Charlie Brooker confirma novos episódios da série distópica mais influente da televisão moderna
É oficial: Black Mirror vai regressar para uma oitava temporada na Netflix. O anúncio foi feito pelo próprio Charlie Brooker, que confirmou estar já a escrever os novos episódios daquela que se tornou uma das séries mais duradouras — e inquietantes — do catálogo da plataforma.
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“I can confirm that Black Mirror will return, just in time for reality to catch up with it”, afirmou Brooker, num comentário que resume na perfeição o espírito da série: um espelho negro que, ao longo dos anos, deixou de parecer ficção científica para se transformar num exercício desconfortavelmente próximo do quotidiano.
Uma série que continua a reinventar-se — sem perder identidade
Quase 15 anos depois da sua estreia original no Channel 4, Black Mirror mantém-se relevante precisamente porque nunca se acomodou. Brooker explicou que o processo criativo da nova temporada segue a lógica habitual: questionar o que ainda não foi explorado e decidir qual o “tom” adequado para este novo capítulo.
A analogia musical usada pelo criador é reveladora: cada temporada funciona como uma faixa diferente no mesmo álbum, com variações de ritmo, intensidade e género. Essa liberdade criativa tem permitido à série oscilar entre a sátira tecnológica, o drama existencial e, mais recentemente, o terror puro.
Do “Red Mirror” ao regresso às origens
Brooker já havia explicado que a sexta temporada funcionou como uma espécie de “Red Mirror”, com histórias mais próximas do horror clássico e menos centradas na tecnologia. Já a sétima temporada, segundo o próprio, regressou a uma abordagem mais alinhada com os primeiros anos da série — uma combinação de tecnologia, comportamento humano e consequências morais.
A oitava temporada, para já, mantém-se envolta em mistério. Não foram revelados detalhes sobre o elenco nem sobre o tom dominante, o que só aumenta a expectativa em torno dos novos episódios.
Uma série premiada… e em constante mutação
A confirmação da nova temporada surge numa altura particularmente simbólica. Black Mirror está nomeada para Melhor Série Limitada ou Antologia nos Golden Globes, com Rashida Jones e Paul Giamatti também nomeados pelas suas participações na sétima temporada.
Essa temporada incluiu episódios como “Common People”, protagonizado por Jones, “Eulogy”, com Giamatti, e ainda a primeira sequela oficial da série: o regresso ao universo de “USS Callister”, um dos episódios mais icónicos de Black Mirror.
Um futuro para lá do espelho
Entretanto, Brooker continua a expandir o seu universo criativo fora de Black Mirror. O autor está actualmente a desenvolver uma nova série policial para a Netflix, ainda sem título, protagonizada por Paddy Considine, Lena Headeye Georgina Campbell. Descrita com humor como “o mais sério policial de todos os tempos”, a série promete seguir uma linha deliberadamente auto-consciente — uma marca registada do criador.
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Quanto a Black Mirror, mais informações sobre a oitava temporada deverão ser reveladas em breve. Até lá, fica a certeza de que, enquanto a tecnologia continuar a avançar mais depressa do que a nossa capacidade de a compreender, haverá sempre espaço para mais um reflexo perturbador no espelho negro.



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