Esta Série da Netflix Mostra Porque os Zombies Ainda Podem Ser Assustadores (E Dá Uma Lição a The Walking Dead)

Durante mais de uma década, The Walking Dead foi o grande ponto de referência da ficção televisiva com zombies. Não apenas pelo número de temporadas ou pelo impacto cultural, mas porque conseguiu provar que o género podia ir além do choque fácil, apostando na psicologia das personagens, nos dilemas morais e na erosão lenta da humanidade em contexto de colapso. Ainda assim, o tempo acabou por revelar as fragilidades desse modelo: quanto mais o mundo se expandia, mais a urgência se diluía.

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É precisamente aí que entra All of Us Are Dead, uma produção sul-coreana da Netflix que, em apenas 12 episódios, lembra porque é que o apocalipse zombie deve ser vivido como um choque — e não como rotina. Lançada em 2022, a série opta por um caminho raramente seguido: mostrar o início do surto, minuto a minuto, quando ninguém sabe o que está a acontecer e cada decisão pode ser fatal.

Ao situar quase toda a acção dentro de uma escola secundária, All of Us Are Dead transforma um espaço quotidiano e reconhecível num labirinto de pânico absoluto. O que começa como mais um dia normal rapidamente se converte numa corrida desesperada pela sobrevivência, sem armas, sem planos e sem respostas. A claustrofobia do cenário amplifica a tensão e torna cada corredor, cada sala de aula e cada escada num potencial ponto sem retorno.

Enquanto The Walking Dead construiu o seu legado mostrando personagens já moldadas pelo trauma, esta série coreana aposta na transformação em tempo real. Os jovens protagonistas não são sobreviventes endurecidos, mas adolescentes confrontados pela primeira vez com a morte, a perda e a necessidade de escolher entre salvar-se ou proteger os outros. Essa fragilidade emocional dá à narrativa um peso inesperado e profundamente humano.

Outro dos grandes trunfos da série é a recusa em fugir à origem do desastre. Ao contrário de grande parte das histórias do género, que saltam directamente para um mundo já em ruínas para evitar exposição narrativa, All of Us Are Dead decide explicar como tudo começou — e porque isso importa. Com isso, a série constrói uma progressão lógica e emocional que prepara o terreno para a sua anunciada segunda temporada, que deverá assumir um tom mais assumidamente pós-apocalíptico.

Essa transição planeada revela uma disciplina narrativa que muitos sentiram faltar a The Walking Dead nos seus anos finais. Em vez de esticar indefinidamente a mesma premissa, a série da Netflix propõe fases claras: o caos inicial, a adaptação forçada e, depois, as consequências. É uma abordagem que respeita o espectador e devolve ao género algo essencial: o medo do desconhecido.

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No fim de contas, All of Us Are Dead não diminui o legado de The Walking Dead — constrói-se sobre ele. Mas fá-lo com uma intensidade concentrada, uma urgência brutal e uma clareza de propósito que prova que, mesmo depois de anos de saturação, ainda há espaço para histórias de zombies que nos deixam genuinamente sem fôlego.

Treino, Estilo e Hollywood: Ana de Armas Mostra que a Disciplina Também É uma Arte

Hollywood pode viver de ilusões, mas há coisas que não enganam — e a disciplina física é uma delas. Ana de Armas foi fotografada em Los Angeles a caminho do ginásio e deixou claro que, quando se trata de forma física, não há pausas nem dias de descanso para a motivação. Nem sequer quando a agenda está cheia de filmes, passadeiras vermelhas e rumores sentimentais.

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A actriz cubano-espanhola, que conquistou definitivamente o público e a crítica com Knives Out e consolidou o estatuto de estrela em produções de grande escala, surgiu com um visual simples, mas eficaz: top curto rosa, leggings pretas e ténis confortáveis, daqueles que denunciam alguém que vai mesmo treinar — e não apenas posar para as câmaras. A silhueta em excelente forma fez o resto do trabalho.

O toque de glamour, porque estamos a falar de Hollywood, veio num detalhe inesperado: um pequeno amuleto em forma de bolacha da sorte, pendurado numa mala Louis Vuitton. Um acessório discreto, mas revelador da mistura entre pragmatismo e sofisticação que tem marcado a imagem pública de Ana de Armas nos últimos anos. Até a ida ao ginásio parece cuidadosamente coreografada, ainda que com ar descontraído.

As imagens surgem numa altura em que o nome da actriz voltou a ser associado a manchetes mais pessoais. Circulam rumores de que o alegado relacionamento com Tom Cruise terá chegado ao fim no início do ano. Nada confirmado, como é habitual neste tipo de histórias, mas suficiente para alimentar conversas e especulações. Se houve separação, uma coisa é certa: Ana de Armas não parece minimamente abalada. Pelo contrário, transmite foco, confiança e uma serenidade que só quem está confortável na própria pele consegue projectar.

No fundo, esta breve aparição pública acaba por dizer muito mais sobre a actriz do que qualquer comunicado oficial. Ao longo da última década, Ana de Armas tem construído uma carreira sólida, longe de rótulos fáceis, alternando entre cinema de autor, blockbusters e personagens que exigem rigor físico e emocional. O treino não é apenas vaidade — é parte do ofício, sobretudo numa indústria onde o corpo é, muitas vezes, instrumento de trabalho.

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Entre sessões de musculação, passadeiras e compromissos profissionais, Ana de Armas continua a afirmar-se como uma das figuras mais interessantes da sua geração: talentosa, disciplinada e com uma presença que dispensa excessos. Em Hollywood, onde tudo parece efémero, essa consistência é, talvez, o verdadeiro luxo.

John le Carré Troca a Chávena pelo Cocktail: The Night Manager

 Regressa Mais Glamouroso, Mais Perigoso e Ainda Mais Ambicioso

Quando The Night Manager estreou em 2016, ficou imediatamente claro que algo tinha mudado no universo das adaptações de John le Carré. A espionagem deixava para trás a penumbra dos cafés enevoados e os diálogos murmurados sobre chá frio, para abraçar um mundo de hotéis de luxo, cocktails caros e conspirações globais ao sol. A segunda temporada, agora prestes a chegar, confirma essa viragem — e leva-a ainda mais longe.

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Realizada por Georgi Banks-Davies, a nova série regressa com Tom Hiddleston no papel de Jonathan Pine, o espião traumatizado que se move entre identidades falsas, lealdades frágeis e uma moral constantemente posta à prova. Ao seu lado surge Diego Calva, como um novo antagonista, num jogo de gato e rato que se desenrola entre a Europa e a América Latina, com passagens por Catalunha e Colômbia.

Uma das grandes novidades desta segunda temporada é o facto de ser a primeira adaptação do universo le Carré que não parte directamente de uma obra do escritor. A narrativa foi desenvolvida por David Farr, a partir das personagens originais, sob a supervisão criativa dos filhos do autor, Stephen Cornwell e Simon Cornwell, através da produtora Ink Factory. A pergunta orientadora, segundo Simon Cornwell, foi simples: como seriam hoje as histórias do seu pai num mundo dominado por novos centros de poder, redes criminosas transnacionais e uma economia global profundamente interligada?

O resultado é uma série que assume sem pudor o seu lado sedutor. The Night Manager continua a ser frequentemente comparada ao universo de James Bond, e não apenas pela escala internacional ou pelo brilho visual. Como observa o escritor Charlie Higson, esta é uma espionagem de “cocktail” e não de “chá”: elegante, cosmopolita e escapista, ainda que sustentada por um núcleo moral mais sombrio do que o habitual cinema de agentes secretos.

Banks-Davies reforça essa abordagem através de um imaginário visual cuidadosamente construído. Entre as suas referências estão Francis BaconFederico Fellini e ecos contemporâneos de obras como SicarioGomorrah ou ZeroZeroZero. O glamour nunca é gratuito: serve para mascarar — e tornar ainda mais perturbadora — a violência psicológica, a corrupção sistémica e o custo humano da espionagem.

O elenco acompanha essa ambição, com Olivia ColmanCamila Morrone e Indira Varma a acrescentarem densidade e carisma a um mundo onde nada é o que parece. Apesar da estética luxuosa, Simon Cornwell insiste que The Night Manager continua profundamente enraizada na realidade: por detrás da superfície sedutora estão histórias de dor, culpa e consequências irreversíveis — algo que, segundo ele, distingue claramente a série do escapismo puro de Bond.

A nova temporada chega num momento em que o universo de le Carré vive uma expansão notável. Para além desta série, The Spy Who Came in from the Cold está em cena no West End, enquanto a BBC desenvolve Legacy of Spies, projecto que poderá abrir caminho à adaptação integral da saga de George Smiley ao longo da próxima década. Uma terceira temporada de The Night Manager já está, inclusivamente, confirmada.

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Seja servido num copo de cristal ou numa chávena de porcelana, o mundo de John le Carré continua a provar que a espionagem, quando bem contada, nunca sai de moda. Apenas muda de cenário, de ritmo — e, neste caso, de bebida.

Fallout Temporada 2 Faz História no Rotten Tomatoes e Confirma que a Série é Muito Mais do que um Sucesso Passageiro

A adaptação da Amazon bate recordes, melhora os números da primeira temporada e passa a ser oficialmente canónica no universo dos jogos

A segunda temporada de Fallout chegou mais cedo do que o previsto — a Amazon decidiu antecipar a estreia do primeiro episódio — e bastaram poucas horas para a série entrar directamente para a história das adaptações de videojogos. As avaliações da crítica e do público no Rotten Tomatoes não só confirmam o entusiasmo em torno da nova temporada, como estabelecem múltiplos recordes inéditos, consolidando Fallout como a melhor adaptação live-action de um videojogo alguma vez feita.

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À chegada, a temporada 2 apresentava uns impressionantes 98% de aprovação da crítica e 96% do público, tornando-se automaticamente a temporada 2 mais bem avaliada de sempre entre todas as séries live-action baseadas em videojogos. Um feito particularmente relevante num género onde as segundas temporadas costumam ser mais escrutinadas e, muitas vezes, mais divisivas.

Somando os resultados da primeira temporada, Fallout alcançou outro marco histórico: 95% de aprovação tanto da crítica como da audiência, superando concorrentes de peso. Para comparação, The Last of Us apresenta 94% da crítica, mas apenas 62% do público; Halo fica-se pelos 80% e 61%; Twisted Metal pelos 79% e 89%. Mesmo The Witcher, frequentemente citado como referência, surge bastante abaixo nestes indicadores. A conclusão é clara: os fãs de videojogos são difíceis de agradar — e Fallout conseguiu agradar a quase todos.

Há ainda um terceiro recorde relevante. A temporada 2 de Fallout está empatada com as adaptações de videojogos mais bem avaliadas de sempre pelo público, incluindo animação. Neste grupo entram títulos como ArcaneCastlevania e Cyberpunk: Edgerunners. No momento do lançamento, Fallout igualava Cyberpunk: Edgerunners com 95% de aprovação da audiência, chegando mesmo a ultrapassá-lo temporariamente com 96%.

Entretanto, após 24 horas adicionais de avaliações, registou-se uma ligeira actualização nos números: a temporada 2 desceu para 96% da crítica e 95% do público. Ainda assim, estes valores continuam a garantir todos os recordes previamente alcançados. Para perder o estatuto de melhor adaptação live-action, Fallout teria de descer até aos 94%, o que, neste momento, parece pouco provável.

Este sucesso é também uma vitória estratégica para a Amazon. A série já tinha arrecadado 17 nomeações para os Emmy, incluindo Melhor Série Dramática e Melhor Actor Principal, acabando por vencer nas categorias técnicas de figurinos e maquilhagem prostética. A segunda temporada surge agora como uma confirmação de que Fallout não foi um golpe de sorte, mas sim uma aposta criativa sólida e sustentada.

Narrativamente, a nova temporada leva a história até New Vegas, um dos cenários mais icónicos e adorados da saga de videojogos. Esta escolha representava um risco claro: mexer em território sagrado para os fãs poderia facilmente gerar rejeição. No entanto, pelo menos a avaliar pela recepção inicial, a série navegou essas águas com segurança. Momentos como a aparição do famoso dinossauro da torre de sniper funcionam como sinais claros de respeito e conhecimento profundo do material original.

A importância da série foi ainda reforçada por declarações recentes de Todd Howard, figura central da Bethesda, que confirmou que Fallout é canónica dentro do universo dos jogos. Em declarações à BBC, Howard afirmou que os eventos da série terão impacto directo no futuro da franquia, incluindo Fallout 5. Isso significa que o próximo jogo decorrerá num mundo onde os acontecimentos da série já ocorreram ou estão a ocorrer, algo inédito na relação entre videojogos e televisão.

Segundo a cronologia oficial, a série passa-se em 2296, nove anos depois de Fallout 4 e 219 anos após a Grande Guerra nuclear. O problema é que Fallout 5 continua a parecer distante: sem data para The Elder Scrolls VI, o próximo capítulo da saga Fallout poderá estar ainda a quase uma década de distância. Um contraste curioso com o momento de enorme popularidade que a série televisiva vive agora.

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Seja como for, uma coisa é certa: Fallout deixou de ser apenas “uma boa adaptação”. É agora um ponto central do universo da franquia, um fenómeno crítico e popular, e um raro exemplo de como respeitar fãs antigos sem afastar novos públicos.

The Six Billion Dollar Man: O Documentário Mais Perturbador de 2025 Sobre Julian Assange

Eugene Jarecki desmonta, com frieza cirúrgica, a máquina de poder que fez da destruição de Assange uma prioridade global

Há documentários que informam. Outros que indignam. The Six Billion Dollar Man, realizado por Eugene Jarecki, faz algo mais inquietante: arrefece o sangue. Não tanto pela figura de Julian Assange, mas pela clareza com que expõe um sistema vasto, articulado e implacável onde se cruzam Estados, serviços secretos, interesses privados e uma hostilidade mediática persistente. O resultado é, sem exagero, um dos filmes mais perturbadores de 2025.

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Curiosamente, Assange é quase uma presença fantasmagórica ao longo das mais de duas horas de duração. É falado, analisado, perseguido — mas raramente visto. Essa ausência funciona como estratégia narrativa: Jarecki usa o vazio deixado pela figura central para alargar o foco e contar uma história maior, sobre como funciona o poder quando decide esmagar alguém. O documentário não é um retrato de personalidade; é uma autópsia política.

O filme revisita inevitavelmente os momentos mais conhecidos da trajectória de Assange e do WikiLeaks: o impacto sísmico do vídeo Collateral Murder, as revelações sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e a divulgação massiva de telegramas diplomáticos que colocaram governos inteiros em estado de alerta. Jarecki não se limita a recapitular factos. Vai mais fundo, cruzando documentos, testemunhos e padrões de actuação que revelam até que ponto Assange se tornou um alvo prioritário para forças muito além da esfera judicial.

Um dos momentos mais explosivos do documentário prende-se com as acusações de violação na Suécia, em 2010. Durante anos, este caso funcionou como um elemento tóxico no debate público, frequentemente usado para descredibilizar Assange. The Six Billion Dollar Man apresenta entrevistas anonimizadas e mensagens trocadas à época pelas duas mulheres envolvidas, sugerindo algo profundamente perturbador: nenhuma delas acusou Assange de violação, e ambas demonstraram preocupação com a forma como as autoridades estavam a orientar os seus depoimentos.

Aquilo que durante anos circulou como suspeita surge aqui documentado de forma rigorosa: o caso parece ter sido moldado tanto por conveniência política como por factos concretos. Não se trata de absolver ou condenar, mas de demonstrar como processos judiciais podem ser instrumentalizados quando se tornam úteis a agendas mais amplas.

Ainda mais inquietante é o capítulo dedicado ao período em que Assange esteve refugiado na embaixada do Equador em Londres. Jarecki expõe como a empresa de segurança espanhola UC Global, contratada para garantir a protecção do fundador do WikiLeaks, acabou por transformar o espaço num verdadeiro laboratório de vigilância. Um antigo funcionário — assumidamente a fonte-chave do documentário — descreve um ambiente digno de um thriller paranoico: gravações clandestinas, recolha sistemática de dados, conversas sobre possíveis envenenamentos e até a captação de encontros íntimos.

Segundo o filme, esse material era depois transferido para um endereço IP nos Estados Unidos, localizado no Venetian Hotel, em Las Vegas, propriedade do magnata Sheldon Adelson, um dos maiores financiadores de Donald Trump. Jarecki não precisa de sublinhar ironias; elas impõem-se sozinhas.

Outro momento devastador envolve Sigurdur “Siggi” Thordarson, a principal testemunha da acusação norte-americana contra Assange. Condenado por crimes graves, incluindo abuso sexual de menores, Thordarson admite em frente à câmara que inventou partes essenciais do seu testemunho, nomeadamente a alegação de que Assange o teria instruído a piratear sistemas parlamentares da Islândia. Quando confrontado, encolhe os ombros: diz que “já não se lembra”.

É aqui que o documentário se torna verdadeiramente desconcertante. Mesmo para quem nunca teve grande simpatia por Julian Assange, The Six Billion Dollar Man obriga a encarar uma realidade difícil de ignorar: os mecanismos utilizados para o perseguir são, eles próprios, profundamente alarmantes. Doze anos de confinamento, vigilância constante, manipulação judicial e mediática — tudo isto é apresentado não como excepção, mas como método.

Jarecki não esconde a sua empatia pelo protagonista, mas isso não enfraquece o filme. Pelo contrário, torna-o mais claro naquilo que realmente importa: se este aparelho de poder pode ser activado contra Assange, pode sê-lo contra qualquer outro. A questão central deixa de ser se gostamos ou não da personagem, e passa a ser se estamos confortáveis com o mundo que o documentário revela.

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The Six Billion Dollar Man não procura fechar debates. Abre-os. E fá-lo de forma metódica, inquietante e impossível de ignorar.

Não há data prevista para a estreia em Portugal, mas poderá ser vista em streaming no Mubi.

Melania: Amazon Revela Trailer do Documentário sobre a Primeira-Dama

Filme acompanha os 20 dias que antecederam a tomada de posse de 2025 e já está rodeado de polémica

A Amazon divulgou o primeiro trailer de Melania, o documentário centrado em Melania Trump que promete um acesso “sem precedentes” aos dias que antecederam a tomada de posse presidencial de 2025. O filme, com estreia marcada para 30 de Janeiro nos cinemas, acompanha a então primeira-dama ao longo de 20 dias de preparação intensa, reuniões privadas e momentos familiares, num período descrito como “raro e definidor”.

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“Witness history in the making” é o tagline escolhido para promover o documentário, que aposta claramente na ideia de bastidores exclusivos e revelações íntimas. Segundo a Amazon, o filme inclui imagens inéditas, conversas privadas e acesso a ambientes nunca antes mostrados ao público, numa tentativa de apresentar Melania Trump como protagonista activa de um momento histórico.

No trailer, Melania surge várias vezes ao lado de Donald Trump, assistindo-o perante as câmaras. “O meu legado de maior orgulho será o de pacificador”, afirma o Presidente, antes de Melania completar: “pacificador e unificador”. Mais tarde, a própria Melania declara: “Toda a gente quer saber, por isso aqui está.”

Em declarações à Fox News, canal onde o trailer foi exibido em exclusivo, Melania Trump explicou a motivação do projecto: “Os 20 dias da minha vida que antecederam a tomada de posse constituem um momento raro e definidor, que exige cuidado meticuloso, integridade e um trabalho sem compromissos. Tenho orgulho em partilhar este período muito específico da minha vida com o público em todo o mundo.”

Um projecto caro… e altamente controverso

De acordo com informações avançadas pela imprensa norte-americana, a Amazon terá pago cerca de 40 milhões de dólares pelos direitos do documentário, cuja ideia original terá sido concebida por Melania Trump em Novembro de 2024. Para além do filme, a plataforma planeia ainda lançar uma docussérie em três episódios, focada na vida da primeira-dama entre Nova Iorque, Washington DC e Palm Beach.

No entanto, o projecto está longe de ser consensual. A realização de Melania está a cargo de Brett Ratner, cineasta que se afastou de Hollywood após ter sido acusado de assédio e abuso sexual por várias mulheres em 2017. Entre as acusações mais mediáticas estão as de Natasha Henstridge e Olivia Munn, que relataram episódios de comportamento sexual inapropriado. Ratner negou sempre as acusações.

Desde então, o realizador mudou-se para Israel, assumiu publicamente posições políticas polémicas e manteve ligações próximas a figuras como Benjamin Netanyahu. O seu regresso com Melania é visto por muitos como uma tentativa explícita de reabilitação profissional.

Política, poder e imagem pública

A polémica não termina na realização. Brett Ratner está também associado ao regresso da saga Rush Hour, cujo quarto filme terá avançado após alegada intervenção directa de Donald Trump. A distribuição ficará a cargo da Paramount, recentemente adquirida pela Skydance, empresa apoiada por Larry Ellison, conhecido aliado do Presidente.

Neste contexto, Melania surge menos como um simples documentário biográfico e mais como um objecto político e mediático, levantando questões sobre poder, influência e controlo da narrativa pública. O filme promete intimidade e transparência, mas chega ao público envolto em debates sobre ética, oportunismo e reescrita da história recente.

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Com estreia marcada nas Salas de Cinema a 30 de Janeiro nos Estados Unidos, Melania prepara-se para ser um dos documentários mais discutidos do início do ano — não apenas pelo que mostra, mas também por tudo aquilo que representa fora do ecrã.

Sozinho em Casa Invade o STAR Channel e Promete o Natal Mais Animado do Ano

Os dois filmes regressam no dia 24 de Dezembro e reacendem a euforia de um clássico intocável da quadra natalícia

Há filmes que se revêem com prazer. E depois há filmes que fazem parte do Natal, quase ao mesmo nível da árvore, das luzes ou da mesa cheia. Sozinho em Casa pertence claramente a este segundo grupo. Para muitos espectadores — em Portugal e no resto do mundo — continua a ser o melhor filme de Natal de sempre, um clássico absoluto que atravessa gerações sem perder impacto, humor ou capacidade de criar euforia.

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Este ano, o STAR Channel volta a apostar forte nessa tradição e dedica a noite de 24 de Dezembro aos dois primeiros filmes da saga, integrados no especial “Natalzaço”, pensado para aquecer a véspera de Natal com doses generosas de riso, nostalgia e caos doméstico.

A festa começa às 19h30, com a exibição de Sozinho em Casa. Realizado por Chris Columbus e protagonizado por um inesquecível Macaulay Culkin, o filme apresenta Kevin McCallister, um miúdo de oito anos que é acidentalmente deixado para trás quando a família parte para férias de Natal. O que podia ser um drama transforma-se rapidamente numa fantasia infantil irresistível: Kevin descobre a liberdade absoluta… até perceber que a sua casa se tornou alvo de dois ladrões pouco inteligentes. O resto é história do cinema: armadilhas improvisadas, violência cartoonesca, humor físico perfeito e uma energia que nunca abranda.

É precisamente essa combinação que faz com que Sozinho em Casa continue a gerar euforia colectiva sempre que regressa aos ecrãs. Não é apenas um filme para crianças; é um ritual partilhado entre pais que cresceram com ele e filhos que o descobrem agora, muitas vezes pela primeira vez, rindo exactamente nos mesmos momentos.

Pouco depois, às 21h20, o STAR Channel exibe Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque. A fórmula repete-se, mas em escala maior. Desta vez, Kevin volta a separar-se da família — agora a caminho de Miami — e acaba sozinho em Nova Iorque, armado com um cartão de crédito, um hotel de luxo e uma cidade inteira como parque de diversões. Pelo caminho, reencontra os infelizes ladrões Harry e Marv, agora com planos para assaltar uma loja de brinquedos na véspera de Natal.

Se o primeiro filme é íntimo e doméstico, o segundo é mais expansivo, mais exagerado e ainda mais cruel nas armadilhas. Para muitos fãs, é a confirmação de que Sozinho em Casa não foi um acaso, mas sim um fenómeno cultural que soube crescer sem perder identidade.

O especial “Natalzaço” do STAR Channel não é apenas uma reposição de filmes populares. É um convite à nostalgia partilhada, àquele conforto raro de saber exactamente o que vai acontecer — e mesmo assim rir como se fosse a primeira vez. Num mundo em constante mudança, há algo profundamente reconfortante em regressar a Kevin McCallister, às suas engenhocas e à certeza de que, no Natal, os maus perdem sempre.

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Para quem associa o Natal ao sofá, à família reunida e a gargalhadas repetidas, o dia 24 de Dezembro no STAR Channel já está marcado. Porque há tradições que não se discutem. Vivem-se.  

O Raro Filme de Viagens no Tempo Que Não Se Enreda em Paradoxos

Looper continua a ser um dos exemplos mais inteligentes da ficção científica moderna

As viagens no tempo são uma das ideias mais fascinantes da ficção científica — e também uma das mais traiçoeiras. Basta um detalhe mal explicado para tudo desmoronar: paradoxos insolúveis, regras que mudam a meio do filme ou finais que anulam o que veio antes. O cinema está cheio desses exemplos. Terminator torna-se cada vez mais confuso a cada sequel, Back to the Future é um clássico cheio de buracos lógicos e até Avengers: Endgame acaba por quebrar as próprias regras quando convém à emoção.

É por isso que Looper, realizado por Rian Johnson em 2012, continua a destacar-se. Não por ser perfeito — não é — mas por conseguir algo raro: criar um sistema de viagens no tempo compreensível, coerente e integrado na própria narrativa, sem tratar o espectador como distraído nem o afogar em explicações pseudo-científicas.

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A história passa-se em 2044, num mundo onde as viagens no tempo existem, mas são ilegais. Para contornar a lei, organizações criminosas enviam vítimas do futuro para o passado, onde são executadas por assassinos conhecidos como “loopers”. O detalhe mais cruel do sistema é também o mais engenhoso: quando um looper envelhece e deixa de ser útil, é enviado de volta no tempo para ser morto pela sua versão mais jovem, fechando assim o ciclo — o “loop”.

Esta ideia simples resolve, de uma só vez, grande parte dos problemas clássicos do género. As vítimas não vivem tempo suficiente para alterar o passado, não há linhas temporais paralelas confusas e cada personagem segue uma trajectória essencialmente linear. O conceito não é apenas eficaz dentro da história; é uma solução narrativa elegante.

Tudo se complica quando o Joe mais velho, interpretado por Bruce Willis, foge ao seu destino. A partir daí, Looperassume claramente um modelo de linha temporal única, onde alterar o passado muda o futuro. Rian Johnson tem o cuidado de tornar esse mecanismo visível ao espectador: sempre que o Joe jovem, vivido por Joseph Gordon-Levitt, descobre algo novo, essa informação passa automaticamente para a versão mais velha. O filme transforma a causalidade temporal em drama, não em exposição teórica.

O desfecho leva esta lógica ao limite, obrigando a personagem a tomar uma decisão extrema para quebrar um ciclo de violência que ameaça repetir-se indefinidamente. É um final duro, moralmente incómodo e emocionalmente coerente com tudo o que veio antes — algo que falta a muitos filmes do género.

Claro que Looper não escapa totalmente às armadilhas do tempo. O próprio final levanta um paradoxo inevitável: se o Joe mais velho deixa de existir, como é que alguma vez regressou ao passado para provocar os acontecimentos que levam à decisão final? O filme também sugere, de forma subtil, que certas acções do futuro podem ser precisamente aquilo que cria o vilão que se tenta evitar, aproximando-se perigosamente de uma lógica circular.

Mas aqui está a diferença: Looper não se desfaz por causa disso. Porque o filme nunca promete uma explicação científica absoluta. Promete apenas respeitar as suas próprias regras — e fá-lo durante a maior parte do tempo.

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Mais de uma década depois, Looper continua a ser um dos exemplos mais sólidos de ficção científica do século XXI. Um filme que percebe que viagens no tempo não são sobre diagramas ou linhas num quadro, mas sobre escolhas, consequências e personagens presas a sistemas que tentam desesperadamente quebrar.

Num género onde a maioria tropeça, isso já é uma vitória considerável.

Timothée Chalamet, Pingue-Pongue e Susan Boyle: o Actor que Não Tem Medo de Sonhar em Grande

Aos 29 anos, o protagonista de Marty Supreme fala de obsessão, ambição e da defesa do cinema em sala

Timothée Chalamet é hoje uma das figuras mais reconhecíveis e discutidas da sua geração em Hollywood, mas continua a falar do seu percurso com uma franqueza pouco habitual para uma estrela do seu calibre. A propósito de Marty Supreme, o seu novo filme, o actor revelou até que ponto está disposto a ir para tornar um papel credível — mesmo que isso implique sete anos a treinar pingue-pongue.

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O projecto chegou-lhe às mãos em 2018 e, desde então, Chalamet aproveitou praticamente todo o tempo livre para treinar. A dedicação foi tal que chegou a levar uma mesa de ténis de mesa para o deserto durante as filmagens de Dune e jogava entre cenas em Wonka. Curiosamente, este período de preparação superou os cinco anos que passou a aprender guitarra para A Complete Unknown, papel que lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Para o actor, a lógica é simples: se um espectador domina o tema retratado no filme, seja música ou desporto, tem de acreditar no que vê no ecrã.

Em Marty Supreme, Chalamet interpreta uma versão semi-ficcional de Marty Reisman, lendário jogador de pingue-pongue do pós-guerra. No filme, rebatizado como Marty Mauser, a personagem é talentosa, carismática e profundamente falível, envolvendo-se em esquemas duvidosos e decisões morais questionáveis. Ainda assim, o actor vê nela um reflexo claro da juventude: “Quando estás nos teus vinte e poucos anos, és um idiota. Este filme é muito sobre isso.”

O fim dos vinte… e a ambição sem rodeios

Chalamet completa 30 anos a 27 de Dezembro, precisamente no dia seguinte à estreia de Marty Supreme nos cinemas. Olhando para trás, não esconde o privilégio de uma década extraordinária, marcada por duas nomeações ao Óscar e um estatuto raro para alguém tão jovem. Essa confiança ficou bem patente no seu discurso ao receber o SAG Award de Melhor Actor, onde afirmou estar “em busca da grandeza”, citando nomes como Daniel Day-Lewis, Marlon Brando, Viola Davis ou até ícones do desporto como Michael Jordan.

Apesar disso, admite também fragilidade e aprendizagem. À medida que se aproxima dos 30, fala da necessidade de crescer, de ganhar equilíbrio e de não ser demasiado duro consigo próprio — nem com os outros.

Defender o cinema… e surpreender com Susan Boyle

Num momento em que se discute intensamente o futuro das salas de cinema, Chalamet assume uma posição clara: acredita que os cinemas vão sobreviver e sente que é responsabilidade dos actores levar os filmes até ao público, e não o contrário. Marty Supreme, um filme original e pensado para o grande ecrã, surge para ele como um pequeno acto de resistência num mercado dominado por sequelas e streaming.

A promoção do filme tem sido tudo menos convencional: falsas reuniões de marketing “leakadas”, roupas combinadas em passadeiras vermelhas e a oferta de casacos do filme a figuras que considera “grandes”. Entre os nomes que admira no Reino Unido, destacou Lewis Hamilton e os Beckham — mas foi a última escolha que apanhou todos de surpresa: Susan Boyle.

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Sem ironia, Chalamet explicou a admiração pela cantora escocesa como símbolo de alguém que “sonhou maior do que todos nós”, recordando o impacto global da sua actuação em 2009. Um momento viral que, para ele, marcou uma geração — tal como espera que o seu próprio percurso continue a fazê-lo.

Em Portugal a estreia está agendada para 22 de Janeiro.

Point Break Vai Regressar — AMC Desenvolve Série de Continuação do Clássico de 1991

Trinta e cinco anos depois, Johnny Utah e Bodhi voltam a fazer ondas… pelo menos em espírito

Hollywood tem uma relação curiosa com o passado: quando parece que já não há mais nada para reciclar, alguém decide voltar a pegar numa prancha antiga e tentar outra vez. É exactamente isso que está a acontecer com Point Break, o icónico filme de Kathryn Bigelow de 1991, que está agora a caminho de uma série de continuação em desenvolvimento na AMC.

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Segundo avança a Deadline, o canal está a trabalhar numa série que decorre em 2026, ou seja, 35 anos após os acontecimentos do filme original. O projecto ainda não recebeu luz verde oficial, mas já está em fase activa de desenvolvimento, com Dave Kalstein como produtor principal — um nome bem conhecido da televisão norte-americana, sobretudo pelo seu trabalho no universo NCIS e, mais recentemente, na série Butterfly.

Um clássico improvável que se tornou culto

Realizado por Kathryn Bigelow, Point Break acompanha Johnny Utah, um jovem agente do FBI interpretado por Keanu Reeves, que se infiltra num grupo de surfistas suspeitos de uma série de assaltos a bancos. O líder do grupo é Bodhi, vivido por Patrick Swayze, um carismático filósofo do risco que vê o surf, o crime e a liberdade como partes do mesmo impulso vital.

O filme tornou-se um clássico improvável, misturando cinema de acção, espiritualidade new age, adrenalina e uma relação de camaradagem masculina que rapidamente entrou para o imaginário popular. A química entre Reeves e Swayze foi decisiva para o estatuto de culto que o filme viria a alcançar.

Uma continuação cheia de incógnitas

A grande questão em torno desta série prende-se, inevitavelmente, com o elenco. Patrick Swayze morreu em 2009, o que torna improvável — para não dizer impossível — um regresso de Bodhi. Também não há qualquer indicação de que Keanu Reeves esteja envolvido no projecto, sendo pouco provável que a AMC conte com a sua participação.

Outros nomes do elenco original permanecem, no entanto, no radar. Lori Petty, que interpretou Tyler, teve recentemente uma presença regular em NCIS: Origins, enquanto John C. McGinley — o agente Ben Harp — está confirmado no revival de Scrubs. Já Gary Busey, figura incontornável do filme original, representa um território mais delicado, estando actualmente em liberdade condicional após acusações de assédio em 2022.

Tudo indica que a série apostará mais no legado temático e estético de Point Break do que numa continuação directa das personagens centrais, explorando uma nova geração de surfistas, agentes da lei e criminosos atraídos pelo mesmo “rush” que definia o original.

O peso de um reboot falhado

Esta não é a primeira tentativa de ressuscitar Point Break. Em 2015, Hollywood lançou um reboot em imagem real que tentou modernizar o conceito, substituindo o surf por desportos radicais globais. O resultado foi amplamente rejeitado por público e crítica, reforçando a ideia de que Point Break é um daqueles filmes cuja magia reside num equilíbrio muito específico de tempo, lugar e pessoas.

A aposta numa série — e não num novo filme — pode ser a forma encontrada para contornar esse problema, permitindo desenvolver personagens e mitologia com mais espaço e menos pressão de bilheteira.

Nostalgia, risco e o apelo do perigo

Ainda sem guião fechado, realizador anunciado ou data de estreia, esta série de Point Break vive, para já, no território da intenção. Mas a própria existência do projecto revela algo claro: a nostalgia continua a ser uma força motriz na televisão contemporânea, sobretudo quando associada a marcas com identidade forte.

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Resta saber se a AMC conseguirá captar o espírito rebelde, livre e perigosamente sedutor do original — ou se esta será apenas mais uma onda que se desfaz antes de chegar à praia

Disney Avança com Filme em Imagem Real Centrado em Gaston, o Vilão de A Bela e o Monstro

Argumento ficará a cargo de Dave Callaham e o projecto promete uma abordagem “swashbuckling” e original

A Disney continua determinada a explorar o seu catálogo de personagens clássicas em imagem real — e desta vez o foco recai sobre um dos vilões mais carismáticos (e detestáveis) do seu panteão. Gaston, antagonista de A Bela e o Monstro, vai ser o protagonista de um novo filme autónomo em imagem real, actualmente em desenvolvimento nos estúdios da Casa do Rato.

De acordo com informações avançadas pela Deadline, o argumento está a ser desenvolvido por Dave Callaham, conhecido pelo seu trabalho em Spider-Man: Across the Spider-Verse, enquanto a produção ficará a cargo de Michelle Rejwan, que já colaborou com a Disney em projectos como Star Wars: O Despertar da Força e a série Andor. Trata-se, desde já, de um sinal claro de que o estúdio quer dar ao projecto uma dimensão cinematográfica ambiciosa e não apenas um exercício derivativo.

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Um novo Gaston, uma nova abordagem

Importa esclarecer desde já um ponto essencial: este filme não tem qualquer ligação directa à série prequela de A Bela e o Monstro anunciada para o Disney+, protagonizada por Josh Gad e Luke Evans, que acabou por ser cancelada antes de entrar em produção. O novo projecto será totalmente independente, com um novo actor a interpretar Gaston e uma abordagem que se afasta deliberadamente do filme em imagem real de 2017.

Segundo a Deadline, o argumento — que teve versões anteriores assinadas por Kate Herron e Briony Redman(conhecidas pelo trabalho em Doctor Who) — está agora a ser reformulado como uma história “nova e original”, com um tom assumidamente aventureiro e espadachim, algo que terá agradado bastante aos executivos da Disney nesta fase inicial de desenvolvimento.

Não se espera, para já, que o filme seja um musical, nem que inclua personagens como LeFou. A ideia parece ser reinventar Gaston fora do contexto imediato de Belle e da aldeia que conhecemos, apostando numa narrativa mais expansiva e cinematográfica.


Vilões Disney: entre sucessos e tropeções

A aposta da Disney em filmes centrados nos seus vilões tem tido resultados irregulares. Maleficent e a sua sequela Mistress of Evil dividiram opiniões e nunca alcançaram o estatuto de clássico moderno, enquanto Cruella, realizado por Craig Gillespie, acabou por surpreender pela energia visual e pela reinvenção estilística da personagem.

É precisamente nesse equilíbrio delicado que o filme de Gaston se posiciona. O personagem é, desde há décadas, um dos vilões mais icónicos da Disney: narcisista, fisicamente imponente, convencido da sua superioridade e profundamente tóxico. Transformá-lo num protagonista exige cuidado — e uma clara consciência do que o torna fascinante sem o tornar simpático à força.

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Curiosidade em alta, cautela mantida

Com um argumentista sólido, uma produtora experiente e uma personagem que o público adora odiar, o projecto desperta curiosidade. Resta saber se a Disney conseguirá evitar os lugares-comuns e justificar verdadeiramente a existência deste spin-off.

Por agora, o filme de Gaston está ainda numa fase embrionária, sem realizador ou data de estreia anunciados. Mas, conhecendo a estratégia recente do estúdio, dificilmente ficará esquecido na gaveta.

Emma Mackey, entre o poder e a fúria contida: a actriz fala de Ella McCay, James L. Brooks e a herança dourada de Hollywood

Um retrato político com alma clássica

Em Ella McCay, o novo filme de James L. Brooks, Emma Mackey assume um dos papéis mais complexos e exigentes da sua carreira. A actriz interpreta Ella, uma jovem vice-governadora de 34 anos que entra em funções sob o olhar desconfiado de todos os que esperam vê-la falhar. O filme acompanha esta mulher num momento de enorme pressão: um cargo político de alto risco, um casamento em colapso, o regresso de um pai ausente e o pano de fundo da chegada da administração Obama à Casa Branca.

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Desde a primeira cena, em que Ella entra no seu gabinete e se torna imediatamente alvo de escrutínio, o tom está definido. Brooks constrói um filme profundamente humano, onde a política serve menos como espectáculo e mais como campo de batalha emocional. Para Emma Mackey, o processo começou muito antes das filmagens, com longas conversas com o realizador e uma imersão no quotidiano de responsáveis políticos reais, de forma a compreender o ritmo, a pressão e a solidão do serviço público.

A comédia clássica como bússola criativa

James L. Brooks nunca escondeu a sua admiração pela chamada idade de ouro de Hollywood, e Ella McCay assume essa influência com orgulho. Mackey explica que o filme bebe directamente da screwball comedy clássica, não apenas no ritmo dos diálogos, mas na forma como as personagens femininas são retratadas: inteligentes, determinadas, falíveis e profundamente humanas. A escrita foi sempre o ponto de partida, com um cuidado quase obsessivo em respeitar essa herança cinematográfica sem cair na nostalgia vazia.

Essa abordagem reflete-se também nas relações centrais do filme, em particular na ligação de Ella a duas mulheres fundamentais da sua vida: a tia Helen, interpretada por Jamie Lee Curtis, e Estelle, a sua secretária, vivida por Julie Kavner. Ambas funcionam como espelhos emocionais, figuras que reconhecem em Ella traços do seu próprio passado e que oferecem algo raro no mundo político: apoio incondicional. Mackey não esconde a admiração pelas duas actrizes, sublinhando a força vital de Curtis e o carisma quase magnético de Kavner.

Um grito que precisava de acontecer

Um dos momentos mais marcantes de Ella McCay surge perto do final, quando a protagonista, depois de abandonar um casamento tóxico, finalmente liberta toda a raiva e frustração acumuladas num grito partilhado com a tia. Curiosamente, essa cena não estava inicialmente planeada dessa forma. Segundo Mackey, foi uma necessidade que surgiu durante o processo, quase como uma exigência emocional da própria personagem.

O grito funciona como catarse, tanto para Ella como para o público, e resume o percurso de uma mulher que passou o filme inteiro a conter-se para sobreviver num sistema que não lhe perdoa falhas. É um momento cru, primitivo e profundamente libertador, que reforça a dimensão emocional do filme para lá da intriga política.

Entre Ella McCay e Nárnia

O futuro de Emma Mackey passa agora por um contraste curioso. Enquanto Ella McCay a coloca no centro de um drama político realista, a actriz prepara-se para integrar o universo fantástico de Nárnia, sob a direcção de Greta Gerwig. Mackey reconhece as diferenças entre Ella e Jadis, a Feiticeira Branca, mas identifica um ponto comum essencial: ambas ocupam posições de poder.

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Trabalhar com cineastas como Brooks e Gerwig, explica, é um privilégio raro. Ambos partilham uma abordagem profundamente honesta ao cinema, lideram pelo exemplo e acreditam que as fissuras — os momentos em que as personagens falham — são onde reside a verdadeira humanidade. Para Emma Mackey, é nesse espaço que o cinema se torna verdadeiramente vivo.

Kate Hudson e Jeremy Allen White: Duas Carreiras Ligadas Pela Música, Pelo Cinema… e Pela Emoção

Quando interpretar músicos é mais do que aprender acordes

Kate Hudson e Jeremy Allen White pertencem a gerações diferentes de Hollywood, mas cruzam-se agora num território comum: filmes onde a música não é apenas pano de fundo, mas motor emocional. Numa conversa franca e cheia de cumplicidade, os dois actores reflectem sobre os seus mais recentes projectos — Song Sung Blue e Springsteen: Deliver Me From Nowhere — e sobre a forma como a música, dentro e fora do ecrã, pode literalmente salvar pessoas.

Hudson foi catapultada para o estrelato ainda adolescente com Almost Famous, de Cameron Crowe, tornando-se um ícone imediato ligado à mitologia do rock. Este ano, entrega uma das interpretações mais maduras da carreira como metade de uma banda tributo a Neil Diamond, numa história real tão comovente quanto agridoce. Jeremy Allen White, por sua vez, troca o avental de The Bear por uma das tarefas mais delicadas que um actor pode enfrentar: interpretar Bruce Springsteen num dos períodos mais vulneráveis e criativamente livres da sua vida.

O peso simbólico da roupa, dos instrumentos… e da herança

White fala com particular detalhe sobre a fisicalidade de vestir Springsteen. Os jeans apertados, as botas, os casacos — tudo contribuiu para moldar postura, movimento e até respiração. Mais do que figurino, foi uma transformação corporal. O próprio Springsteen acabou por lhe emprestar peças reais da juventude e, num gesto de enorme intimidade, ofereceu-lhe a medalha de São Cristóvão que usou durante anos, bem como uma guitarra Gibson J-200 de 1955 para aprender a tocar.

Para Hudson, que também partilha essa ligação profunda com instrumentos e com o palco, este tipo de detalhe faz toda a diferença. Ambos concordam que interpretar músicos reais exige mais do que imitação: é preciso compreender o processo criativo, a dúvida, o silêncio e até a tortura emocional que muitas vezes acompanha a composição.

“Nebraska”: um mapa emocional inesperado

Jeremy Allen White admite que, apesar de conhecer Bruce Springsteen como qualquer pessoa, nunca tinha verdadeiramente mergulhado em Nebraska — o álbum mais cru e intimista do músico. Esse disco acabou por se tornar a bússola emocional da sua interpretação. Poucos acordes, produção minimalista, letras profundamente específicas. Para White, foi como receber um mapa directo para o interior da personagem.

Hudson confessa que Nebraska sempre teve um peso pessoal na sua vida e sublinha como certos álbuns funcionam quase como chaves emocionais. Ambos falam da música como atalho para estados de espírito que, por vezes, o próprio actor não consegue alcançar apenas pela técnica. Quando isso falha, há sempre uma canção capaz de desbloquear algo.

Dois métodos, um mesmo compromisso

A conversa revela também abordagens muito diferentes ao trabalho. White prepara intensamente antes de chegar ao set e depois agarra-se às decisões iniciais com firmeza quase inflexível. Hudson, pelo contrário, prefere fazer um enorme trabalho prévio para depois se libertar completamente em cena, mantendo-se aberta ao acaso, à improvisação e à energia do momento.

Ainda assim, ambos reconhecem o mesmo objectivo: honestidade emocional. Hudson elogia a forma como White internalizou o processo criativo de Springsteen, descrevendo-o como algo que a emocionou profundamente enquanto compositora. White retribui, destacando a luz, o optimismo e a alegria que Hudson transporta mesmo para personagens marcadas pela desilusão.

Música como refúgio, não como fama

Há um ponto essencial onde os dois filmes se tocam: nenhum deles é sobre o estrelato. Song Sung Blue fala de músicos que nunca chegaram ao topo, mas que tocaram porque precisavam de tocar. Deliver Me From Nowhere foca-se num artista já famoso, mas isolado, a criar um disco que nasce da necessidade, não da ambição.

Hudson resume essa ideia com clareza: são histórias sobre música como escape, como sobrevivência. White concorda — os personagens não pensam no que vão receber em troca. Fazem-no porque não sabem viver de outra forma.

E as comédias românticas?

A conversa termina num tom mais leve, com Hudson a defender apaixonadamente as comédias românticas como um dos géneros mais difíceis e subvalorizados do cinema. White admite que adoraria fazer uma, mas apenas se fosse “à séria”, ao nível de When Harry Met Sally. Hudson responde com uma certeza de quem já viveu isso: uma boa rom-com pode mudar vidas, porque faz as pessoas sentirem-se melhor.

Talvez seja essa a ideia que une toda a conversa. Seja rock, folk, country ou romance no grande ecrã, Hudson e White acreditam no cinema como veículo de empatia, consolo e ligação humana. Filmes sobre música, no fundo, acabam sempre por ser filmes sobre pessoas — e sobre a forma como tentam, desesperadamente, não se perder.

Jane Fonda Parodia Anúncio Icónico de Nicole Kidman e Atira-se à Consolidação de Hollywood

Uma sátira elegante com alvo bem definido

Jane Fonda voltou a provar que, mesmo décadas depois de se afirmar como uma das grandes figuras de Hollywood, continua atenta — e combativa — em relação ao futuro da indústria. A actriz e activista partilhou esta semana um vídeo onde parodia o famoso anúncio da AMC Theatres protagonizado por Nicole Kidman, transformando-o numa crítica mordaz à crescente consolidação dos grandes estúdios e plataformas de streaming.

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No vídeo, Fonda recria quase plano por plano o tom solene e emocional do anúncio original, mas troca a celebração da magia do cinema por um discurso carregado de ironia. “Venham a este lugar para as fusões. Transmitimos para o auto-silêncio. Para censurar. Para despejar conteúdo”, diz, enquanto entra numa sala de cinema, imitando deliberadamente a cadência e o estilo de Kidman.

“Algures, a ganância corporativa sabe bem num lugar como este”

A actriz leva a sátira mais longe ao adaptar a frase que tornou o anúncio da AMC um fenómeno cultural — “Somehow heartbreak feels good in a place like this”. Na versão de Fonda, a emoção dá lugar ao cinismo: “Algures, a ganância corporativa sabe bem num lugar como este. Algures, as fusões sabem bem num lugar como este.”

O vídeo culmina com um toque quase absurdo, mas carregado de simbolismo: um homem entra na sala e expulsa Fonda, avisando que o edifício vai ser demolido em cinco minutos. Uma metáfora pouco subtil para o destino das salas de cinema e da criação independente num ecossistema cada vez mais dominado por gigantes financeiros.

Uma crítica que não surge do nada

A paródia surge pouco tempo depois de Jane Fonda ter tornado pública a sua posição crítica em relação ao alegado acordo de 82,7 mil milhões de dólares que permitirá à Netflix adquirir a Warner Bros. Numa declaração conjunta com o Committee for the First Amendment, a actriz classificou o negócio como “uma escalada alarmante da consolidação que ameaça toda a indústria do entretenimento”.

Mais do que uma questão económica, Fonda enquadra o tema como um problema democrático e até constitucional, alertando para o risco de interferência política nas decisões editoriais e criativas. No comunicado, dirigido directamente ao Departamento de Justiça norte-americano, exige que o poder regulador não seja usado para condicionar conteúdos ou limitar a liberdade de expressão.

Humor como arma política

O que torna este gesto particularmente eficaz é a forma como Fonda recorre ao humor e à cultura popular para transmitir uma mensagem complexa. Ao apropriar-se de um anúncio amplamente amado — e já ele próprio alvo de inúmeras paródias — a actriz fala directamente a um público que reconhece de imediato a referência.

Ao contrário de um manifesto tradicional, este vídeo espalha-se com facilidade nas redes sociais, transformando uma crítica estrutural à indústria num momento partilhável, irónico e desconfortavelmente actual. É sátira, mas é também aviso.

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Num tempo em que Hollywood se redefine à velocidade das fusões e aquisições, Jane Fonda lembra que nem todos estão dispostos a aplaudir — mesmo que o ecrã seja grande e a música inspiradora.

A versão de irónica de Jane Fonda

O Icónico Anúncio das Salas AMC de há 4 anos atrás

Um Cadáver na Igreja e a Fé Posta à Prova: o Novo Mistério de Rian Johnson Não é Apenas um ‘Knives Out’

‘Wake Up Dead Man’ leva o jogo do whodunit para terreno espiritual

Depois de Knives Out e Glass Onion, Rian Johnson regressa ao género que tão bem domina com Wake Up Dead Man, um filme que mantém o humor mordaz e o prazer do quebra-cabeças policial, mas acrescenta algo inesperado: uma reflexão aberta — e provocadora — sobre fé, moralidade e intolerância religiosa. O resultado é um mistério que brinca com as regras do género enquanto aponta directamente às tensões ideológicas do presente.

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A história decorre numa pequena cidade do estado de Nova Iorque, centrada numa igreja católica em declínio. É aí que chega o jovem padre Jud Duplenticy, interpretado com enorme sensibilidade por Josh O’Connor, destacado para servir sob as ordens do monsenhor Jefferson Wicks. Josh Brolin dá vida a Wicks como um verdadeiro pregador do apocalipse: colérico, fundamentalista e abertamente hostil a homossexuais, mães solteiras e tudo o que associe ao mundo secular.

Uma congregação como microcosmo político

Apesar de afastar fiéis, Wicks mantém um núcleo duro de seguidores. Glenn Close diverte como Martha, a beata intrometida que praticamente gere a igreja; Kerry Washington surge como uma advogada afiada; Jeremy Renner interpreta um médico alcoólico e desiludido; e Cailee Spaeny é uma violoncelista famosa que doa grandes quantias à igreja na esperança de curar uma dor crónica. Andrew Scott e Daryl McCormack representam duas figuras que funcionam como comentários directos à paisagem política americana: um escritor que deriva para a direita e um jovem político republicano falhado que tenta reinventar-se no YouTube.

Jud tenta suavizar o discurso de ódio do monsenhor e reconduzir a comunidade a uma fé mais compassiva. Em vez disso, transforma-se no seu maior inimigo. Quando Wicks aparece morto, esfaqueado dentro da igreja — precisamente na Sexta-Feira Santa —, todas as suspeitas recaem sobre o jovem padre.

Benoit Blanc entra em cena… e a teologia também

É neste ponto que surge Benoit Blanc, novamente interpretado por Daniel Craig com o seu já icónico sotaque sulista. Convencido da inocência de Jud, Blanc envolve-o na investigação de um crime que parece impossível de explicar pelas leis da razão. Johnson aproveita para homenagear John Dickson Carr, mestre absoluto do “crime impossível”, elevando o lado meta do filme a um nível quase académico.

Mas Wake Up Dead Man vai além da mecânica do mistério. Tal como os filmes anteriores desmontavam o racismo, o classismo e a cultura dos bilionários, este novo capítulo aponta baterias àquilo que vê como a insularidade e intolerância da direita cristã. Nem sempre com subtileza, é certo, mas com uma clareza de intenções difícil de ignorar.

Um filme sobre dúvidas, não apenas sobre culpados

Josh O’Connor oferece uma das melhores interpretações da sua carreira recente, elevando o filme a um plano mais contemplativo. À medida que surgem novos mortos e a tensão aumenta, o confronto central deixa de ser apenas policial: é também filosófico. Fé contra cepticismo. Jud contra Blanc. Deus contra a razão.

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Sem revelar respostas, fica a sensação de que, neste mistério engenhosamente construído, cada detalhe conta — e que, como sugere o próprio filme, talvez Deus esteja mesmo nos pormenores.

Marcello Mastroianni: o homem por detrás do mito chega à RTP2 num documentário imperdível

Há actores que pertencem ao cinema. E depois há Marcello Mastroianni, que pertence à própria ideia de sedução, mistério e liberdade que o cinema tantas vezes tenta capturar. É essa figura — simultaneamente luminosa e inalcançável — que o documentário Marcello Mastroianni: Irresistivelmente Livre procura desvendar, numa estreia marcada para quinta-feira, às 22h55, na RTP2.

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A proposta é sedutora: desmontar o mito sem o destruir, compreender o homem sem o aprisionar numa narrativa fácil. Afinal, quem era realmente Mastroianni quando as câmaras deixavam de filmar? Que relação mantinha com a imagem de galã latino que o mundo lhe impôs — uma espécie de máscara dourada que ele próprio, discretamente, tentava afastar?

O documentário parte precisamente desse confronto entre persona e identidade, revelando um actor cuja aparente leveza escondia camadas de sensibilidade, contradição e indisciplina emocional. Não apenas o protagonista dócil e indolente que Fellini transformou em símbolo universal do desencanto moderno, mas um homem inquieto, determinado a não ser reduzido à perfeição dos seus traços ou ao charme que todos reconheciam antes mesmo de ele entrar em cena.

Os anos 60, com La Dolce Vita, elevaram-no ao estatuto de estrela absoluta. Naquela icónica imagem de Marcello a caminhar pela Via Veneto ao lado de Anita Ekberg, cristalizou-se uma ideia de masculinidade mediterrânica que o ultrapassou, quase como uma lenda que se escreve por si própria. Mas Mastroianni, homem de olho doce e espírito irónico, resistiu sempre à tentação de acreditar na sua própria mitologia.

Não era cínico, nem desencantado. Pelo contrário: transmitia a sensação de que a vida, demasiado séria para ser levada tão a sério, precisava de ser vivida com prazer, humor e, sobretudo, liberdade. Daí o título do documentário — Irresistivelmente Livre — que evoca não apenas o actor, mas também o ser humano que se recusou a deixar-se aprisionar pelos rótulos de uma indústria que fazia dele o seu ícone ideal.

O que o filme da RTP2 oferece é a oportunidade de reencontrar Marcello para lá da superfície: os bastidores, as fragilidades, a inteligência subtil e a permanente ambiguidade de um artista que parecia flutuar entre os papéis, como se cada personagem fosse apenas mais um ponto de partida para questionar o mundo e a si próprio.

Através de imagens de arquivo, depoimentos e uma construção narrativa que honra tanto o mito como o homem, o documentário traça o retrato íntimo daquele que muitos consideram o actor italiano mais complexo da sua geração — imprevisível, elegante e cheio de uma humanidade luminosa, difícil de capturar mas impossível de esquecer.

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Na noite de quinta-feira, a RTP2 convida-nos a olhar novamente para Mastroianni. E a descobrir que, por trás da maquilhagem, do sorriso preguiçoso e da aura eterna de La Dolce Vita, existia um homem que passou a vida inteira a tentar ser apenas isso: ele próprio.

Primeiras Imagens de Supergirl Confirmam Mudança Importante no Novo DCU de James Gunn

A DC Studios revelou finalmente o primeiro vislumbre de Supergirl — e, apesar de curto, o teaser já deixou claro que o novo DCU de James Gunn está a afastar-se de elementos tradicionais dos comics. Depois do sucesso crítico e comercial de Superman (2025), os fãs aguardam ansiosamente a continuação da Casa de El no grande ecrã, desta vez centrada na Kara Zor-El de Milly Alcock, cuja estreia em Superman foi uma das surpresas mais comentadas do filme.

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O teaser, divulgado nas redes sociais oficiais de Gunn e da DC, mostra Supergirl sentada num ponto que parece ser uma paragem de autocarro improvisada, vestida com roupa comum — nada de capa, nada de uniforme Kryptoniano — até que uma nave espacial aterra à sua frente. A curta sequência já está a gerar dissecações intensas entre fãs e analistas, não apenas pela estética, mas pelo que revela sobre o tom da nova interpretação da personagem.

O teaser surge acompanhado da confirmação de Gunn: o primeiro trailer completo de Supergirl será divulgado esta semana e deverá começar a ser exibido nos cinemas antes das sessões de Avatar: Fire and Ash. Ou seja, a máquina promocional está oficialmente a arrancar para o filme que chega em 2026.

Mas o detalhe mais interessante do primeiro olhar não tem a ver com naves espaciais ou efeitos visuais — tem a ver com… o guarda-roupa. Ou, mais precisamente, com aquilo que não vemos. A adaptação cinematográfica inspira-se em Supergirl: Woman of Tomorrow, a aclamada minissérie escrita por Tom King. Nos comics, o uniforme de Kara está sempre presente, mesmo quando ela usa roupa casual: a gola azul-escura sobressai, o símbolo de Krypton espreita sob camadas de tecido, e essa omnipresença funciona como metáfora. Para Ruthye, a jovem que acompanha Supergirl na história original, a heroína é uma figura quase mitológica, sempre “pronta para a ação”.

No teaser, porém, Milly Alcock surge vestida como uma rapariga terrena comum — sem o colarinho característico, sem traços de uniforme, sem a iconografia visual que nos comics reforça a dualidade constante entre Kara e Ruthye. As novas imagens divulgadas na CCXP confirmam que o fato criado para o filme inclui uma gola alta distintiva que, caso estivesse a ser usada por baixo da roupa, seria impossível de ocultar.

Este é um sinal claro de que James Gunn e Tom King estão a ajustar o material de origem para servir a nova abordagem do DCU. Se em Superman acompanhámos um Clark dividido entre o legado colonialista dos pais Kryptonianos e a educação compassiva dos Kent, Supergirl promete aprofundar a jornada de uma Kara mais turbulenta, menos definida, que ainda procura um lugar num universo onde a heroicidade não lhe surge tão naturalmente como ao primo.

A ausência do uniforme nas primeiras imagens — mais do que um detalhe estético — indica que esta Supergirl não começa como uma figura idealizada, mas como alguém em fase de reconstrução. Em Superman ela surgiu como uma “party girl” perdida, uma jovem endurecida pelas circunstâncias. O filme solo deverá explorar esta vertente com mais profundidade, mostrando uma Kara que ainda não se vê como símbolo, muito menos como inspiração. A mudança visual encaixa perfeitamente neste tom.

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O DCU de James Gunn está, de forma deliberada, a reescrever mitologias, a moldar versões alternativas de personagens clássicas e a oferecer novas leituras sobre figuras que pareciam já definitivas. E se Superman abriu a porta, Supergirlprepara-se para atravessá-la com uma identidade própria — mesmo que, pelo caminho, deixe o colarinho azul guardado no armário.

Ariana Grande Quer Muito Ficar de Fora da “Narrativa 6-7” — E Adam Sandler Não Tem Culpa Nenhuma

Ariana Grande está em plena campanha de promoção para Wicked: For Good, mas acabou, involuntariamente, no centro de um meme que nem sabia que existia. A cantora e actriz sentou-se recentemente com Adam Sandler para uma nova edição do Actors on Actors, da Variety/CNN — uma conversa descontraída, calorosa e cheia de admiração mútua. Mas bastou uma expressão ligeiramente franzida de Grande para incendiar a internet.

A origem do episódio é quase absurda. Durante a conversa, Sandler comentou que Grande tinha filmado “seis ou sete” cenas emocionais consecutivas no set de Wicked: For Good. Uma frase totalmente inocente. Porém, no exacto momento em que as palavras “six or seven” saíram da boca de Sandler, Ariana fez um micro-franzir de sobrancelha, quase imperceptível, mas suficiente para que o público mais online entrasse em alvoroço. Era, para muitos, a prova de que Ariana Grande estava — mais uma vez — a reagir ao famigerado meme “6-7”.

Para os espectadores que não vivem mergulhados na cultura de internet, o fenómeno precisa de explicação. “6-7” tornou-se um meme universal entre adolescentes e jovens adultos depois de o rapper de Filadélfia, Skrilla, usar os números no refrão do seu tema viral “Doot Doot (6 7)”. O significado? Depende de quem se pergunta. O artista já disse que os números “representam o seu cérebro”. Outros vêem ali referências a ruas, códigos policiais ou simplesmente nonsense puro. A verdade é que os miúdos não querem saber: “6-7” tornou-se uma espécie de piada automática. Se alguém diz as palavras “seis” e “sete” juntas, o meme ganha vida.

Ariana, que costuma estar bem sintonizada com os fenómenos virais, tornou-se alvo desta narrativa há semanas, quando fãs alegaram que já tinha reagido a um “6-7” num momento anterior da tour promocional. Daí que o simples comentário de Sandler tenha sido interpretado como o gatilho perfeito. O clipe do franzir de sobrancelha espalhou-se rapidamente pelas redes sociais.

Só que Ariana Grande insiste que não percebe nada disto. Numa caixa de comentários do Instagram, foi directa ao assunto: “i don’t know what this means !”, escreveu, exasperada. Explicou que a expressão no rosto era apenas reacção às palavras de Sandler sobre o número de cenas dramáticas que teve de gravar de seguida. E depois deixou escapar um inocente pânico digital: “i’m scared what is 67.

Poucos minutos depois, publicou um segundo comentário ainda mais clarificador — e divertido: “actually i don’t want to know please i love you all enjoy”. Ou seja, Ariana Grande está oficialmente fora da narrativa. Ou, como diria Taylor Swift, “I would very much like to be excluded from this story.”

Ainda assim, o momento tornou-se mais um capítulo delicioso na crónica moderna da cultura pop, onde qualquer sobrancelha levantada pode alimentar memes globais. E tudo isto enquanto Grande e Sandler falavam calmamente sobre os seus novos trabalhos — ele com Jay Kelly, ela com o musical que promete redefinir o universo de Wicked.

Ironia máxima: Adam Sandler, lenda da comédia, não demonstrou o mais pequeno sinal de saber que o meme existia. Ariana, que teoricamente estaria mais por dentro, também não. Mas a internet, sempre vigilante, viu mais do que estava lá.

No fim, fica um daqueles episódios que são puro oxigénio para os fãs de cultura digital e um lembrete de que, na era dos vídeos curtos e reacções instantâneas, ninguém está imune a tornar-se meme — nem mesmo quando só está a falar de cenas emocionais. E Ariana Grande, pelo menos desta vez, prefere manter-se bem longe disso.

Globos de Ouro 2026: “One Battle After Another” e “The White Lotus” lideram nomeações da nova edição

A temporada de prémios arranca com força e com várias surpresas no cinema e televisão

Os nomeados para os Golden Globes 2026 foram anunciados esta sexta-feira, antecipando uma cerimónia que promete ser uma das mais concorridas dos últimos anos. A grande força desta edição é o filme de acção “One Battle After Another”, protagonizado por Leonardo DiCaprio, que lidera na secção de cinema e se posiciona como um dos títulos mais fortes da temporada.

No universo televisivo, o destaque volta a ir para “The White Lotus”, presença habitual entre os favoritos e novamente a produção mais reconhecida nos Globos, confirmando o domínio continuado da série antológica da HBO.

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As categorias deste ano revelam uma competição diversificada, onde filmes de autor, super-produções internacionais, musicais, animação e projectos independentes disputam espaço em pé de igualdade. Nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet, Cynthia Erivo, Jessie Buckley, Jennifer Lawrence, Michael B. Jordan, Oscar Isaac e Ariana Grande surgem entre os candidatos mais mediáticos.

Em televisão, a luta promete ser apertada entre títulos aclamados como “Severance”, “Slow Horses”, “The Diplomat”, “The Bear” e “Only Murders in the Building”, além do regresso triunfante de “The White Lotus” com um elenco renovado.

A cerimónia decorre em Janeiro e marca o arranque oficial da temporada de prémios, funcionando como barómetro antecipado para os Óscares — especialmente nas categorias dramáticas e de comédia/musical, onde a diversidade de nomeados é maior do que nunca.

Seguem-se agora todos os nomeados, categoria a categoria.

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📜 Lista completa de nomeados — Golden Globes 2026

(Mantida exactamente como divulgada oficialmente, apenas formatada para leitura clara.)

FILME

Melhor Filme — Drama

  • Alexandre Desplat – Frankenstein
  • Max Richter – Hamnet
  • It Was Just An Accident
  • The Secret Agent
  • Sentimental Value
  • Sinners

Melhor Filme — Musical ou Comédia

  • Blue Moon
  • Bugonia
  • Marty Supreme
  • No Other Choice
  • Nouvelle Vague
  • One Battle After Another

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa

  • It Was Just An Accident
  • No Other Choice
  • The Secret Agent
  • Sentimental Value
  • Sirât
  • The Voice of Hind Rajab

Melhor Filme de Animação

  • Arco
  • Demon Slayer: Infinity Castle
  • Elio
  • KPop Demon Hunters
  • Little Amélie or The Character of Rain
  • Zootopia 2

Melhor Actriz — Drama

  • Jessie Buckley – Hamnet
  • Jennifer Lawrence – Die, My Love
  • Renate Reinsve – Sentimental Value
  • Julia Roberts – After the Hunt
  • Tessa Thompson – Hedda
  • Eva Victor – Sorry, Baby

Melhor Actor — Drama

  • Joel Edgerton – Train Dreams
  • Oscar Isaac – Frankenstein
  • Dwayne Johnson – The Smashing Machine
  • Michael B. Jordan – Sinners
  • Wagner Moura – The Secret Agent
  • Jeremy Allen White – Springsteen: Deliver Me From Nowhere

Melhor Actriz — Musical ou Comédia

  • Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You
  • Cynthia Erivo – Wicked: For Good
  • Kate Hudson – Song Sung Blue
  • Chase Infiniti – One Battle After Another
  • Amanda Seyfried – The Testament of Ann Lee
  • Emma Stone – Bugonia

Melhor Actor — Musical ou Comédia

  • Timothée Chalamet – Marty Supreme
  • George Clooney – Jay Kelly
  • Leonardo DiCaprio – One Battle After Another
  • Ethan Hawke – Blue Moon
  • Lee Byung-Hun – No Other Choice
  • Jesse Plemons – Bugonia

Melhor Actriz Secundária

  • Emily Blunt – The Smashing Machine
  • Elle Fanning – Sentimental Value
  • Ariana Grande – Wicked: For Good
  • Inga Ibsdotter Lilleaas – Sentimental Value
  • Amy Madigan – Weapons
  • Teyana Taylor – One Battle After Another

Melhor Actor Secundário

  • Benicio Del Toro – One Battle After Another
  • Jacob Elordi – Frankenstein
  • Paul Mescal – Hamnet
  • Sean Penn – One Battle After Another
  • Adam Sandler – Jay Kelly
  • Stellan Skarsgård – Sentimental Value

Melhor Realização

  • Paul Thomas Anderson – One Battle After Another
  • Ryan Coogler – Sinners
  • Guillermo del Toro – Frankenstein
  • Jafar Panahi – It Was Just An Accident
  • Joachim Trier – Sentimental Value
  • Chloé Zhao – Hamnet

Melhor Argumento

  • Paul Thomas Anderson – One Battle After Another
  • Ronald Bronstein, Josh Safdie – Marty Supreme
  • Ryan Coogler – Sinners
  • Jafar Panahi – It Was Just An Accident
  • Eskil Vogt, Joachim Trier – Sentimental Value
  • Chloé Zhao, Maggie O’Farrell – Hamnet

Melhor Canção Original

  • Miley Cyrus, Andrew Wyatt, Mark Ronson, Simon Franglen – Avatar: Fire and Ash; Dream As One
  • Joong Gyu Kwak et al. – KPop Demon Hunters; Golden
  • Raphael Saadiq, Ludwig Göransson – Sinners; I Lied To You
  • Stephen Schwartz – Wicked: For Good – No Place Like Home
  • Stephen Schwartz – Wicked: For Good – The Girl in the Bubble
  • Nick Cave, Bryce Dessner – Train Dreams; Train Dreams

Melhor Banda Sonora

  • Alexandre Desplat – Frankenstein
  • Ludwig Göransson – Sinners
  • Jonny Greenwood – One Battle After Another
  • Kanding Ray – Sirât
  • Max Richter – Hamnet
  • Hans Zimmer – F1

Conquista Cinematográfica e de Bilheteira

  • Avatar: Fire and Ash
  • F1
  • KPop Demon Hunters
  • Mission: Impossible – The Final Reckoning
  • Sinners
  • Weapons
  • Wicked: For Good
  • Zootopia 2

TELEVISÃO

Melhor Série — Drama

  • The Diplomat
  • The Pitt
  • Pluribus
  • Severance
  • Slow Horses
  • The White Lotus

Melhor Série — Comédia ou Musical

  • Abbott Elementary
  • The Bear
  • Hacks
  • Nobody Wants This
  • Only Murders in the Building
  • The Studio

Melhor Minissérie

  • Adolescence
  • All Her Fault
  • The Beast in Me
  • Black Mirror
  • Dying for Sex
  • The Girlfriend

Melhor Actriz — Drama

  • Kathy Bates – Matlock
  • Britt Lower – Severance
  • Helen Mirren – Mobland
  • Bella Ramsey – The Last of Us
  • Keri Russell – The Diplomat
  • Rhea Seehorn – Pluribus

Melhor Actor — Drama

  • Sterling K. Brown – Paradise
  • Diego Luna – Andor
  • Gary Oldman – Slow Horses
  • Mark Ruffalo – Task
  • Adam Scott – Severance
  • Noah Wyle – The Pitt

Melhor Actriz — Comédia ou Musical

  • Kristen Bell – Nobody Wants This
  • Ayo Edebiri – The Bear
  • Selena Gomez – Only Murders in the Building
  • Natasha Lyonne – Poker Face
  • Jenna Ortega – Wednesday
  • Jean Smart – Hacks

Melhor Actor — Comédia ou Musical

  • Adam Brody – Nobody Wants This
  • Steve Martin – Only Murders in the Building
  • Glen Powell – Chad Powers
  • Seth Rogen – The Studio
  • Martin Short – Only Murders in the Building
  • Jeremy Allen White – The Bear

Melhor Actriz — Minissérie

  • Claire Danes – The Beast in Me
  • Rashida Jones – Black Mirror
  • Amanda Seyfried – Long Bright River
  • Sarah Snook – All Her Fault
  • Michelle Williams – Dying for Sex
  • Robin Wright – The Girlfriend

Melhor Actor — Minissérie

  • Jacob Elordi – The Narrow Road to the Deep North
  • Paul Giamatti – Black Mirror
  • Stephen Graham – Adolescence
  • Charlie Hunnam – Monster: The Ed Gein Story
  • Jude Law – Black Rabbit
  • Matthew Rhys – The Beast in Me

Melhor Actor Secundário — TV

  • Owen Cooper – Adolescence
  • Billy Crudup – The Morning Show
  • Walton Goggins – The White Lotus
  • Jason Isaacs – The White Lotus
  • Tramell Tillman – Severance
  • Ashley Walters – Adolescence

Melhor Actriz Secundária — TV

  • Carrie Coon – The White Lotus
  • Erin Doherty – Adolescence
  • Hannah Einbinder – Hacks
  • Catherine O’Hara – The Studio
  • Parker Posey – The White Lotus
  • Aimee-Lou Wood – The White Lotus

Melhor Performance de Stand-Up em Televisão

  • Bill Maher – Is Anyone Else Seeing This?
  • Brett Goldstein – The Second Best Night of Your Life
  • Kevin Hart – Acting My Age
  • Kumail Nanjiani – Night Thoughts
  • Ricky Gervais – Mortality
  • Sarah Silverman – PostMortem

PODCAST

Melhor Podcast

  • Armchair Expert with Dax Shepard
  • Call Her Daddy
  • Good Hang with Amy Poehler
  • The Mel Robbins Podcast
  • SmartLess
  • Up First (NPR)

Chris Pratt e o túmulo de São Pedro: o novo documentário que leva Hollywood às profundezas do Vaticano

Um Star-Lord no subsolo da Basílica de São Pedro

Chris Pratt trocou, por uns dias, as galáxias distantes e os blockbusters de acção pelas galerias silenciosas sob a Basílica de São Pedro, no Vaticano. O actor norte-americano está a filmar um documentário sobre a descoberta da Necrópole Vaticana e do túmulo do Apóstolo Pedro, num projecto que junta o Vatican Media, a Fabbrica di San Pietro e a produtora AF Films. A estreia está prevista para 2026, ano em que se assinala o 400.º aniversário da inauguração e dedicação da actual basílica.

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Segundo o Vatican News, as filmagens decorrem na própria Basílica de São Pedro e na Necrópole Vaticana, num acesso raríssimo que transforma Pratt no guia de um itinerário que mistura fé, história e arqueologia. O actor confessou sentir-se “extraordinariamente honrado” por colaborar com o Vaticano neste projecto e por ter a oportunidade de ajudar a levar a história de São Pedro ao grande público.

A direcção do documentário fica a cargo da realizadora espanhola Paula Ortiz, enquanto o argumento é assinado por Andrea Tornielli, com a colaboração de Pietro Zander. O filme deverá ser lançado em 2026, alinhado com a data simbólica de 18 de Novembro de 1626, quando a actual Basílica de São Pedro foi oficialmente inaugurada e consagrada.

Da Galileia ao Vaticano: a rota de Pedro

A história da basílica e a do próprio cristianismo estão intimamente ligadas à figura de Pedro, o pescador da Galileia a quem, segundo a tradição cristã, Jesus confiou a liderança da Igreja. Pedro terá sido martirizado em Roma, na colina vaticana, por volta do ano 64 d.C., e desde os primeiros séculos que o seu local de sepultamento se tornou destino de peregrinação, devoção e culto — ao ponto de muitos cristãos desejarem ser sepultados o mais perto possível do Apóstolo.

O documentário pretende precisamente revisitar, passo a passo, esse percurso, conduzindo o espectador numa viagem no tempo através de imagens exclusivas e de acesso restrito. O ponto central será a identificação do local do túmulo de Pedro na Necrópole Vaticana, uma questão que ocupou arqueólogos, historiadores e papas durante décadas.

Da escavação às relíquias: um enigma de séculos

Foi o Papa Pio XII que, em 1939, ordenou as escavações sob a Basílica de São Pedro, num impulso que mudou para sempre o conhecimento sobre o subsolo do Vaticano. Em 1950, Pio XII anunciava oficialmente a identificação do local de sepultamento do Apóstolo na Necrópole Vaticana, com base nas evidências então encontradas.

As investigações prosseguiram durante as décadas seguintes e, em 1968, o Papa Paulo VI deu um novo passo, revelando ao mundo que os ossos associados a Pedro tinham sido identificados de forma que considerava “convincente”. O pontífice declarou ter “razões para crer” que os poucos, mas sacrossantos, restos mortais do Príncipe dos Apóstolos tinham sido finalmente localizados.

É este caminho — entre fé e ciência, tradição e arqueologia — que o documentário agora em rodagem pretende tornar acessível ao grande público, com Chris Pratt como rosto e narrador desta descoberta contínua.

Chris Pratt como guia de um património invisível

Para além da curiosidade óbvia de ver uma grande estrela de Hollywood a guiar um documentário profundamente enraizado na tradição cristã, há aqui também um gesto claro de aproximação entre linguagens: a do cinema popular e a da comunicação religiosa e histórica.

Pratt, que já manifestou publicamente a sua fé em várias ocasiões, surge aqui numa faceta menos habitual, longe da comédia e da acção, para conduzir o espectador por corredores estreitos, câmaras funerárias e zonas do Vaticano que a maioria dos crentes — e cinéfilos — nunca verá ao vivo.

Visualmente, o projecto promete explorar não só a monumentalidade da Basílica de São Pedro, mas também o lado invisível da cidade-estado: a necrópole que foi preservada, redesenhada e protegida ao longo de séculos para guardar o lugar onde, segundo a tradição, repousa São Pedro.

Um lançamento pensado ao milímetro

O calendário não foi escolhido ao acaso. Lançar o documentário em 2026, exactamente no 400.º aniversário da dedicação da actual basílica, permite ao Vaticano e às entidades envolvidas reforçar a ligação entre o edifício que hoje vemos e a memória do Apóstolo que o funda simbolicamente.

Para o público, o filme deverá funcionar tanto como experiência espiritual e histórica como produto cinematográfico acessível, ajudado pelo carisma de Chris Pratt e pela curiosidade natural em torno de tudo o que se passa por detrás dos muros do Vaticano.

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Seja visto como acto de fé, exercício de divulgação histórica ou estratégia inteligente de comunicação, uma coisa é certa: em 2026, muitos espectadores vão descer, sem sair do sofá, às profundezas da colina vaticana, à procura do lugar onde começou uma das histórias mais influentes da civilização ocidental