Um pedido de ajuda que virou tempestade mediática
Foram apenas 48 horas, mas suficientes para expor de forma brutal a fragilidade actual de Mickey Rourke, um dos rostos mais emblemáticos do cinema norte-americano dos anos 80 e protagonista de um dos regressos mais aplaudidos de Hollywood com The Wrestler. Aos 73 anos, o actor viu-se confrontado com a ameaça de despejo da casa onde vivia há mais de uma década, em Los Angeles, numa situação que rapidamente degenerou num episódio público desconfortável — para ele e para quem tentou ajudá-lo.
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Sem liquidez imediata, a sua agente de longa data, Kimberly Hines, decidiu agir. Juntamente com um assistente, lançou uma campanha de emergência no GoFundMe, com o objectivo de evitar que Rourke ficasse sem tecto. A resposta foi imediata e avassaladora: em menos de 24 horas, a campanha aproximava-se dos 100 mil dólares.
A reacção de Rourke e a recusa pública da “caridade”
O que parecia um gesto solidário rapidamente se transformou numa polémica quando o actor publicou um vídeo no Instagram, afirmando não ter conhecimento do angariar de fundos e classificando a iniciativa como “humilhante”. Mais: garantiu que iria devolver “cada cêntimo” doado pelos fãs.
Segundo Kimberly Hines, essa reacção resultou de um choque tardio com a dimensão mediática do caso. Rourke teria inicialmente concordado com a ajuda, sem perceber o impacto público que o GoFundMe iria ter. Quando a história chegou à imprensa internacional, o orgulho falou mais alto. Para o actor, aceitar dinheiro de fãs passou a ser sinónimo de caridade — algo que recusou frontalmente.
Uma situação habitacional insustentável
Os detalhes revelados pela agente ajudam a compreender a gravidade do cenário. A casa de onde Rourke foi retirado encontrava-se, segundo descreve, em condições impróprias para habitação: bolor negro, danos causados por água, ausência de água corrente e electrodomésticos avariados. Grande parte do mobiliário foi considerada irrecuperável.
O actor encontra-se provisoriamente instalado num hotel em West Hollywood, acompanhado pelos seus três cães, enquanto um pequeno apartamento em Koreatown foi alugado para servir de residência temporária. Todas estas despesas — hotel, mudanças, armazém, transporte e logística — estão a ser suportadas, para já, pela equipa de gestão.
Dinheiro, orgulho e uma carreira irregular
A situação financeira de Rourke não é resultado de um único evento, mas de décadas de má gestão, generosidade excessiva e uma carreira errática. Segundo Hines, o actor nunca teve grande relação com contas bancárias, cartões de crédito ou planeamento financeiro. Viveu muitas vezes “cheque a cheque”, alternando períodos de abundância com fases de total escassez.
Nos últimos anos, recusou projectos por não querer comprometer-se artisticamente, o que reduziu drasticamente os seus rendimentos. Ironia das ironias: a exposição mediática do GoFundMe trouxe-lhe, em apenas dois dias, quatro novas propostas de filmes — algo que não acontecia há muito tempo.
Um drama humano longe do glamour de Hollywood
Para lá do ruído mediático, o caso de Mickey Rourke expõe uma realidade desconfortável: a de um actor lendário, isolado, envelhecido e vulnerável. Segundo a agente, passa datas festivas sozinho, tem poucos apoios pessoais e depende quase exclusivamente da sua equipa profissional.
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Se o dinheiro do GoFundMe será devolvido ou não, permanece uma incógnita. O que é certo é que a situação levantou questões incómodas sobre fama, envelhecimento, orgulho e a forma como Hollywood trata — ou esquece — os seus antigos ícones.



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