Preparem-se: os Anjos de Charlie podem estar novamente a caminho do grande ecrã. A Sony Pictures está, segundo informações recentes, a desenvolver um novo reboot de Charlie’s Angels, tentando dar nova vida a uma das propriedades de acção mais reconhecíveis da cultura pop.
A saga começou como série televisiva nos anos 70 e 80, tornando-se um fenómeno global antes de saltar para o cinema em 2000 com Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu. O filme arrecadou mais de 264 milhões de dólares em todo o mundo (valor que hoje equivaleria a quase o dobro), consolidando-se como sucesso de bilheteira e gerando a sequela Charlie’s Angels: Full Throttle em 2003.
Depois disso, o franchise entrou num período irregular. Houve uma tentativa de regresso à televisão em 2011, cancelada ao fim de apenas sete episódios. Mais tarde, em 2019, surgiu um novo reboot realizado por Elizabeth Banks e protagonizado por Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska. O resultado? Recepção crítica morna e fraco desempenho comercial — apenas 73 milhões de dólares a nível global, face a um orçamento estimado em 50 milhões.
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Um Novo Argumentista, Uma Nova Estratégia
Desta vez, a Sony chamou Pete Chiarelli para escrever o argumento. O guionista é conhecido por comédias românticas de sucesso como The Proposal e Crazy Rich Asians, além de ter participado em projectos como Now You See Me 2.
A escolha pode indicar uma tentativa de equilibrar acção e leveza, duas características que marcaram o sucesso da versão de 2000. Ainda não é oficial quem produzirá o novo filme, mas há fortes indícios de que Drew Barrymore poderá regressar através da sua produtora, a Flower Films — a mesma responsável pelas adaptações cinematográficas do início do século.
Se confirmado, este envolvimento poderá funcionar como ponte entre gerações, trazendo legitimidade e memória afectiva ao projecto.
O Peso do Fracasso de 2019
O reboot de 2019 ficou marcado por controvérsias em torno do marketing e da recepção pública. Elizabeth Banks declarou posteriormente que sentiu que o filme foi enquadrado como um “manifesto feminista”, quando a sua intenção era simplesmente realizar um filme de acção protagonizado por mulheres.
A realizadora sublinhou também as limitações estruturais de Hollywood, referindo que raramente são atribuídos grandes franchises de acção a mulheres realizadoras, a menos que tenham protagonistas femininas. Segundo Banks, o problema não foi apenas o conteúdo, mas a forma como o filme foi apresentado ao público.
Há Espaço Para Mais Anjos?
A grande questão é inevitável: ainda há público para Charlie’s Angels?
Vivemos numa era dominada por universos partilhados e nostalgia reciclada. Para resultar, este novo projecto terá de encontrar um equilíbrio delicado entre respeito pelo legado e reinvenção efectiva. O charme irreverente, a química entre protagonistas e a mistura de humor com coreografias exageradas foram ingredientes essenciais do sucesso original — mas o mercado mudou.
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Se a Sony conseguir aprender com os erros do passado recente e apostar numa visão clara, talvez os Anjos possam voltar a voar alto.
Resta saber quem aceitará a chamada de Charlie desta vez.



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