“Surda” estreia a 28 de Fevereiro e propõe um olhar íntimo sobre a surdez e a construção de uma família
Há filmes que falam alto sem levantar a voz. Surda, da realizadora espanhola Eva Libertad, é um desses casos. A longa-metragem, distinguida no Festival de Cinema de Berlim, estreia na televisão portuguesa no dia 28 de Fevereiro, às 22h00, no TVCine Edition e no TVCine+.
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O filme acompanha Ángela, uma mulher surda que se prepara para ser mãe ao lado do marido, Héctor. A chegada da filha — uma bebé ouvinte — desencadeia um conjunto de inquietações que ultrapassam a felicidade do nascimento. Ángela confronta-se com receios profundos: será capaz de comunicar plenamente com a filha? Conseguirá criar um vínculo forte num mundo concebido maioritariamente para ouvintes?
A narrativa centra-se precisamente nessa tensão entre pertença e exclusão. Héctor apoia a companheira, mas nem sempre compreende totalmente a sua experiência sensorial e emocional. Ao mesmo tempo, surgem pressões externas, médicas e sociais, que apontam para a necessidade de “normalizar” a criança. A maternidade transforma-se, assim, num campo onde se cruzam expectativas, preconceitos e afectos.
Eva Libertad opta por um registo contido e naturalista, evitando dramatizações excessivas. O foco está na intimidade das personagens e na forma como constroem um “idioma familiar” próprio. Mais do que um drama sobre deficiência auditiva, Surda é uma reflexão sobre comunicação, identidade e adaptação — sobre o modo como cada família inventa a sua própria linguagem.
A interpretação de Miriam Garlo, actriz surda e figura relevante do cinema inclusivo espanhol, é central para a autenticidade do projecto. Ao seu lado, Álvaro Cervantes compõe um retrato convincente de um companheiro dividido entre apoio, incompreensão e aprendizagem.
O reconhecimento internacional não tardou. O filme integrou a secção Panorama do Festival de Cinema de Berlim em 2025, onde recebeu o Prémio do Público e o C.I.C.A.E. Award. Também foi distinguido com vários galardões no Festival de Málaga, consolidando-se como uma das obras espanholas mais relevantes do ano.
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Surda chega agora ao público português como uma proposta que alia sensibilidade e rigor, abordando a surdez sem paternalismo e explorando as dinâmicas familiares com subtileza. Uma estreia que merece atenção no panorama televisivo nacional.



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