A polémica que agitou o “The Late Show” e reacendeu o debate sobre liberdade editorial
A televisão norte-americana voltou a entrar em território turbulento. Stephen Colbert revelou, em pleno monólogo do The Late Show with Stephen Colbert, que foi impedido pela CBS de entrevistar o deputado texano James Talarico.
O momento aconteceu no arranque do programa. Depois de apresentar a banda e anunciar a actriz Jennifer Garner como convidada da noite, Colbert perguntou ao público: “Sabem quem não é um dos meus convidados esta noite?” E respondeu de imediato: James Talarico.
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Segundo o apresentador, os advogados da cadeia televisiva contactaram directamente a produção para impedir a presença do político na emissão. Mais do que isso: terá sido também instruído a não mencionar publicamente que a entrevista tinha sido cancelada.
Naturalmente, fez exactamente o contrário.
A regra do “tempo de antena igual” volta ao centro da discussão
Colbert explicou que a decisão da CBS surge na sequência de novas orientações da Comissão Federal de Comunicações (FCC) sobre a chamada regra do “equal time”. Esta norma determina que, caso um candidato político qualificado apareça numa emissão, as estações de televisão devem conceder tempo equivalente aos seus adversários, caso estes o solicitem.
Historicamente, programas de informação têm estado isentos dessa obrigação ao abrigo da chamada “bonafide news exemption”. E, durante décadas, talk shows diurnos e nocturnos — como The View ou Jimmy Kimmel Live! — assumiram que também beneficiavam dessa excepção, mesmo quando recebiam figuras políticas como Joe Biden ou Kamala Harris.
Contudo, o presidente da FCC, Brendan Carr, indicou recentemente que essa interpretação poderá deixar de ser automática. Segundo Carr, a qualificação de um programa como “noticiário legítimo” dependerá de vários factores, incluindo a eventual “motivação partidária” por trás da escolha de convidados. Numa declaração particularmente polémica, afirmou: “Se forem ‘fake news’, não se qualificam para a excepção.”
Colbert comentou com ironia: “Não é surpresa que duas das pessoas mais afectadas por esta ameaça sejamos eu e o meu amigo Jimmy Kimmel.”
Da televisão para o YouTube
Numa reviravolta previsível — e estrategicamente moderna — Colbert anunciou que iria seguir o “conselho” implícito de Carr: publicou a entrevista completa com James Talarico no YouTube.
Se a televisão aberta impõe limites, as plataformas digitais oferecem margem de manobra. O gesto não é apenas uma provocação; é também um sinal dos tempos. A linha entre entretenimento e comentário político está cada vez mais ténue, e os late night hosts tornaram-se figuras influentes no debate público norte-americano.
A CBS ainda não comentou oficialmente o caso, mas a situação levanta questões delicadas sobre liberdade editorial, responsabilidade regulatória e o papel do humor político num cenário mediático altamente polarizado.
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No meio da tensão, Colbert fez aquilo que melhor sabe: transformou a controvérsia num espectáculo — e, ao mesmo tempo, numa declaração de princípios.



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