões do colonialismo e da escravatura, coescrevendo o argumento com o escritor José Eduardo Agualusa. Com uma carreira dedicada à reflexão sobre a história e à conexão entre culturas, Barahona deixa um vazio significativo no cinema nacional. O seu trabalho será lembrado como uma ponte entre o passado e o presente, explorando as complexidades das identidades culturais.

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André Gil Mata Triunfa no Festival de Cinema Europeu de Sevilha com “Sob a Chama da Candeia”

O filme português “Sob a Chama da Candeia”, realizado por André Gil Mata, conquistou o prémio de Melhor Filme na competição As Novas Vagas do prestigiado Festival de Cinema Europeu de Sevilha. O júri destacou a obra pelo “tratamento subtil dos temas da vida e da morte, da memória e da decadência, através de um estilo cinematográfico radical”.

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Uma Narrativa Intimista

Inspirado em histórias da própria família do realizador, o filme centra-se na relação entre duas mulheres que partilham uma casa nos arredores do Porto durante 60 anos. Com Márcia Breia e Eva Ras nos papéis principais, a obra utiliza uma abordagem poética e contemplativa, explorando os limites do espaço e do tempo para transmitir uma reflexão profunda sobre a existência humana.

A escolha estilística de Gil Mata, que combina um ritmo deliberado com visuais cuidadosamente compostos, recebeu aplausos da crítica internacional, consolidando a posição do realizador como uma das vozes mais originais do cinema português.

Outros Destaques Portugueses

Portugal marcou presença em várias categorias do festival. “O Vento Assobiando nas Gruas”, de Jeanne Waltz, inspirado num romance de Lídia Jorge, recebeu uma menção especial na competição Deslumbramento. O filme aborda as relações inter-raciais e interclasses através de uma narrativa simbólica.

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Além disso, a coprodução luso-espanhola “Caixa de Resistência”, de Concha Barquero Artés e Alejandro Alvarado Jódar, também recebeu reconhecimento na secção Panorama Andaluz, refletindo o impacto do cinema português e da lusofonia no panorama internacional.

Uma Edição Memorável

A edição de 2024 do Festival de Sevilha contou com uma forte presença lusófona, incluindo filmes como “Grand Tour”, de Miguel Gomes, e “Estamos no Ar”, de Diogo Costa Amarante. Com uma programação diversa e eventos paralelos como exposições e masterclasses, o festival reafirma a sua importância como uma plataforma para o cinema europeu.

Festival Olá Paris! Celebra o Cinema Português na Cidade-Luz

A partir de 29 de novembro, Paris acolhe a primeira edição do festival de cinema Olá Paris!, uma celebração dedicada ao cinema português contemporâneo. Organizado pelos irmãos Fernando e Wilson Ladeiro-Marques, o evento pretende tornar-se um ponto de encontro regular para realizadores e espectadores franceses, promovendo a riqueza da nova geração de cineastas portugueses.

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Uma Programação Diversificada

Com duração de três dias, o festival inclui a exibição de sete filmes legendados em francês. No primeiro dia, será apresentada a ante-estreia mundial de “Banzo”, de Margarida Cardoso, cuja estreia oficial em França está marcada para 18 de dezembro.

No segundo dia, o destaque vai para obras marcantes como “Alma Viva” de Cristèle Alves Meira, “Ama-San” de Cláudia Varejão, “Restos do Vento” de Tiago Guedes e “Um Outono em Great Yarmouth” de Marco Martins. Estas produções refletem a diversidade temática e estilística do cinema português.

O último dia do festival será dedicado a filmes relacionados com o 25 de abril, como “Capitães de Abril”, de Maria de Medeiros, e “A Noite do Golpe de Estado”, de Ginette Lavigne, seguido de um debate com as realizadoras.

Mais do que Cinema

Além das exibições, o festival inclui uma exposição com trabalhos de artistas franco-portugueses, como o ilustrador Nuno Saraiva e a autora Ana Maria Torres. A madrinha do evento, Maria de Medeiros, também marcará presença para interagir com o público.

Combinando exibições de filmes, debates e arte visual, Olá Paris! promete fortalecer os laços culturais entre Portugal e França, criando uma plataforma única para a promoção do cinema português.

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Filmes de Transplantes e Crustáceos Brilham no Cinanima 2024

A 48.ª edição do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho – premiou no último sábado algumas das obras mais criativas e ousadas do ano. Entre os vencedores destacam-se filmes sobre temas inusitados como transplantes capilares, caracóis ornamentais e crustáceos marinhos, mostrando que o cinema de animação continua a ser um terreno fértil para a inovação e a originalidade.

Os Grandes Vencedores

O Grande Prémio Cinanima de Curta-Metragem foi para “Homens Bonitos”, do realizador belga Nicolas Keppens. Este filme de 18 minutos explora, com humor e um toque humano, a história de três irmãos carecas que viajam até Istambul em busca de transplantes capilares. O júri destacou o “ritmo envolvente, a qualidade da animação e a abordagem sensível” como elementos que fizeram desta obra um destaque.

Na categoria de Longas-Metragens, o prémio foi atribuído a “Memória de um Caracol”, do australiano Adam Elliot. Este filme narra a história de uma colecionadora de moluscos que encontra redenção e alegria ao conhecer uma idosa excêntrica. A narrativa, que combina momentos de melancolia e humor, foi elogiada pela sua “magnífica complexidade” e capacidade de emocionar.

Portugal no Palco

A curta portuguesa “Percebes”, realizada por Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, ganhou o Prémio António Gaio e o Prémio do Público. A obra, que acompanha o ciclo de vida do crustáceo homónimo, foi elogiada pela “técnica incrível” e pelo olhar sensível sobre o Algarve e as suas gentes. Este reconhecimento reforça o impacto do cinema português no panorama internacional da animação.

Mais Destaques

Outros filmes premiados incluem “Morri em Irpin”, um documentário ucraniano que explora a guerra na Ucrânia, e “Memória Entrópica”, uma obra experimental que transforma imagens de decadência em reflexões profundas sobre a passagem do tempo.

Com uma programação que incluiu 113 filmes a concurso e iniciativas como masterclasses e parcerias com universidades, o Cinanima continua a ser um dos eventos mais relevantes do cinema de animação mundial.

José Condessa Brilha em Hollywood com “Honeyjoon” nos Açores

José Condessa, um dos talentos emergentes mais promissores de Portugal, junta-se ao elenco de “Honeyjoon”, uma comédia dramática independente realizada por Lilian Mehrel, com apoio do Festival de Tribeca. O filme, que tem parte da sua rodagem na deslumbrante ilha de São Miguel, Açores, promete trazer um toque especial ao panorama do cinema internacional.

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Depois do sucesso com Pedro Almodóvar em “Estranha Forma de Vida”, Condessa reforça a sua presença no cenário internacional, desta vez numa história que cruza culturas e explora temas como luto e reconexão. Em “Honeyjoon”, ele interpreta João, um guia artístico que se torna uma figura-chave na viagem de mãe e filha, Lela (Amira Casar) e June (Ayden Mayeri). A trama, descrita como uma mistura de comédia e introspeção, aborda temas como o movimento curdo “Mulher, Vida, Liberdade” e a busca pela identidade.

A participação de Condessa não é apenas mais um marco na sua carreira; é também um reflexo do crescente interesse de Hollywood em incluir talentos lusófonos. Este é o segundo projeto que o ator grava nos Açores, depois de “Rabo de Peixe”, série que foi um fenómeno na Netflix e já tem terceira temporada confirmada.

A realizadora Lilian Mehrel elogia o elenco pela sua capacidade de unir leveza e intensidade, destacando a versatilidade de Condessa. O filme já se apresenta como um forte candidato a eventos futuros, dada a sua conquista do prémio “Untold Stories” no Festival de Tribeca, garantindo um orçamento de um milhão de dólares e uma exibição de destaque no próximo festival.

Para o público português, o orgulho é duplo: ver um talento nacional brilhar em Hollywood e saber que a beleza natural dos Açores servirá de palco para contar esta história.

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Festival Caminhos: 65 Horas de Cinema Português para Celebrar 30 Anos em Coimbra

A 30.ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português realiza-se entre 16 e 23 de novembro em Coimbra e promete uma maratona cinematográfica com cerca de 65 horas dedicadas ao cinema nacional. Com um programa vasto e completo, o festival apresenta filmes de realizadores como Miguel Gomes, João Salaviza, Rita Nunes e Margarida Cardoso, destacando-se como um evento essencial para a promoção e valorização da produção cinematográfica em Portugal.

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A programação inclui obras como Grand Tour, de Miguel Gomes, que abrirá o festival, A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora, O Melhor dos Mundos, de Rita Nunes, Banzo, de Margarida Cardoso, entre outras. Esta seleção de filmes será exibida no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), com sessões adicionais em locais emblemáticos de Coimbra, como a Casa do Cinema e o Teatro da Cerca de São Bernardo, estendendo ainda algumas sessões para as escolas em Penacova e Mealhada, e reposições em Coruche e Figueira da Foz.

Além da competição principal, o festival Caminhos dedica espaço a filmes produzidos em contexto académico, obras internacionais e uma seleção especial intitulada “Turno da Noite”, onde se exploram géneros como o terror, o erotismo e o gore, na Casa do Cinema de Coimbra. Este conjunto de sessões é pensado para um público jovem e diversificado, que aprecia diferentes linguagens e experimentações visuais.

Para marcar esta edição, será entregue o Prémio Ethos, atribuído a cada cinco anos a figuras que influenciaram o cinema português, e que desta vez homenageia Luís Miguel Cintra, cuja contribuição para a sétima arte será celebrada com um ciclo especial dedicado ao seu trabalho como ator e encenador. A entrega de prémios aos filmes em competição está agendada para 23 de novembro, encerrando uma semana repleta de talento e criatividade nacional.

O festival Caminhos é um dos principais eventos culturais do país e continua a destacar-se pela persistência de quem o organiza, ano após ano, refletindo o esforço contínuo em manter a chama do cinema português acesa e em crescimento.

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Visite o site do festival em : https://www.caminhos.info/

Outubro nos Cinemas Portugueses: Redução de Espectadores e Aumento de Preços

Em outubro, os cinemas portugueses registaram uma nova queda no número de espectadores, confirmando a tendência de descida em relação ao ano passado. Segundo o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), houve uma redução de 4,7% nas entradas comparado ao mesmo mês de 2023, com um total de 808.171 bilhetes vendidos. Ainda assim, o mês de outubro trouxe uma recuperação face a setembro, que não ultrapassou as 662 mil entradas, refletindo uma quebra acentuada.

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Um fator interessante é o ligeiro aumento na receita de bilheteira, que atingiu os 4,86 milhões de euros, um crescimento de 1,3% face ao mesmo período do ano passado. Esta subida é explicada principalmente pelo aumento do preço médio dos bilhetes, uma medida que visa compensar a diminuição do público, mas que também levanta questões sobre o impacto nos hábitos dos espectadores e na acessibilidade ao cinema.

No acumulado do ano, até ao final de outubro, os cinemas portugueses registaram cerca de 9,57 milhões de entradas, uma redução de 8,5% em comparação aos primeiros dez meses de 2023. As receitas de bilheteira acumuladas, por outro lado, sofreram uma queda de 4,9%, fixando-se em 59,02 milhões de euros, um número que reflete as mudanças no consumo de cinema, numa época em que o público parece cada vez mais inclinado para as plataformas de streaming.

Em termos de popularidade, o filme mais visto em outubro foi Joker: Loucura a Dois, do realizador Todd Philips, com mais de 203 mil espectadores desde a sua estreia a 3 de outubro. Entre as produções nacionais, Balas & Bolinhos: Só Mais Uma Coisa, de Luís Ismael, destaca-se com um acumulado de quase 247 mil entradas, mantendo-se entre os filmes portugueses mais vistos do ano e no oitavo lugar geral dos mais populares.

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A NOS Lusomundo continua a dominar a distribuição cinematográfica em Portugal, com mais de 4,2 milhões de espectadores em 2024 e uma receita de 25,97 milhões de euros até ao momento. Estes dados demonstram o papel central da NOS na exibição e na bilheteira nacional, consolidando a sua posição num mercado competitivo e em transformação.

Fernando Fragata: Um Cineasta Autodidata que Marcou o Cinema Português

A comunidade cinematográfica portuguesa lamenta a perda de Fernando Fragata, cineasta que faleceu aos 58 anos, deixando um legado de filmes que marcaram o cinema nacional. A notícia foi divulgada pela Academia Portuguesa de Cinema, que não revelou a causa da morte mas recordou a sua vasta contribuição para o cinema. Fragata será sempre lembrado como o realizador por trás de sucessos como Pesadelo Cor-de-Rosa e Sorte Nula, filmes que, apesar de criticados, conseguiram grande êxito junto do público.

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Fernando Fragata, nascido em 1965 no Estoril, foi um autodidata que deu os primeiros passos como operador de câmara em produções publicitárias e videoclipes, colaborando com nomes do cinema português como Joaquim Leitão e Ana Luísa Guimarães. A sua primeira realização foi a curta-metragem Amor & Alquimia em 1995, que rapidamente obteve reconhecimento internacional, incluindo prémios no Festival de Sevilha e no Festival Internacional da Baía no Brasil.

A estreia no cinema comercial deu-se com Pesadelo Cor-de-Rosa (1998), uma comédia que conquistou 185 mil espectadores, estabelecendo um recorde de bilheteira e inserindo-se no Top 20 dos filmes portugueses mais vistos de sempre. Este foi apenas o início de uma carreira marcada pela multifuncionalidade: Fragata não só realizava, como também produzia, editava e, em algumas ocasiões, compunha a banda sonora dos seus filmes.

Em 2010, Fernando Fragata tornou-se o primeiro realizador português a filmar inteiramente nos Estados Unidos com Contraluz, uma produção ambiciosa que contou com um elenco internacional e que marcou um marco histórico no cinema português. Esta obra foi filmada com recursos próprios, refletindo a persistência e paixão de Fragata pelo cinema e o seu desejo de ultrapassar fronteiras geográficas e culturais.

A cerimónia fúnebre realiza-se no próximo sábado no crematório de Faro, onde família, amigos e admiradores terão a oportunidade de prestar homenagem ao cineasta. O cinema português perde uma figura singular e inovadora, cujo impacto será sentido por muitos anos.

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Sete Filmes Portugueses em Competição no Festival de Cinema de Tallinn

Portugal terá uma forte representação no Festival de Cinema de Tallinn deste ano, com sete produções em competição. Entre os filmes selecionados encontram-se Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco, que estreia mundialmente na secção Escolha da Crítica, e Ouro Negro, documentário de Takashi Sugimoto, que examina questões de fé e comércio no contexto rural da Índia. Ambos os filmes receberam apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), reforçando o impacto internacional do cinema português.

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Sonhar com Leões é descrito como uma “tragicomédia sombria” sobre a eutanásia, com um elenco de atores talentosos, incluindo Denise Fraga, João Nunes Monteiro e Joana Ribeiro. No documentário Ouro Negro, Sugimoto explora a tradição do corte de cabelo em aldeias indianas, refletindo sobre os rituais e sacrifícios ligados à fé.

Entre as curtas-metragens portuguesas, destacam-se Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, vencedor do prémio de melhor curta no Festival de Annecy, e Amanhã Não Dão Chuva, de Maria Trigo Teixeira. Outros títulos incluem A Menina com os Olhos Ocupados, de André Carrilho, e Cherry, Passion Fruit, de Renato José Duque, garantindo uma presença vibrante e diversificada do cinema português em Tallinn.

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TVCine Edition Apresenta Ciclo de Coproduções Portuguesas em Novembro

Em novembro, o TVCine Edition dedica quatro noites ao cinema português com a estreia de quatro coproduções internacionais, que refletem a diversidade cultural e o talento cinematográfico português. Com parcerias entre Portugal, França, Brasil, Espanha e Polónia, os filmes abordam temas humanos profundos, desde obsessões e sonhos até laços familiares. As estreias acontecem às 23h nos dias 4, 7, 11 e 18 de novembro, em exclusivo no TVCine Edition e também disponíveis no TVCine+.

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Programação Especial de Novembro no TVCine Edition

“Encontro” – 4 de novembro, às 23h05

Realizado por François Manceaux, este drama conta a história de Alain (Johan Heldenbergh), um realizador belga que regressa a Lisboa para encontrar Luísa (Dalila Carmo), uma atriz que amou profundamente. Obcecado por uma fotografia misteriosa de Luísa, Alain embarca numa viagem entre Lisboa e Cabo Verde, revelando memórias e confrontos internos. O elenco inclui também Isabel Otero e Paula Pais.

“Paloma” – 7 de novembro, às 23h05

Inspirado em factos reais e dirigido pelo brasileiro Marcelo Gomes, “Paloma” é um retrato de Paloma, uma mulher trans que sonha casar-se na igreja com o namorado. A história desafia normas sociais e explora temas de fé e identidade. A atriz Kika Sena protagoniza o filme, acompanhada por Vinicius Batista da Silva e Patricia Dawson.

“Vadio” – 11 de novembro, às 23h00

Em “Vadio”, a primeira longa-metragem de Simão Cayatte, seguimos André, um rapaz de 13 anos que vive com o pai numa região isolada do Alentejo. Quando o pai desaparece, André recorre a uma vizinha para o ajudar. O filme apresenta um elenco talentoso com Rúben Simões, Joana Santos e Luísa Cruz, capturando o isolamento e a força de um jovem em busca de respostas.

“Sobretudo de Noite” – 18 de novembro, às 23h05

A obra de Víctor Iriarte explora o drama de duas mulheres marcadas pela perda e pela vingança, abordando o tema das crianças retiradas às suas famílias durante o regime franquista em Espanha. Lola Dueñas, Ana Torrent e María Vázquez protagonizam esta história de luto e resiliência, numa reflexão sobre o poder de reescrever os próprios destinos.

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Este ciclo de cinema português no TVCine Edition promete momentos intensos e emotivos, celebrando a coprodução cultural e o talento luso no panorama internacional.

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Dias do Cinema Português em Berlim Celebra o 25 de Abril com Exibições e Cartazes Históricos

Em novembro, o festival Dias do Cinema Português em Berlim traz para a capital alemã uma programação especial que celebra o cinquentenário do 25 de Abril. A sexta edição do evento terá início a 1 de novembro, com a exibição de 23 filmes que abordam temas como a revolução, o colonialismo e a descolonização, focando-se em produções recentes que exploram a história de Portugal e os seus reflexos sociais e culturais.

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Organizado pela associação cultural 2314, o festival contará com cartazes históricos de Alfredo Cunha, fotógrafo do 25 de Abril, que serão exibidos por toda a cidade. Esta decisão pretende não só promover o evento, mas também homenagear a Revolução dos Cravos numa cidade onde se encontra uma comunidade internacional diversificada e interessada no cinema português.

Helena Araújo, presidente da associação, partilha que a programação inclui documentários e filmes de ficção que abordam as mudanças políticas e sociais ocorridas em Portugal após o 25 de Abril. O evento conta ainda com uma homenagem à Guiné-Bissau, com a exibição do documentário “Fogo no Lodo”, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, que resgata a memória de Unal, uma aldeia guineense que teve um papel essencial na luta pela independência.

Além dos filmes, os participantes terão a oportunidade de degustar vinho do Porto, promovendo conversas pós-exibição e criando um ambiente de convívio e troca de ideias. A presidente da associação refere que esta interação é uma das partes mais enriquecedoras do evento, uma vez que permite ao público berlinense descobrir e refletir sobre o contexto histórico e cultural português.

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Estreia de ‘Os Papéis do Inglês’ Celebra Ruy Duarte de Carvalho e a Paisagem de Angola

O cinema português ganha nova profundidade com a estreia de “Os Papéis do Inglês”, o mais recente filme do realizador Sérgio Graciano. A longa-metragem, que chegou às salas de cinema na última quinta-feira, é uma homenagem ao escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho, explorando a sua relação íntima com Angola, um país que marcou profundamente a sua obra e vida.

Produzido por Paulo Branco, um nome incontornável no panorama cinematográfico português, “Os Papéis do Inglês” é descrito como uma “grande história de aventuras”. O filme baseia-se na trilogia “Os Filhos de Próspero” de Ruy Duarte de Carvalho, mais especificamente no volume homónimo “Os Papéis do Inglês” (2000), um dos trabalhos mais celebrados do autor. A narrativa é uma mistura de ficção e realidade, mergulhando nas paisagens áridas do deserto do Namibe, em Angola, onde o protagonista, interpretado por João Pedro Vaz, parte em busca de documentos antigos deixados pelo seu pai.

O projeto é de cariz profundamente pessoal para o produtor Paulo Branco, que mantém uma amizade de longa data com o escritor. Branco sublinha que o filme não é apenas uma adaptação literária, mas também uma reflexão sobre a relação de Duarte de Carvalho com Angola e o impacto do território nas suas criações. Esta é uma viagem de descoberta, tanto geográfica como emocional, que explora a interligação entre o homem e a paisagem.

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Sérgio Graciano, o realizador, passou dez semanas a rodar o filme no deserto do Namibe, capturando a beleza desoladora da paisagem que tanto fascinava Duarte de Carvalho. “O objetivo era transmitir a relação única que Ruy tinha com este espaço extraordinário e com as comunidades locais”, explica Graciano. O filme apresenta também uma série de personagens que habitam o universo literário de Duarte de Carvalho, nomeadamente Severo e Trindade, que podem ser vistos como alter egos do escritor.

Com argumento de José Eduardo Agualusa, o filme apresenta um elenco talentoso, que inclui atores como Miguel BorgesDélcio RodriguesJoana Ribeiro e Carolina Amaral. A obra é descrita pelo realizador como uma rara reflexão sobre a história e o território, algo que não é comum no cinema português atual. O filme tem como objetivo retratar a pluralidade do artista Ruy Duarte de Carvalho, cuja obra nunca se limitou a uma única forma de expressão, abrangendo a literatura, a antropologia, as artes plásticas e o cinema.

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“Os Papéis do Inglês” estreia em cerca de 30 salas de cinema em Portugal e tem já garantida uma estreia em novembro em Angola, terra que tanto influenciou a vida e obra do autor. Além disso, o filme integra a competição do Festival Internacional de Cinema de Tóquio, que começa a 28 de outubro, um sinal da ambição internacional do projeto.

Ruy Duarte de Carvalho, natural de Santarém, Portugal, em 1941, naturalizou-se angolano na década de 1980 e tornou-se uma figura central na cultura de ambos os países. Faleceu em 2010 na Namíbia, onde residia, deixando um legado artístico que continua a inspirar novas gerações. “Os Papéis do Inglês” surge, assim, como uma celebração do seu talento multifacetado e da sua ligação íntima com a vastidão do deserto africano.

Começa hoje: cinemas portugueses com bilhetes mais baratos durante três dias

Entre 21 e 23 de outubro, as salas de cinema portuguesas vão receber a Festa do Cinema, uma iniciativa que oferece bilhetes a preços reduzidos. Organizada pela Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas (APEC), esta edição de outubro terá bilhetes a 3,5 euros, permitindo aos espectadores assistir a dezenas de filmes de todos os géneros, desde produções nacionais a internacionais.

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Entre os filmes portugueses em destaque estão “Grand Tour”, de Miguel Gomes, premiado em Cannes e nomeado pela Academia Portuguesa de Cinema para os Óscares, “Manga d’Terra” de Basil da Cunha“O Teu Rosto Será o Último” de Luís Filipe Rocha e “O vento assobiando nas gruas” de Jeanne Waltz. Além disso, o programa inclui o documentário “Operário Amador” de Ramon De Los Santos e uma seleção de curtas-metragens intitulada “Que Mulheres serão Estas”, reunindo obras de realizadores como Ary ZaraAurélie Oliveira Pernet e Pedro Cabeleira.

Durante a Festa do Cinema, serão ainda exibidos filmes brasileiros como “Elis & Tom Só Tinha de Ser Com Você” e “Sem Coração”, destacando a diversidade de géneros e culturas cinematográficas representadas na iniciativa. Em parceria com a Academia Portuguesa de Cinema, o evento também irá projetar os vencedores dos Prémios Sophia Estudante 2024, que distinguem as melhores curtas-metragens realizadas em contexto académico.

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Participam nesta edição cinemas de várias cadeias, incluindo Cinemas NOSUCICineplace e Cinema City, bem como salas independentes como o Cinema Trindade no Porto e o Cinema Ideal em Lisboa. A Festa do Cinema teve a sua primeira edição em 2015 e, após uma interrupção devido à pandemia, regressou em 2023, com esta a ser a segunda edição do ano.

Laura Carreira premiada no Festival de Cinema de Londres com “On Falling”

A realizadora portuguesa Laura Carreira foi a vencedora da competição de longas-metragens de estreia na 68.ª edição do Festival de Cinema de Londres com o seu filme “On Falling”. O júri do festival descreveu o filme como um “retrato rico em camadas de um mundo governado pela motivação do lucro empresarial”, elogiando a história de uma mulher imigrante cuja alienação é representada com “magistral precisão cinematográfica e discreta vivida em performances”. “On Falling” foi considerado pelos jurados uma primeira longa-metragem “poderosa, hipnotizante e ousada”.

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Esta foi a primeira longa-metragem de Carreira, que anteriormente se destacou pelas curtas “Red Hill” (2018) e “The Shift” (2020). Em setembro, “On Falling” foi também distinguido com a Concha de Prata de melhor realização no Festival de Cinema de San Sebastian, partilhando o prémio ex-aequo com “El llanto”, de Pedro Martín-Cale. O filme explora temas relacionados com o trabalho e a precariedade, temas recorrentes na filmografia de Laura Carreira.

Em “On Falling” (título traduzido livremente como “Sobre o Cair”), a realizadora aborda a história de Aurora, uma jovem portuguesa emigrada na Escócia, que trabalha num armazém e enfrenta dificuldades em manter-se financeiramente enquanto partilha uma casa com outros imigrantes. O filme é protagonizado pela atriz Joana Santos e teve a sua estreia mundial em setembro, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá. A produção é da BRO Cinema, em coprodução com o Reino Unido através da Sixteen Films, produtora cofundada pelo realizador Ken Loach.

Nascida no Porto em 1994, Laura Carreira emigrou para a Escócia em 2012, durante a crise económica que afetou Portugal. Desde então, a realizadora tem vivido e trabalhado no Reino Unido, onde continua a explorar temas como a pobreza, a perda de direitos e a precariedade, sempre através da ficção.

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A 68.ª edição do Festival de Cinema de Londres, que decorreu entre 9 e 15 de outubro, contou ainda com outros filmes portugueses, como “Hanami” de Denise Fernandes, também em competição de estreia na realização de longas-metragens, além de obras de Miguel GomesMarta Mateus e Alice dos Reis, sublinhando a presença marcante do cinema de língua portuguesa no evento.

Cine Atlântico: A Redescoberta dos “Verdes Anos” e do Cinema Contemporâneo nos Açores

O Cine Atlântico, na ilha Terceira, Açores, está a preparar-se para uma viagem cinematográfica ao passado e ao presente, celebrando o cinema português de diferentes épocas. Com o objetivo de revisitar os “verdes anos” do cinema nacional e de conectar essas obras com o cinema contemporâneo, a nona edição da mostra de cinema vai decorrer em dois fins de semana especiais, de 13 a 15 de outubro e de 18 a 20 de outubro.

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Neste evento, os cinéfilos terão a oportunidade de assistir a cinco filmes icónicos das décadas de 1960 e 1970, incluindo obras marcantes como Os Verdes Anos (1963), de Paulo Rocha, Belarmino (1964), de Fernando Lopes, e Domingo à Tarde (1966), de António de Macedo. Estes filmes, muitas vezes considerados o início de uma nova era no cinema português, ajudam a compreender o contexto cultural e social da altura, em particular a migração rural-urbana e as mudanças políticas que culminaram no 25 de Abril de 1974.

O presidente do Cine-Clube da Ilha Terceira, Jorge Paulus Bruno, destacou a importância de revisitar estes filmes, que são um “embrião” do cinema português contemporâneo. Segundo ele, é fundamental para o público dos dias de hoje conhecer as raízes cinematográficas do país, que se libertou das “amarras folclóricas” do Estado Novo e abriu portas a um novo conceito de cinema.

A mostra não se fica pelo passado. No segundo fim de semana, a atenção volta-se para o cinema contemporâneo, com a exibição de obras recentes como Grand Tour, de Miguel Gomes, e A Sibila, de Eduardo Brito. A presença do realizador Luís Filipe Rocha, que será homenageado tanto pelo seu filme clássico A Fuga (1976) como pela sua obra recente O Teu Rosto Será o Último (2024), promete ser um dos pontos altos do evento.

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O Cine Atlântico reafirma, assim, o seu compromisso com a literacia cinematográfica e com a promoção do cinema português, atraindo tanto os amantes da sétima arte como novos curiosos. Este é um evento que celebra a liberdade, a criatividade e a contínua evolução do cinema português.

Cinema Português em Outubro: Margarida Gil, Pedro Costa e Rita Nunes Entre as Estreias

Outubro é um mês repleto de estreias no cinema português, com novos filmes que exploram desde o drama até à ficção científica. Um dos grandes destaques deste mês é a coletânea “Que Mulheres Serão Estas?”, um conjunto de três curtas-metragens que colocam a mulher no centro da narrativa. As curtas, intituladas “Um Caroço de Abacate” de Ary Zara“As Sacrificadas” de Aurélie Oliveira Pernet e “By Flávio” de Pedro Cabeleira, exploram temas como a identidade, a libertação e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na sociedade atual. Cada uma destas obras já passou por festivais internacionais, e agora chegam às salas portuguesas.

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Outro destaque é o novo filme de Margarida Gil“Mãos no Fogo”, que estreia no dia 3 de outubro. A realizadora, inspirada na obra literária “A Volta no Parafuso” de Henry James, traz-nos uma história de mistério passada numa antiga casa do Douro, onde segredos de família obscuros vêm à tona. O filme promete intrigar e cativar o público com a sua narrativa envolvente e cinematografia deslumbrante.

Além disso, no dia 10 de outubro, o cineasta Pedro Costa apresenta uma nova cópia digitalizada do seu filme clássico “Ossos”, originalmente lançado em 1997. Esta exibição especial é acompanhada pela curta-metragem “As Filhas do Fogo”, que foi exibida no Festival de Cannes em 2023 e que explora questões relacionadas com o isolamento e a família.

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Finalmente, a realizadora Rita Nunes estreia o seu filme “O Melhor dos Mundos” a 10 de outubro, uma obra que reflete sobre a possibilidade de um grande sismo voltar a abalar Lisboa, inspirado na catástrofe de 1755. O filme, baseado numa investigação científica sobre sismologia, combina drama e questões éticas, explorando as consequências de um desastre natural.