Uma história verídica, irreverente e explosiva
Há filmes que contam uma história. E há outros que parecem sair directamente de um concerto suado, cheio de fumo, provocação e palavras afiadas como navalhas. Kneecap – O Trio de Belfast pertence claramente à segunda categoria.
Baseado numa história verídica, o filme acompanha três jovens de Belfast que encontram no hip-hop uma arma cultural — não para destruir, mas para afirmar identidade, língua e pertença. A estreia acontece no TVCine Edition, a 21 de Fevereiro, às 22h00, ficando também disponível no TVCine+, como refere o material oficial .
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Mais do que um biopic musical, estamos perante um retrato geracional carregado de irreverência, humor mordaz e energia política.
Belfast, tensão e rimas em duas línguas
Em Belfast, cidade marcada por décadas de tensões sociais e políticas, três amigos — Liam Óg Ó hAnnaidh, Naoise Ó Cairealláin e J.J. Ó Dochartaigh — unem-se para formar os Kneecap. Conhecidos artisticamente como Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí, os próprios músicos interpretam versões ficcionadas de si mesmos no grande ecrã .
A particularidade? Cantam em inglês e em irlandês, misturando crítica social com um humor corrosivo e uma energia quase punk. Entre concertos underground, confrontos com a autoridade e laços de amizade que resistem à pressão do meio envolvente, o filme mostra como o grupo se transformou numa voz poderosa para uma nova geração .
Não é apenas música. É afirmação cultural.
Um triunfo crítico e premiado
Realizado por Rich Peppiatt, o filme tem sido amplamente elogiado pela crítica pela sua autenticidade e ousadia narrativa . A recepção não ficou apenas nas palavras: Kneecap – O Trio de Belfast venceu o BAFTA de Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico e arrecadou sete prémios nos British Independent Film Awards em 2024, incluindo Melhor Filme Independente .
Na Variety, o crítico Carlos Aguilar descreveu-o como “um triunfo tumultuoso, carregado de drogas, em nome da liberdade, que transborda de uma energia indomável” .
A descrição encaixa: o filme não pede desculpa, não suaviza arestas, nem tenta ser consensual. Tal como a música dos Kneecap, prefere provocar do que agradar.
Juventude, resistência e identidade
O grande mérito do filme está em captar a tensão entre diversão e protesto. A irreverência não surge como pose, mas como mecanismo de sobrevivência. Crescer numa cidade com cicatrizes históricas profundas implica escolher como se responde a esse passado. O trio escolheu fazê-lo com rimas, batidas e um microfone.
Kneecap – O Trio de Belfast não romantiza o contexto nem transforma os protagonistas em heróis clássicos. Mostra-os como jovens imperfeitos, impulsivos, cheios de contradições — mas também determinados a reivindicar espaço numa cultura que muitas vezes marginaliza a sua língua e identidade.
No panorama do cinema musical recente, este é um dos exemplos mais vibrantes de como a cultura urbana pode ser filmada com nervo e verdade.
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No sábado, 21 de Fevereiro, às 22h00, o hip-hop de Belfast invade o pequeno ecrã português. E não vem pedir autorização.



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