Fusão com a Warner Bros. Discovery levanta alertas antitrust nos Estados Unidos
A possível aquisição da Warner Bros. Discovery pela Netflix está a transformar-se num verdadeiro campo de batalha político nos Estados Unidos. Onze procuradores-gerais republicanos enviaram uma carta formal ao Departamento de Justiça norte-americano a exigir uma análise rigorosa da operação, alertando para riscos de concentração excessiva de mercado.
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Em causa está a proposta aceite de cerca de 83 mil milhões de dólares pelos activos de estúdio e streaming da Warner Bros. Discovery, num contexto em que também decorre uma disputa paralela envolvendo a Paramount, liderada por David Ellison, que terá apresentado uma oferta hostil avaliada em 108 mil milhões de dólares.
“Concentração excessiva” e risco para os consumidores
Na carta enviada à procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, os 11 responsáveis estaduais defendem que a fusão poderá resultar numa concentração indevida de mercado, com impacto directo nos consumidores norte-americanos.
Segundo os signatários, uma consolidação desta dimensão poderá traduzir-se em preços mais elevados, menor fiabilidade dos serviços e menos inovação num dos sectores mais relevantes da economia cultural dos Estados Unidos. Os procuradores invocam a necessidade de uma revisão “exaustiva e rigorosa” ao abrigo da Clayton Act, legislação federal destinada a prevenir práticas anticoncorrenciais.
Entre os subscritores encontram-se procuradores-gerais de estados como Alabama, Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Dakota do Norte, Carolina do Sul, Tennessee, Utah, Virgínia Ocidental e Montana.
Departamento de Justiça já abriu investigação
A polémica intensificou-se poucos dias depois de o United States Department of Justice ter iniciado uma investigação formal antitrust à Netflix, liderada pelos co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters.
Do ponto de vista político, o momento não é irrelevante. No mesmo dia em que a carta foi tornada pública, David Ellison — CEO da Paramount — marcou presença como convidado de legisladores republicanos no discurso do Estado da União de Donald Trump, um sinal claro de que o sector do entretenimento está a ser observado também sob uma lente estratégica e ideológica.
Apesar disso, tanto a Netflix como a Paramount optaram por não comentar oficialmente a nova carta enviada aos reguladores.
Netflix rejeita cenário de monopólio
Em diversas entrevistas e intervenções públicas, Ted Sarandos tem insistido que a Netflix não detém, nem deterá, uma posição monopolista — com ou sem a aquisição da Warner Bros. Discovery. O executivo argumenta que o verdadeiro concorrente da empresa não são outros serviços de streaming, mas sim plataformas digitais de grande escala como o YouTube.
Esta visão “macro” do mercado coloca a disputa num plano mais vasto, onde o consumo de vídeo online ultrapassa largamente a guerra tradicional entre estúdios e serviços de subscrição.
Um momento decisivo para a indústria
A eventual fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery representaria uma das maiores consolidações da história recente do entretenimento global. Estaria em jogo não apenas um catálogo vastíssimo de conteúdos — do cinema clássico às produções televisivas contemporâneas — mas também uma enorme capacidade de distribuição e influência cultural.
Os críticos da operação receiam que tal concentração reduza a diversidade de oferta e dificulte a entrada de novos operadores no mercado. Já os defensores argumentam que, num cenário dominado por gigantes tecnológicos globais, a escala é essencial para competir.
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O desfecho desta batalha regulatória poderá redefinir o equilíbrio de forças em Hollywood e no streaming internacional. E, como tantas vezes acontece na indústria do entretenimento, os bastidores prometem ser tão dramáticos quanto qualquer argumento cinematográfico.



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