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“Não Dou Atenção”: Cynthia Erivo Ignora Críticas Enquanto Divide Opiniões em Drácula

A estrela de Wicked troca Oz por um épico gótico solitário no West End

Depois de anos a desafiar a gravidade em WickedCynthia Erivo mergulhou num desafio bem mais sombrio — e infinitamente mais solitário. No palco do Noël Coward Theatre, em Londres, a actriz lidera uma nova adaptação de Dracula, assumindo sozinha 23 personagens ao longo de duas horas intensas, num espectáculo que mistura teatro ao vivo com tecnologia cinematográfica.

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É uma verdadeira maratona performativa: cerca de 20 mil palavras de texto, mudanças rápidas de figurino, projecção de imagens captadas em tempo real e uma constante alternância de vozes, corpos e energias.

Mas se o desafio artístico é inegável, a recepção crítica tem sido… mista.

Um espectáculo ambicioso — e controverso

Durante as apresentações prévias, alguns espectadores comentaram online que Erivo ainda parecia estar a consolidar partes do texto e que, por momentos, recorria a autocue. Confrontada com essas observações após a noite de estreia, a actriz foi clara: “Não estou a prestar atenção a nenhum desses comentários. Ninguém conhece a experiência excepto eu.”

Aos 39 anos, Erivo assume que ainda estava a afinar o espectáculo nas pré-estreias. “Estava a aprender o texto e a descobrir o caminho”, admitiu, sublinhando que cada processo criativo tem o seu ritmo. O importante, diz, é concentrar energia no palco — e não nos comentários digitais.

Nesta versão minimalista, Erivo constrói o universo vitoriano através da voz e do movimento. O seu Drácula surge com sotaque nigeriano e cabelo vermelho vibrante, numa reinvenção ousada do vampiro criado por Bram Stoker em 1897. As câmaras captam cada detalhe da sua expressão, projectando-o num ecrã, numa fusão entre teatro e cinema que tem dividido opiniões.

Entre o virtuosismo e a frieza

A crítica britânica não chegou a consenso. Alguns elogiaram a entrega de Erivo como um feito extraordinário de resistência e versatilidade. Outros consideraram o espectáculo excessivamente tecnológico, frio e emocionalmente distante.

Há quem descreva a produção como um feito impressionante de transformação contínua, uma “tour de force” que eleva as ambições do teatro britânico contemporâneo. Mas também surgiram críticas à atmosfera considerada “sedada”, à ausência de verdadeiro perigo dramático e à sensação de assistir a algo demasiado próximo de um audiolivro ilustrado.

O uso intensivo de projecções e câmaras ao vivo foi apontado como frustrante por alguns críticos, que sentiram que a tecnologia afastava o público da essência da performance teatral ao vivo.

Desafiar-se para crescer

Erivo, uma das raras artistas nomeadas para Emmy, Grammy, Óscar e Tony (tendo conquistado todos excepto o Óscar), não vê o projecto como um risco, mas como uma necessidade. “Se fosse fácil, seria aborrecido”, afirmou. “Escolho os desafios porque me obrigam a crescer.”

Antes de cada espectáculo, segue um ritual disciplinado: meditação, aquecimento vocal intensivo e revisão de partes do texto. A preparação é quase atlética — apropriada para uma peça que exige resistência física e emocional pouco comuns.

Enquanto isso, outras estrelas de Wicked, como Ariana Grande e Jonathan Bailey, preparam-se para regressar ao West End em 2027 numa nova produção de Sunday in the Park with George. Erivo não descarta voltar a partilhar palco com eles no futuro: “Nunca digo nunca.”

Um vampiro entre a vida e a morte

Tal como o próprio Drácula, esta produção parece existir num espaço intermédio — nem totalmente viva, nem totalmente morta. Para alguns, é um marco de ousadia artística. Para outros, um exercício estilizado que sacrifica emoção em nome do conceito.

Mas uma coisa é certa: Cynthia Erivo não está interessada em agradar a todos. Está interessada em desafiar-se. E, no processo, obriga também o público a sair da zona de conforto.

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Num tempo em que o teatro luta para se reinventar perante públicos cada vez mais habituados ao ecrã, esta versão de Drácula levanta uma questão pertinente: até onde pode — e deve — ir a tecnologia sem sugar a alma da performance?

A resposta, como o próprio vampiro, permanece envolta em sombras.

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