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Cansado da Big Tech? Há Alternativas — E o Cinema Europeu Pode Ganhar com Isso

Da Google à Amazon, passando pela Apple e Meta: porque é que a dependência tecnológica também afecta o futuro do audiovisual

Falamos muitas vezes de streaming, de bilheteiras e de Hollywood. Mas raramente paramos para pensar numa questão estrutural: quem controla a infraestrutura digital onde o cinema hoje vive? Motores de busca, sistemas operativos, cloud, redes sociais, lojas de aplicações, inteligência artificial — um punhado de gigantes norte-americanos domina quase tudo. E essa concentração de poder não é apenas um tema tecnológico. É também cultural.

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Google, Apple, Amazon, Meta e Microsoft tornaram-se intermediários quase obrigatórios na distribuição, promoção e monetização de conteúdos audiovisuais. Controlam os algoritmos que decidem o que vemos, as plataformas onde os trailers circulam, os sistemas de pagamento, os dados dos utilizadores e até as ferramentas de produção baseadas em inteligência artificial. A indústria do cinema depende delas mais do que gosta de admitir.

Nos últimos anos, críticas à chamada “enshittificação” — termo popularizado pelo escritor Cory Doctorow para descrever a degradação progressiva de plataformas digitais em favor da rentabilização agressiva — tornaram-se comuns. Motores de busca menos fiáveis, redes sociais saturadas de conteúdos patrocinados, algoritmos opacos que privilegiam retenção em vez de qualidade. Tudo isto tem impacto directo na forma como o cinema é descoberto e consumido.

A Europa Procura Autonomia — E o Cinema Pode Beneficiar

Na Europa, cresce a consciência de que depender quase exclusivamente de infraestruturas digitais norte-americanas é um risco estratégico. Não apenas económico, mas também cultural. Quando plataformas e serviços estão sujeitos a decisões políticas externas ou a interesses corporativos globais, a soberania tecnológica passa a ser um tema inevitável.

Há alternativas. No campo dos motores de busca, surgem soluções europeias focadas em privacidade e sustentabilidade. No email e cloud, serviços sediados na Suíça, Alemanha ou França apostam em encriptação e menor exploração de dados. Em software de produtividade, soluções open source como LibreOffice estão a ganhar terreno em administrações públicas. E no domínio da inteligência artificial, empresas como a francesa Mistral apresentam-se como resposta europeia ao domínio da OpenAI ou da Google.

Isto pode parecer distante do cinema, mas não é. A IA já está a entrar nos processos de escrita, pós-produção e marketing. A cloud é essencial para armazenamento e distribuição. As redes sociais são decisivas para a promoção de filmes. E os sistemas operativos móveis controlam as lojas de apps onde plataformas de streaming operam — cobrando comissões significativas.

Quanto mais diversificado for o ecossistema tecnológico, maior será a margem de manobra para produtores independentes, festivais e distribuidores europeus.

E o Público? Também Tem Poder

Há uma dimensão individual nesta discussão. Escolher motores de busca mais éticos, navegadores focados em privacidade ou lojas alternativas não é apenas uma decisão ideológica — é também uma forma de reduzir a concentração de dados nas mesmas empresas que dominam o entretenimento global.

No universo do streaming, por exemplo, a dependência de lojas de aplicações controladas por Apple e Google significa que parte significativa das receitas de plataformas passa por esses intermediários. A discussão sobre taxas, comissões e regulação tem impacto directo nos modelos de negócio das plataformas de cinema e séries.

Nada disto implica abandonar tecnologia ou regressar a uma era pré-digital. Significa, antes, reconhecer que o cinema contemporâneo não vive isolado das grandes infraestruturas tecnológicas. A batalha pela diversidade cultural passa também pela diversidade digital.

Num momento em que a inteligência artificial, os algoritmos e as plataformas moldam o que vemos e como vemos, a questão já não é apenas “que filmes estão a ser feitos?”. É também “quem controla as ferramentas que determinam quais chegam até nós?”.

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E essa é uma discussão que o mundo do cinema não pode ignorar.

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