Uma cerimónia discreta, mas carregada de simbolismo
Meagan Good e Jonathan Majors, um dos casais mais comentados de Hollywood nos últimos anos, receberam oficialmente a cidadania da Guiné, país da África Ocidental, após terem rastreado a sua ascendência até à região através de testes de ADN. A distinção foi atribuída numa cerimónia privada realizada na sexta-feira, em Conacri, capital do país, longe dos holofotes mediáticos, mas com um forte peso simbólico e político.
ler também: The Pitt: a série médica que os próprios médicos dizem ser assustadoramente real
Durante o evento, Djiba Diakité, chefe do gabinete do Presidente da Guiné, deixou palavras claras sobre o significado do gesto: “Pensamos que fazem parte dos filhos e filhas dignos desta Guiné. Representam o nosso país, a bandeira vermelho-amarelo-verde, em todo o mundo.” O casal tem ainda prevista uma visita a vários pontos turísticos do país, num gesto que procura reforçar a ligação agora formalizada.
O percurso atribulado de Jonathan Majors
Para Jonathan Majors, esta distinção surge num momento particularmente delicado da sua carreira. O actor parecia destinado ao topo absoluto da indústria cinematográfica após o reconhecimento crítico em filmes como Da 5 Bloods e na série Lovecraft Country. A sua escolha para interpretar Kang, o Conquistador, no universo da Marvel colocava-o como uma das grandes apostas do estúdio para os próximos anos.
Tudo mudou em 2023, quando foi detido após uma altercação com a então namorada, acabando por ser condenado por agressão e assédio. A Marvel afastou-o imediatamente dos seus projectos futuros e Magazine Dreams, filme que chegou a ser apontado como potencial candidato aos Óscares, ficou congelado até ao ano passado. Desde então, Majors tem tentado reconstruir a sua imagem pública e profissional, num processo longo e longe de consensos.
Uma relação sob escrutínio constante
Meagan Good, actriz com uma carreira sólida em cinema e televisão, começou a namorar Majors em 2023 e manteve-se sempre ao seu lado durante o mediático julgamento em Nova Iorque. O casal ficou noivo em 2024 e acabou por casar no ano passado, numa cerimónia pequena e improvisada, coincidindo com a promoção de Magazine Dreams. A atribuição da cidadania guineense surge, assim, como um novo capítulo numa história pessoal e pública marcada por altos e baixos.
Um movimento mais amplo de regresso às origens
A Guiné junta-se a outros países africanos que têm concedido cidadania a descendentes de pessoas escravizadas. Em 2024, a cantora Ciara tornou-se cidadã do Benim, enquanto o Gana naturalizou mais de 500 afro-americanos, na sequência do convite lançado em 2019 pelo então Presidente Nana Akufo-Addo, no âmbito das comemorações dos 400 anos da chegada dos primeiros africanos escravizados à América do Norte.
O contexto político guineense
Esta decisão surge num momento politicamente sensível para o país. A Guiné é governada desde 2021 pelo líder da junta militar, o general Mamadi Doumbouya, que chegou ao poder após um golpe de Estado. No mês passado, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, num processo fortemente criticado pela repressão da oposição e pela ausência de adversários relevantes.
ler também : Surpresas nos BAFTA: George Clooney, Dwayne Johnson e Julia Roberts ficam fora da longlist
Ainda assim, a atribuição da cidadania a figuras internacionais como Good e Majors reforça a estratégia do país em projectar uma imagem de reconexão histórica e cultural com a diáspora africana.



No comment yet, add your voice below!