Foi um fracasso nos cinemas… e quase acabou com a carreira — hoje é um dos rostos da Marvel

Em 2007, tudo parecia alinhado para que Stardust se tornasse um ponto de viragem na carreira de Charlie Cox. A adaptação do romance de Neil Gaiman reunia um elenco de peso, contava com realização de Matthew Vaughn e chegava com boas críticas. No papel, era exactamente o tipo de projecto que costuma lançar novos protagonistas para o estrelato.

Mas a realidade acabou por ser bem diferente.

Apesar da recepção positiva — incluindo uma avaliação sólida da crítica — o filme teve um desempenho modesto nas bilheteiras, especialmente nos Estados Unidos. Com cerca de 38 milhões de dólares arrecadados no mercado norte-americano e pouco mais de 137 milhões a nível global, ficou aquém das expectativas para uma produção com esse nível de investimento e ambição.

Na altura, esse tipo de resultado tinha consequências directas.

O próprio Charlie Cox recorda que, naquele momento, o sucesso de um filme era medido quase exclusivamente pelo desempenho no fim-de-semana de estreia. E, nesse campo, Stardust não conseguiu competir, tendo sido ofuscado por lançamentos concorrentes como Rush Hour 3. O impacto foi imediato: de promessa em ascensão, Cox passou a actor com dificuldades em encontrar novos projectos.

Em entrevistas recentes, o actor britânico descreveu esse período como particularmente duro. Sem trabalho e com dificuldades financeiras, acabou por sair de Los Angeles, chegando a questionar se a carreira de actor teria futuro. A frustração era ainda maior ao ver contemporâneos como Andrew Garfield ou Robert Pattinson a alcançarem o sucesso que ele próprio esperava atingir.

A reviravolta surgiu de forma inesperada.

A oportunidade apareceu com Boardwalk Empire, uma série da HBO onde Cox conseguiu inicialmente um papel pequeno, com poucas garantias de continuidade. O que começou como uma participação limitada acabou por crescer à medida que a personagem ganhou espaço na narrativa, permitindo-lhe demonstrar aquilo que até então tinha passado despercebido ao grande público.

Foi esse trabalho que abriu caminho para o passo seguinte: Daredevil. No papel de Matt Murdock, Cox encontrou finalmente o reconhecimento que lhe tinha escapado no cinema, construindo uma base sólida de fãs e afirmando-se como uma das interpretações mais consistentes do universo Marvel televisivo.

O contraste é evidente.

Um filme que parecia destinado a impulsionar a sua carreira acabou por ter o efeito oposto. E, no entanto, foi precisamente essa fase mais difícil que acabou por conduzir às oportunidades que definiram o seu percurso nos anos seguintes.

Hoje, Stardust é frequentemente visto como um clássico de culto, valorizado pelo público muito depois da sua passagem discreta pelos cinemas. Para Charlie Cox, representa algo mais complexo: um ponto de quebra que quase encerrou a sua carreira, mas que, indirectamente, acabou por levá-lo ao papel que o tornaria conhecido em todo o mundo.

E é talvez aí que reside a ironia desta história.

Nem sempre os grandes momentos são aqueles que parecem, à partida, garantir o sucesso.

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Disseram que procuravam alguém “parecido com ele” — e acabou por ser o próprio a conseguir o papel

Em Hollywood, há histórias de castings improváveis, mas poucas são tão irónicas quanto aquela que levou Danny Trejo a entrar em Predators.

Durante a fase de selecção de elenco, como é habitual, os produtores distribuíram descrições breves das personagens aos actores interessados. Entre elas estava Cuchillo, uma figura dura e perigosa, cuja descrição incluía um detalhe particularmente específico: tratava-se de “um tipo que parece o Danny Trejo”.

A indicação não era propriamente subtil. O objectivo era encontrar alguém com a presença física e a intensidade que o actor se habituou a trazer para o ecrã ao longo da sua carreira. No entanto, o que ninguém antecipava era que essa descrição acabaria por chegar ao próprio.

Ao saber do casting, Trejo decidiu não perder tempo. Pegou no telefone e contactou directamente Robert Rodriguez, um dos produtores do filme, com quem já tinha colaborado em vários projectos. A abordagem foi tão directa quanto eficaz: se estavam à procura de alguém que se parecesse com Danny Trejo, então não fazia muito sentido procurar mais.

O argumento, apesar de simples, era difícil de contestar.

A reacção foi imediata, e o actor acabou por garantir o papel sem passar pelo processo tradicional de audições. Em vez de competir com outros candidatos, apresentou-se como a solução óbvia para uma descrição que, na prática, já era inspirada nele próprio.

O episódio ilustra bem uma das particularidades da indústria: por vezes, as referências usadas para definir uma personagem acabam por se tornar mais fortes do que a própria intenção inicial do casting. Neste caso, a identidade visual e a presença de Trejo eram tão marcantes que qualquer tentativa de encontrar um substituto se tornava quase redundante.

Ao longo da carreira, o actor construiu uma imagem muito própria, frequentemente associada a personagens intensas, de moral ambígua ou claramente perigosas. Essa consistência acabou por se tornar uma marca reconhecível — ao ponto de ser usada como referência directa em descrições de casting.

No caso de Predators, essa identidade não só influenciou a criação da personagem como acabou por garantir o próprio papel.

E, num meio onde milhares de actores lutam por uma oportunidade, há algo de particularmente curioso nesta história: Trejo não teve de provar que era a escolha certa.

Bastou-lhe lembrar que já era

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Há filmes que revelam demasiado nos primeiros trailers. The End of Oak Street faz exactamente o contrário: mostra o suficiente para intrigar, mas guarda o essencial — e é precisamente isso que o torna um dos projectos mais curiosos do momento.

O novo filme protagonizado por Anne Hathaway e Ewan McGregor apresenta-se como um thriller de ficção científica com elementos de mistério, centrado numa família que vê a sua realidade desmoronar-se de forma inesperada. Tudo começa num cenário aparentemente banal: um bairro suburbano tranquilo, onde nada parece fora do lugar.

Até deixar de estar.

Segundo a sinopse divulgada, um evento cósmico inexplicável arranca literalmente a rua onde vivem e transporta-a para um local desconhecido. A partir desse momento, o quotidiano transforma-se numa luta pela sobrevivência, num ambiente que deixa de obedecer a qualquer lógica familiar.

O trailer sugere essa ruptura de forma visualmente marcante. Há ruas interrompidas abruptamente, carros suspensos sobre um vazio que revela uma floresta densa e desconhecida, e uma sensação constante de deslocação. A própria personagem de Hathaway é quem verbaliza o que o espectador começa a perceber: algo aconteceu, e não há forma simples de o explicar.

Mas o elemento mais inesperado surge pouco depois.

Entre os sinais de que aquele novo mundo não segue as regras habituais está a presença de criaturas pré-históricas. Num dos momentos mais impactantes do teaser, um dinossauro persegue membros da família, introduzindo uma dimensão de perigo imediato que contrasta com o ambiente suburbano onde tudo começou.

O filme acompanha a família Platt, interpretada por Hathaway e McGregor, juntamente com os actores mais jovens Christian Convery e Maisy Stella. A dinâmica familiar surge como peça central da narrativa, sugerindo que a sobrevivência dependerá não apenas da compreensão daquele novo espaço, mas da capacidade de se manterem unidos perante o desconhecido.

A realização está a cargo de David Robert Mitchell, responsável por It Follows, um dos thrillers mais marcantes da última década. O seu envolvimento aponta para uma abordagem menos convencional ao género, privilegiando atmosfera e inquietação em detrimento de explicações imediatas.

Na produção surge também o nome de J.J. Abrams, associado a projectos que combinam mistério, espectáculo e narrativa fragmentada, reforçando a ideia de que The End of Oak Street poderá jogar com várias camadas de interpretação.

O filme chega numa fase particularmente activa da carreira de Anne Hathaway, que tem vários projectos previstos para o mesmo ano, incluindo novas produções de grande visibilidade. Ainda assim, este destaca-se pelo conceito invulgar e pela forma como mistura elementos aparentemente incompatíveis — o quotidiano suburbano, ficção científica e criaturas pré-históricas — num único cenário.

A estreia está marcada para 14 de Agosto, e embora o trailer levante mais perguntas do que respostas, há uma coisa que fica clara: este não é um filme interessado em seguir caminhos previsíveis.

E talvez seja precisamente isso que o torna tão difícil de ignorar.

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Depois de anos de especulação e tentativas falhadas de revitalizar a saga, The Mummy prepara-se finalmente para regressar — e desta vez com uma decisão que poderá fazer toda a diferença: reunir novamente o núcleo original que conquistou o público no final dos anos 90.

John Hannah vai voltar a interpretar Jonathan Carnahan, juntando-se a Brendan Fraser e Rachel Weisz, que retomam os papéis de Rick e Evelyn O’Connell. A reunião do trio central é, por si só, um sinal claro de que o novo filme pretende recuperar o espírito que tornou o original num fenómeno global.

O projecto, ainda sem título oficial, tem estreia marcada para 19 de Maio de 2028 e deverá entrar em produção já em Agosto, com filmagens previstas entre Londres e Marrocos. A escolha destes locais aponta para uma tentativa de manter a identidade visual e o ambiente exótico que sempre caracterizaram a saga.

Ao contrário de outras abordagens recentes ao universo da Universal, esta nova entrada parece optar por uma estratégia mais directa: ignorar os acontecimentos do terceiro filme, The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (2008), e regressar à linha narrativa associada aos dois primeiros capítulos.

A realização ficará a cargo da dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, conhecidos colectivamente como Radio Silence, responsáveis por títulos como Ready or Not e os mais recentes filmes da saga Scream. O argumento será assinado por David Coggeshall, num projecto que procura equilibrar aventura, humor e elementos de terror — a combinação que definiu o ADN da série.

Para já, os detalhes da história permanecem em segredo. Ainda assim, os primeiros comentários da equipa criativa apontam para um filme que mantém a escala e o tom épico dos anteriores, sem perder o lado emocional que ajudou a criar ligação com o público.

Na produção, regressa Sean Daniel, responsável pelos filmes originais, garantindo uma continuidade criativa importante. A ele juntam-se nomes ligados à Project X Entertainment, numa estrutura que combina experiência com uma nova abordagem ao material.

Lançado em 1999, The Mummy arrecadou mais de 400 milhões de dólares em todo o mundo e tornou-se rapidamente num dos grandes sucessos comerciais da sua década. A mistura de aventura clássica, humor e efeitos especiais marcou uma geração e consolidou Brendan Fraser como um dos rostos mais reconhecidos do cinema de entretenimento da época.

As sequelas que se seguiram tiveram recepção mais irregular, e tentativas posteriores de reiniciar a franquia não conseguiram replicar o impacto do original. É precisamente esse contexto que torna este novo projecto particularmente relevante.

Ao apostar no regresso dos actores principais e ao recuperar o tom que definiu os primeiros filmes, The Mummy 4posiciona-se como uma tentativa de reconciliação com o público que fez da saga um sucesso.

Resta agora perceber se essa nostalgia será suficiente para sustentar um novo capítulo — ou se, mais do que olhar para trás, a série conseguirá encontrar uma nova forma de avançar.

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Antonio Banderas construiu uma carreira marcada pela versatilidade e por personagens que atravessam diferentes géneros e públicos. No entanto, o percurso que o levou até esse reconhecimento esteve longe de ser linear. No início da sua presença em Hollywood, o actor espanhol foi confrontado com uma realidade que durante décadas moldou a indústria: a limitação de papéis com base na origem étnica.

Numa recente entrevista ao The Times, Antonio Banderas recordou que lhe foi dito, de forma directa, que actores hispânicos — tal como actores negros — estavam destinados a interpretar vilões. Não se tratava de uma percepção isolada, mas de uma lógica instalada na indústria, que condicionava oportunidades e restringia o tipo de personagens disponíveis.

Apesar desse enquadramento, Banderas acabou por construir um percurso que contrariou essa expectativa. Um dos momentos decisivos dessa mudança surgiu com o papel em The Mask of Zorro, onde interpretou um herói clássico, rompendo com o estereótipo que lhe havia sido imposto. O contraste era evidente: enquanto lhe diziam que estaria limitado a papéis de antagonista, foi precisamente um herói de capa e espada que consolidou a sua posição junto do grande público.

Essa transformação ganhou uma dimensão ainda mais relevante com a entrada no universo da animação. A personagem do Gato das Botas, introduzida em Shrek 2, tornou-se rapidamente uma das figuras mais populares da saga. Com um sotaque assumidamente espanhol e uma personalidade que mistura charme e humor, o personagem afirmou-se como um herói acessível a públicos mais jovens, afastando-se por completo dos estereótipos iniciais que marcaram a carreira do actor.

Ao longo dos anos, Banderas deu continuidade a essa personagem em várias produções do universo Shrek, incluindo filmes próprios como Puss in Boots e Puss in Boots: The Last Wish, este último com reconhecimento crítico significativo, incluindo uma nomeação para os Óscares.

Apesar do sucesso, o actor revelou recentemente que, até ao momento, não foi contactado para regressar em Shrek 5, cuja estreia está prevista para 2027. Ainda assim, mostrou-se satisfeito com o percurso da personagem e com o impacto que teve junto do público.

A ligação entre o Gato das Botas e Zorro não é apenas simbólica. O próprio Banderas reconhece que a construção da personagem animada foi influenciada pelo espírito do lendário herói que interpretou no cinema, criando uma continuidade subtil entre dois momentos distintos da sua carreira.

O trajecto de Antonio Banderas reflecte uma mudança gradual na indústria, mas também evidencia as dificuldades enfrentadas por actores que, durante anos, viram as suas oportunidades condicionadas por critérios que pouco tinham a ver com talento. Ao longo das últimas décadas, o actor não só ultrapassou essas limitações como ajudou a redefinir o espaço que lhe era inicialmente destinado.

Hoje, o seu percurso é frequentemente apontado como exemplo de como é possível transformar um enquadramento restritivo numa carreira construída com liberdade criativa e reconhecimento internacional.

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James Tolkan, actor norte-americano conhecido por interpretar algumas das figuras de autoridade mais marcantes do cinema dos anos 80, morreu no passado dia 26 de Março de 2026, aos 94 anos, em Saranac Lake, no estado de Nova Iorque.

Para muitos espectadores, o seu nome pode não soar imediato, mas o seu rosto — e sobretudo a sua voz firme — são imediatamente reconhecíveis. Tolkan ficou para sempre associado ao papel do rigoroso director Strickland na saga Back to the Future, uma personagem que se tornou parte integrante do imaginário colectivo de várias gerações. Foi também o implacável “Stinger”, superior hierárquico da personagem de Tom Cruise em Top Gun, consolidando uma carreira marcada por figuras duras, exigentes e difíceis de esquecer.

Nascido em 1931, em Calumet, no estado do Michigan, James Tolkan teve um percurso pouco convencional antes de chegar ao cinema. Ainda adolescente, atravessou momentos difíceis após o divórcio dos pais, tendo acabado por se estabelecer no Arizona, onde concluiu os estudos secundários. Serviu na Marinha durante a Guerra da Coreia e, depois de passar por várias instituições de ensino superior sem se fixar, decidiu mudar-se para Nova Iorque com apenas 75 dólares no bolso.

Foi nessa cidade que começou verdadeiramente o seu percurso artístico. Trabalhou nas docas enquanto estudava representação com duas figuras centrais do teatro americano, Stella Adler e Lee Strasberg. Durante cerca de 25 anos, construiu uma carreira sólida no teatro, passando por produções off-off Broadway até chegar aos palcos mais importantes, incluindo a participação no elenco original de Glengarry Glen Ross.

O cinema surgiu de forma gradual. Ainda baseado em Nova Iorque, participou em filmes como Prince of the City (1981), realizado por Sidney Lumet, mas foi a mudança para a costa oeste, no início da década de 80, que abriu novas oportunidades. O papel em WarGames marcou essa transição, antecedendo os dois trabalhos que definiriam definitivamente a sua imagem junto do grande público.

Em Back to the Future, realizado por Robert Zemeckis, Tolkan criou uma figura autoritária que, apesar da rigidez, acabou por conquistar o público pela sua consistência e presença. Já em Top Gun, a sua interpretação contribuiu para o ambiente disciplinado e competitivo que caracteriza o filme.

Ao longo das décadas seguintes, participou em diversos projectos de cinema e televisão, mantendo-se activo até 2011. Embora raramente tenha assumido papéis de protagonista, construiu uma carreira baseada em personagens secundárias fortes, capazes de marcar uma história mesmo com tempo limitado de ecrã.

Fora da representação, Tolkan manteve uma vida discreta. Era casado há 54 anos com Parmelee Tolkan e tinha uma ligação especial aos animais, sendo essa uma das causas que mais valorizava. A família indicou que, em sua memória, poderão ser feitas doações a associações de protecção animal.

A sua morte marca o desaparecimento de um actor que, sem recorrer a protagonismos evidentes, conseguiu deixar uma marca duradoura no cinema. Há intérpretes que se destacam pelo número de papéis principais; outros, como James Tolkan, distinguem-se pela forma como tornam cada aparição memorável.

E, nesse campo, poucos foram tão eficazes.

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Há actores que passam a carreira inteira a aperfeiçoar uma imagem. No caso de Paul Newman, essa imagem era clara: carisma natural, presença magnética e uma facilidade quase desconcertante em dominar qualquer cena. Durante anos, esse estilo funcionou — e definiu-o como uma das grandes figuras de Hollywood.

Mas em The Sting, tudo mudou.

Quando aceitou interpretar Henry Gondorff, Newman achava que sabia exactamente como abordar o papel. À primeira vista, tratava-se de um território familiar: um vigarista elegante, confiante e sempre um passo à frente dos outros. No entanto, rapidamente percebeu que este personagem não funcionava com brilho exterior ou improviso. Gondorff exigia outra coisa — contenção.

Essa mudança não foi imediata nem confortável. Newman estava habituado a deixar o ritmo surgir naturalmente, a brincar com os diálogos e a explorar o momento. Era assim que tinha trabalhado, por exemplo, em Butch Cassidy and the Sundance Kid, onde a química com Robert Redford se alimentava dessa leveza.

Mas em The Sting, essa abordagem revelou-se um problema.

Durante uma das filmagens, Newman improvisou algumas falas, esperando que a cena ganhasse vida como habitualmente. Em vez disso, quebrou o equilíbrio. O timing deixou de encaixar, a dinâmica com Redford perdeu precisão, e o realizador George Roy Hill interrompeu a cena sem hesitar. Não havia espaço para desvios. Cada gesto tinha de estar no sítio certo, no momento certo.

Foi aí que Newman percebeu o verdadeiro desafio do filme.

Henry Gondorff não era um personagem que se impunha — era um personagem que se escondia. O seu poder vinha da subtileza, da forma como manipulava o ambiente sem chamar a atenção. Para o interpretar, Newman teve de fazer algo raro: retirar em vez de acrescentar.

Essa filosofia tornou-se especialmente evidente na icónica cena de poker no comboio. À superfície, Gondorff aparenta estar completamente embriagado. Mas por baixo desse caos, há um controlo absoluto da situação. Newman teve de construir uma performance em duas camadas — uma visível, outra invisível.

Para garantir autenticidade, preparou-se de forma meticulosa. Trabalhou com um especialista em cartas, aprendendo técnicas reais de manipulação e distracção. Não para as exibir, mas para que os movimentos surgissem com naturalidade. Cada gesto tinha de parecer instintivo, mesmo quando era cuidadosamente ensaiado.

Durante as filmagens dessa sequência, chegou a consumir grandes quantidades de líquidos entre takes para recriar o desconforto físico da embriaguez. As repetições foram exaustivas, e a exigência do realizador mantinha-se constante: mais precisão, mais controlo, mais detalhe.

Nem uma lesão no tornozelo durante os ensaios o fez abrandar. Havia também uma dimensão silenciosa de competição — trabalhar ao lado de Redford implicava manter um nível altíssimo, sem nunca quebrar a ilusão de naturalidade.

Com o tempo, Newman ajustou-se. E mais do que isso — evoluiu.

Percebeu que não precisava de dominar a cena para ser memorável. Bastava encaixar nela com exactidão. Deixar espaço, confiar no ritmo e permitir que o público descobrisse a personagem por si.

Quando The Sting se tornou um enorme sucesso e conquistou vários Óscares, Newman não destacou prémios nem reconhecimento. O que lhe ficou foi outra coisa: a certeza de que o equilíbrio tinha sido alcançado.

Que tudo tinha funcionado como devia.

Porque, no fundo, aquela performance ensinou-lhe algo que poucos actores dominam verdadeiramente — que o momento mais poderoso nem sempre é aquele em que se brilha.

É aquele em que se sabe exactamente quando recuar.

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A nova adaptação televisiva de Harry Potter and the Philosopher’s Stone ainda está longe de estrear, mas já conseguiu aquilo que muitas produções só atingem depois de chegarem ao público: tornar-se um fenómeno global.

O primeiro trailer da série, divulgado pela HBO, ultrapassou os 277 milhões de visualizações nas primeiras 48 horas, estabelecendo um novo recorde absoluto para a plataforma e para a HBO Max. Mais do que um número impressionante, este arranque confirma que o universo criado por J.K. Rowling continua a mobilizar uma audiência transversal, capaz de atravessar gerações e formatos.

Num contexto em que reboots e novas adaptações são frequentemente recebidos com desconfiança, a reacção inicial a este projecto sugere um cenário diferente. Em vez de fadiga, há curiosidade — e, em muitos casos, entusiasmo.

A série propõe uma abordagem mais próxima dos livros, com cada temporada dedicada a um dos sete volumes da saga. A primeira temporada irá revisitar os acontecimentos do primeiro livro, acompanhando a descoberta do mundo mágico por parte de Harry e o início da sua ligação a Hogwarts.

O trailer deixa antever vários momentos familiares, mas tratados com um novo olhar. A chegada à escola, o primeiro contacto com Ron e Hermione, o chapéu seleccionador ou as aulas iniciais surgem como pontos de reencontro com uma história que o público conhece bem, mas que aqui ganha espaço para respirar de outra forma. Há também sinais de uma maior atenção ao lado emocional da narrativa, particularmente na forma como a história de Harry e dos seus pais é abordada.

Naturalmente, uma das maiores mudanças está no elenco. A série apresenta uma nova geração de actores, afastando-se das interpretações que marcaram os filmes iniciados em 2001. Entre os nomes confirmados estão John Lithgow no papel de Albus Dumbledore, Janet McTeer como Minerva McGonagall, Paapa Essiedu como Severus Snape e Nick Frost como Hagrid.

A responsabilidade é significativa. Estas personagens fazem parte do imaginário colectivo há mais de duas décadas, e qualquer nova interpretação será inevitavelmente comparada com o passado. Ainda assim, a opção por um elenco renovado reforça a intenção de construir algo com identidade própria, em vez de replicar o que já foi feito.

Do ponto de vista criativo, a HBO reuniu uma equipa experiente. Francesca Gardiner, conhecida pelo seu trabalho em Succession, assume a coordenação da série, enquanto Mark Mylod, que também passou por Game of Thrones, ficará responsável por vários episódios. É uma combinação que aponta para uma produção com ambição clara e um cuidado particular na construção narrativa.

A estreia está marcada para o Natal de 2026, uma escolha que não parece inocente. A saga sempre teve uma forte ligação a esse período, tanto pelo calendário de lançamento dos filmes como pelo seu carácter familiar.

Resta agora perceber se esta nova versão conseguirá equilibrar fidelidade e renovação. Os primeiros sinais são encorajadores, mas o verdadeiro teste só chegará quando a série estiver completa.

Para já, há uma certeza difícil de ignorar: mais de duas décadas depois, Hogwarts continua a ser um destino ao qual o público quer regressar.

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Uma tradução feita para rir acabou em tribunal — e levanta questões bem mais sérias do que parece

Esta é daquelas que faz as discussões dos jantares de convívio da família parecerem casos de vida ou de morte e importância universal. Há histórias que parecem saídas de um argumento de comédia… até deixarem de ter graça. Foi precisamente isso que aconteceu com uma piada aparentemente inofensiva que acabou por escalar para um processo judicial de milhões.

O protagonista involuntário desta polémica é Lebo M, o compositor sul-africano responsável pelo icónico cântico de abertura de The Lion King. Do outro lado está Learnmore Jonasi, um humorista zimbabueano que, num podcast, decidiu brincar com aquilo que para muitos é simplesmente uma sequência memorável — mas que, para outros, carrega um peso cultural muito mais profundo.

E foi aí que tudo começou a complicar-se.

A origem do conflito remonta a uma participação de Jonasi num podcast onde, depois de interpretar o famoso cântico inicial, apresentou uma tradução deliberadamente simplificada e humorística: “Olhem, está ali um leão. Meu Deus.” A frase foi recebida como aquilo que era — uma piada — e rapidamente se tornou viral. Milhares de partilhas, reacções entusiásticas e aquele tipo de exposição que, hoje em dia, transforma um momento isolado num fenómeno global em poucas horas.

Mas nem todos se riram.

Para Lebo M, o problema nunca foi o humor em si, mas sim o enquadramento. O cântico “Nants’ingonyama bagithi Baba”, tal como é utilizado em The Lion King, não corresponde a uma tradução literal, mas a uma expressão simbólica profundamente enraizada na tradição sul-africana. A leitura mais próxima do seu significado será algo como “Todos saudamos o rei”, uma evocação de autoridade, respeito e comunidade — muito distante da imagem quase caricatural sugerida pela piada.

É verdade que a palavra “ingonyama” pode ser traduzida como “leão”. Mas, neste contexto, funciona como metáfora de liderança e poder. E é precisamente essa nuance que está no centro do processo. A acusação sustenta que Jonasi não apresentou a sua versão como uma interpretação humorística evidente, mas como uma explicação factual, contribuindo para uma percepção errada de um elemento cultural relevante.

O caso ganhou contornos ainda mais invulgares quando o comediante foi formalmente notificado durante um espectáculo ao vivo. Em pleno palco, um envelope foi-lhe entregue — um momento que rapidamente circulou nas redes sociais e que o próprio partilhou, entre o choque e a ironia. “Estou a ser processado por contar uma piada”, escreveu, resumindo em poucas palavras o absurdo da situação… pelo menos do seu ponto de vista.

A partir daí, o conflito saiu do palco e instalou-se no espaço público. Jonasi pediu desculpa, explicou que a sua intenção era abrir uma conversa sobre identidade africana através do humor e admitiu desconhecer o significado mais profundo do cântico. Já Lebo M respondeu com menos indulgência, acusando-o de banalizar uma expressão cultural importante e de procurar visibilidade à custa de desinformação.

Apesar do tom inicial, há sinais de que o caso poderá não chegar a um confronto prolongado em tribunal. A equipa do compositor já demonstrou abertura para negociar um acordo, num gesto que sugere vontade de encerrar o episódio sem prolongar o desgaste público.

Ainda assim, a questão de fundo permanece.

Até onde pode ir o humor quando entra em territórios culturais que não são universais? A comédia vive da distorção, do exagero e da liberdade criativa — mas essa liberdade encontra, por vezes, limites difíceis de definir, sobretudo quando colide com identidades, tradições e significados que não são imediatamente visíveis para todos.

Entre uma piada viral e um processo de 27 milhões de dólares, a distância parece enorme. Mas este caso mostra como, no actual ecossistema mediático, pode ser percorrida mais depressa do que se imagina.

E, como tantas vezes acontece, a realidade acabou por ultrapassar a ficção — com um detalhe curioso: tudo começou com uma simples tentativa de fazer rir.

… e na modesta opinião do vosso escriba… Esta malta não deve ter mesmo nada melhor para fazer

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Há um filme que já conquistou Portugal… e agora regressa para provar porquê

“Gabriela” volta à televisão e continua tão provocadora, livre e irresistível como sempre

Há histórias que não envelhecem — apenas ganham mais sabor com o tempo. Gabriela é uma delas. E não é preciso muito para perceber porquê: basta regressar à Ilhéus dos anos 20, onde o calor, o cacau e os desejos mal escondidos se misturam numa combinação que continua a funcionar décadas depois.

Realizado por Bruno Barreto e baseado no universo literário de Jorge Amado, este clássico de 1983 regressa agora à televisão portuguesa numa exibição especial no TVCine Edition, no dia 29 de março às 22h00  . E sim, continua a ser daqueles filmes que se vêem como quem abre uma garrafa de vinho — sem pressa, mas com prazer.

No centro de tudo está Gabriela, interpretada por Sônia Braga num daqueles papéis que não se esquecem. Não porque seja apenas sensual — isso seria redutor — mas porque é livre. Radicalmente livre. Chega à cidade sem passado que a prenda nem futuro que a limite, e isso, num lugar governado por regras não escritas e homens com demasiado poder, é quase um acto revolucionário.

Quando começa a trabalhar para Nacib, vivido por Marcello Mastroianni, o que parecia ser apenas mais uma história de atração transforma-se lentamente em algo mais desconfortável — e muito mais interessante. Porque o problema nunca foi a paixão. Foi tudo o que vem com ela.

Nacib quer Gabriela, mas também quer moldá-la. Quer o encanto… mas dentro de limites. E é aí que o filme encontra a sua verdadeira força: no confronto entre o desejo de posse e a impossibilidade de controlar alguém que simplesmente não nasceu para obedecer.

À volta desta relação, desenha-se um retrato mais amplo de uma sociedade em transformação. Ilhéus não é apenas um cenário exótico — é um campo de batalha subtil, onde tradição, poder económico e mudança social colidem constantemente. Há coronéis, intrigas políticas, jogos de influência… mas, no meio de tudo isso, é uma mulher que desorganiza o sistema.

E fá-lo sem discursos. Sem grandes gestos. Apenas sendo quem é.

É precisamente essa naturalidade que faz de Gabriela um filme tão eficaz ainda hoje. Não tenta impor uma mensagem — deixa-a emergir. E talvez por isso continue a ser relevante: porque fala de liberdade, de identidade e de desejo de uma forma que não precisa de ser explicada.

Para o público português, há ainda uma camada extra de nostalgia. Antes deste filme, Gabriela, Cravo e Canela já tinha sido um fenómeno televisivo em 1977, tornando-se a primeira telenovela exibida em Portugal e marcando uma geração inteira  . Esta versão cinematográfica não substitui essa memória — mas dialoga com ela.

E isso torna este regresso ainda mais interessante.

Porque no fim de contas, Gabriela não é apenas uma história sobre amor ou sensualidade. É uma história sobre aquilo que acontece quando alguém recusa jogar pelas regras — e, sem pedir licença, muda tudo à sua volta.

E há poucas coisas mais perigosas — ou mais fascinantes — do que isso.

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Andou pelo mundo… mas só agora tem o seu verdadeiro “primeiro encontro” com Lisboa

A curta portuguesa que conquistou festivais internacionais chega finalmente à capital — e traz o Pico consigo

Há qualquer coisa de deliciosamente irónico no percurso de First Date. Uma curta-metragem portuguesa que já passou por mais de 50 cidades, atravessou seis continentes, acumulou prémios e aplausos… e só agora chega a Lisboa, como quem regressa a casa depois de uma longa viagem.

A estreia na capital acontece a 7 de abril, às 21h, no Cossoul, integrada no ShortCutz Lisboa, com entrada livre e presença confirmada de Luís Filipe Borges — o homem que decidiu, pela primeira vez, trocar as palavras pelo cinema.

E talvez isso ajude a explicar o tom do filme: há humor, claro, mas também há um certo encanto despretensioso, como quem conta uma história sem querer impressionar — e acaba por o fazer na mesma.

Depois de mais de um ano a circular pelo mundo, esta estreia “alfacinha” tem um peso especial. Não apenas porque marca o regresso a casa, mas porque coloca o filme perante um público diferente: aquele que reconhece os códigos, os sotaques e as pequenas ironias que muitas vezes passam despercebidas lá fora.

First Date acompanha o encontro entre Santiago e Melissa, interpretados por Cristóvão Campos e Ana Lopes. Ele é lisboeta — mas decide fingir que não é. Ela é americana e chega aos Açores com uma ideia muito clara: quer conhecer o Pico, aquele lugar que parece existir algures entre o postal e o mito.

O que se segue não é apenas um romance. É também um jogo de identidades, pequenas mentiras e expectativas, onde o cenário acaba por ter tanto peso quanto as personagens.

E que cenário.

O Pico não é aqui apenas pano de fundo — é quase um personagem. A paisagem, o ritmo, a forma como o espaço influencia o comportamento… tudo contribui para dar ao filme uma textura muito própria. Não é um cenário “bonito” no sentido turístico da palavra; é um cenário vivido, que condiciona e molda aquilo que acontece.

Talvez seja isso que explique a recepção internacional tão positiva. Segundo o produtor Terry Costa, têm chegado reacções de todo o mundo — das Filipinas à Nova Zelândia — muitas vezes com perguntas que vão além do filme: querem saber mais sobre a ilha, sobre as pessoas, sobre aquele ambiente que parece simultaneamente real e quase cinematográfico por natureza.

Mas o mais curioso é que, apesar desse percurso global, First Date nunca perde o seu carácter íntimo. Não tenta ser maior do que é. Não procura grandes discursos. Funciona precisamente porque observa — com humor, com alguma ironia e com uma certa ternura — aquilo que acontece quando duas pessoas se encontram… e não são exactamente quem dizem ser.

Há também um lado quase meta nesta estreia em Lisboa. Um filme sobre encontros chega finalmente ao sítio onde, de certa forma, tudo começou. E fá-lo depois de já ter sido testado, validado e celebrado lá fora.

Agora, resta saber como será recebido em casa.

Mas se há coisa que este percurso já provou, é que First Date sabe muito bem como causar uma boa primeira impressão.

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Estreias da Semana 26 de Março

De Sheffield para o topo do mundo: a história real que chega agora ao cinema e promete surpreender

“Gigante” traz à tela a vida intensa de um dos boxeurs mais carismáticos de sempre

Há histórias que parecem feitas para o cinema — e depois há aquelas que o cinema tenta acompanhar.

Gigante é uma dessas histórias. Inspirado na vida de Prince Naseem “Naz” Hamed, um dos nomes mais marcantes do boxe mundial, o filme chega às salas portuguesas a 9 de Abril com a promessa de mostrar não apenas o atleta, mas o homem por trás do fenómeno  .

Um talento fora do comum — dentro e fora do ringue

Interpretado por Amir El-Masry, Naz Hamed não era um boxeur convencional. O seu estilo irreverente, quase teatral, transformava cada combate num espectáculo. Mas por detrás dessa confiança havia um percurso difícil, marcado por preconceito e adversidade.

Crescido em Sheffield, no norte de Inglaterra, Hamed destacou-se não apenas pelo talento, mas pela forma como enfrentou o racismo e a islamofobia nas décadas de 80 e 90 — elementos que o filme integra na sua narrativa  .

Uma relação improvável que mudou tudo

No centro de Gigante está também a ligação entre o jovem pugilista e o seu treinador, Brendan Ingle, interpretado por Pierce Brosnan.

Longe dos clichés habituais, Ingle não era uma figura clássica do mundo do boxe. Trabalhador da indústria do aço, geria um modesto ginásio num salão paroquial — um espaço improvável onde nasceu uma das maiores carreiras do desporto.

Foi essa relação, construída com base na confiança e na persistência, que ajudou a moldar o talento de Naz e a levá-lo até ao topo  .

Muito mais do que um filme de desporto

Realizado por Rowan Athale e produzido por Sylvester Stallone, Gigante não se limita às sequências de combate.

O filme alterna entre a intensidade do ringue e momentos mais íntimos, explorando o impacto emocional e social da ascensão de Hamed. Ao fazê-lo, constrói um retrato mais completo — não apenas de um campeão, mas de uma figura que desafiou expectativas e redefiniu o que significava ser uma estrela no boxe  .

Um biopic com impacto

A história de Prince Naseem Hamed é, por si só, cinematográfica: talento precoce, personalidade explosiva, sucesso global e um contexto social complexo.

Gigante pega nesses elementos e transforma-os num biopic que combina espectáculo, emoção e reflexão — uma abordagem que pode conquistar tanto fãs de desporto como espectadores à procura de uma boa história.

Estreia em Portugal

Gigante estreia nas salas de cinema portuguesas a 9 de Abril, trazendo consigo uma narrativa inspiradora sobre coragem, identidade e superação  .

Porque, no fim, esta não é apenas a história de um lutador.

É a história de alguém que recusou encaixar — e, por isso mesmo, se tornou impossível de ignorar.

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Alejandro Amenábar regressa com uma história real que moldou o autor de “Dom Quixote”

Há figuras tão grandes na história da literatura que acabam por se tornar quase míticas. Miguel de Cervantes é uma delas. Mas antes de escrever Dom Quixote, houve um homem real — ferido, capturado e colocado à prova em circunstâncias extremas.

É precisamente esse capítulo menos conhecido que Cervantes: Antes de Dom Quixote leva agora ao cinema, com estreia marcada para 9 de Abril em Portugal  .

Uma história real digna de ficção

O filme transporta-nos até 1575, num momento decisivo da vida de Cervantes. Após uma batalha naval, o jovem soldado é capturado por corsários otomanos e levado para Argel, onde permanece prisioneiro.

Longe de qualquer ideia romantizada, este é um cenário de dor, incerteza e sobrevivência. Ferido e à espera de resgate, Cervantes encontra uma forma improvável de resistir: começa a contar histórias.

Histórias de aventura, de coragem, de mundos maiores do que as paredes da prisão.

E, pouco a pouco, essas narrativas tornam-se mais do que entretenimento — tornam-se um acto de resistência.

A imaginação como fuga — e como arma

Interpretado por Julio Peña, este jovem Cervantes ainda está longe de ser o nome que a história consagraria. Mas já carrega algo essencial: a capacidade de transformar sofrimento em narrativa.

As histórias que conta não só mantêm viva a esperança entre os companheiros de cativeiro, como acabam por chamar a atenção de Alessandro Borghi, que interpreta Hasan Paxá, o poderoso governante de Argel.

Este detalhe acrescenta uma camada inesperada ao filme: a palavra como ponte entre mundos opostos — e, simultaneamente, como instrumento de sobrevivência.

O regresso de um nome maior do cinema europeu

À frente do projecto está Alejandro Amenábar, vencedor do Óscar por Mar Adentro e responsável por obras como The Others e Agora.

Com Cervantes: Antes de Dom Quixote, Amenábar regressa a um território que domina bem: histórias intimistas com forte contexto histórico, onde o espectáculo nunca se sobrepõe à dimensão humana.

Aqui, o foco não está apenas na reconstituição de época, mas na construção de um retrato emocional — o momento em que um homem começa, sem saber, a tornar-se um autor.

Entre épico e intimidade

O filme equilibra dois registos distintos.

Por um lado, há a escala histórica: batalhas, capturas, o ambiente político e cultural do século XVI. Por outro, há um olhar mais próximo, quase silencioso, sobre o impacto psicológico do cativeiro e sobre a necessidade de criar para sobreviver.

Essa dualidade é, aliás, o grande trunfo da narrativa.

Porque, no fundo, esta não é apenas a história de um prisioneiro.

É a história de como nasce uma voz.

Uma origem que redefine o mito

Sabemos o que Cervantes viria a escrever. Sabemos a importância de Dom Quixote na literatura mundial.

Mas este filme propõe algo diferente: olhar para trás e perceber como essas ideias começaram a ganhar forma.

Como a adversidade molda a criatividade.

Como a imaginação pode ser um refúgio — e, ao mesmo tempo, um acto de resistência.

Estreia em Portugal

Distribuído pela NOS Audiovisuais, Cervantes: Antes de Dom Quixote chega às salas portuguesas a 9 de Abril, trazendo consigo uma história real que parece saída de um romance — e que ajuda a compreender melhor um dos maiores escritores de sempre  .

Porque antes do cavaleiro da triste figura…

houve um homem a lutar para não desaparecer.

Um erro, um milhão e uma noite para resolver tudo: a comédia francesa que chega aos cinemas na altura certa
De crítico feroz a tom conciliador? Bill Maher surpreende após polémica com Trump
Estreias da Semana 26 de Março
Um dos filmes mais ignorados dos últimos anos está no streaming — e merece mesmo ser visto

De crítico feroz a tom conciliador? Bill Maher surpreende após polémica com Trump

Depois de anos a construir a sua imagem como um dos críticos mais persistentes de Donald Trump, Bill Maher voltou a surpreender — desta vez não por um ataque mordaz, mas por um inesperado tom de conciliação.

A mudança tornou-se evidente na mais recente emissão de Real Time with Bill Maher, onde o apresentador abordou a polémica em torno do Prémio Mark Twain para Humor Americano, uma das distinções mais prestigiadas da comédia nos Estados Unidos. Durante dias, a atribuição do prémio esteve envolta em controvérsia, com relatos de que a Casa Branca teria tentado impedir que Maher fosse distinguido.

O episódio ganhou ainda mais dimensão quando Karoline Leavitt veio a público classificar a notícia como “fake news”, negando qualquer interferência da administração. No entanto, informações de bastidores apontavam precisamente no sentido contrário, sugerindo pressões junto do Kennedy Center para travar a decisão.

Apesar do ruído mediático, o desfecho acabou por ser claro: Maher irá receber o prémio.

E é aqui que a história se torna mais inesperada.

Em vez de aproveitar o momento para atacar Trump — algo que seria perfeitamente consistente com o seu historial — Maher optou por um registo mais moderado, quase conciliador. No seu monólogo, admitiu não guardar ressentimentos e até mostrou algum respeito pela tentativa de bloqueio.

“Não estou à procura de conflito”, afirmou, acrescentando que a sua relação com o actual Presidente é “complicada” e já longa. Mais surpreendente ainda foi o convite que deixou no ar: Maher disse que Trump seria bem-vindo na cerimónia, sugerindo até que poderia agradecê-lo pessoalmente.

A frase não passou despercebida, sobretudo quando o humorista se descreveu como “um dos poucos à esquerda” que apoiaram a recente acção militar dos Estados Unidos contra o Irão — uma posição que o aproxima, ainda que pontualmente, do discurso da administração.

Este tom contrasta fortemente com anos de confronto público entre ambos.

A relação entre Bill Maher e Donald Trump tem sido marcada por ataques mútuos, processos judiciais e críticas constantes em televisão. Ainda assim, houve momentos de aproximação inesperados, como o jantar na Casa Branca no ano passado, que Maher descreveu como cordial — uma avaliação que lhe valeu críticas dentro do próprio meio humorístico.

Mais recentemente, Trump voltou a atacá-lo na sua rede social, classificando-o como um comentador “sobrevalorizado” e acusando-o de sofrer de “Trump Derangement Syndrome”. Comentários que, até aqui, teriam gerado uma resposta à altura.

Desta vez, não.

Maher parece adoptar uma estratégia diferente — menos confrontacional, mais pragmática. “O afastamento não leva a lado nenhum”, afirmou no programa, deixando implícita uma ideia de diálogo, ou pelo menos de coexistência.

Se se trata de uma mudança genuína ou apenas de um momento pontual, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa é certa: depois de anos de confronto directo, este episódio soa mais a tréguas do que a batalha.

E isso, no universo político-mediático norte-americano, é por si só notícia.

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Um erro, um milhão e uma noite para resolver tudo: a comédia francesa que chega aos cinemas na altura certa

Há filmes que partem de uma premissa simples e a levam até às últimas consequências — e Ladrões da Treta é exactamente isso. Uma comédia que começa com uma decisão impulsiva e rapidamente se transforma numa espiral de acontecimentos cada vez mais difíceis de controlar.

A história centra-se em Stan, um jovem engenheiro ambicioso que acredita que a sua carreira estagnou. Convencido de que foi ultrapassado e de que nunca receberá a promoção que deseja, toma uma decisão desesperada: roubar uma mala com um milhão de euros do cofre do patrão. O plano parece, na sua cabeça, uma espécie de justiça pessoal — uma forma de compensar aquilo que considera ser uma injustiça profissional.

O problema surge quando, já a caminho do aeroporto e pronto para desaparecer com o dinheiro, descobre que estava completamente enganado. A promoção foi, afinal, atribuída. Aquilo que parecia perdido estava garantido — e, num instante, o golpe transforma-se num erro colossal.

É a partir daqui que o filme ganha o seu verdadeiro ritmo.

Percebendo que precisa de devolver o dinheiro antes que seja tarde demais, Stan vê-se obrigado a voltar atrás e a tentar corrigir uma situação que, a cada minuto, se torna mais caótica. Para isso, conta com a ajuda de Hippolyte, um serralheiro pouco fiável, cuja capacidade para complicar ainda mais o que já é complicado se revela quase impressionante.

Interpretado por Christian Clavier, Hippolyte traz ao filme aquele tipo de energia imprevisível que funciona como motor da comédia. A dinâmica entre ele e Stan — vivido por Rayane Bensetti — assenta precisamente nesse contraste: de um lado, alguém que tenta manter o controlo; do outro, alguém que parece viver confortavelmente no caos.

O resultado é uma narrativa construída em torno de uma única noite, onde tudo acontece a um ritmo acelerado e onde cada tentativa de resolver o problema acaba, inevitavelmente, por criar outro ainda maior.

Sem procurar reinventar o género, Ladrões da Treta aposta numa fórmula eficaz: personagens bem definidas, situações em escalada e um sentido de timing que privilegia o absurdo sem perder o fio condutor da história. Há aqui elementos de filme de assalto, mas tratados sempre com leveza, num registo claramente orientado para o entretenimento.

Distribuído pela NOS Audiovisuais, o filme chega aos cinemas portugueses a 2 de Abril, posicionando-se como uma proposta ideal para quem procura uma comédia acessível e descontraída nesta altura do calendário.

No fundo, é uma história sobre decisões precipitadas — e sobre como, por vezes, o mais difícil não é cometer o erro, mas tentar corrigi-lo.

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Estreias da Semana 26 de Março

Estamos a lançar um novo magazine em vídeo para as estreias da semana que será lançado todas as quartas feiras ao final do dia. Vejam, comentem e divirtam-se.

Esta semana destacamos They Will Kill You, Entroncamento, Hit Pig e Reminder of Him,. Vejam e sintam-se livres de critical ou dar sugestões.

Um dos filmes mais ignorados dos últimos anos está no streaming — e merece mesmo ser visto

“Licorice Pizza” é uma pequena joia escondida que continua disponível no Prime Video em Portugal

No meio de catálogos cheios de grandes produções e sucessos instantâneos, há filmes que passam despercebidos — não por falta de qualidade, mas porque exigem outro tipo de atenção. Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson, é exactamente um desses casos.

A boa notícia é que, em Portugal, o filme continua disponível no Prime Video. E se ainda não o viu, esta é uma recomendação séria: vale mesmo a pena.

Uma história simples… e profundamente humana

Situado na Califórnia dos anos 70, o filme acompanha Gary Valentine, um jovem actor cheio de confiança, e Alana Kane, uma jovem adulta ainda à procura do seu caminho.

O encontro entre os dois acontece quase por acaso, durante uma sessão fotográfica numa escola. A partir daí, desenvolve-se uma relação improvável, marcada por diferenças de idade, expectativas e maturidade — mas também por uma curiosidade genuína um pelo outro.

Mais do que uma narrativa tradicional, Licorice Pizza funciona como um retrato de crescimento, indecisão e descoberta, onde os momentos aparentemente banais ganham um peso emocional inesperado.

Um elenco improvável… mas cheio de personalidade

O filme apresenta Cooper Hoffman no seu primeiro grande papel, ao lado de Alana Haim, cuja naturalidade é uma das grandes forças da obra.

Nos papéis secundários, surgem nomes bem conhecidos:

Sean Penn interpreta uma versão excêntrica de uma estrela de cinema, enquanto Bradley Cooper rouba cenas num papel caótico e imprevisível.

São participações curtas, mas memoráveis — e ajudam a construir o ambiente único do filme.

Um cinema que não se faz com pressa

Paul Thomas Anderson é conhecido por fugir às fórmulas tradicionais — e Licorice Pizza não é excepção.

Não há aqui grandes reviravoltas ou momentos explosivos. O que existe é algo mais raro: tempo. Tempo para observar personagens, para construir relações e para deixar que a história respire.

Essa abordagem pode não agradar a todos, mas é precisamente o que torna o filme especial.

Uma recomendação que merece atenção

Num panorama dominado por sequelas, remakes e universos partilhados, Licorice Pizza destaca-se pela sua autenticidade.

É um filme sobre crescer, falhar, tentar de novo — e, sobretudo, sobre aqueles momentos indefinidos da vida em que nada está decidido, mas tudo parece possível.

Se procura algo diferente, mais intimista e genuíno, esta é uma escolha segura.

E enquanto continuar disponível no Prime Video em Portugal, é uma oportunidade que não deve deixar escapar.

“Vai ser mesmo especial”: reboot de Ficheiros Secretos já entusiasma Gillian Anderson

Ryan Coogler prepara nova visão de uma das séries mais icónicas da televisão

O regresso de Ficheiros Secretos começa a ganhar forma — e as primeiras reacções são mais do que promissoras. Gillian Anderson, eterna Dana Scully, já leu o guião do episódio piloto e não esconde o entusiasmo: segundo a própria, o projecto “vai ser mesmo especial”.

A nova versão da icónica série está a ser desenvolvida por Ryan Coogler, realizador vencedor de um Óscar e conhecido por títulos como Black Panther e Creed. O projecto encontra-se em fase inicial, com a Hulu a já ter encomendado o episódio piloto.

Gillian Anderson pode regressar

Durante uma convenção recente, Anderson revelou que já teve várias conversas com Coogler — o que abre a porta a um possível regresso ao papel de Dana Scully.

Sem confirmar oficialmente a sua participação, a actriz deixou claro que está impressionada com a abordagem do realizador. Segundo afirmou, o guião do piloto é “muito bom” e apresenta uma visão diferente da série original, mantendo ao mesmo tempo o espírito que a tornou um fenómeno global.

A mensagem para os fãs é simples: manter a mente aberta.

Uma nova geração de agentes… e mistérios

O reboot deverá introduzir uma nova dupla de agentes do FBI, com perfis distintos, que se cruzam ao serem destacados para uma divisão há muito encerrada dedicada a fenómenos inexplicáveis.

A actriz Danielle Deadwyler está apontada como uma das protagonistas, num projecto que pretende equilibrar herança e renovação.

A showrunner será Jennifer Yale, conhecida pelo seu trabalho em séries de grande intensidade dramática, o que sugere uma abordagem mais contemporânea e possivelmente mais sombria.

Terror, mistério… e respeito pelo original

Ryan Coogler já tinha deixado pistas sobre o tom da série, prometendo episódios “realmente assustadores” e uma experiência que respeite os fãs de longa data, ao mesmo tempo que atrai novos públicos.

A série original, protagonizada por David Duchovny e Gillian Anderson, estreou em 1993 e tornou-se um marco da televisão, misturando ficção científica, terror e conspiração governamental.

Ao longo de nove temporadas, dois filmes e um revival recente, Ficheiros Secretos construiu um legado difícil de igualar — o que torna este reboot particularmente arriscado… e ao mesmo tempo entusiasmante.

Um regresso com peso histórico

Mais do que uma simples revisitação, este novo Ficheiros Secretos parece querer reinventar a fórmula, mantendo a essência: o confronto entre cepticismo e crença, ciência e mistério.

Se depender do entusiasmo de Gillian Anderson, há razões para acreditar que este poderá ser um dos regressos mais interessantes dos últimos anos.

E, como sempre, a verdade continua lá fora.

Disney vira o conto do avesso: as irmãs da Cinderela vão ter o seu próprio filme

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Novo thriller inspirado em factos reais promete mostrar um lado nunca visto do artista

Snoop Dogg continua a reinventar-se — e desta vez prepara-se para dar um salto significativo no cinema com God Of The Rodeo, um thriller baseado em acontecimentos reais que promete marcar uma nova fase na sua carreira.

O artista não só vai protagonizar o filme como também assume funções de produtor através da sua produtora Death Row Pictures, numa colaboração de peso que junta nomes como Ridley Scott e Giannina Scott.

Uma história dura, inspirada na realidade

O filme será realizado por Rosalind Ross, que também assina o argumento, e baseia-se numa investigação jornalística de Daniel Bergner sobre uma das prisões mais violentas dos Estados Unidos: Angola, na Louisiana.

A narrativa leva-nos até 1967 e acompanha Buckkey, um recluso condenado a prisão perpétua que encontra uma inesperada oportunidade de redenção — participar no primeiro rodeo organizado dentro da prisão.

Mas aquilo que à primeira vista parece uma hipótese de liberdade simbólica revela-se algo muito mais sombrio: um espectáculo brutal, pensado para entreter o público à custa do sofrimento dos prisioneiros.

Um papel transformador para Snoop Dogg

Segundo a realizadora, este será um papel profundamente diferente de tudo o que Snoop Dogg já fez.

Ross destacou a “energia, alma e autenticidade” do artista, sublinhando que esta personagem poderá revelar um lado mais intenso e dramático do rapper — algo que poderá surpreender até os fãs mais atentos.

O próprio Snoop Dogg descreveu o projecto como “especial” e com “coração e garra”, reforçando que a sua equipa está envolvida em várias frentes: produção, interpretação e até na criação da banda sonora através da Death Row Records.

Uma parceria de peso em Hollywood

A presença de Ridley Scott — responsável por clássicos como Gladiator e Blade Runner — reforça o peso do projecto, que será produzido através da Scott Free Productions.

Giannina Scott destacou o impacto global de Snoop Dogg, sublinhando a sua capacidade única de atravessar gerações e áreas culturais, da música ao desporto e agora ao cinema.

Esta colaboração entre uma figura icónica da cultura pop e um dos nomes mais respeitados de Hollywood promete resultar num filme com ambição artística e relevância temática.

Um projecto com ambição e significado

God Of The Rodeo não será apenas mais um thriller — pretende explorar temas como sobrevivência, dignidade e o sistema prisional, num contexto histórico marcado por violência e desigualdade.

Ao mesmo tempo, representa mais um passo na expansão de Snoop Dogg enquanto produtor e criador de conteúdos, numa altura em que continua a diversificar a sua presença na indústria do entretenimento.

Depois de décadas a dominar a música, o artista prepara-se agora para conquistar também o grande ecrã — desta vez com uma história que promete deixar marca.

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Afinal era verdade: James Marsden mentiu — e está mesmo em “Avengers: Doomsday”

O regresso de Ciclope confirma-se… com direito ao fato que os fãs sempre quiseram

Durante meses, James Marsden garantiu que não fazia parte de Avengers: Doomsday. Afinal, não era bem assim.

O actor admitiu agora que mentiu deliberadamente para proteger o segredo — uma prática cada vez mais comum no universo da Marvel — e confirmou o seu regresso como Ciclope. E, pelo que revelou, há um detalhe que está a entusiasmar particularmente os fãs: o novo visual do personagem será finalmente fiel às bandas desenhadas.

Um segredo mal guardado… mas bem jogado

A revelação surgiu numa nova participação de Marsden no programa de Jimmy Kimmel, onde o actor assumiu, com humor, que não foi “um grande mentiroso”.

Segundo explicou, a negação inicial fazia parte do jogo — e da necessidade de manter o sigilo típico destas produções. “Não podia dizer nada”, admitiu, reconhecendo que a mentira foi intencional.

Não é um caso isolado. Andrew Garfield fez exactamente o mesmo antes da estreia de Spider-Man: No Way Home, mantendo o seu regresso em segredo durante meses.

Um regresso esperado há duas décadas

O regresso de Ciclope tem um peso particular para os fãs da saga X-Men. Nas adaptações da 20th Century Fox, os filmes optaram por afastar-se da estética clássica das bandas desenhadas, substituindo os icónicos fatos coloridos por visuais em couro negro.

Agora, em Avengers: Doomsday, isso muda.

Marsden revelou que o personagem surge com um fato inspirado directamente nos comics, algo que os fãs pedem há mais de 20 anos. O próprio actor descreveu a experiência como “muito especial”, apesar de admitir que há um elemento que se mantém: a dificuldade em ver com o visor.

Um elenco que mistura gerações

Marsden não estará sozinho neste regresso.

O filme reúne vários actores da era X-Men da Fox, incluindo:

  • Patrick Stewart como Professor X
  • Ian McKellen como Magneto
  • Kelsey Grammer como Beast
  • Rebecca Romijn como Mystique
  • Alan Cumming como Nightcrawler

Um verdadeiro encontro de gerações que sugere uma forte ligação entre o antigo universo da Fox e o actual universo Marvel.

Entre nostalgia e reinvenção

Para Marsden, este regresso surge também como uma surpresa pessoal. O actor confessou que, com o passar dos anos, acreditava que não voltaria a interpretar Ciclope — até porque já está na casa dos 50.

Ainda assim, o entusiasmo é evidente.

E, para os fãs, há algo simbólico neste momento: depois de anos de adaptações que evitavam a estética original, a Marvel parece finalmente abraçar o lado mais fiel às bandas desenhadas.

Um mistério que continua

Apesar destas revelações, Avengers: Doomsday continua envolto em segredo. Os irmãos Russo têm evitado divulgar detalhes concretos sobre a história, mantendo a expectativa elevada até à estreia.

Mas uma coisa já é certa:

Ciclope está de volta — e desta vez, como sempre deveria ter sido.

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