A 48.ª edição do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho – premiou no último sábado algumas das obras mais criativas e ousadas do ano. Entre os vencedores destacam-se filmes sobre temas inusitados como transplantes capilares, caracóis ornamentais e crustáceos marinhos, mostrando que o cinema de animação continua a ser um terreno fértil para a inovação e a originalidade.
Os Grandes Vencedores
O Grande Prémio Cinanima de Curta-Metragem foi para “Homens Bonitos”, do realizador belga Nicolas Keppens. Este filme de 18 minutos explora, com humor e um toque humano, a história de três irmãos carecas que viajam até Istambul em busca de transplantes capilares. O júri destacou o “ritmo envolvente, a qualidade da animação e a abordagem sensível” como elementos que fizeram desta obra um destaque.
Na categoria de Longas-Metragens, o prémio foi atribuído a “Memória de um Caracol”, do australiano Adam Elliot. Este filme narra a história de uma colecionadora de moluscos que encontra redenção e alegria ao conhecer uma idosa excêntrica. A narrativa, que combina momentos de melancolia e humor, foi elogiada pela sua “magnífica complexidade” e capacidade de emocionar.
Portugal no Palco
A curta portuguesa “Percebes”, realizada por Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, ganhou o Prémio António Gaio e o Prémio do Público. A obra, que acompanha o ciclo de vida do crustáceo homónimo, foi elogiada pela “técnica incrível” e pelo olhar sensível sobre o Algarve e as suas gentes. Este reconhecimento reforça o impacto do cinema português no panorama internacional da animação.
Mais Destaques
Outros filmes premiados incluem “Morri em Irpin”, um documentário ucraniano que explora a guerra na Ucrânia, e “Memória Entrópica”, uma obra experimental que transforma imagens de decadência em reflexões profundas sobre a passagem do tempo.
Com uma programação que incluiu 113 filmes a concurso e iniciativas como masterclasses e parcerias com universidades, o Cinanima continua a ser um dos eventos mais relevantes do cinema de animação mundial.
José Condessa, um dos talentos emergentes mais promissores de Portugal, junta-se ao elenco de “Honeyjoon”, uma comédia dramática independente realizada por Lilian Mehrel, com apoio do Festival de Tribeca. O filme, que tem parte da sua rodagem na deslumbrante ilha de São Miguel, Açores, promete trazer um toque especial ao panorama do cinema internacional.
Depois do sucesso com Pedro Almodóvar em “Estranha Forma de Vida”, Condessa reforça a sua presença no cenário internacional, desta vez numa história que cruza culturas e explora temas como luto e reconexão. Em “Honeyjoon”, ele interpreta João, um guia artístico que se torna uma figura-chave na viagem de mãe e filha, Lela (Amira Casar) e June (Ayden Mayeri). A trama, descrita como uma mistura de comédia e introspeção, aborda temas como o movimento curdo “Mulher, Vida, Liberdade” e a busca pela identidade.
A participação de Condessa não é apenas mais um marco na sua carreira; é também um reflexo do crescente interesse de Hollywood em incluir talentos lusófonos. Este é o segundo projeto que o ator grava nos Açores, depois de “Rabo de Peixe”, série que foi um fenómeno na Netflix e já tem terceira temporada confirmada.
A realizadora Lilian Mehrel elogia o elenco pela sua capacidade de unir leveza e intensidade, destacando a versatilidade de Condessa. O filme já se apresenta como um forte candidato a eventos futuros, dada a sua conquista do prémio “Untold Stories” no Festival de Tribeca, garantindo um orçamento de um milhão de dólares e uma exibição de destaque no próximo festival.
Para o público português, o orgulho é duplo: ver um talento nacional brilhar em Hollywood e saber que a beleza natural dos Açores servirá de palco para contar esta história.
A 30.ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português realiza-se entre 16 e 23 de novembro em Coimbra e promete uma maratona cinematográfica com cerca de 65 horas dedicadas ao cinema nacional. Com um programa vasto e completo, o festival apresenta filmes de realizadores como Miguel Gomes, João Salaviza, Rita Nunes e Margarida Cardoso, destacando-se como um evento essencial para a promoção e valorização da produção cinematográfica em Portugal.
A programação inclui obras como Grand Tour, de Miguel Gomes, que abrirá o festival, A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora, O Melhor dos Mundos, de Rita Nunes, Banzo, de Margarida Cardoso, entre outras. Esta seleção de filmes será exibida no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), com sessões adicionais em locais emblemáticos de Coimbra, como a Casa do Cinema e o Teatro da Cerca de São Bernardo, estendendo ainda algumas sessões para as escolas em Penacova e Mealhada, e reposições em Coruche e Figueira da Foz.
Além da competição principal, o festival Caminhos dedica espaço a filmes produzidos em contexto académico, obras internacionais e uma seleção especial intitulada “Turno da Noite”, onde se exploram géneros como o terror, o erotismo e o gore, na Casa do Cinema de Coimbra. Este conjunto de sessões é pensado para um público jovem e diversificado, que aprecia diferentes linguagens e experimentações visuais.
Para marcar esta edição, será entregue o Prémio Ethos, atribuído a cada cinco anos a figuras que influenciaram o cinema português, e que desta vez homenageia Luís Miguel Cintra, cuja contribuição para a sétima arte será celebrada com um ciclo especial dedicado ao seu trabalho como ator e encenador. A entrega de prémios aos filmes em competição está agendada para 23 de novembro, encerrando uma semana repleta de talento e criatividade nacional.
O festival Caminhos é um dos principais eventos culturais do país e continua a destacar-se pela persistência de quem o organiza, ano após ano, refletindo o esforço contínuo em manter a chama do cinema português acesa e em crescimento.
Em outubro, os cinemas portugueses registaram uma nova queda no número de espectadores, confirmando a tendência de descida em relação ao ano passado. Segundo o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), houve uma redução de 4,7% nas entradas comparado ao mesmo mês de 2023, com um total de 808.171 bilhetes vendidos. Ainda assim, o mês de outubro trouxe uma recuperação face a setembro, que não ultrapassou as 662 mil entradas, refletindo uma quebra acentuada.
Um fator interessante é o ligeiro aumento na receita de bilheteira, que atingiu os 4,86 milhões de euros, um crescimento de 1,3% face ao mesmo período do ano passado. Esta subida é explicada principalmente pelo aumento do preço médio dos bilhetes, uma medida que visa compensar a diminuição do público, mas que também levanta questões sobre o impacto nos hábitos dos espectadores e na acessibilidade ao cinema.
No acumulado do ano, até ao final de outubro, os cinemas portugueses registaram cerca de 9,57 milhões de entradas, uma redução de 8,5% em comparação aos primeiros dez meses de 2023. As receitas de bilheteira acumuladas, por outro lado, sofreram uma queda de 4,9%, fixando-se em 59,02 milhões de euros, um número que reflete as mudanças no consumo de cinema, numa época em que o público parece cada vez mais inclinado para as plataformas de streaming.
Em termos de popularidade, o filme mais visto em outubro foi Joker: Loucura a Dois, do realizador Todd Philips, com mais de 203 mil espectadores desde a sua estreia a 3 de outubro. Entre as produções nacionais, Balas & Bolinhos: Só Mais Uma Coisa, de Luís Ismael, destaca-se com um acumulado de quase 247 mil entradas, mantendo-se entre os filmes portugueses mais vistos do ano e no oitavo lugar geral dos mais populares.
A NOS Lusomundo continua a dominar a distribuição cinematográfica em Portugal, com mais de 4,2 milhões de espectadores em 2024 e uma receita de 25,97 milhões de euros até ao momento. Estes dados demonstram o papel central da NOS na exibição e na bilheteira nacional, consolidando a sua posição num mercado competitivo e em transformação.
A comunidade cinematográfica portuguesa lamenta a perda de Fernando Fragata, cineasta que faleceu aos 58 anos, deixando um legado de filmes que marcaram o cinema nacional. A notícia foi divulgada pela Academia Portuguesa de Cinema, que não revelou a causa da morte mas recordou a sua vasta contribuição para o cinema. Fragata será sempre lembrado como o realizador por trás de sucessos como Pesadelo Cor-de-Rosa e Sorte Nula, filmes que, apesar de criticados, conseguiram grande êxito junto do público.
Fernando Fragata, nascido em 1965 no Estoril, foi um autodidata que deu os primeiros passos como operador de câmara em produções publicitárias e videoclipes, colaborando com nomes do cinema português como Joaquim Leitão e Ana Luísa Guimarães. A sua primeira realização foi a curta-metragem Amor & Alquimia em 1995, que rapidamente obteve reconhecimento internacional, incluindo prémios no Festival de Sevilha e no Festival Internacional da Baía no Brasil.
A estreia no cinema comercial deu-se com Pesadelo Cor-de-Rosa (1998), uma comédia que conquistou 185 mil espectadores, estabelecendo um recorde de bilheteira e inserindo-se no Top 20 dos filmes portugueses mais vistos de sempre. Este foi apenas o início de uma carreira marcada pela multifuncionalidade: Fragata não só realizava, como também produzia, editava e, em algumas ocasiões, compunha a banda sonora dos seus filmes.
Em 2010, Fernando Fragata tornou-se o primeiro realizador português a filmar inteiramente nos Estados Unidos com Contraluz, uma produção ambiciosa que contou com um elenco internacional e que marcou um marco histórico no cinema português. Esta obra foi filmada com recursos próprios, refletindo a persistência e paixão de Fragata pelo cinema e o seu desejo de ultrapassar fronteiras geográficas e culturais.
A cerimónia fúnebre realiza-se no próximo sábado no crematório de Faro, onde família, amigos e admiradores terão a oportunidade de prestar homenagem ao cineasta. O cinema português perde uma figura singular e inovadora, cujo impacto será sentido por muitos anos.
Portugal terá uma forte representação no Festival de Cinema de Tallinn deste ano, com sete produções em competição. Entre os filmes selecionados encontram-se Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco, que estreia mundialmente na secção Escolha da Crítica, e Ouro Negro, documentário de Takashi Sugimoto, que examina questões de fé e comércio no contexto rural da Índia. Ambos os filmes receberam apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), reforçando o impacto internacional do cinema português.
Sonhar com Leões é descrito como uma “tragicomédia sombria” sobre a eutanásia, com um elenco de atores talentosos, incluindo Denise Fraga, João Nunes Monteiro e Joana Ribeiro. No documentário Ouro Negro, Sugimoto explora a tradição do corte de cabelo em aldeias indianas, refletindo sobre os rituais e sacrifícios ligados à fé.
Entre as curtas-metragens portuguesas, destacam-se Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, vencedor do prémio de melhor curta no Festival de Annecy, e Amanhã Não Dão Chuva, de Maria Trigo Teixeira. Outros títulos incluem A Menina com os Olhos Ocupados, de André Carrilho, e Cherry, Passion Fruit, de Renato José Duque, garantindo uma presença vibrante e diversificada do cinema português em Tallinn.
Em novembro, o TVCine Edition dedica quatro noites ao cinema português com a estreia de quatro coproduções internacionais, que refletem a diversidade cultural e o talento cinematográfico português. Com parcerias entre Portugal, França, Brasil, Espanha e Polónia, os filmes abordam temas humanos profundos, desde obsessões e sonhos até laços familiares. As estreias acontecem às 23h nos dias 4, 7, 11 e 18 de novembro, em exclusivo no TVCine Edition e também disponíveis no TVCine+.
Programação Especial de Novembro no TVCine Edition
“Encontro” – 4 de novembro, às 23h05
Realizado por François Manceaux, este drama conta a história de Alain (Johan Heldenbergh), um realizador belga que regressa a Lisboa para encontrar Luísa (Dalila Carmo), uma atriz que amou profundamente. Obcecado por uma fotografia misteriosa de Luísa, Alain embarca numa viagem entre Lisboa e Cabo Verde, revelando memórias e confrontos internos. O elenco inclui também Isabel Otero e Paula Pais.
“Paloma” – 7 de novembro, às 23h05
Inspirado em factos reais e dirigido pelo brasileiro Marcelo Gomes, “Paloma” é um retrato de Paloma, uma mulher trans que sonha casar-se na igreja com o namorado. A história desafia normas sociais e explora temas de fé e identidade. A atriz Kika Sena protagoniza o filme, acompanhada por Vinicius Batista da Silva e Patricia Dawson.
“Vadio” – 11 de novembro, às 23h00
Em “Vadio”, a primeira longa-metragem de Simão Cayatte, seguimos André, um rapaz de 13 anos que vive com o pai numa região isolada do Alentejo. Quando o pai desaparece, André recorre a uma vizinha para o ajudar. O filme apresenta um elenco talentoso com Rúben Simões, Joana Santos e Luísa Cruz, capturando o isolamento e a força de um jovem em busca de respostas.
“Sobretudo de Noite” – 18 de novembro, às 23h05
A obra de Víctor Iriarte explora o drama de duas mulheres marcadas pela perda e pela vingança, abordando o tema das crianças retiradas às suas famílias durante o regime franquista em Espanha. Lola Dueñas, Ana Torrent e María Vázquez protagonizam esta história de luto e resiliência, numa reflexão sobre o poder de reescrever os próprios destinos.
Este ciclo de cinema português no TVCine Edition promete momentos intensos e emotivos, celebrando a coprodução cultural e o talento luso no panorama internacional.
Em novembro, o festival Dias do Cinema Português em Berlim traz para a capital alemã uma programação especial que celebra o cinquentenário do 25 de Abril. A sexta edição do evento terá início a 1 de novembro, com a exibição de 23 filmes que abordam temas como a revolução, o colonialismo e a descolonização, focando-se em produções recentes que exploram a história de Portugal e os seus reflexos sociais e culturais.
Organizado pela associação cultural 2314, o festival contará com cartazes históricos de Alfredo Cunha, fotógrafo do 25 de Abril, que serão exibidos por toda a cidade. Esta decisão pretende não só promover o evento, mas também homenagear a Revolução dos Cravos numa cidade onde se encontra uma comunidade internacional diversificada e interessada no cinema português.
Helena Araújo, presidente da associação, partilha que a programação inclui documentários e filmes de ficção que abordam as mudanças políticas e sociais ocorridas em Portugal após o 25 de Abril. O evento conta ainda com uma homenagem à Guiné-Bissau, com a exibição do documentário “Fogo no Lodo”, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, que resgata a memória de Unal, uma aldeia guineense que teve um papel essencial na luta pela independência.
Além dos filmes, os participantes terão a oportunidade de degustar vinho do Porto, promovendo conversas pós-exibição e criando um ambiente de convívio e troca de ideias. A presidente da associação refere que esta interação é uma das partes mais enriquecedoras do evento, uma vez que permite ao público berlinense descobrir e refletir sobre o contexto histórico e cultural português.
O cinema português ganha nova profundidade com a estreia de “Os Papéis do Inglês”, o mais recente filme do realizador Sérgio Graciano. A longa-metragem, que chegou às salas de cinema na última quinta-feira, é uma homenagem ao escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho, explorando a sua relação íntima com Angola, um país que marcou profundamente a sua obra e vida.
Produzido por Paulo Branco, um nome incontornável no panorama cinematográfico português, “Os Papéis do Inglês” é descrito como uma “grande história de aventuras”. O filme baseia-se na trilogia “Os Filhos de Próspero” de Ruy Duarte de Carvalho, mais especificamente no volume homónimo “Os Papéis do Inglês” (2000), um dos trabalhos mais celebrados do autor. A narrativa é uma mistura de ficção e realidade, mergulhando nas paisagens áridas do deserto do Namibe, em Angola, onde o protagonista, interpretado por João Pedro Vaz, parte em busca de documentos antigos deixados pelo seu pai.
O projeto é de cariz profundamente pessoal para o produtor Paulo Branco, que mantém uma amizade de longa data com o escritor. Branco sublinha que o filme não é apenas uma adaptação literária, mas também uma reflexão sobre a relação de Duarte de Carvalho com Angola e o impacto do território nas suas criações. Esta é uma viagem de descoberta, tanto geográfica como emocional, que explora a interligação entre o homem e a paisagem.
Sérgio Graciano, o realizador, passou dez semanas a rodar o filme no deserto do Namibe, capturando a beleza desoladora da paisagem que tanto fascinava Duarte de Carvalho. “O objetivo era transmitir a relação única que Ruy tinha com este espaço extraordinário e com as comunidades locais”, explica Graciano. O filme apresenta também uma série de personagens que habitam o universo literário de Duarte de Carvalho, nomeadamente Severo e Trindade, que podem ser vistos como alter egos do escritor.
Com argumento de José Eduardo Agualusa, o filme apresenta um elenco talentoso, que inclui atores como Miguel Borges, Délcio Rodrigues, Joana Ribeiro e Carolina Amaral. A obra é descrita pelo realizador como uma rara reflexão sobre a história e o território, algo que não é comum no cinema português atual. O filme tem como objetivo retratar a pluralidade do artista Ruy Duarte de Carvalho, cuja obra nunca se limitou a uma única forma de expressão, abrangendo a literatura, a antropologia, as artes plásticas e o cinema.
“Os Papéis do Inglês” estreia em cerca de 30 salas de cinema em Portugal e tem já garantida uma estreia em novembro em Angola, terra que tanto influenciou a vida e obra do autor. Além disso, o filme integra a competição do Festival Internacional de Cinema de Tóquio, que começa a 28 de outubro, um sinal da ambição internacional do projeto.
Ruy Duarte de Carvalho, natural de Santarém, Portugal, em 1941, naturalizou-se angolano na década de 1980 e tornou-se uma figura central na cultura de ambos os países. Faleceu em 2010 na Namíbia, onde residia, deixando um legado artístico que continua a inspirar novas gerações. “Os Papéis do Inglês” surge, assim, como uma celebração do seu talento multifacetado e da sua ligação íntima com a vastidão do deserto africano.
Entre 21 e 23 de outubro, as salas de cinema portuguesas vão receber a Festa do Cinema, uma iniciativa que oferece bilhetes a preços reduzidos. Organizada pela Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas (APEC), esta edição de outubro terá bilhetes a 3,5 euros, permitindo aos espectadores assistir a dezenas de filmes de todos os géneros, desde produções nacionais a internacionais.
Entre os filmes portugueses em destaque estão “Grand Tour”, de Miguel Gomes, premiado em Cannes e nomeado pela Academia Portuguesa de Cinema para os Óscares, “Manga d’Terra” de Basil da Cunha, “O Teu Rosto Será o Último” de Luís Filipe Rocha e “O vento assobiando nas gruas” de Jeanne Waltz. Além disso, o programa inclui o documentário “Operário Amador” de Ramon De Los Santos e uma seleção de curtas-metragens intitulada “Que Mulheres serão Estas”, reunindo obras de realizadores como Ary Zara, Aurélie Oliveira Pernet e Pedro Cabeleira.
Durante a Festa do Cinema, serão ainda exibidos filmes brasileiros como “Elis & Tom Só Tinha de Ser Com Você” e “Sem Coração”, destacando a diversidade de géneros e culturas cinematográficas representadas na iniciativa. Em parceria com a Academia Portuguesa de Cinema, o evento também irá projetar os vencedores dos Prémios Sophia Estudante 2024, que distinguem as melhores curtas-metragens realizadas em contexto académico.
Participam nesta edição cinemas de várias cadeias, incluindo Cinemas NOS, UCI, Cineplace e Cinema City, bem como salas independentes como o Cinema Trindade no Porto e o Cinema Ideal em Lisboa. A Festa do Cinema teve a sua primeira edição em 2015 e, após uma interrupção devido à pandemia, regressou em 2023, com esta a ser a segunda edição do ano.
A realizadora portuguesa Laura Carreira foi a vencedora da competição de longas-metragens de estreia na 68.ª edição do Festival de Cinema de Londres com o seu filme “On Falling”. O júri do festival descreveu o filme como um “retrato rico em camadas de um mundo governado pela motivação do lucro empresarial”, elogiando a história de uma mulher imigrante cuja alienação é representada com “magistral precisão cinematográfica e discreta vivida em performances”. “On Falling” foi considerado pelos jurados uma primeira longa-metragem “poderosa, hipnotizante e ousada”.
Esta foi a primeira longa-metragem de Carreira, que anteriormente se destacou pelas curtas “Red Hill” (2018) e “The Shift” (2020). Em setembro, “On Falling” foi também distinguido com a Concha de Prata de melhor realização no Festival de Cinema de San Sebastian, partilhando o prémio ex-aequo com “El llanto”, de Pedro Martín-Cale. O filme explora temas relacionados com o trabalho e a precariedade, temas recorrentes na filmografia de Laura Carreira.
Em “On Falling” (título traduzido livremente como “Sobre o Cair”), a realizadora aborda a história de Aurora, uma jovem portuguesa emigrada na Escócia, que trabalha num armazém e enfrenta dificuldades em manter-se financeiramente enquanto partilha uma casa com outros imigrantes. O filme é protagonizado pela atriz Joana Santos e teve a sua estreia mundial em setembro, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá. A produção é da BRO Cinema, em coprodução com o Reino Unido através da Sixteen Films, produtora cofundada pelo realizador Ken Loach.
Nascida no Porto em 1994, Laura Carreira emigrou para a Escócia em 2012, durante a crise económica que afetou Portugal. Desde então, a realizadora tem vivido e trabalhado no Reino Unido, onde continua a explorar temas como a pobreza, a perda de direitos e a precariedade, sempre através da ficção.
A 68.ª edição do Festival de Cinema de Londres, que decorreu entre 9 e 15 de outubro, contou ainda com outros filmes portugueses, como “Hanami” de Denise Fernandes, também em competição de estreia na realização de longas-metragens, além de obras de Miguel Gomes, Marta Mateus e Alice dos Reis, sublinhando a presença marcante do cinema de língua portuguesa no evento.
O Cine Atlântico, na ilha Terceira, Açores, está a preparar-se para uma viagem cinematográfica ao passado e ao presente, celebrando o cinema português de diferentes épocas. Com o objetivo de revisitar os “verdes anos” do cinema nacional e de conectar essas obras com o cinema contemporâneo, a nona edição da mostra de cinema vai decorrer em dois fins de semana especiais, de 13 a 15 de outubro e de 18 a 20 de outubro.
Neste evento, os cinéfilos terão a oportunidade de assistir a cinco filmes icónicos das décadas de 1960 e 1970, incluindo obras marcantes como Os Verdes Anos (1963), de Paulo Rocha, Belarmino (1964), de Fernando Lopes, e Domingo à Tarde (1966), de António de Macedo. Estes filmes, muitas vezes considerados o início de uma nova era no cinema português, ajudam a compreender o contexto cultural e social da altura, em particular a migração rural-urbana e as mudanças políticas que culminaram no 25 de Abril de 1974.
O presidente do Cine-Clube da Ilha Terceira, Jorge Paulus Bruno, destacou a importância de revisitar estes filmes, que são um “embrião” do cinema português contemporâneo. Segundo ele, é fundamental para o público dos dias de hoje conhecer as raízes cinematográficas do país, que se libertou das “amarras folclóricas” do Estado Novo e abriu portas a um novo conceito de cinema.
A mostra não se fica pelo passado. No segundo fim de semana, a atenção volta-se para o cinema contemporâneo, com a exibição de obras recentes como Grand Tour, de Miguel Gomes, e A Sibila, de Eduardo Brito. A presença do realizador Luís Filipe Rocha, que será homenageado tanto pelo seu filme clássico A Fuga (1976) como pela sua obra recente O Teu Rosto Será o Último (2024), promete ser um dos pontos altos do evento.
O Cine Atlântico reafirma, assim, o seu compromisso com a literacia cinematográfica e com a promoção do cinema português, atraindo tanto os amantes da sétima arte como novos curiosos. Este é um evento que celebra a liberdade, a criatividade e a contínua evolução do cinema português.
Outubro é um mês repleto de estreias no cinema português, com novos filmes que exploram desde o drama até à ficção científica. Um dos grandes destaques deste mês é a coletânea “Que Mulheres Serão Estas?”, um conjunto de três curtas-metragens que colocam a mulher no centro da narrativa. As curtas, intituladas “Um Caroço de Abacate” de Ary Zara, “As Sacrificadas” de Aurélie Oliveira Pernet e “By Flávio” de Pedro Cabeleira, exploram temas como a identidade, a libertação e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na sociedade atual. Cada uma destas obras já passou por festivais internacionais, e agora chegam às salas portuguesas.
Outro destaque é o novo filme de Margarida Gil, “Mãos no Fogo”, que estreia no dia 3 de outubro. A realizadora, inspirada na obra literária “A Volta no Parafuso” de Henry James, traz-nos uma história de mistério passada numa antiga casa do Douro, onde segredos de família obscuros vêm à tona. O filme promete intrigar e cativar o público com a sua narrativa envolvente e cinematografia deslumbrante.
Além disso, no dia 10 de outubro, o cineasta Pedro Costa apresenta uma nova cópia digitalizada do seu filme clássico “Ossos”, originalmente lançado em 1997. Esta exibição especial é acompanhada pela curta-metragem “As Filhas do Fogo”, que foi exibida no Festival de Cannes em 2023 e que explora questões relacionadas com o isolamento e a família.
Finalmente, a realizadora Rita Nunes estreia o seu filme “O Melhor dos Mundos” a 10 de outubro, uma obra que reflete sobre a possibilidade de um grande sismo voltar a abalar Lisboa, inspirado na catástrofe de 1755. O filme, baseado numa investigação científica sobre sismologia, combina drama e questões éticas, explorando as consequências de um desastre natural.
Após a sua estreia nacional em agosto, a longa-metragem Sobretudo de Noite, do realizador espanhol Víctor Iriarte, vai ser exibida em 19 auditórios da região do Douro. Esta exibição especial, organizada pela produtora Ukbar Filmes, destaca-se por ocorrer num território intimamente ligado à narrativa do filme, uma vez que algumas das suas cenas foram rodadas na região. As sessões decorrem entre quinta-feira e sábado, nos municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Douro.
Uma História de Vingança e Conexões Familiares
Sobretudo de Noite é uma obra densa e emocional, protagonizada por Lola Dueñas, Ana Torrent e Manuel Egozkue. O filme acompanha a história de Vera, uma mulher que deu o seu filho para adoção, e Cora, a mãe adotiva que sempre desejou ter um filho, mas não podia engravidar. À medida que as vidas de ambas as mulheres se entrelaçam, os segredos e as emoções contidas vêm à tona, culminando num plano de vingança.
Segundo a sinopse oficial da Ukbar Filmes, o filme aborda a complexidade das relações familiares e as tensões resultantes das escolhas feitas no passado. A história coloca Vera e Cora num embate emocional que revela as profundezas do amor materno e a forma como o passado persiste em moldar o presente.
Exibição na Região do Douro: Um Retorno ao Local de Filmagens
A exibição de Sobretudo de Noite nos auditórios da Comunidade Intermunicipal do Douro tem um significado especial, não apenas pela beleza e história da região, mas também porque esta foi palco de algumas filmagens do projeto. Víctor Iriarte, o realizador, descreve o Douro como um “território que faz parte das suas memórias de infância” e um local onde sempre imaginou que esta história ganharia vida.
A presença do filme na região marca um momento importante para a promoção do cinema em áreas mais rurais, e a Ukbar Filmes acredita que esta é uma oportunidade única para aproximar o público do Douro ao cinema de autor. A exibição em 19 municípios diferentes, incluindo Alijó, Lamego, Sabrosa e Vila Real, é também um tributo ao papel que a região desempenhou na produção da obra.
Estreia Internacional e Reconhecimento Crítico
Antes de chegar ao circuito nacional, Sobretudo de Noite teve a sua estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza, um dos mais prestigiados eventos cinematográficos internacionais. O filme também já foi exibido em outros festivais de renome, como o IndieLisboa, além de ter passado por mostras no Brasil, no Reino Unido e nos Estados Unidos. A obra tem sido aclamada pela crítica pela sua sensibilidade na abordagem de temas familiares e pela forte interpretação do seu elenco.
Uma Oportunidade Imperdível para o Público do Douro
Com exibições programadas entre os dias 28 e 30 de setembro, esta é uma oportunidade única para os residentes do Douro apreciarem um filme que não só reflete as paisagens da sua terra, mas também os transporta para uma narrativa envolvente e emocional. Para além da experiência cinematográfica, estas exibições também contribuem para a dinamização cultural da região, promovendo o acesso ao cinema de qualidade fora dos grandes centros urbanos.
No próximo dia 13 de outubro, o STAR Life traz à televisão portuguesa um dos filmes biográficos mais aclamados do cinema nacional: Variações, realizado por João Maia. Este filme explora os últimos anos de vida de António Variações, uma das figuras mais marcantes e inovadoras da música portuguesa, cuja obra ainda ressoa nas gerações atuais.
Sérgio Praia, no papel de António Variações, oferece uma interpretação profunda e carismática do icónico cantor. A produção resulta de mais de 15 anos de dedicação e pesquisa sobre a vida e o percurso musical de António Ribeiro, mais tarde conhecido como Variações, um barbeiro de Lisboa que desafiou preconceitos para alcançar o seu sonho de se tornar um músico de sucesso, mesmo sem formação musical tradicional.
O filme narra a transformação de António, desde a sua vida como barbeiro até se tornar um dos artistas mais aclamados do país. A sua trajetória não foi isenta de desafios, mas Variações persistiu e deixou um legado inegável na música portuguesa, conhecido pela sua ousadia, inovação e estilo único, tanto em termos musicais como de imagem.
Uma História de Coragem e Sonhos
O filme captura a luta de Variações contra os preconceitos da sociedade, a sua determinação em fazer música à sua maneira, e a sua capacidade de desafiar convenções com originalidade. Desde as suas influências musicais variadas, que incluíam pop, rock, e fado, até às suas performances arrojadas, Variações foi uma verdadeira força da natureza, quebrando barreiras numa época em que ser diferente era muitas vezes sinónimo de exclusão.
Ao lado de Sérgio Praia, o elenco conta ainda com Madalena Brandão, Victoria Guerra, Filipe Duarte e José Raposo, que enriquecem a narrativa com performances que retratam as pessoas que rodearam António ao longo do seu percurso.
Este é um filme imperdível para os fãs de música e de biografias que captam não só a ascensão de um artista, mas também a sua vulnerabilidade e as lutas que travou fora dos palcos. Variações estreia no STAR Life no dia 13 de outubro, às 22h20.
O filme Grand Tour, de Miguel Gomes, foi oficialmente escolhido como o candidato de Portugal para uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Esta revelação foi feita pela Academia Portuguesa de Cinema, que destacou o longa-metragem entre cinco finalistas, todos eles exemplares notáveis da cinematografia portuguesa contemporânea. A obra chega às salas de cinema portuguesas no dia 19 de setembro, depois de ter conquistado o prémio de Melhor Realização no prestigiado Festival de Cinema de Cannes, em maio deste ano. Este prémio marcou um feito inédito para o cinema nacional, afirmando ainda mais o talento de Miguel Gomes a nível internacional.
Entre as obras finalistas escolhidas pela Academia Portuguesa de Cinema, além de Grand Tour, encontravam-se A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora, Manga d’Terra, de Basil da Cunha, O Teu Rosto Será o Último, de Luís Filipe Rocha, e O Vento Assobiando nas Gruas, de Jeanne Waltz. No entanto, foi a visão singular de Miguel Gomes e a sua abordagem inovadora ao cinema que captaram a atenção dos membros da Academia.
A história de Grand Tour desenrola-se no início do século XX, acompanhando Edward, interpretado por Gonçalo Waddington, um funcionário público britânico que foge da sua noiva, Molly (Crista Alfaiate), no dia da chegada desta para o casamento. Edward embarca numa viagem solitária pela Ásia, numa tentativa de escapar não só ao matrimónio, mas também aos dilemas existenciais que o atormentam. Molly, por sua vez, decide persegui-lo, determinada a cumprir o seu destino conjugal, enquanto atravessa o continente asiático. O filme, assim, explora temas como a fuga, o medo do compromisso e a busca pela identidade, tudo num cenário que combina exotismo e introspeção.
Este longa-metragem foi produzido pela produtora portuguesa Uma Pedra no Sapato, em coprodução com países como Itália, França, Alemanha, China e Japão. A produção foi feita em duas fases distintas: a primeira envolveu uma equipa reduzida que acompanhou o realizador em várias localizações do Oriente; a segunda, mais tradicional, teve lugar em estúdios em Roma e Lisboa, onde se realizaram as filmagens com os atores principais.
A 97.ª edição dos Óscares, marcada para 2 de março de 2025, será um momento crucial para o cinema português. As nomeações serão reveladas a 17 de janeiro, e Portugal, desde 1980, tem submetido candidatos à categoria de Melhor Filme Internacional. Apesar de nunca ter conseguido uma nomeação nesta categoria, a expectativa cresce em torno de Grand Tour, um filme que já provou o seu valor nos palcos internacionais.
É importante sublinhar que este é o segundo filme de Miguel Gomes a ser escolhido pela Academia Portuguesa de Cinema. Em 2016, a academia submeteu o tríptico As Mil e Uma Noites, também realizado por Gomes, à consideração para os Óscares. Contudo, tal como em anos anteriores, a obra não foi selecionada entre os nomeados. Para além deste processo de seleção da Academia, o cinema português pode ainda ser considerado noutras categorias dos Óscares, dependendo de critérios como a premiação em festivais internacionais de prestígio.
A nível internacional, outros países também já começaram a revelar os seus candidatos à corrida pelo Óscar de Melhor Filme Internacional. A Alemanha escolheu Les Graines du Figuier Sauvage, do realizador iraniano Mohammad Rasoulof, uma coprodução franco-alemã premiada em Cannes. A Letónia, por sua vez, aposta em Flow, uma obra de animação sem diálogos realizada por Gints Zilbalodis, que foi galardoada no Festival de Annecy. Já a Palestina submeteu From Ground Zero, um projeto que junta 22 curtas-metragens de novos realizadores oriundos de Gaza.
Com uma forte tradição de cinema de autor e obras que frequentemente desafiam convenções, Portugal continua a procurar o seu lugar entre os nomeados para os Óscares. Grand Tour poderá ser a chave que finalmente abre as portas de Hollywood ao cinema português, mas até ao anúncio das nomeações, resta apenas aguardar e torcer para que a visão única de Miguel Gomes seja reconhecida pela Academia de Hollywood.
O famoso Tribeca Film Festival, fundado por Robert De Niro e Jane Rosenthal em resposta aos ataques de 11 de setembro, vai realizar a sua primeira edição fora dos Estados Unidos, e Lisboa foi a cidade escolhida para acolher este evento de renome internacional. O Tribeca Festival Lisboa decorrerá de 17 a 19 de outubro no Beato Innovation District e promete destacar novos talentos do cinema e das artes em Portugal.
De acordo com Jane Rosenthal, a produtora e cofundadora do festival, a expansão para Lisboa tem como objetivo dar palco a uma nova geração de cineastas e artistas portugueses, algo que considera crucial para a revitalização da indústria cinematográfica. Robert De Niro, que também esteve presente na apresentação do festival em Nova Iorque, referiu que Lisboa é uma cidade com “forte apetite pelas artes e entretenimento”, elogiando a sua herança cultural.
O programa do festival em Lisboa contará com uma mistura de filmes independentes norte-americanos e portugueses, além de sessões ao vivo com figuras do entretenimento, como Ricardo Araújo Pereira, Daniela Ruah e César Mourão. Entre as obras em destaque estão o filme Anora, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e In the Summers, premiado no Festival de Sundance. Além disso, o festival terá a estreia portuguesa de Ezra (2023) de Tony Goldwyn, seguido de uma conversa com Robert De Niro, e uma exibição especial de A Bronx Tale The Original One Man Show com Chazz Palminteri.
Esta edição do festival representa uma oportunidade única para cineastas e artistas emergentes em Portugal, que terão a possibilidade de apresentar os seus trabalhos a um público internacional e de participar em conversas com algumas das maiores figuras do cinema mundial.
O cineasta português Rodrigo Areias traz-nos a sua mais recente obra, “A Pedra Sonha Dar Flor”, um filme inspirado na obra literária de Raul Brandão. Com estreia marcada para o dia 12 de setembro no Cinema Trindade, no Porto, o filme será apresentado em formato de cineconcerto, com música ao vivo composta por Dada Garbeck. Esta forma de exibição tem vindo a ganhar popularidade, combinando a experiência cinematográfica com uma performance musical ao vivo.
A narrativa do filme baseia-se na obra “A Morte do Palhaço”, de Raul Brandão, mas incorpora elementos de outras criações do autor, como “Os Operários”, “Os Pobres” e “Húmus”. A história desenrola-se numa casa de hóspedes isolada, onde a pobreza e o desespero marcam a vida das personagens, mergulhadas num ambiente sombrio de crimes e alucinações. A obra literária de Brandão, com o seu estilo contemplativo e crítico, ganha nova vida através da lente cinematográfica de Areias.
Rodrigo Areias, natural de Guimarães, tem uma forte ligação afetiva e geográfica à obra de Brandão, já que cresceu próximo à casa onde o autor viveu e escreveu grande parte da sua obra. O realizador confessa que, inicialmente, pensava em fazer um documentário, mas após uma profunda pesquisa no espólio de Brandão, decidiu juntar várias das suas obras num único filme, criando uma narrativa complexa e visualmente impactante.
Após a estreia no Porto, o filme será exibido em vários locais do país, incluindo Lisboa, Ovar e Guimarães, sempre em formato de cineconcerto. Esta inovadora abordagem permite que o público experimente o filme de uma forma única, onde a música e o cinema se fundem para criar uma atmosfera imersiva.
O filme Abandonados, do realizador Francisco Manso, continua a acumular distinções internacionais. O mais recente prémio, recebido no Detroit Independent Film Festival, nos Estados Unidos, foi na categoria de Direitos Humanos, tornando-se o oitavo prémio que o filme arrecada desde a sua estreia. Esta obra já foi distinguida em festivais de cinema no Canadá, Alemanha, Japão e Itália, demonstrando a sua relevância global e o poder da sua narrativa.
Uma História de Coragem Durante a Segunda Guerra Mundial
Com argumento de António Monteiro Cardoso, Abandonados é um filme que retrata um episódio esquecido mas de enorme importância histórica: a invasão de Timor-Leste pelas forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942. O filme centra-se na história do tenente português Manuel Pires, interpretado por Marco Delgado, que era na altura o administrador de Baucau. Pires lidera uma aliança improvável entre timorenses, portugueses e australianos para resistir ao avanço das forças japonesas, que ocuparam a ilha durante três anos.
O filme não só presta homenagem ao sacrifício e coragem dos que lutaram contra o inimigo comum, mas também destaca a brutalidade da ocupação japonesa, que resultou na morte de cerca de 50 mil pessoas em Timor-Leste, incluindo cidadãos portugueses. Esta história, muitas vezes esquecida, é trazida à luz por Francisco Manso de forma emotiva e realista, capturando a resiliência dos povos que se uniram para sobreviver face à devastação.
Desde a sua estreia em julho, Abandonados tem sido amplamente elogiado pela sua abordagem sensível e cinematograficamente impressionante de um tema tão complexo e doloroso. A exibição não se limitou às salas de cinema, tendo também sido transmitida pela RTP numa versão em formato de série, o que ampliou ainda mais o seu alcance.
O próprio realizador, Francisco Manso, destacou a importância de o filme continuar a ter visibilidade para que mais pessoas possam conhecer este episódio trágico da história de Portugal e Timor-Leste. Em declarações à TSF, Manso explicou: “O que se passou em Timor-Leste, a invasão japonesa, que durou três anos até ao fim da guerra, foi terrível. Houve um conjunto de atrocidades e de violência sobre as populações e sobre a administração portuguesa.” O realizador comparou esta história com os atuais conflitos internacionais, sublinhando a sua pertinência e atualidade, acrescentando que “esta história é completamente universal e atual”.
O filme tem contado com a participação de um elenco de grande talento, que inclui nomes como António Pedro Cerdeira, Virgílio Castelo, Luís Esparteiro, Elmano Sancho, Joaquim Nicolau e Vítor Norte. A interpretação de Marco Delgado no papel de Manuel Pires foi particularmente elogiada, dando vida a um herói desconhecido que lutou contra todas as adversidades para salvar vidas.
Mais Visibilidade para “Abandonados”
O sucesso de Abandonados nos festivais internacionais de cinema tem gerado um interesse renovado no filme, e Francisco Manso espera que estas distinções resultem numa maior distribuição da obra, tanto em Portugal como no estrangeiro. “A minha intenção é que volte a ter um circuito, até pelo facto de ter tido estes prémios todos nestes festivais”, referiu o realizador.
O filme é baseado no livro Timor na II Guerra Mundial – Diário do Tenente Pires (2007), do historiador António Monteiro Cardoso, que documenta os eventos trágicos da invasão japonesa e a resistência organizada pelos habitantes locais e forças aliadas. Esta combinação de rigor histórico e realização cinematográfica de alto nível tem contribuído para o impacto que Abandonados está a ter no público e na crítica internacional.
Com este prémio de Direitos Humanos no Detroit Independent Film Festival, Abandonados consolida-se como uma das mais importantes produções cinematográficas recentes sobre a Segunda Guerra Mundial, não só pela sua qualidade técnica e artística, mas também pela relevância histórica e social da sua narrativa.
“A Semente do Mal”. Esta produção nacional, dirigida por Gabriel Abrantes, estreia no dia 24 de agosto, às 21h30, no TVCine Top. Este é um evento imperdível para todos os nossos membros e amantes do cinema que desejam explorar uma nova dimensão do terror português.
Uma Trama de Horror e Segredos Familiares
“A Semente do Mal” leva-nos numa viagem inquietante ao norte de Portugal, onde Edward, o protagonista, parte à procura da sua família biológica. Acompanhado pela sua namorada Ryley, Edward encontra finalmente a sua mãe e o irmão gémeo num remoto palacete na montanha. O que começa como uma reunião familiar aparentemente feliz, rapidamente se torna numa experiência aterradora, à medida que segredos sombrios e perturbadores começam a emergir, desafiando a própria noção de identidade e pertença de Edward.
Este filme distingue-se não só pela sua narrativa envolvente, mas também pela forma como integra elementos clássicos do terror, inspirando-se em obras icónicas como “Hereditário”, “It Follows”, “The Shining” e “O Silêncio dos Inocentes”. O elenco de “A Semente do Mal” é composto por talentosos atores como Carloto Cotta, Brigette Lundy-Paine, Rita Blanco, Anabela Moreira e Alba Baptista, que dão vida a esta história de uma forma poderosa e inesquecível.
Estreia Exclusiva e Disponibilidade On-Demand
Para os nossos seguidores, esta é uma oportunidade única de ver em primeira mão um dos raros filmes de terror portugueses que chega à televisão. A estreia de “A Semente do Mal” no TVCine Top será seguida pela sua disponibilização no serviço de vídeo on-demand TVCine+, permitindo que todos possam assistir a este filme inovador a qualquer momento.
O nosso Clube de Cinema recomenda vivamente que marquem já na agenda a data de 24 de agosto para se deixarem envolver por este thriller psicológico que promete manter os espectadores na beira do sofá. “A Semente do Mal” é uma adição essencial ao cinema nacional e uma experiência cinematográfica que os amantes do terror não vão querer perder.