O drama jurídico estrelado por Kim Kardashian já estreou na Disney+ em Portugal, mas as primeiras reações da crítica lá fora são demolidoras.
A mais recente criação de Ryan Murphy, Tudo é Justo (All’s Fair no original), já chegou à Disney+ em Portugal, mas o lançamento foi tudo menos pacífico. A série, protagonizada por Kim Kardashian no papel da advogada de divórcios Allura Grant, tem sido alvo de duras críticas internacionais — e o público está profundamente dividido.
Logo após a estreia, Tudo é Justo registou um impressionante 0 % de aprovação no Rotten Tomatoes, número que entretanto subiu ligeiramente para 6 %, mas que continua a refletir uma receção crítica desastrosa.
A revista The Hollywood Reporter não poupou palavras, descrevendo a performance de Kardashian como “rígida e sem uma única nota autêntica”. Já o The Telegraph foi ainda mais mordaz, chamando a série de “crime contra a televisão”.
A The Guardian, que atribuiu zero estrelas, escreveu:
“Nem Glenn Close consegue salvar este desastre de Ryan Murphy, com enredos miseráveis, personagens sem rumo — e as piores cenas de beijo alguma vez filmadas.”
Ainda assim, nem tudo é negativo. O público comum parece estar mais aberto à experiência: o índice de audiência da Rotten Tomatoes (o chamado Popcorn Meter) indica cerca de 62 % de aprovação, sugerindo que há quem esteja a apreciar o caos camp e o tom exagerado da produção.
A estrela da trilogia original de X-Men confirma que nunca foi contactada para regressar ao papel que a tornou icónica — mesmo com vários colegas a caminho de Avengers: Doomsday.
Famke Janssen, a inesquecível Jean Grey dos filmes originais de X-Men, voltou a falar sobre o papel que marcou a sua carreira — e deixou claro que, até hoje, a Marvel nunca a convidou para regressar ao universo mutante.
Em entrevista à Entertainment Weekly, a actriz de 60 anos afirmou que “nunca, nunca, jamais” recebeu qualquer contacto do estúdio. “É curioso, porque todas as entrevistas que faço acabam por tocar nesse assunto. Parece que é o único tema que sobrevive, independentemente do que eu diga”, explicou, entre risos.
Janssen está actualmente a promover a série Amsterdam Empire, disponível na Netflix, mas reconhece que o público continua a associá-la à poderosa telepata dos X-Men. “Devo sentir-me lisonjeada, suponho. É bom perceber que a personagem ainda ressoa nas pessoas, mesmo tantos anos depois”, acrescentou.
Um Legado Que Continua a Ser Recordado
Famke Janssen foi uma das protagonistas da trilogia original de X-Men produzida pela 20th Century Fox, interpretando Jean Grey — e mais tarde a sua alter ego destrutiva, Fénix Negra — em cinco filmes entre 2000 e 2014. A sua última aparição aconteceu em X-Men: Days of Future Past, num cameo que encerrou simbolicamente uma era.
A personagem viria a ser reinterpretada por Sophie Turner (Game of Thrones) em X-Men: Apocalypse (2016) e Dark Phoenix (2019), mostrando uma versão mais jovem da heroína.
Desde que a Disney adquiriu a 21st Century Fox, em 2017, os direitos dos X-Men passaram para a Marvel Studios. No entanto, Kevin Feige, presidente do estúdio, já indicou que o elenco será completamente renovado quando o universo mutante for oficialmente integrado no MCU.
Colegas de Volta, Mas Jean Grey Fica de Fora
Apesar da ausência de Janssen, vários dos seus antigos colegas vão regressar em Avengers: Doomsday, previsto para estrear a 18 de Dezembro de 2026. Patrick Stewart e Ian McKellen (Professor X e Magneto) estão confirmados, assim como Alan Cumming (Nightcrawler), Rebecca Romijn (Mystique), James Marsden (Cyclops) e Kelsey Grammer (Beast).
Stewart já regressara brevemente como Professor X em Doctor Strange in the Multiverse of Madness (2022), e Grammer fez um cameo como Beast em The Marvels (2023). Halle Berry, que interpretou Storm, também não faz parte do elenco de Doomsday, embora tenha revelado que Blake Lively a abordou em 2024 sobre a possibilidade de uma aparição em Deadpool & Wolverine — convite que acabou por não se concretizar.
De Fénix a Nova Fase
Enquanto a Marvel se prepara para reinventar os X-Men no grande ecrã, Famke Janssen parece seguir um caminho diferente, focada em novos projectos televisivos e cinematográficos. A actriz holandesa, que começou como modelo antes de se afirmar em Hollywood com papéis em filmes como GoldenEye e Taken, mantém uma carreira sólida e discreta, longe dos holofotes do universo dos super-heróis.
E, embora o seu telefone da Marvel nunca tenha tocado, a sua Jean Grey continua gravada na memória colectiva dos fãs — como a primeira, e talvez mais enigmática, Fénix do cinema.
O actor de Before Sunrise lembra-se do momento em que percebeu que o verdadeiro talento está na liberdade de criar — sem pedir permissão.
Há lições que não vêm dos livros — e Ethan Hawke aprendeu uma delas com Robin Williams. O actor recordou recentemente as filmagens de O Clube dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989), um dos marcos do cinema dos anos 80, e revelou o impacto que o colega de elenco teve na sua formação artística.
Em entrevista retrospectiva sobre a sua carreira, Hawke contou que, durante as filmagens do clássico de Peter Weir, ficou impressionado com a forma livre e espontânea com que Williams abordava o trabalho:
“Robin Williams não seguia o guião. E eu não sabia que isso era possível. Se ele tinha uma ideia, simplesmente fazia. Não pedia permissão. Foi como abrir uma nova porta na minha cabeça.”
Improvisar é uma forma de pensar
Para Hawke, a experiência foi uma revelação: a constatação de que a criatividade não precisa de regras fixas. O jovem actor, então com 18 anos, viu Williams transformar cada cena num momento vivo, muitas vezes reinventando o texto e desafiando o próprio realizador.
Mas, longe de se criar tensão, Peter Weir — o cineasta australiano responsável também por Witness e The Mosquito Coast— aceitava e até encorajava essa liberdade.
“Peter gostava, desde que alcançássemos os mesmos objectivos do guião”, explicou Hawke. “Tinham formas de trabalhar muito diferentes, mas respeitavam-se. Não resistiam um ao outro. E isso era empolgante.”
Para Hawke, essa colaboração entre dois artistas tão distintos foi uma verdadeira aula sobre o poder da criação colectiva:
“É assim que surgem as grandes colaborações — quando não precisas de ser igual ao outro, nem de o odiar por ser diferente. O filme torna-se maior do que a visão de uma só pessoa.”
Uma dupla improvável, mas mágica
Hawke descreve Peter Weir como “um verdadeiro mestre artesão”, alguém com uma disciplina quase espiritual no modo de filmar. E sublinha o desafio que foi dirigir Robin Williams — um génio da comédia a dar os primeiros passos no drama.
“Ver o Peter dirigir o Robin… isso não se esquece. Eu estava ali, a quatro passos de distância, a vê-los discutir sobre performance. Foi uma daquelas experiências que te ficam gravadas para sempre.”
O resultado todos conhecem: O Clube dos Poetas Mortos tornou-se um fenómeno cultural, rendendo 95 milhões de dólares nas bilheteiras dos EUA e conquistando quatro nomeações aos Óscares — incluindo Melhor Filme, Realizador e Actor (Williams). O argumento de Tom Schulman venceu a estatueta de Melhor Argumento Original.
“Carpe diem”, 35 anos depois
Décadas mais tarde, Ethan Hawke continua a carregar a lição do mestre improvável que o ensinou a “não pedir permissão” para criar.
É essa mesma ousadia que o actor — hoje estrela de filmes como Boyhood e Black Phone 2 — leva consigo, quer no cinema, quer na televisão (The Lowdown, na FX em Portugal chegará provavelmente em Dezembro).
Tal como na célebre cena em que os alunos sobem às carteiras para homenagear o professor Keating, Hawke continua a erguer-se para celebrar o poder transformador da arte — e a liberdade que Robin Williams lhe ensinou a abraçar.
Treze anos depois de A Gaiola Dourada, o realizador filma em Lisboa uma nova comédia romântica protagonizada por Rita Blanco e Joaquim Monchique.
Lisboa volta a ser o palco principal de uma grande história de amor. Santo António, o Casamenteiro de Lisboa é o novo filme de Ruben Alves, o realizador de A Gaiola Dourada, e já está em rodagem nas ruas da capital. A comédia romântica promete misturar tradição, humor e ternura, celebrando o espírito lisboeta com o charme e a leveza que o cineasta tão bem domina.
Nos papéis principais, Rita Blanco e Joaquim Monchique interpretam os guardiões dos Casamentos de Santo António, determinados a manter viva uma tradição secular que ameaça desaparecer — até que o improvável amor volta a mostrar o seu poder de transformar tudo. O elenco completo, que incluirá nomes do cinema português e internacional, será anunciado em breve.
O argumento foi co-escrito por Ruben Alves e pelo argumentista espanhol Fer Pérez (Kiki, o Amor Faz-se; Arde Madrid), numa colaboração que promete combinar o humor ibérico com o romantismo de Lisboa. Segundo Alves, esta nova comédia é “uma celebração da cidade em constante mudança, onde o caricato se entrelaça com a ternura, e o amor surge nos lugares mais inesperados”.
O regresso de Ruben Alves à comédia
Treze anos após o fenómeno de bilheteira que foi A Gaiola Dourada, o realizador regressa ao género que o tornou um nome incontornável do cinema português contemporâneo. Produzido pela Blablabla Media e Comba Films, o filme conta com o apoio do Disney+, Turismo de Lisboa, ICA, Europa Criativa – Programa MEDIA, Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema, Câmara Municipal de Lisboa e NOS Audiovisuais.
A estreia nos cinemas nacionais está prevista para o verão de 2026, com distribuição pela NOS Audiovisuais, e será o primeiro filme português a estrear em exclusivo no Disney+ após a exibição no grande ecrã — um marco importante na relação entre o cinema português e as grandes plataformas internacionais.
Entre santos, casamentos e uma cidade que nunca perde o encanto, Santo António, o Casamenteiro de Lisboa promete ser uma comédia romântica feita com o coração — e uma homenagem luminosa a Lisboa, ao amor e à tradição que continua a unir os lisboetas.
O primeiro redefiniu o género, o segundo reinventou o cinema de acção e efeitos visuais. Depois disso, veio a decadência de uma marca genial criada por James Cameron e diluída em sequelas que esqueceram o essencial: uma boa história.
Há precisamente 41 anos, James Cameron apresentou ao mundo O Exterminador Implacável (The Terminator, 1984) — e mudou para sempre a ficção científica.
E há seis anos, com O Exterminador Implacável: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate, 2019), a saga tentava renascer das cinzas… apenas para confirmar o que muitos já sabiam: o que Cameron criou com mestria foi depois explorado até à exaustão.
💥 O início: o verdadeiro Sci-Fi
O primeiro Exterminador Implacável era um filme pequeno, quase independente, feito com apenas 6,4 milhões de dólares.
Mas o que Cameron fez com tão pouco dinheiro foi revolucionário.
A história — uma mistura de terror, suspense e ficção científica — era, na verdade, uma tragédia humana sobre amor, destino e sobrevivência.
Sarah Connor (Linda Hamilton) começa como uma simples empregada de mesa e termina como o símbolo da resistência humana.
O T-800 (Arnold Schwarzenegger) é a ameaça imparável que se tornou mito.
Mais do que um cyborg assassino, era uma reflexão sobre o medo do futuro e da tecnologia — e sobre o que significa ser humano.
Cameron transformou a ficção científica numa narrativa emocional e acessível. O filme fez 78 milhões de dólares em bilheteira, doze vezes o orçamento. E, acima de tudo, provou que a inteligência narrativa pode vencer o dinheiro e os efeitos especiais.
🤖 O Exterminador Implacável 2: quando a tecnologia se tornou arte
Sete anos depois, Cameron voltou e reinventou o cinema moderno.
O Exterminador Implacável 2: O Julgamento Final (Judgment Day, 1991) foi um marco absoluto, tanto em termos de efeitos visuais — com o lendário T-1000 de Robert Patrick — como de emoção cinematográfica.
Com um orçamento de 102 milhões de dólares, tornou-se o filme mais caro da história na altura.
E valeu cada cêntimo: arrecadou mais de 500 milhões de dólares, ganhou quatro Óscares e elevou a fasquia do que um blockbuster podia ser.
Mais importante ainda: o vilão tornou-se herói, e a relação entre o T-800 e John Connor criou uma das duplas mais icónicas do cinema.
A cena final — o polegar erguido a afundar-se no metal fundido — é, até hoje, um dos finais mais perfeitos da história do cinema.
Devia ter acabado ali. Mas, como sabemos, em Hollywood o que é perfeito raramente morre.
🔻 O declínio: quatro tentativas de ressuscitar uma lenda
Depois da despedida perfeita, quatro tentativas tentaram reviver a saga.
Terminator 3: Rise of the Machines (2003) copiou a fórmula do anterior, mas sem alma — e com frases de guião que nem o próprio Schwarzenegger conseguiu salvar (“Talk to the hand”… ainda dói).
Terminator Salvation (2009) tentou seguir sem Arnold, apostando no conflito homem vs. máquina, mas perdeu-se num tom genérico e numa narrativa vazia.
Terminator Genisys (2015) foi o fundo do poço: PG-13, confuso, sem identidade — um reboot que parecia um videojogo mal renderizado.
Terminator: Dark Fate (2019), já com Linda Hamilton de regresso, recapturou parte da alma de Cameron, mas chegou tarde demais.O público já estava cansado. E, injustamente, o filme tornou-se um dos maiores desastres de bilheteira da década.
⚙️ Uma saga de ouro que virou máquina de repetição
A verdade é simples: O Exterminador Implacável e O Julgamento Finalforam disruptivos.
O primeiro, pelo que contou — a ficção científica no seu estado mais puro, inteligente e humana.
O segundo, por como o contou — a inovação tecnológica, o ritmo, a emoção.
Mas o que veio depois foi apenas uma tentativa de espremer uma marca brilhantemente construída por Cameron.
O storytelling perdeu coerência, a mitologia encheu-se de buracos, e o que antes era cinema visionário transformou-se em fórmula.
James Cameron ainda é mencionado como estando a trabalhar num novo argumento, mas, a esta altura, nem o próprio criador parece capaz de reparar o dano causado por décadas de exploração sem propósito.
🔚 Onde ver em Portugal e no Brasil
Em Portugal, os fãs podem ver O Exterminador Implacável no SkyShowtime e O Exterminador Implacável: Destino Sombrio no Disney+.
No Brasil, ambos os filmes estão disponíveis no Star+, sendo que Dark Fate também pode ser alugado na Apple TV e na Amazon Prime Video.
Mas a verdadeira questão é outra: será que ainda queremos ver mais um Exterminador?
Talvez seja tempo de deixar a máquina descansar — e de recordar que, há 41 anos, a ficção científica ganhou alma… e que foi precisamente essa alma que os sucessores apagaram.
Mas a verdadeira questão é outra: será que ainda queremos ver mais um Exterminador?
Talvez seja tempo de deixar a máquina descansar — e de recordar que, há 41 anos, a ficção científica ganhou alma… e que foi precisamente essa alma que os sucessores apagaram.
Depois da estreia nos cinemas em Julho, o novo filme da Marvel com Pedro Pascal e Vanessa Kirby tem finalmente data marcada para chegar ao streaming.
Os fãs da Marvel já podem marcar na agenda: a partir de 5 de Novembro, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos ficará disponível na Disney+. O filme, que estreou nas salas de cinema em Julho, será assim a próxima grande adição ao catálogo do estúdio, confirmando os rumores que circulavam nas últimas semanas.
A notícia foi primeiro avançada pelo site io9 e, pouco depois, confirmada pela própria Disney, através de uma publicação na rede social X (antigo Twitter). Uma confirmação que deixou os fãs em contagem decrescente para rever — ou ver pela primeira vez — a nova versão deste clássico grupo de super-heróis.
Uma nova era para o Quarteto Fantástico
The Fantastic Four: First Steps marca o recomeço oficial do Quarteto Fantástico dentro do Universo Cinemático da Marvel (MCU). O filme apresenta Pedro Pascal como Reed Richards (Mr. Fantastic), Vanessa Kirby como Sue Storm (Mulher Invisível), Joseph Quinn como Johnny Storm (Tocha Humana) e Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm (Coisa).
Além do quarteto, o elenco conta ainda com Julia Garner no papel do Silver Surfer e Ralph Ineson como o temível Galactus, numa abordagem que combina o espírito de aventura dos filmes originais com o toque épico e emocional que a Marvel tem procurado nesta nova fase.
Da estreia no cinema ao sucesso no streaming
Após o lançamento em Julho, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos foi amplamente elogiado pelo tom mais maduro e pela química entre os protagonistas, com destaque para a performance de Pascal, que trouxe uma presença mais introspectiva e científica ao líder do grupo.
A chegada do filme à Disney+ surge quatro meses depois da estreia em sala — uma janela típica para as produções mais recentes da Marvel — e promete reacender o entusiasmo antes dos próximos títulos do MCU.
A partir de 5 de Novembro, portanto, a missão está clara: preparar o sofá, ligar o Disney+ e mergulhar de novo nas origens do supergrupo que inaugurou a Era de Ouro da Marvel.
A nova versão da Hulu tenta reinventar o thriller de 1992, mas o resultado é morno e sem o charme perverso do original
Trinta anos depois do clássico The Hand That Rocks the Cradle (A Mão que Embala o Berço), de Curtis Hanson, a Hulu decidiu ressuscitar o thriller psicológico que traumatizou uma geração. A realização está a cargo da mexicana Michelle Garza Cervera (Huesera), e o elenco é liderado por Mary Elizabeth Winstead e Maika Monroe. O problema? A tensão que fazia o original vibrar parece ter ficado no passado.
Entre a culpa e a loucura: duas mulheres, um conflito sem chama
Nesta nova versão, Winstead interpreta Caitlin Morales, advogada e mãe de duas crianças que, à beira do segundo parto, conhece Polly Murphy (Maika Monroe), uma jovem aparentemente inofensiva que se oferece para ajudar como ama. O que começa como uma relação de apoio transforma-se lentamente num jogo de manipulação, sabotagem e paranoia — só que o filme nunca decide quem é realmente a vítima.
Monroe, conhecida pelos papéis em It Follows e Longlegs, encarna Polly com um olhar vazio e inquietante, mas falta-lhe o magnetismo ameaçador que Rebecca De Mornay trouxe ao original. Winstead, por seu lado, entrega uma performance sólida, mas o guião força-a a oscilar entre fragilidade e histeria sem consistência. O resultado é uma dinâmica confusa em que as duas personagens parecem competir pelo título de “mais instável da casa”.
Um thriller sem suspense (e sem piscina)
Apesar de uma estética elegante e de uma casa moderna em vidro — perfeita para o caos —, a encenação raramente aproveita o potencial visual ou psicológico da história. Pequenos actos de sabotagem (remédios trocados, comida adulterada, explosões infantis) substituem o suspense genuíno por um desfile de clichés previsíveis.
“Que espécie de thriller familiar não aproveita uma piscina à espera de tragédia?”, ironiza um crítico norte-americano.
A realizadora, que em Huesera explorou com mestria o terror da maternidade, aqui entrega um produto demasiado polido e sem nervo. A tentativa de acrescentar tensão sexual e subtexto queer entre patroa e ama fica tão subdesenvolvida que se torna quase decorativa.
Um remake que não justifica a existência
Com Raúl Castillo e Martin Starr em papéis secundários desperdiçados, The Hand That Rocks the Cradle versão 2025 carece de energia, perigo e propósito. A música sombria de Nick Cave e Low tenta disfarçar a falta de atmosfera, mas o ritmo glacial e os momentos de violência gratuita só agravam a sensação de vazio.
É um contraste gritante com o filme de 1992, que dominou o box office durante quatro semanas e arrecadou 140 milhões de dólares com um orçamento de apenas 12 milhões. Este remake, por outro lado, estreia diretamente na Hulu e dificilmente terá vida longa fora do catálogo.
Em resumo
Entre intenções feministas mal cozinhadas e um tom excessivamente contido, The Hand That Rocks the Cradle perde a oportunidade de homenagear o legado de Hanson. É um thriller sem tesão, sem alma e sem necessidade — e uma prova de que, às vezes, o passado deve ficar onde está: no berço do terror bem feito.
Dados revelam um pico de cancelamentos nas plataformas de streaming da Disney — mas o escândalo acabou por impulsionar a audiência de Kimmel
As últimas semanas têm sido agitadas no império Disney. Após a suspensão temporária de Jimmy Kimmel pelo canal ABC, as plataformas Disney+ e Hulu registaram um aumento significativo no número de cancelamentos de subscrições, segundo dados divulgados pela empresa de análise Antenna.
Em setembro, a taxa de cancelamento do Disney+ duplicou de 4% para 8%, enquanto a do Hulu subiu de 5% para 10%, valores acima da média de 7% registada no setor. A polémica coincidiu com o momento em que ambas as plataformas anunciaram novos aumentos de preço, o que tornou difícil perceber qual dos fatores teve maior peso na decisão dos utilizadores.
Apesar da queda, o relatório também aponta um aumento de novos subscritores: 2,18 milhões para o Disney+ e 2,11 milhões para o Hulu, mostrando que, mesmo com a controvérsia, o ecossistema de streaming da Disney continua a atrair público.
O caso Jimmy Kimmel
O incidente teve origem nas declarações polémicas de Jimmy Kimmel sobre a morte do ativista conservador Charlie Kirk, que levaram várias estações afiliadas da ABC a suspender temporariamente o Jimmy Kimmel Live!. A decisão provocou uma onda de boicotes online por parte de fãs e figuras públicas, entre elas o radialista Howard Stern, que anunciou em direto a sua decisão de cancelar a subscrição do Disney+.
“Pode parecer estúpido, mas cancelei o meu Disney+. É a minha forma de mostrar que não apoio o que fizeram ao Jimmy”, declarou Stern no seu programa na SiriusXM.
A suspensão, porém, durou pouco: Kimmel regressou ao ar no dia 23 de setembro, e o episódio marcou um recorde de audiência, com mais de 6 milhões de telespectadores, tornando-se um dos mais vistos da história recente do Jimmy Kimmel Live!.
Do boicote ao sucesso digital
Se o escândalo abalou a imagem da Disney, também acabou por impulsionar a popularidade de Kimmel. De acordo com Luca Forlin, responsável pela área de Estratégia e Operações do YouTube para a região EMEA, o aumento da audiência televisiva “empalidece” quando comparado com os números no YouTube: o monólogo de regresso do apresentador ultrapassou os 22 milhões de visualizações até 20 de outubro.
O episódio serviu para ilustrar um fenómeno curioso da era digital: o boicote televisivo transformou-se em fenómeno viral online. O que começou como uma tentativa de silenciamento acabou por ampliar a audiência do comediante — e, ironicamente, reforçar a relevância da marca Jimmy Kimmel Live! dentro e fora da televisão.
📺 Jimmy Kimmel Live! — de segunda a sexta-feira, às 23h35 (hora local), na ABC
A 28.ª temporada da série arranca com um fenómeno viral sem sentido — e uma inesperada lição de existencialismo digital. 🤯📺
O regresso de South Park para a 28.ª temporada trouxe de volta o humor corrosivo e o caos habitual, mas também deixou os fãs (e alguns pais americanos) completamente baralhados. No primeiro episódio, os alunos da escola de South Park começam a repetir misteriosamente a expressão “six, seven” (“seis, sete”) — um mantra sem explicação aparente que rapidamente se espalha como se fosse o novo grito de guerra de uma seita infantil.
Mas não, ninguém está a fundar um culto satânico no Colorado. Como explica o episódio, as crianças estão apenas a abraçar a ausência total de sentido da existência — uma espécie de piada cósmica à moda de South Park.
A origem real do meme 🎵
Longe da ficção, o fenómeno “6, 7” nasceu no mundo real, a partir de uma música do rapper Skrilla, intitulada Doot Doot, lançada em Dezembro de 2024. A canção ganhou força quando foi usada em múltiplos vídeos no TikTok, alguns deles com o jogador de basquetebol LaMelo Ball, cujo 1,98 m de altura (6 pés e 7 polegadas) inspirou a associação numérica.
O meme rapidamente deixou de ter qualquer ligação ao basquetebol. Jovens por todo o lado começaram a repetir o “six, seven” em contextos aleatórios, como resposta a perguntas sem resposta. “Qual é o jantar?” — “Six, seven.” “Sabes o resultado do teste?” — “Six, seven.” Acompanhado, claro, de um encolher de ombros e um olhar vazio digno do clássico emoticon: ¯\(ツ)/¯
O nada como forma de expressão 💭
O que significa “six, seven”? Absolutamente nada — e é precisamente essa a graça. Tal como observou o Wall Street Journal, é “como se Albert Camus tivesse uma conta no TikTok”. O meme tornou-se um símbolo da absurda desconexão e ironia existencial que marcam a cultura digital contemporânea: quanto menos sentido algo faz, mais rapidamente se torna viral.
Para a geração que cresce entre a ansiedade global, a sobrecarga de informação e o ruído constante das redes sociais, “six, seven” é quase uma filosofia de vida: rir-se do vazio, transformar a confusão em piada e, no processo, criar uma comunidade baseada… na falta de significado.
De South Park para a eternidade da Internet 💻
Ao integrar o meme na série, os criadores Trey Parker e Matt Stone fizeram o que melhor sabem: transformar o absurdo em espelho social. South Park não explica o fenómeno — apenas mostra-o a expandir-se até à loucura, num retrato perfeito da rapidez com que a Internet dá vida (e morte) a uma ideia.
Tal como outros memes antes dele — de “404 Not Found” a “Me when the” —, “six, seven” acabará por desaparecer. Mas, graças a South Park, ficará imortalizado como o meme do nada: uma espécie de versão contemporânea de O Estrangeiro, de Camus, passada no recreio da escola.
Quem achava que South Park estava a perder a chama, pode arrumar já as varinhas mágicas da dúvida: Trey Parker e Matt Stone continuam tão (ou mais) caóticos do que sempre. A prova? O mais recente episódio da 27.ª temporada, “Conflict Of Interest”, transformou o presidente da FCC, Brendan Carr, em saco de pancada oficial. E não foi só no sentido figurado: o homem acabou no hospital, em tracção, depois de levar tareia, cair de escadas, ser envenenado… e ainda contrair um vírus através de fezes de gato. Classe pura.
Carr, que tem passado as últimas semanas a tentar impor disciplina às cadeias televisivas para que não falem mal do “chefe”, tornou-se alvo preferencial da série. É quase como se tivesse enviado uma carta formal a dizer: “Caros Parker e Stone, por favor ridicularizem-me na televisão.” Pedido aceite.
O episódio elevou o disparate a níveis olímpicos, com direito a enredos de Trump a tentar livrar-se do seu filho não-nascido (que, detalhe essencial, estava alojado no rabo de Satanás). Entre quedas, insultos e excrementos felinos, Carr foi o pião da festa, terminando imóvel numa cama de hospital com o aviso de que podia perder a liberdade de expressão se a infecção cerebral avançasse. Satírico? Nem tanto. Escandalosamente South Park? Com certeza.
Mas o episódio não se ficou por aí. Entre uma gargalhada e outra, ainda houve espaço para uma crítica séria: a dependência crescente das apostas online nos EUA. E, claro, uma incursão nada subtil pelo conflito Israel-Gaza, com a mãe de Kyle a viajar até Israel para confrontar Benjamin Netanyahu de frente:
“Quem pensa que é, a matar milhares e a arrasar bairros inteiros, embrulhando-se no judaísmo como se fosse um escudo contra críticas?”
Ou seja, pausa ou não, South Park continua a atirar para todos os lados. De políticos americanos a líderes mundiais, ninguém sai incólume. Brendan Carr que o diga — provavelmente ainda a tentar tirar o cheiro a gato do fato.
Jimmy Kimmel voltou finalmente ao seu programa, Jimmy Kimmel Live!, depois de uma semana afastado na sequência das polémicas declarações sobre o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk.
Visivelmente emocionado, Kimmel abriu a emissão quase em lágrimas, sublinhando:
“Não acho que haja nada de engraçado nisto. Nunca foi minha intenção fazer piada com a morte de Charlie Kirk, nem culpar um grupo específico pelo que foi claramente a ação de um indivíduo perturbado.”
O apresentador admitiu ainda que os seus comentários anteriores puderam soar “mal cronometrados ou pouco claros, ou talvez ambos”.
Perdão e contraste político
Kimmel aproveitou o momento para elogiar Erika Kirk, viúva do influenciador, que no memorial público perdoou o assassino do marido. O gesto, descreveu o humorista, foi “um ato de graça desinteressado que me tocou profundamente”.
O contraste foi evidente em relação ao Presidente Donald Trump, que no mesmo serviço fúnebre declarou: “Eu odeio o meu adversário e não lhe desejo o melhor.”
Guerra aberta com as estações e com Trump
No regresso, Kimmel também criticou as afiliadas da ABC que se recusaram a transmitir o programa durante a sua suspensão:
“Isso não é legal. Isso não é americano. É antiamericano.”
Recorde-se que apesar de a Disney, dona da ABC, ter anunciado o regresso do talk-show após a onda de protestos vindos de Hollywood e de políticos democratas, grupos de comunicação como a Sinclair Broadcast Group e a Nexstaranunciaram que não exibiriam o programa.
Do lado político, Trump voltou ao ataque na sua rede Truth Social, escrevendo:
“Não consigo acreditar que a ABC lhe devolveu o programa. Ele não é engraçado, tem más audiências e passa lixo democrata positivo em 99% do tempo. Vamos testar a ABC nisto.”
Kimmel não deixou passar em claro: “Ele tentou cancelar-me e, em vez disso, obrigou milhões a ver o programa”, ironizou no monólogo.
O que desencadeou a suspensão
A polémica começou a 15 de setembro, quando Kimmel comentou no programa a exploração política da morte de Kirk:
“Chegámos a novos patamares vergonhosos com a turma MAGA a tentar desesperadamente caracterizar o jovem que assassinou Charlie Kirk como algo diferente de um deles e a fazer de tudo para ganhar pontos políticos com isso.”
Nessa mesma noite, acrescentou ainda que a forma como Trump reagiu à morte de Kirk se parecia mais “com a de uma criança de quatro anos a chorar pela morte de um peixinho dourado”.
Entre liberdade de expressão e pressão política
A suspensão de Kimmel abriu um debate aceso sobre liberdade de expressão e influência política nos media norte-americanos. Para uns, o apresentador foi vítima de censura; para outros, ultrapassou os limites do respeito em circunstâncias trágicas.
O certo é que o regresso de Jimmy Kimmel aconteceu sob forte escrutínio, mas também com o apoio público de centenas de celebridades e figuras políticas — entre elas Barack Obama —, que consideraram a suspensão um “momento sombrio para a liberdade de expressão na América”.
Jimmy Kimmel, um dos rostos mais reconhecíveis da televisão norte-americana desde 2003, viu o seu late-night showsuspenso depois de um monólogo polémico. No programa emitido a 15 de setembro, o apresentador ironizou a forma como apoiantes do movimento Maga exploraram politicamente o assassinato de Charlie Kirk, fundador da organização de direita Turning Point.
As palavras de Kimmel provocaram uma tempestade. Do lado conservador, o Presidente Donald Trump aplaudiu a suspensão, classificando-a como uma “vitória para a decência”. Do outro, Hollywood reagiu em peso: nomes como Jennifer Aniston, Meryl Streep e Robert De Niro assinaram uma carta aberta a defender o apresentador, considerando a decisão “um momento sombrio para a liberdade de expressão em nossa nação”.
Disney recua e traz Kimmel de volta
Perante a pressão crescente, a Disney — dona da ABC — anunciou que Jimmy Kimmel Live! regressaria já esta terça-feira, 23 de setembro.
“Sentimos que alguns dos comentários foram inoportunos e insensíveis”, reconheceu a empresa em comunicado, explicando que a suspensão visava evitar inflamar ainda mais um momento delicado para o país. Após dias de conversas com Kimmel, o canal decidiu devolver-lhe o palco.
Mas nem todos vão ver o regresso
Se para os fãs parecia que o caso estava resolvido, a Sinclair Broadcast Group veio deitar mais lenha para a fogueira. A gigante mediática, que controla 39 afiliadas da ABC em todo o país — incluindo a importante WJLA-TV de Washington, D.C. —, anunciou que não transmitirá o programa.
Segundo a empresa, Jimmy Kimmel Live! será substituído por programação jornalística até que as negociações com a ABC cheguem a uma conclusão. Na prática, isto significa que uma fatia significativa dos lares norte-americanos poderá não ter acesso ao regresso de Kimmel.
E não é só a Sinclair que está na equação. A Nexstar, dona de 32 afiliadas da ABC, afirmou estar a “monitorizar a situação” sem confirmar se manterá o programa no ar. Juntas, Sinclair e Nexstar representam cerca de um quarto da distribuição nacional da ABC.
Um equilíbrio delicado
Entre a pressão conservadora, a defesa apaixonada de artistas e a necessidade de não perder mercado, a Disney enfrenta um verdadeiro número de circo em cima da corda bamba. O caso Kimmel tornou-se mais do que uma polémica televisiva: é hoje um campo de batalha sobre liberdade de expressão, influência política e a forma como os media navegam num país cada vez mais polarizado.
Seja visto como provocador ou como defensor da sátira política, Jimmy Kimmel volta ao ecrã com o peso de saber que cada piada pode ter consequências muito para lá da televisão.
O ano de 2025 trouxe três grandes estreias para o Universo Cinematográfico da Marvel (Captain America: Brave New World, Thunderbolts e The Fantastic Four: First Steps), mas os resultados de bilheteira ficaram longe dos tempos gloriosos de Avengers: Endgame (2019). Apesar de elencos repletos de estrelas e críticas positivas em alguns casos, os números não convenceram a indústria.
Segundo a Variety, que ouviu realizadores, executivos e agentes, a Marvel atravessa uma fase de incerteza. Brave New World, protagonizado por Anthony Mackie, arrecadou 415,1 milhões de dólares mundialmente com um orçamento de 180 milhões — pouco acima do ponto de equilíbrio, quando a regra é duplicar ou triplicar o investimento. Thunderbolts, lançado em maio, fez ainda menos: 382,4 milhões, também com um orçamento de 180 milhões. Já The Fantastic Four: First Steps, estreado em julho, conseguiu 517,2 milhões a nível global, mas com uma queda abrupta de 80% da primeira para a segunda semana em cartaz.
Críticas fortes, bilheteiras fracas
Curiosamente, a qualidade não parece estar em causa. Thunderbolts alcançou 93% de aprovação do público no Rotten Tomatoes e 88% da crítica, enquanto First Steps se manteve igualmente “Certified Fresh”, com 87% dos críticos e 91% do público a aprová-lo. O caso mais divisivo foi Brave New World, com 76% de aprovação popular mas apenas 46% da crítica.
Ainda assim, os resultados de bilheteira mostram um desfasamento: os filmes até agradam, mas já não atraem multidões como outrora.
Um apelo menor para atores e fãs
Outro dado revelador: participar num filme da Marvel já não é o sonho universal de Hollywood. Um agente ouvido pela Variety admitiu: “Ainda é uma oportunidade de vida, mas já não tenho tantos clientes a pedir para entrar como há cinco anos.”
Parte da explicação pode estar na saturação do mercado e no facto de os filmes estarem disponíveis em streaming muito rapidamente. Thunderbolts chegou à Disney+ em agosto, apenas três meses após a estreia em sala, e tornou-se de imediato o segundo filme mais visto na plataforma a nível mundial.
Vingadores ainda são “à prova de bala”
Apesar das dúvidas, há quem acredite que os próximos capítulos dos Vingadores continuam imbatíveis. Avengers: Doomsday (2026) e Avengers: Secret Wars (2027) são vistos como apostas seguras, apoiadas no legado de Endgame, que arrecadou 2,7 mil milhões de dólares em 2019.
A questão está nos filmes a solo. Já não parecem obrigatórios para acompanhar a narrativa global, e muitos espectadores sentem que podem “saltá-los” sem perder o fio à meada. Resultado: o MCU deixou de ser um fenómeno infalível para se tornar numa aposta arriscada.
O que vem aí
Enquanto Brave New World e Thunderbolts já estão disponíveis na Disney+ e The Fantastic Four: First Steps chega ao streaming ainda este ano, a grande expectativa recai sobre os próximos Vingadores. Até lá, fica a pergunta: terá a Marvel perdido a sua força irresistível ou estará apenas a preparar terreno para um novo ciclo?
Foi a 12 de novembro de 1995 que o mundo conheceu Toy Story e, desde então, a história da animação nunca mais foi a mesma. O primeiro filme totalmente animado em computador revolucionou Hollywood e transformou um pequeno grupo de criativos da Pixar em pioneiros de uma nova era.
Na altura, ninguém imaginava o impacto que teria. A Pixar tinha acabado de assinar um contrato de 26 milhões de dólares com a Disney para produzir três longas-metragens e apresentou três ideias: duas baseadas em livros infantis e uma, “meio cozida”, sobre brinquedos que ganhavam vida. Adivinhe-se qual foi escolhida.
Pete Docter, Andrew Stanton e Jonas Rivera — que na época eram apenas jovens animadores e até um estagiário — recordam hoje que o ambiente era quase amador. “Parecia que estávamos a fazer um filme na garagem”, contou Docter. Mas essa irreverência acabou por abrir caminho para Woody, Buzz Lightyear e companhia conquistarem o mundo.
Entre o caos e o génio criativo
Nem tudo foi fácil. A famosa projeção de Toy Story para executivos da Disney — conhecida como o “Black Friday” — quase cancelou o projeto. A equipa teve apenas duas semanas para reescrever partes cruciais do guião e salvar o filme.
No centro da narrativa estavam dois brinquedos: Woody, o xerife de cordel (voz de Tom Hanks), e Buzz Lightyear, o patrulheiro espacial (voz de Tim Allen). O segredo esteve em dar-lhes profundidade emocional. “Woody tem medo de ser substituído. Quem nunca sentiu isso, seja num emprego ou numa relação?”, explicou Jonas Rivera. Essa vulnerabilidade humana, embrulhada em aventura e humor, deu à história uma ressonância universal.
O público rendeu-se de imediato. Rex, Hamm, Bo Peep e o resto da trupe de brinquedos tornaram-se instantaneamente familiares, como se sempre tivessem existido.
Um legado sem fim
Toy Story arrecadou quase 400 milhões de dólares em bilheteira mundial e tornou-se o filme mais lucrativo de 1995. Seguiram-se três sequelas, curtas, especiais, o spin-off Lightyear e, claro, Toy Story 5, já marcado para 19 de junho de 2026. Para além disso, os personagens tornaram-se presença obrigatória nos parques temáticos da Disney.
Agora, para celebrar o 30.º aniversário, o clássico regressa às salas de cinema numa versão restaurada e, pela primeira vez, em 4DX, numa estreia mundial a 12 de setembro.
Andrew Stanton, que escreve e realiza Toy Story 5, deixou uma mensagem clara aos fãs: “É evidente como o carinho por estes personagens é genuíno. Nós sentimos o mesmo. E queremos continuar a contar estas histórias convosco.”
Três décadas depois, a promessa de Buzz Lightyear continua viva: até ao infinito… e mais além!
Novo trailer revela a missão impossível entre o digital e o real
A Disney acaba de lançar o novo trailer de Tron: Ares, o aguardado terceiro capítulo da saga de ficção científica que começou em 1982 e que regressa agora com Jared Leto no papel principal. A estreia está marcada para 9 de outubro nos cinemas.
Segundo a sinopse oficial, Leto interpreta Ares, “um programa altamente sofisticado que é enviado do mundo digital para o mundo real numa missão perigosa, marcando o primeiro encontro da humanidade com seres de Inteligência Artificial”.
A nova produção dá continuidade direta às histórias contadas em Tron (1982) e Tron: O Legado (2010). Jeff Bridges, figura central da saga, volta a marcar presença, agora acompanhado por um elenco renovado que inclui Greta Lee, Evan Peters, Hasan Minhaj, Jodie Turner-Smith, Arturo Castro, Cameron Monaghan e Gillian Anderson.
Música: a estreia dos Nine Inch Nails no cinema
Outro dos grandes trunfos é a banda sonora, entregue aos Nine Inch Nails, que se estreiam neste formato. O primeiro single, As Alive As You Need Me To Be, foi lançado em simultâneo com o trailer e marca o primeiro tema original da banda em cinco anos. O álbum completo chega a 19 de setembro pela Interscope Records.
Vale lembrar que Trent Reznor e Atticus Ross, membros do grupo, já venceram dois Óscares — por A Rede Social(2010) e Soul: Uma Aventura com Alma (2020).
A visão de Joachim Rønning
A realização está a cargo de Joachim Rønning, nome associado a grandes produções como Maléfica: Mestre do Mal(2019), Kon-Tiki: A Viagem Impossível (2012) e Piratas das Caraíbas: Homens Mortos Não Contam Histórias (2017, coassinado com Espen Sandberg).
O legado de Tron
Lançado em 1982, o primeiro Tron transportava os espectadores para o interior de um computador com efeitos visuais que pareciam impossíveis para a época. Embora não tenha sido um êxito de bilheteira imediato, tornou-se um filme de culto, inspirando nomes como John Lasseter, futuro mentor da Pixar.
Quase três décadas depois, Tron: O Legado (2010) trouxe de volta Jeff Bridges — rejuvenescido digitalmente — e uma banda sonora marcante dos Daft Punk. O filme voltou a ser inovador e conquistou resultados sólidos, reforçando o estatuto da saga como uma das mais visionárias da ficção científica.
Com Leto no centro da ação, Bridges de regresso, um elenco de peso e a energia eletrónica dos Nine Inch Nails, Tron: Ares promete explorar como nunca o choque entre realidades digitais e humanas. Mais de uma década após O Legado, a saga prepara-se para provar que continua na linha da frente da inovação visual e sonora do cinema.
Se há alguém que pode falar com propriedade sobre o universo Alien, é Sigourney Weaver. A eterna Ellen Ripley protagonizou quatro filmes da saga — de Alien: O 8.º Passageiro até Alien: Ressurreição — e ainda emprestou a sua voz ao videojogo Alien: Isolation.
Agora, a atriz assiste à série Alien: Planeta Terra, criada por Noah Hawley (Fargo), transmitida em Portugal pelo Disney+, e não poupa elogios: “Francamente, não consigo acreditar que isto é televisão. Tem um alcance maior do que qualquer projeto de Alien.”
Em entrevista no Festival de Toronto, Weaver destacou que a série não se limita a mostrar monstros:
“Admiro o facto de não se centrar apenas no Alien. Fala sobre o mundo daqui a 100 anos, sobre a ganância, sobre o que será importante. Explora os temas que sempre fizeram parte da saga, mas com uma visão mais ampla.”
A atriz elogia ainda o elenco e a realização, sublinhando que Hawley conseguiu capturar a essência de Alien sem precisar de depender de Ripley como personagem central — algo que, para muitos fãs, é uma lufada de ar fresco.
O impacto em Portugal
Por cá, Alien: Planeta Terra já conquistou uma sólida base de espectadores. O facto de estar disponível no Disney+ Portugal desde a estreia internacional fez com que muitos fãs portugueses acompanhassem a emissão semanalmente, discutindo teorias nas redes sociais e comparando a atmosfera da série ao legado de Ridley Scott e James Cameron.
Com seis episódios já lançados e apenas mais dois por estrear para completar a primeira temporada, a série tornou-se uma das mais comentadas no panorama televisivo em Portugal em 2025. Muitos fãs nacionais partilham da opinião de Weaver: esta não é apenas mais uma história de terror espacial, mas também uma reflexão sobre o futuro da humanidade.
Entre Alien: Romulus, filme que chegou aos cinemas este verão, e esta aposta televisiva, a saga vive uma nova fase de expansão. Para o público português, que sempre acompanhou com entusiasmo as estreias da saga nas salas de cinema, esta nova vertente seriada mostra que o universo de Alien ainda tem muito para explorar.
A Marvel lançou o primeiro trailer de Marvel Zombies e, a julgar pelas imagens, o estúdio entrou em território nunca antes explorado no MCU. A série animada, que chega ao Disney+ a 24 de setembro, promete uma abordagem adulta, sangrenta e cheia de surpresas, continuando o arco introduzido na primeira temporada de What If…?.
Com quatro episódios, esta minissérie aposta no formato R-rated: há decapitações, membros decepados, sangue a jorrar e até palavrões. É o MCU a entrar de cabeça no horror zombie.
O enredo: sobreviver ao apocalipse
Segundo a sinopse oficial, após os Vingadores serem dominados por uma praga zombie, um grupo de sobreviventes embarca numa missão desesperada para encontrar a chave que pode pôr fim à ameaça. A história promete ligar-se diretamente ao cliffhanger de What If…?, quando um Thanos em decomposição procurava as Joias do Infinito.
Spider-Man, Blade e muito mais
O trailer mostra Spider-Man a dizimar hordas de zombies com as suas teias, uma versão variante de Blade (aqui chamado Blade Knight) a desmembrar inimigos e até um Namor em versão morta-viva.
Mas as surpresas não ficam por aí: o elenco de personagens inclui Wanda Maximoff, Ant-Man, Yelena Belova, Red Guardian, Valkyrie, Shang-Chi, Kate Bishop, John Walker, Jimmy Woo, Ms. Marvel e Ironheart.
A melhor parte? Quase todos serão dobrados pelos próprios atores do MCU, incluindo Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Florence Pugh, David Harbour, Tessa Thompson, Simu Liu, Awkwafina, Hailee Steinfeld, Wyatt Russell, Randall Park, Iman Vellani e Dominique Thorne.
A exceção é Blade, aqui inspirado visualmente em Mahershala Ali, mas com voz de Todd Williams.
Aposta ousada da Marvel
Depois de um ano marcado pela estreia de Red Hulk (Harrison Ford) em Captain America: Brave New World, o regresso de Charlie Cox em Daredevil: Born Again e a chegada do Quarteto Fantástico, Marvel Zombies surge como a produção mais ousada do estúdio.
É, literalmente, a Marvel a deixar cair as amarras e a brincar com o horror. E para os fãs que sempre sonharam ver os super-heróis em situações extremas, este é o aperitivo perfeito para a temporada do Halloween.
Quando a Marvel lançou Eternals em 2021, a expectativa era enorme: um elenco de luxo, a realização de Chloé Zhao(que vinha fresca de um Óscar por Nomadland) e uma promessa de expandir o universo cinematográfico para novas mitologias e heróis. Mas o filme acabou por ser um dos maiores tropeções do MCU, tanto na crítica como na bilheteira — e agora, Kumail Nanjiani, que interpretou o carismático Kingo, confessou o impacto profundo que esse fracasso teve na sua vida pessoal e profissional.
Em baixo temos um video promocional aquando da estreia em Portugal em que Kingo supostamente faz a apresentação da história do filme:
O choque após o lançamento
Quatro anos passados, Nanjiani contou agora no podcast Working It Out que acreditava estar a entrar numa nova era da sua carreira:
“Assinei contrato para seis filmes. Assinei para um videojogo. Assinei para uma atração de parque temático. Achei: ‘Este vai ser o meu trabalho nos próximos dez anos.’”
O ator, nomeado para um Óscar com The Big Sick (2017), chegou a transformar completamente o corpo para o papel de super-herói, um esforço que se tornou viral nas redes sociais. No entanto, a receção negativa — Eternals tem apenas 47% no Rotten Tomatoes — abalou-o profundamente:
“Saiu, teve críticas muito más e não correu bem. Isso destruiu-me por dentro. Foi aí que percebi que precisava de terapia, para aprender a não depender tanto da reação dos outros àquilo que faço.”
Orgulho no filme, mas incerteza no futuro
Apesar de tudo, Nanjiani mantém-se orgulhoso da obra:
“Adorei o filme. Tenho muito orgulho dele. Mas talvez houvesse demasiados personagens, se acreditarmos nas críticas.”
De facto, o elenco reunia nomes como Angelina Jolie, Salma Hayek, Kit Harington, Richard Madden, Gemma Chan, Barry Keoghan e Brian Tyree Henry. Uma constelação que, segundo muitos críticos, terá dificultado a construção de uma narrativa mais coesa.
E o futuro de Kingo?
Com uma bilheteira global de 402 milhões de dólares, Eternals ficou muito aquém dos padrões da Marvel. Desde então, o estúdio não confirmou se haverá uma sequela. O próprio Nanjiani admitiu em 2022:
“Não faço ideia se vai haver uma continuação. Adorava voltar a interpretar o Kingo. Era tão divertido: fazias piu-piu com os dedos e estavas sempre de bom humor. Quem não gostaria disso?”
O futuro do ator no MCU é incerto — e a sua experiência mostra como até dentro do universo mais lucrativo de Hollywood, o sucesso nunca é garantido.
Os Eternos podem ser vistos em Portugal e no Brasil na Disney +
Depois da polémica em torno das suas declarações iniciais, Gal Gadot veio esclarecer a sua posição sobre o insucesso comercial de Snow White, uma das grandes apostas recentes da Disney que acabou por ter uma receção bem abaixo do esperado nas bilheteiras.
Numa entrevista anterior, a atriz tinha atribuído parte da responsabilidade ao clima de pressão internacional sobre celebridades para se pronunciarem contra Israel, associando esse contexto ao desempenho do filme. As palavras não tardaram a gerar controvérsia, sobretudo pela leitura de que Gadot estaria a reduzir as razões do insucesso a um único fator político.
“Falei de um lugar emocional”
No domingo, através da sua conta de Instagram, a estrela israelita de Mulher-Maravilha procurou contextualizar melhor o que queria dizer.
“Quando o filme foi lançado, senti que os opositores de Israel estavam a julgar-me pessoalmente, quase de forma instintiva. Viram-me primeiro como israelita, não como atriz. Foi dessa perspetiva que falei na altura”, escreveu.
Ainda assim, Gadot reconheceu que as suas declarações iniciais foram feitas de forma demasiado emocional e simplista. Sublinhou que o desempenho de um filme no box office resulta de múltiplos fatores, desde decisões criativas até estratégias de marketing, e que seria incorreto apontar apenas pressões externas como explicação.
Snow White e os desafios da Disney
Snow White, nova versão em imagem real do clássico de 1937, tinha tudo para ser um sucesso de bilheteira: grande orçamento, forte campanha de marketing e um elenco de peso, com Gal Gadot no papel da Rainha Má e Rachel Zegler como Branca de Neve. No entanto, acabou por se tornar num dos maiores tropeções recentes da Disney.
As críticas dividiram-se, com especial incidência no tom da adaptação, nas escolhas de casting e nas opções narrativas. Para muitos analistas, mais do que pressões externas, foi o próprio desgaste da fórmula de remakes da Disney que pesou contra o filme.
Uma atriz entre dois mundos
Gal Gadot tem sido, nos últimos anos, uma das figuras mais reconhecidas e também mais polarizadoras de Hollywood. O sucesso estrondoso com Mulher-Maravilha colocou-a no topo da indústria, mas a sua condição de figura pública israelita torna inevitável que a sua carreira seja, muitas vezes, atravessada por leituras políticas.
Com esta clarificação, a atriz parece querer recentrar a discussão no essencial: Snow White falhou por várias razões, mas a sua carreira continua. E, como já provou, Gadot não foge às controvérsias — encara-as de frente.
O criador de Family Guy e The Orville, Seth MacFarlane, deixou uma mensagem clara à indústria televisiva e cinematográfica: está na hora de equilibrar o pessimismo com histórias que inspirem esperança.
Em entrevista ao podcast Where Everybody Knows Your Name, o actor, realizador e produtor — nomeado para um Óscar — lamentou a predominância de narrativas distópicas e negativas, defendendo que Hollywood deveria voltar a oferecer ao público “planos para um futuro melhor”, tal como acontecia quando era criança.
“Tudo é distópico e pessimista”
MacFarlane apontou o contraste entre o entretenimento actual e as produções que marcaram o seu crescimento.
“Quando eu era miúdo, Hollywood oferecia vozes de esperança. Agora, os pratos que estamos a servir são tão distópicos e pessimistas… Sim, há muito para estar pessimista, mas está tudo tão desequilibrado. Onde estão os planos para fazermos as coisas da forma certa?”, questionou.
O criador de The Orville — série que assumidamente presta tributo ao espírito optimista de Star Trek — comparou a actual avalanche de produções como The Handmaid’s Tale com a falta de histórias que, segundo ele, mostrem “o que podemos alcançar se mudarmos o nosso caminho”.
A era do anti-herói
Para MacFarlane, uma das mudanças mais visíveis começou com The Sopranos, quando Hollywood se apaixonou pelo conceito de anti-herói.
“Desde The Sopranos que tudo gira em torno do anti-herói, em vez de personagens que dão esperança.”
O criador sublinha que, num mundo em que “ninguém quer saber o que as celebridades pensam” sobre política ou temas sociais, a melhor forma de influenciar é através das histórias que se contam. E, neste momento, considera que a indústria “não está a fazer o melhor trabalho” nesse aspecto.
O futuro de The Orville
Apesar das críticas, MacFarlane mostrou algum optimismo quanto ao futuro da sua série de ficção científica. Embora a Disney “ainda não tenha confirmado uma quarta temporada”, o criador acredita que The Orville ainda poderá regressar. A produção estreou em 2017 na Fox e mudou-se para a Hulu na terceira temporada.
Para MacFarlane, a missão mantém-se: criar ficção que não se limite a avisar sobre os perigos que nos esperam, mas que também ofereça visões do que pode ser alcançado quando as coisas são feitas da forma certa.