Um vídeo viral que coloca Brad Pitt e Tom Cruise à pancada num telhado está a causar verdadeiro alvoroço em Hollywood. O problema? Nada daquilo é real.
O confronto digital foi criado com recurso ao Seedance 2.0, uma nova ferramenta de geração de vídeo por inteligência artificial desenvolvida pela ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok. O resultado é tão convincente que já há argumentistas e executivos a admitir — meio a sério, meio a brincar — que “está tudo acabado” para a indústria como a conhecemos.
Um Deepfake Demasiado Perfeito
O vídeo mostra Pitt alegadamente furioso com Cruise por este ter eliminado Jeffrey Epstein, numa narrativa conspirativa totalmente fictícia. A encenação é tão polida que muitos profissionais ficaram impressionados — e assustados.

Rhett Reese, argumentista de Deadpool & Wolverine, confessou nas redes sociais que ficou “atordoado” com o nível técnico da simulação. Mais tarde clarificou que o seu receio não era exagerado: se a tecnologia já produz resultados tão profissionais, o impacto na indústria pode ser profundo.
Não foi o único a reagir. O actor Simu Liu mostrou-se menos impressionado com a coreografia digital, classificando-a de forma pouco elogiosa. Ainda assim, o debate não é sobre a qualidade artística, mas sim sobre as implicações legais e laborais.
Associação Cinematográfica Reage
A polémica foi suficientemente grave para levar a Motion Picture Association a emitir uma rara declaração pública sobre inteligência artificial. O CEO Charles Rivkin acusou a ByteDance de utilização não autorizada de obras protegidas por direitos de autor, pedindo a suspensão imediata da actividade alegadamente infractora.
O Seedance 2.0 foi oficialmente apresentado nos Estados Unidos esta semana, depois de já ter incendiado as redes sociais chinesas com recriações alternativas de cenas como a batalha final de Avengers: Endgame, incluindo versões onde Thanos pede desculpa pelo estalar de dedos.

O Fantasma da Inteligência Artificial
A tensão em torno da IA não é nova. Nos últimos anos, sindicatos de actores e argumentistas têm colocado a utilização de ferramentas generativas no centro das negociações com os estúdios. A possibilidade de substituição criativa — ou pelo menos de redução de oportunidades — é uma preocupação real.
Curiosamente, Tom Cruise já tinha sido alvo de deepfakes memoráveis em 2022, criados pela startup Metaphysic, num projecto que pretendia alertar para os perigos da tecnologia. Desta vez, porém, a motivação parece menos pedagógica e mais disruptiva.
A ByteDance não comentou oficialmente o caso.
Revolução ou Decadência?
A pergunta que paira sobre Hollywood é simples: estamos perante uma ferramenta revolucionária que poderá abrir novas possibilidades criativas, ou diante de uma ameaça que pode desestabilizar toda a cadeia de produção audiovisual?
O vídeo de “Brad Pitt vs Tom Cruise” pode ser apenas entretenimento viral. Mas a qualidade técnica demonstra que a linha entre realidade e ficção nunca foi tão ténue — e que o debate sobre regulação, direitos de autor e ética digital está longe de terminar.
Uma coisa é certa: desta vez, a maior batalha não aconteceu num telhado. Está a acontecer nos bastidores da indústria.



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