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Morreu Béla Tarr, o cineasta que mudou o ritmo do cinema moderno

Figura maior do cinema húngaro tinha 70 anos e deixa uma obra radical e influente

O realizador húngaro Béla Tarr, uma das figuras mais marcantes e influentes do cinema europeu contemporâneo, morreu esta terça-feira, aos 70 anos, vítima de doença prolongada. A notícia foi confirmada pela agência noticiosa húngara MTI e divulgada publicamente pelo cineasta Bence Fliegauf, em nome da família.

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Autor de uma filmografia curta, mas profundamente impactante, Béla Tarr tornou-se uma figura de culto graças a um cinema austero, exigente e radical, que reformulou a linguagem cinematográfica e colocou a Hungria no centro do mapa do cinema independente mundial. O seu estilo, marcado por planos longos, narrativas dilatadas e um pessimismo existencial profundo, influenciou gerações de realizadores em todo o mundo.

Um cinema contra a pressa e contra as concessões

A obra mais emblemática de Béla Tarr é O Tango de Satanás, adaptação do romance homónimo de László Krasznahorkai, com quem manteve uma colaboração artística duradoura. Com mais de sete horas de duração, o filme é um retrato implacável do colapso moral e social no pós-comunismo da Europa de Leste e tornou-se um marco incontornável da história do cinema.

Na altura do seu lançamento, o filme dividiu públicos, mas conquistou defensores fervorosos. A escritora norte-americana Susan Sontag descreveu-o como “devastador e absorvente” e afirmou que ficaria feliz por o ver “todos os anos, pelo resto da vida”.

O jornal britânico The Guardian escreveu, ainda em 2001, que o cinema de Tarr “exige paciência do seu público”, uma característica que o realizador nunca tentou suavizar ou contornar.

Influência internacional e ligação a Portugal

Apesar de profundamente enraizado na realidade húngara, o impacto de Béla Tarr foi global. Realizadores como Alexander SokurovApichatpong WeerasethakulPedro Costa e André Gil Mata reconheceram a sua influência directa.

O cineasta manteve uma relação próxima com Portugal, tendo estado no país em várias ocasiões. Em 2016, esteve em Espinho a convite do FEST – Novos Realizadores, Novo Cinema, e já anteriormente tinha sido homenageado pela Cinemateca Portuguesa, que lhe dedicou uma retrospetiva no final dos anos 1990 e um novo ciclo em 2016.

O fim da filmografia e o reconhecimento tardio

O último filme de Béla Tarr foi O Cavalo de Turim, novamente em colaboração com Krasznahorkai. Após essa obra, o realizador anunciou o fim da sua carreira no cinema, passando a dedicar-se ao ensino entre Budapeste e Sarajevo até 2017.

Em 2023, recebeu o Prémio de Carreira da Academia Europeia de Cinema, um reconhecimento tardio, mas consensual, de uma obra que sempre recusou compromissos fáceis.

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Com a morte de Béla Tarr, o cinema perde um dos seus autores mais rigorosos, incómodos e essenciais — um criador que obrigou o espectador a abrandar, a olhar e a permanecer.

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