Billie Eilish está prestes a invadir as salas de cinema portuguesas — e desta vez não apenas com a sua voz, mas com uma experiência audiovisual concebida ao milímetro para surpreender. Já foram revelados o trailer e as fotografias oficiais de Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), o filme-concerto que transforma a digressão mundial da artista num espetáculo cinematográfico imersivo. A estreia em Portugal está marcada para 19 de março de 2026.
A produção chega com um detalhe que ninguém esperava: James Cameron assina a realização ao lado da própria Billie Eilish. Se há alguém capaz de reinventar a forma como a música se vê e se sente no grande ecrã, é o cineasta que levou o 3D para um novo patamar em Avatar. Agora, Cameron aplica essa tecnologia ao universo emocional e atmosférico de Hit Me Hard and Soft, álbum e digressão que marcaram um novo capítulo artístico na carreira de Billie — mais maduro, mais íntimo e mais cinematográfico.
O material agora divulgado oferece o primeiro olhar sobre esta experiência: palcos envoltos em néons líquidos, movimentos de câmara que amplificam a presença magnética de Billie e um design sonoro pensado para envolver o público como se este estivesse no centro da multidão. Gravado ao longo da digressão internacional esgotada, o filme pretende capturar não apenas a energia do espetáculo ao vivo, mas também a vulnerabilidade e a intensidade que Billie Eilish transporta para cada atuação.
Em 3D, tudo ganha outra dimensão: as coreografias, os ambientes minimalistas, os jogos de luz que caracterizam a estética da artista e até os momentos de absoluta quietude emocional. Esta não é apenas a transposição de um concerto para cinema; é uma reformulação visual e sensorial da própria linguagem de palco da artista.
O filme-concerto chega às salas portuguesas através da Paramount Pictures, em parceria com a Darkroom Records, Interscope Films e Lightstorm Entertainment, com distribuição da NOS Audiovisuais. É um encontro improvável — e estimulante — entre uma das vozes mais influentes da música contemporânea e uma das figuras mais ambiciosas da história do cinema. Não é descabido imaginar que Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D) poderá redefinir o que significa filmar um concerto para cinema, tal como Cameron redefiniu a experiência 3D em ficção científica.
A sinopse oficial reforça essa intenção: esta é uma viagem imersiva, captada durante uma digressão mundial esgotada, que convida o espectador a entrar na atmosfera emocional que Billie constrói em palco — uma zona onde intimidade e espectáculo coexistem sem contradição.
Se 2026 promete ser marcado por grandes regressos, sequelas épicas e sagas espaciais de milhões, também trará, graças a Billie Eilish, um cinema de proximidade, pulsação e presença. Um cinema que canta, respira e vibra. Um cinema que não pede ao espectador para olhar, mas para sentir.
E com James Cameron atrás de uma das câmaras, não há dúvida: esta digressão está prestes a tornar-se ainda maior do que já era.
Há fenómenos que só Nicolas Cage consegue conjugar: espiritualidade, terror bíblico, excentricidade absoluta e a sensação permanente de que estamos sempre a dois segundos de um clássico de culto. The Carpenter’s Son, o mais recente capítulo da fase avant-garde da carreira do actor, chegou finalmente às plataformas digitais — e, ironicamente, a tempo do Natal. Nada como celebrar a época com um “filme de terror sobre Jesus” protagonizado por Cage como… José, o pai do futuro Messias.
Realizado e escrito por Lotfy Nathan, The Carpenter’s Son é descrito oficialmente como uma história de guerra espiritual numa aldeia remota do Egipto romano, onde José, Maria e o jovem Jesus vivem sob ameaça constante de forças sobrenaturais. É uma premissa que parece saída de um manuscrito apócrifo filtrado por um autor de ficção grotesca. Ainda assim, na prática, funciona como o que Hollywood sempre soube fazer bem: uma fábula sombria sobre fé, identidade e tentação, com uma reinterpretação radical da infância do Cristo bíblico.
O filme acompanha a família enquanto uma paragem num pequeno povoado desencadeia o que se revela ser um confronto directo com o Mal. A responsável por mover as peças é uma jovem misteriosa, interpretada por Isla Johnston, que tenta seduzir Jesus para um mundo proibido — um mundo que José reconhece instintivamente como perigoso. O receio transforma-se em terror quando fenómenos violentos e inexplicáveis começam a seguir o rapaz, até que a verdade é revelada: a “nova amiga” de Jesus tem um nome que dispensa apresentações. Satanás — ou melhor, “Suhtan”, como se tornou viral graças ao trailer — surge aqui numa forma infantil e profundamente inquietante.
No centro desta narrativa está um Nicolas Cage que continua a refinar a sua carreira como sumo sacerdote do cinema arriscado. Depois de títulos como Mandy, Pig, Dream Scenario e o recente Longlegs, Cage demonstra novamente que não tem medo de mergulhar em personagens que desafiam convenções e que, muitas vezes, vivem entre o ridículo e o sublime. Desta vez, interpreta um José consumido pelo pânico e pela impotência, tentando proteger um filho cujo destino parece inevitavelmente maior do que a sua própria compreensão.
Curiosamente, apesar da premissa ousada e do nome de Cage no topo do cartaz, The Carpenter’s Son passou despercebido quando estreou. O filme não recebeu a atenção que títulos mais comerciais do actor têm conquistado nos últimos anos. Agora, disponível em plataformas como Apple TV, Prime Video e Fandango, tem finalmente a oportunidade de encontrar o público que lhe faltou no circuito tradicional — e talvez de se tornar o fenómeno “meme-bíblico-sensação” para o qual nasceu.
Em paralelo, o filme toca também numa sensibilidade muito peculiar da época: a reinvenção irreverente de narrativas sagradas. Nathan não persegue blasfémia gratuita, mas um thriller espiritual deliberadamente desconfortável, onde a proximidade de Jesus à humanidade é confrontada com a inevitabilidade da sua mitologia. Noah Jupe interpreta um Messias adolescente cheio de dúvidas, presságios e medo — um contraste poderoso com o imaginário canónico que conhecemos.
No meio disto tudo, há ainda FKA twigs como Maria, oferecendo uma performance austera e magnética, e uma atmosfera que oscila entre o terror psicológico, o misticismo ancestral e um humor involuntário que emerge sobretudo graças à própria existência de um filme onde Jesus é assombrado por uma versão infantil do Diabo.
Com a chegada do filme ao streaming, o culto pode finalmente consolidar-se. E sim, é quase garantido que a pronúncia “Suhtan” vá ecoar internet fora como o novo grito de guerra dos fãs de Cage — a meio caminho entre a religião e o absurdo absoluto.
Se The Carpenter’s Son será a escolha perfeita para acompanhar o espírito natalício? Isso fica para cada espectador decidir. Mas, para quem aprecia a vertente mais destemida, ousada e deliciosamente estranha de Nicolas Cage, este pode muito bem ser o filme de Natal mais subversivo do ano.
Vinte e cinco anos depois de Gladiator ter arrebatado o Óscar de Melhor Filme e transformado Russell Crowe num ícone moderno da épica romana, o actor decidiu finalmente falar — e não poupou nas palavras. Embora sempre tenha demonstrado apoio cordial a Gladiator II, o actor australiano não participou na sequela por razões óbvias: Maximus morreu em 2000, e Crowe nunca escondeu que preferia deixá-lo descansar em paz. Mas, numa entrevista recente à Triple J, o actor deixou claro que, apesar do sucesso de streaming que o filme encontrou posteriormente, algo fundamental se tinha perdido pelo caminho.
Crowe foi directo ao ponto: segundo ele, Gladiator II não compreendeu aquilo que fez do primeiro filme uma obra especial. E o problema, garante, não está na escala, nos cenários, nem sequer nas batalhas. Está no que Ridley Scott decidiu alterar — ou ignorar.
“O que tornou o primeiro filme especial não foi o espectáculo. Não foram as cerimónias. Não foi a acção”, disse Crowe. “Foi o núcleo moral.” Uma frase que soa quase como um diagnóstico clínico ao que faltou na sequela de 2024, que contou com Paul Mescal, Pedro Pascal e Denzel Washington.
Na mesma entrevista, Crowe criticou especialmente a ideia introduzida por Scott de que Maximus teria um filho ilegítimo, Lucius. Para o actor, essa decisão contraria a essência emocional e ética do gladiador. “Havia uma luta diária no plateau para manter essa integridade moral do personagem”, contou. “A quantidade de vezes que sugeriram cenas de sexo para Maximus… era absurdo. Se ele tinha este amor absoluto pela mulher, como é que ao mesmo tempo estaria com outra pessoa? Isso retirava-lhe poder.”
Crowe contou ainda que, durante as filmagens do original, lutava diariamente para preservar essa pureza emocional do personagem — algo que lhe valeu não só o Óscar, mas também o estatuto de uma das figuras mais icónicas do cinema moderno.
A polémica surge numa altura em que Gladiator II enfrenta uma reputação ambígua: apesar de ter arrecadado 462 milhões de dólares no box office mundial, o orçamento gigantesco — cerca de 210 milhões — fez com que o filme não alcançasse o lucro esperado. Não foi um desastre comercial, mas ficou longe do triunfo unânime que Scott esperava e que o estúdio precisava. Ainda assim, a sequela encontrou um novo fôlego no streaming, onde se tornou um dos títulos mais vistos do pós-lançamento, confirmando que o interesse pelo universo continua vivo.
Mas Crowe não é o único a levantar dúvidas sobre o futuro da saga. Ridley Scott já afirmou que tem ideias para um eventual Gladiator III, mas a questão permanece: poderá a franquia avançar se continuar a afastar-se do elemento humano que definiu a história original? E, ainda mais relevante, estará Scott disposto a ouvir críticas — sobretudo de alguém tão intrinsecamente associado à grandeza do primeiro filme?
A resposta é incerta. Scott nunca foi conhecido por ceder a pressões externas, muito menos por ajustar a sua visão criativa para tranquilizar vozes críticas. No entanto, a recepção mista de Gladiator II e a contundência das palavras de Crowe poderão tornar-se factores decisivos para qualquer nova incursão no império romano.
Uma coisa parece certa: para Russell Crowe, Maximus continua a ser mais do que um gladiador — é um símbolo de honra, amor e sacrifício. E mexer no coração desse legado, mesmo numa sequela onde o actor já não está presente, é algo que ele não está disposto a deixar passar em silêncio.
Depois de mais de uma década sem novidades no grande ecrã, o universo de Sherlock Holmes regressa — mas não como muitos esperavam. Guy Ritchie, responsável pelos dois filmes protagonizados por Robert Downey Jr. e Jude Law, volta agora ao mundo de Conan Doyle com Young Sherlock, uma série que funciona como prequela espiritual do franchise cinematográfico, apesar de não estar formalmente ligada a ele.
A Prime Video divulgou as primeiras imagens oficiais e, à primeira vista, há um detalhe impossível de ignorar: Hero Fiennes Tiffin parece nascer para este papel. Com apenas 19 anos na narrativa — e um visual marcado pela intensidade e inquietação — o jovem Sherlock surge num cenário académico e turbulento da Oxford da década de 1870, prestes a confrontar-se com o que será o primeiro grande teste ao seu génio dedutivo.
A série acompanha um Sherlock ainda bruto, impulsivo e socialmente deslocado, distante do ícone elegante e metódico que se tornará mais tarde em Baker Street. Aqui, ele é um jovem desacreditado, quase à deriva, quando um caso de homicídio ameaça não só a sua reputação mas também a sua liberdade. A investigação leva-o a cruzar-se, ironicamente cedo demais, com aquele que se tornará o seu némesis: James Moriarty, interpretado por Dónal Finn.
O elenco inclui ainda Natascha McElhone como Cordelia Holmes, Max Irons como Mycroft, e Colin Firth num papel de autoridade académica, Sir Bucephalus Hodge. Zine Tseng surge como a misteriosa Princesa Gulun Shou’an, figura que promete expandir o enredo além dos limites britânicos. A série não se contenta com os espaços fechados da academia: prepara-se para levar Sherlock numa conspiração de escala global, marcada por intriga, política e aventura.
Apesar de não existir qualquer ligação oficial entre esta nova produção e os filmes de Ritchie protagonizados por Downey Jr., a Prime Video garante que Young Sherlock preserva o mesmo espírito estético — a mistura de irreverência, ritmo acelerado e humor seco que marcou o universo cinematográfico. A ausência de conexão formal deve-se, ao que tudo indica, a questões de direitos, mas também oferece liberdade criativa à equipa para reinventar o detective numa fase da vida ainda pouco explorada.
Guy Ritchie descreveu a série como uma oportunidade para “abrir” a personalidade enigmática de Holmes e mostrar o que o transformou no génio que a cultura popular adoptou. A promessa é simples mas ambiciosa: revelar o que existe antes da lenda, antes da lupa, antes do chapéu-deerhunter. O Sherlock que aqui encontramos está longe do método clínico que definirá o seu futuro — é emocional, imprudente, por vezes até caótico. Mas as sementes da genialidade estão lá, prontas a rebentar.
Adaptada dos livros Young Sherlock Holmes de Andrew Lane, a série conta com Ritchie como realizador e produtor executivo, e com Matthew Parkhill como showrunner. O lançamento está previsto para 2026, embora ainda sem data concreta.
Tudo indica que Young Sherlock será uma peça central da oferta da Prime Video no próximo ano, sobretudo para os fãs que há muito esperam um renascimento do detective, mas que acabam agora por receber algo ainda mais raro: a oportunidade de ver o mito a construir-se — uma dedução de cada vez.
O espírito natalício ganhou uma nova… interpretação. Silent Night, Deadly Night, a reimaginação sangrenta do clássico de terror de 1984, tornou-se viral nas redes sociais graças a uma sequência que dificilmente deixará alguém indiferente: um Pai Natal assassino a eliminar, à machadada, uma sala cheia de nazis. Sim, leu bem. E sim, o público está a devorar cada segundo desta loucura festiva.
Tudo começou com um pequeno excerto partilhado por Discussing Film, que rapidamente acumulou milhões de visualizações. No vídeo, vemos Rohan Campbell — que muitos reconhecerão de Halloween Ends — vestido de Pai Natal e prestes a “punir os malcomportados”: neste caso, um grupo de extremistas a celebrar um grotesco “Natal da Supremacia Branca”. Bastaram poucos segundos para que a cena se tornasse sensação global.
Com a viralidade a disparar para mais de oito milhões de visualizações, a equipa do filme decidiu não desperdiçar o momento e divulgou a sequência completa, com mais de sete minutos de violência estilizada. Nela, Campbell encarna Billy, um anti-herói sanguinário que, como faz questão de explicar, recusa usar armas de fogo — “as armas são para maricas”, diz ele — e opta antes por um machado para eliminar vinte nazis num desfile de golpes, cortes e respingos digno de uma epopeia slasher natalícia.
A ousadia da cena não é gratuita: encaixa-se na nova abordagem do realizador Mike P. Nelson, responsável também por Wrong Turn (2021), que decidiu reinterpretar o clássico de 1984 com mais brutalidade, mais ironia negra e um Pai Natal vingador com motivos profundamente traumáticos. Nesta nova versão, Billy testemunhou o assassinato dos pais na véspera de Natal e cresceu com uma necessidade compulsiva de ajustar contas com aquilo que considera “os malcomportados”. A cada ano, a sua “missão” transforma-se num ritual de violência festiva — mas, desta vez, o destino cruza-o com Pamela, interpretada por Ruby Modine (Happy Death Day), que o força a enfrentar a própria escuridão.
Não é exagero dizer que este novo Silent Night, Deadly Night está a ser vendido como um delírio sanguinário com plena consciência da sua própria loucura. E a cena divulgada confirma o espírito do projecto: estética slasher dos anos 80, energia irreverente, violência que ultrapassa os limites do absurdo e uma comicidade macabra que transforma o grotesco em espectáculo.
O filme estreia a 12 de dezembro de 2025 nos Estados Unidos e UK, precisamente no pico da época natalícia, como manda a tradição dos títulos mais ousados do terror. E, pelo que se vê, a campanha ganhou vida própria antes mesmo de o Pai Natal assassino chegar às salas de cinema. É difícil imaginar um marketing mais eficaz do que um vídeo de sete minutos em que um assassino vestido de vermelho desmantela um grupo de neonazis ao som do espírito de Natal.
Tom Cruise esperou décadas para subir ao palco e receber um Óscar — e, quando finalmente o fez, não foi por um papel específico, mas por um prémio que celebra uma carreira inteira dedicada ao cinema. O actor de 62 anos recebeu o Óscar Honorário, atribuído pela Academia a figuras cuja contribuição para a arte cinematográfica é considerada excepcional. Um momento histórico, sobretudo porque Cruise, apesar do seu estatuto de superestrela global, nunca tinha sido distinguido pela Academia.
Mas o que verdadeiramente marcou a noite não foi o prémio, mas sim o discurso que se seguiu: dez minutos intensos, emocionados e, acima de tudo, repetidos vezes sem conta por espectadores que viram o vídeo no YouTube mais de 1,7 milhões de vezes. O motivo? Cruise repetiu a mesma expressão — “thank you” — mais de vinte vezes. E fê-lo com tal sinceridade que especialistas em liderança e psicologia já o destacam como um exemplo raro de inteligência emocional aplicada ao poder.
Cruise abriu o discurso a agradecer ao realizador Alejandro Iñárritu, com quem está actualmente a trabalhar num novo filme ainda sem título. Depois, desviou o foco para os outros homenageados da noite: Debbie Allen, Wynn Thomas e Dolly Parton. O actor usou a maior parte do seu tempo a celebrar o trabalho de colegas, criadores e equipas que, segundo ele, formam o coração do cinema. Foi isso que impressionou tantos espectadores: um dos homens mais poderosos de Hollywood preferiu partilhar o holofote.
O que se tornou evidente à medida que Cruise continuava foi a forma como tratava a gratidão — não como formalidade, mas como acto. A cadência da palavra “obrigado”, repetida com o mesmo peso emocional desde o início até ao último minuto, transformou o discurso numa espécie de homenagem colectiva ao cinema e aos que o constroem. Cruise agradeceu aos artistas, argumentistas, realizadores, equipas técnicas, duplos, montadores, directores de fotografia, designers, exibidores e até aos proprietários de salas, sublinhando que sem eles, e sem o público, “nada disto teria significado”.
Num dos momentos mais inesperados, Cruise pede à audiência que se levante — não para o aplaudir, mas para que fossem reconhecidos todos aqueles com quem já tinha trabalhado ao longo da carreira. Metade da sala ergueu-se. Cruise, de mãos juntas, repetiu o seu mantra: “Thank you. Thank you. Thank you.” Para muitos, foi um gesto simples; para outros, um lembrete poderoso de que liderança também é saber reconhecer quem nos acompanha.
A psicologia organizacional tem vindo a reforçar esta ideia: expressar gratidão de forma autêntica contribui para criar ambientes mais saudáveis, aumenta a confiança e fortalece as relações hierárquicas. Estudos recentes demonstram que quando um líder agradece com genuinidade, a atitude espalha-se — primeiro pela equipa, depois pela cultura alargada da organização. Talvez por isso o discurso de Cruise tenha ecoado tanto dentro e fora de Hollywood.
Os comentários ao vídeo vão na mesma linha. Houve quem descrevesse o discurso como “um acto de classe”, sublinhando que Cruise dedicou metade do tempo a elogiar outros vencedores e o restante a valorizar quem constrói a indústria. Outro espectador escreveu: “Ele usou o discurso para elevar todos à sua volta — é a marca de um verdadeiro cavalheiro.” E houve ainda quem brincasse que o actor merecia um segundo Óscar, só pela forma como falou.
A apresentação do prémio ficou a cargo de Iñárritu, que fez o melhor resumo possível do fenómeno Cruise: “Todos os que já trabalharam com ele contam a mesma história. Ele agradece-te todas as manhãs. Exige excelência e dá-te coragem para a igualares. E sabe o teu nome.” Não é preciso muito mais para compreender a chave do seu impacto.
No fim, a lição que fica do primeiro Óscar de Tom Cruise é estranhamente simples: dizer “obrigado” não diminui ninguém — pelo contrário, engrandece. Uma carreira com dezenas de filmes de acção, recordes de bilheteira e façanhas físicas aparentemente impossíveis acabou por destacar algo ainda mais raro: a humildade de um actor que retribui ao cinema tudo o que o cinema lhe deu. E que, depois de tantos anos, sabe que as duas palavras mais importantes da sua carreira continuam a ser as mesmas. Obrigado.
A temporada de prémios arranca com força e com várias surpresas no cinema e televisão
Os nomeados para os Golden Globes 2026 foram anunciados esta sexta-feira, antecipando uma cerimónia que promete ser uma das mais concorridas dos últimos anos. A grande força desta edição é o filme de acção “One Battle After Another”, protagonizado por Leonardo DiCaprio, que lidera na secção de cinema e se posiciona como um dos títulos mais fortes da temporada.
No universo televisivo, o destaque volta a ir para “The White Lotus”, presença habitual entre os favoritos e novamente a produção mais reconhecida nos Globos, confirmando o domínio continuado da série antológica da HBO.
As categorias deste ano revelam uma competição diversificada, onde filmes de autor, super-produções internacionais, musicais, animação e projectos independentes disputam espaço em pé de igualdade. Nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet, Cynthia Erivo, Jessie Buckley, Jennifer Lawrence, Michael B. Jordan, Oscar Isaac e Ariana Grande surgem entre os candidatos mais mediáticos.
Em televisão, a luta promete ser apertada entre títulos aclamados como “Severance”, “Slow Horses”, “The Diplomat”, “The Bear” e “Only Murders in the Building”, além do regresso triunfante de “The White Lotus” com um elenco renovado.
A cerimónia decorre em Janeiro e marca o arranque oficial da temporada de prémios, funcionando como barómetro antecipado para os Óscares — especialmente nas categorias dramáticas e de comédia/musical, onde a diversidade de nomeados é maior do que nunca.
Seguem-se agora todos os nomeados, categoria a categoria.
Um duelo corporativo que pode redefinir o futuro do cinema
Se a proposta da Netflix para comprar a Warner Bros Discovery já tinha causado ondas sísmicas na indústria, a resposta da Paramount transformou o cenário num autêntico terramoto. Estamo-nos a aproximar rapidamente daquela que poderá ser a maior batalha corporativa da história de Hollywood — e as consequências podem alterar profundamente todo o ecossistema audiovisual.
Esta segunda-feira, a Paramount lançou uma oferta hostil de 108,4 mil milhões de dólares pela totalidade da Warner Bros Discovery (WBD), ultrapassando de forma agressiva o acordo de 72 mil milhões firmado dias antes entre a Netflix e a empresa liderada por David Zaslav.
A decisão marca uma escalada dramática: em vez de negociar apenas com o conselho de administração, a Paramount decidiu ir directamente aos accionistas da WBD, pedindo-lhes que rejeitem o acordo com a Netflix e abracem uma proposta “superior, mais rápida e mais segura”.
O que a Paramount está a oferecer — e porque diz ser melhor
A oferta rival faz-se valer de um argumento simples: mais dinheiro, menos incerteza.
Enquanto a Netflix propõe uma combinação de dinheiro e acções, a Paramount oferece 30 dólares em numerário por cada acção da WBD, um valor significativamente superior aos cerca de 27,75 dólares totais (entre dinheiro e acções) da proposta do serviço de streaming.
Segundo a Paramount, a sua oferta representa:
18 mil milhões de dólares a mais em liquidez imediata para os accionistas,
uma conclusão mais rápida,
menor risco regulatório (apesar de também existir risco),
e a aquisição da empresa inteira, incluindo o segmento Global Networks — algo que o acordo da Netflix não inclui.
David Ellison, CEO da Paramount, foi taxativo:
“Os accionistas da WBD merecem a oportunidade de considerar a nossa oferta em dinheiro pela totalidade da empresa. Acreditamos que o conselho está a perseguir uma proposta inferior.”
Ellison sublinha ainda que o conselho da WBD nunca respondeu de forma “significativa” às seis propostas enviadas pela Paramount nas últimas 12 semanas. Assim, a ofensiva tornou-se inevitável.
O que muda em relação ao plano da Netflix?
A proposta original da Netflix previa a separação da empresa em duas partes:
Warner Bros Discovery (estúdios + streaming, incluindo HBO Max), que seria comprada pela Netflix;
Discovery Global, que reuniria canais lineares como CNN, Cartoon Network e TNT, e não integraria a fusão.
A Paramount rejeita esta divisão e propõe adquirir tudo, sem deixar pedaços órfãos ou empresas-filhas autónomas.
Para muitos investidores, isso pode ser atractivo — mas também traz outro tipo de preocupações, desde a escala assustadora do novo conglomerado até potenciais despedimentos massivos.
Trump volta a entrar em cena — e pode mudar tudo
A indústria ainda estava a digerir o impacto da oferta da Netflix quando Donald Trump declarou no domingo que o acordo “pode ser um problema” devido à enorme quota de mercado que resultaria da fusão.
“Vou estar envolvido nessa decisão”, afirmou o presidente, levantando o espectro de intervenção governamental.
A intervenção não é neutra: a família Ellison, que controla a Paramount, tem ligações conhecidas ao presidente.
Larry Ellison, fundador da Oracle e pai de David Ellison, é aliado próximo de Trump.
Jared Kushner, genro de Trump, está envolvido no consórcio favorável à oferta da Paramount.
Analistas como Danni Hewson (AJ Bell) consideram “natural” que Trump olhe com mais simpatia para a proposta rival.
Assim, tanto a fusão com a Netflix como a aquisição pela Paramount enfrentam obstáculos regulatórios — mas o clima político pode dar vantagem ao lado da Paramount.
Um confronto que pode rasgar Hollywood ao meio
A escala desta disputa não tem precedentes:
A Netflix, já líder global em streaming, quer absorver um dos maiores estúdios do planeta.
A Paramount quer impedir isso e, simultaneamente, transformar-se num super-conglomerado audiovisual.
Ambos os cenários motivam receios profundos:
Menos concorrência e aumento da concentração de poder,
Ameaças à diversidade criativa,
Possíveis despedimentos massivos,
Impacto directo nas salas de cinema, dependentes de conteúdo de estúdios como Warner e Paramount,
Choque regulatório inevitável nos EUA e na Europa.
Hollywood está dividida: alguns vêem a união Netflix-Warner como um empurrão inevitável para o futuro; outros temem que ambos os cenários — Netflix ou Paramount — criem monstros demasiado grandes para serem controlados.
David Zaslav, CEO da WBD, defendeu publicamente o acordo com a Netflix:
“A junção destas duas empresas garantirá que as melhores histórias do mundo continuem a chegar às pessoas durante gerações.”
A Paramount, porém, afirma que Zaslav está a trair os accionistas ao apoiar uma proposta “inferior”.
E agora?
A batalha está oficialmente aberta — e promete ser longa.
Ambas as propostas enfrentarão meses de escrutínio intensivo e pressão política. Os accionistas da WBD terão de decidir entre:
Mais dinheiro imediato (Paramount)
Uma fusão estratégica com potencial de alcance global (Netflix)
Enquanto isso, Hollywood mantém-se suspensa, consciente de que qualquer desfecho poderá redefinir para sempre o mapa do entretenimento.
Seja qual for o vencedor, uma coisa já é certa: nunca houve um combate corporativo tão grande, tão público e tão carregado de consequências para a sétima arte.
O negócio que está a incendiar Hollywood e a dividir Washington
A Netflix voltou a abalar a indústria audiovisual com um anúncio que ninguém esperava ver tão cedo: a gigante do streaming pretende adquirir a Warner Bros Discovery, incluindo os estúdios de cinema e televisão e o serviço HBO Max, num negócio avaliado em 72 mil milhões de dólares. Se concretizada, esta operação será a maior fusão de sempre no sector do entretenimento — e os alarmes já soam em Hollywood, em Wall Street e, agora, também na Casa Branca.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou esta semana que estará “envolvido” na decisão regulatória sobre a aquisição, deixando no ar a possibilidade de travar o acordo. Falando aos jornalistas, Trump admitiu que “pode ser um problema”, reconhecendo preocupações sobre o domínio de mercado da Netflix. Crucialmente, o presidente não revelou a sua posição concreta — apenas reforçou que a decisão será “complexa” e que os economistas terão um papel determinante na análise.
O que está em causa: um único gigante com demasiado poder?
A notícia caiu como uma bomba na sexta-feira: a Netflix, já líder mundial de streaming, pretende absorver um dos seus maiores concorrentes e, simultaneamente, passar a controlar algumas das marcas mais icónicas da história do audiovisual — da Warner Bros Pictures à HBO, passando por séries, filmes e canais de televisão de várias décadas.
O acordo só deverá ficar concluído no final do próximo ano, depois de a componente de legacy media (canais de notícias, desporto e animação) ser autonomizada. Mas a crítica chegou antes que a tinta secasse no contrato.
Hollywood está em alvoroço.
A Writers Guild of America foi das primeiras entidades a reagir e não poupou nas palavras:
“A maior empresa de streaming do mundo a engolir um dos seus maiores concorrentes é exactamente o que as leis antitrust foram feitas para impedir.”
O sindicato alerta para riscos sérios: perda de empregos, salários mais baixos, piores condições de trabalho, aumento de preços para os consumidores e menor diversidade de conteúdos.
Do lado político, a oposição é bipartidária. O senador republicano Roger Marshall classificou o negócio como “um problema antitrust de manual”, alertando para os riscos de concentração total — vertical e horizontal — numa única empresa.
Segundo Marshall:
“Preços, escolha e liberdade criativa estão em risco.”
Paramount Skydance e Comcast foram derrotadas — mas Trump entra no debate
A Reuters avançou que Paramount Skydance, liderada por David Ellison, e a Comcast, dona da Sky News, também apresentaram propostas. As ofertas não foram seleccionadas, alegadamente devido a preocupações de financiamento (no caso da Paramount) e falta de vantagens de curto prazo (no caso da Comcast).
É aqui que o cenário político ganha outra cor.
David Ellison é filho de Larry Ellison
, bilionário tecnológico e aliado próximo de Trump.
Mesmo assim, o presidente evitou qualquer favoritismo e insinuou que terá uma palavra a dizer na decisão regulatória.
“Estarei envolvido nessa decisão”, afirmou Trump.
“É uma fatia grande de mercado. Não há dúvida de que pode ser um problema.”
Para Hollywood, uma intervenção presidencial directa é tão invulgar quanto alarmante. Para as empresas, adiciona incerteza ao processo. Para o público, abre a porta a uma disputa que pode moldar o cinema e o streaming na próxima década.
O que significa esta fusão para o futuro do cinema?
Se a Netflix controlar a Warner Bros, a indústria poderá enfrentar mudanças profundas:
Perigo de homogeneização criativa
Menos competição entre plataformas
Preços potencialmente mais altos
Maior controlo do pipeline: do produtor ao consumidor
Riscos para salas de cinema que dependem de conteúdos da Warner
Enfraquecimento de vozes independentes no sector
Não é apenas uma questão financeira — é uma questão cultural. A Warner Bros não é apenas um estúdio; é uma instituição centenária com marcas como Harry Potter, DC Comics, Looney Tunes, The Matrix e milhares de clássicos do cinema.
A Netflix, por sua vez, tem um historial de priorizar o streaming sobre a exibição em sala, tendência que muitos temem ver reforçada.
E agora?
O negócio ainda terá de passar por escrutínio rigoroso das autoridades de concorrência dos EUA e da União Europeia. O facto de o presidente ter já sinalizado reservas — mesmo que vagas — coloca a fusão sob maior pressão política e mediática.
Se aprovada, será uma das maiores reconfigurações da história do entretenimento.
Se bloqueada, marcará um precedente claro sobre os limites do poder das gigantes tecnológicas.
Para já, uma coisa é certa: Hollywood está a observar cada movimento, ansiosa para perceber se caminha para uma nova era de mega-conglomerados… ou se o sistema ainda consegue travar o avanço de um colosso antes que engula os restantes.
Chris Pratt trocou, por uns dias, as galáxias distantes e os blockbusters de acção pelas galerias silenciosas sob a Basílica de São Pedro, no Vaticano. O actor norte-americano está a filmar um documentário sobre a descoberta da Necrópole Vaticana e do túmulo do Apóstolo Pedro, num projecto que junta o Vatican Media, a Fabbrica di San Pietro e a produtora AF Films. A estreia está prevista para 2026, ano em que se assinala o 400.º aniversário da inauguração e dedicação da actual basílica.
Segundo o Vatican News, as filmagens decorrem na própria Basílica de São Pedro e na Necrópole Vaticana, num acesso raríssimo que transforma Pratt no guia de um itinerário que mistura fé, história e arqueologia. O actor confessou sentir-se “extraordinariamente honrado” por colaborar com o Vaticano neste projecto e por ter a oportunidade de ajudar a levar a história de São Pedro ao grande público.
A direcção do documentário fica a cargo da realizadora espanhola Paula Ortiz, enquanto o argumento é assinado por Andrea Tornielli, com a colaboração de Pietro Zander. O filme deverá ser lançado em 2026, alinhado com a data simbólica de 18 de Novembro de 1626, quando a actual Basílica de São Pedro foi oficialmente inaugurada e consagrada.
Da Galileia ao Vaticano: a rota de Pedro
A história da basílica e a do próprio cristianismo estão intimamente ligadas à figura de Pedro, o pescador da Galileia a quem, segundo a tradição cristã, Jesus confiou a liderança da Igreja. Pedro terá sido martirizado em Roma, na colina vaticana, por volta do ano 64 d.C., e desde os primeiros séculos que o seu local de sepultamento se tornou destino de peregrinação, devoção e culto — ao ponto de muitos cristãos desejarem ser sepultados o mais perto possível do Apóstolo.
O documentário pretende precisamente revisitar, passo a passo, esse percurso, conduzindo o espectador numa viagem no tempo através de imagens exclusivas e de acesso restrito. O ponto central será a identificação do local do túmulo de Pedro na Necrópole Vaticana, uma questão que ocupou arqueólogos, historiadores e papas durante décadas.
Da escavação às relíquias: um enigma de séculos
Foi o Papa Pio XII que, em 1939, ordenou as escavações sob a Basílica de São Pedro, num impulso que mudou para sempre o conhecimento sobre o subsolo do Vaticano. Em 1950, Pio XII anunciava oficialmente a identificação do local de sepultamento do Apóstolo na Necrópole Vaticana, com base nas evidências então encontradas.
As investigações prosseguiram durante as décadas seguintes e, em 1968, o Papa Paulo VI deu um novo passo, revelando ao mundo que os ossos associados a Pedro tinham sido identificados de forma que considerava “convincente”. O pontífice declarou ter “razões para crer” que os poucos, mas sacrossantos, restos mortais do Príncipe dos Apóstolos tinham sido finalmente localizados.
É este caminho — entre fé e ciência, tradição e arqueologia — que o documentário agora em rodagem pretende tornar acessível ao grande público, com Chris Pratt como rosto e narrador desta descoberta contínua.
Chris Pratt como guia de um património invisível
Para além da curiosidade óbvia de ver uma grande estrela de Hollywood a guiar um documentário profundamente enraizado na tradição cristã, há aqui também um gesto claro de aproximação entre linguagens: a do cinema popular e a da comunicação religiosa e histórica.
Pratt, que já manifestou publicamente a sua fé em várias ocasiões, surge aqui numa faceta menos habitual, longe da comédia e da acção, para conduzir o espectador por corredores estreitos, câmaras funerárias e zonas do Vaticano que a maioria dos crentes — e cinéfilos — nunca verá ao vivo.
Visualmente, o projecto promete explorar não só a monumentalidade da Basílica de São Pedro, mas também o lado invisível da cidade-estado: a necrópole que foi preservada, redesenhada e protegida ao longo de séculos para guardar o lugar onde, segundo a tradição, repousa São Pedro.
Um lançamento pensado ao milímetro
O calendário não foi escolhido ao acaso. Lançar o documentário em 2026, exactamente no 400.º aniversário da dedicação da actual basílica, permite ao Vaticano e às entidades envolvidas reforçar a ligação entre o edifício que hoje vemos e a memória do Apóstolo que o funda simbolicamente.
Para o público, o filme deverá funcionar tanto como experiência espiritual e histórica como produto cinematográfico acessível, ajudado pelo carisma de Chris Pratt e pela curiosidade natural em torno de tudo o que se passa por detrás dos muros do Vaticano.
Seja visto como acto de fé, exercício de divulgação histórica ou estratégia inteligente de comunicação, uma coisa é certa: em 2026, muitos espectadores vão descer, sem sair do sofá, às profundezas da colina vaticana, à procura do lugar onde começou uma das histórias mais influentes da civilização ocidental
Tommy Shelby troca o exílio pelo caos da guerra – e os fãs portugueses já têm data marcada para o reencontro com o líder dos Peaky Blinders.
Quando a sexta temporada de “Peaky Blinders” chegou ao fim, em 2022, ficou a sensação de despedida… mas nunca de encerramento definitivo. Steven Knight sempre prometeu que a história da família Shelby terminaria no grande ecrã, e agora essa promessa ganha forma com “Peaky Blinders: The Immortal Man”, filme que já tem data de estreia em Portugal: 20 de Março, na Netflix.
A notícia foi confirmada esta sexta-feira, 5 de Dezembro, e bastou a sinopse oficial para incendiar novamente o entusiasmo dos fãs. Estamos em Birmingham, 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. Tommy Shelby regressa de um exílio auto-imposto para enfrentar “o seu acerto de contas mais destrutivo de sempre”. Com o futuro da família e do país em jogo, o patriarca dos Peaky Blinders terá de enfrentar os seus próprios demónios e decidir se enfrenta o seu legado… ou se o deixa arder até às cinzas. Por ordem dos Peaky Blinders, claro.
Cillian Murphy volta a vestir o boné 🪖
Depois de conquistar o Óscar com “Oppenheimer”, Cillian Murphy regressa à personagem que o transformou num ícone da cultura pop televisiva: Thomas “Tommy” Shelby. O actor volta a liderar um elenco de luxo onde encontramos Rebecca Ferguson, Barry Keoghan, Tim Roth e Stephen Graham, nomes que prometem trazer novas camadas de tensão, intriga e perigo à já de si explosiva mitologia de “Peaky Blinders”.
Mas o filme não esquece as raízes. Vários rostos familiares da série regressam, incluindo Sophie Rundle, Ned Dennehy e Packy Lee, garantindo que o universo dos Shelby mantém a sua continuidade emocional. A realização fica a cargo de Tom Harper, que já tinha trabalhado na série e conhece de perto o equilíbrio muito particular entre violência, estilo e tragédia que definiu o fenómeno.
“Peaky Blinders” estreou em 2013 na BBC, quase como um “gangster drama” de nicho, mas depressa se transformou numa das séries mais influentes da última década. O salto para a Netflix deu-lhe exposição global e transformou a família Shelby num caso raro: um gangue brutal de Birmingham que se tornou objecto de culto de milhões de espectadores.
Inspirada numa gangue real que actuava na cidade no início do século XX, a série acompanha a ascensão dos Shelby a partir do submundo de apostas ilegais, contrabando e violência, até ao confronto com políticos, aristocratas e forças internacionais. Tudo isto embrulhado numa estética marcante – fatos impecáveis, navalhas cosidas nos bonés, cigarro eterno nos lábios de Tommy – e numa banda sonora moderna que aproximou o universo da série de uma espécie de rock operático criminal.
Ao longo das seis temporadas, “Peaky Blinders” destacou-se pela narrativa intensa, pelos confrontos de poder, pelas lealdades quebradas e pela forma como retratou um protagonista em permanente guerra consigo próprio. Muito antes de “The Immortal Man”, Tommy Shelby já parecia alguém a desafiar a morte – física, moral e espiritual.
Do fim da série ao salto para o cinema
O final da sexta temporada, em 2022, foi apresentado como o encerramento da série televisiva, mas também como um ponto de viragem. Steven Knight deixou claro que a saga não acabaria ali e que o capítulo final seria contado em formato de longa-metragem. “The Immortal Man” é, portanto, menos um “spin-off” e mais o passo seguinte natural, pensado desde cedo como o clímax da história.
As filmagens terminaram em Dezembro de 2024, aumentando a impaciência dos fãs, que passaram meses a especular sobre o enredo, o destino de Tommy e o papel da Segunda Guerra Mundial neste universo. A sinopse agora revelada confirma que o conflito global será mais do que cenário: é a pressão máxima sobre um homem que sempre viveu em guerra, mas que desta vez pode ter mais a perder do que nunca.
O que esperar de “The Immortal Man”?
Sem grandes revelações de enredo, o material oficial sugere um Tommy empurrado para o limite, obrigado a regressar de um exílio onde, claramente, não encontrou paz. A ideia de “acerto de contas mais destrutivo de sempre” aponta para um confronto final em várias frentes: familiar, política, íntima.
A referência ao “legado” que pode ser destruído ou deixado arder até às cinzas também abre caminho a um filme que não se limita a prolongar a série, mas que pode questionar o próprio mito dos Peaky Blinders. Depois de anos a construir um império através da violência, o que é que realmente sobra para Tommy? Família? Culpa? Um lugar na História? Ou apenas cinza e fumo de cigarro?
Para já, o que os fãs portugueses sabem é o essencial: “Peaky Blinders: The Immortal Man” chega à Netflix a 20 de Março, e a data já pode ser sublinhada a vermelho no calendário. Até lá, é tempo de tirar o pó ao boné, aquecer um whisky e preparar-se para regressar a Birmingham, onde a família Shelby ainda tem contas a ajustar com o mundo – e com o próprio passado.
Há muito que a Paramount deixara de ser o estúdio intocável dos tempos de ouro, mas a chegada de David Ellison, via fusão com a Skydance, está a transformar a casa da montanha em algo bem diferente – e bem mais ruidoso. Onde antes reinava um certo verniz “politicamente correcto” pós-#MeToo e pós-George Floyd, instala-se agora uma cultura em que sentimentos não contam, decisões são tomadas a frio e quem se queixa recebe, literalmente, um “get over it” como resposta.
Ellison, filho de Larry Ellison (o magnata da Oracle e aliado próximo de Donald Trump), está a aplicar uma lógica muito mais próxima de Silicon Valley do que da velha Hollywood. O objectivo declarado é claro: abandonar a imagem de estúdio frágil e voltar a competir na primeira divisão dos gigantes, mesmo que isso signifique atropelar algumas sensibilidades pelo caminho.
Ramsey Naito, Tartarugas Ninja e um “get over it”
Um dos casos mais simbólicos desta nova era é o de Ramsey Naito, até há pouco tempo directora da Paramount Animation. Antes da fusão, tudo indicava que Naito seria uma das protegidas da nova gestão, depois do sucesso de Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutant Mayhem, produzido com um orçamento contido e que rendeu milhões em bilheteira e mais de mil milhões em ‘merchandising’.
Mas, já com a nova equipa instalada, o ambiente mudou. Numa reunião com figuras-chave do estúdio, incluindo o co-presidente Josh Greenstein, Naito terá sido acusada de “desvalorizar” a marca Tartarugas Ninja e de deixar que vários projectos de animação explodissem em orçamento, como o novo filme dos Smurfs, que terá gerado um prejuízo na casa dos 80 milhões de dólares. Quando contestou o tom com que lhe falaram, recebeu de volta o espírito da casa: sentimentos à parte, “siga em frente”.
Pouco tempo depois, Naito foi dispensada numa vaga de despedimentos, sendo substituída por Jennifer Dodge, executiva da Spin Master, a empresa de brinquedos responsável por PAW Patrol. Para quem ainda tinha dúvidas de que a prioridade são marcas fortes e controlo de custos, ficou a mensagem.
Brett Ratner, Will Smith, Johnny Depp: o regresso dos “proscritos”
Outra faceta da era Ellison é a reabilitação de figuras “canceladas” ou altamente controversas. A lógica é fria: talento que o sistema rejeitou costuma ficar mais barato – e está desesperado por provar que ainda conta.
O exemplo mais chocante é talvez Rush Hour 4, realizado por Brett Ratner, afastado de Hollywood desde 2017 na sequência de acusações de assédio e má conduta sexual. O filme andava órfão de estúdio até que, após um pedido de Donald Trump a Larry Ellison, a Paramount aceitou distribuí-lo. O negócio é tentador: o estúdio não financia, apenas distribui e cobra uma bela comissão.
A lista não acaba aí. A Skydance, braço de Ellison, já tinha resgatado John Lasseter, antigo chefão da Pixar que saiu da Disney em plena vaga #MeToo. Sob a nova liderança, a Paramount fechou ainda um acordo de primeira escolha com Will Smith – ainda a tentar limpar a imagem depois da bofetada a Chris Rock nos Óscares – e abraçou um projecto com Johnny Depp no papel de Ebenezer Scrooge, o seu primeiro grande filme de estúdio depois de ter sido afastado de Fantastic Beasts em 2020.
No topo da pirâmide, a própria presidência da Paramount é ocupada por Jeff Shell, que abandonou a NBCUniversal após um caso de assédio ligado a uma longa relação extraconjugal com uma jornalista da CNBC. Shell fala abertamente do passado e declara ter aprendido com os erros, mas a mensagem sentida por muitos é outra: desde que geres negócios, o resto é negociável.
Blockbusters masculinos em fila… e pouco espaço para cinema de prestígio
Editorialmente, a nova Paramount aposta tudo em cinema “evento” e, de preferência, carregado de testosterona. Entre os projectos em desenvolvimento destacam-se:
– um filme de Call of Duty, escrito por Taylor Sheridan;
– um épico de motocrosse realizado por James Mangold, com Timothée Chalamet num dos maiores salários da carreira;
– um novo Paranormal Activity produzido por James Wan e pela Blumhouse;
– um western com Brandon Sklenar, vindo do universo de 1923.
Ao mesmo tempo, o estúdio está a arrumar a casa de forma agressiva: dramas românticos, adaptações mais “femininas” e títulos vistos como arriscados estão a ser cancelados, vendidos a plataformas ou simplesmente engavetados. Projectos como Eloise, baseado nos populares livros infantis, foram parar à Netflix; Winter Games, um drama romântico com Miles Teller, foi abandonado; e spin-offs com ADN mais leve, como um derivado de Ferris Bueller’s Day Off, ficaram pelo caminho.
O sinal mais claro de mudança? O pequeno departamento de prémios interno foi praticamente desmontado, e a aposta em filmes de “prestígio”, com ambição de Óscar, está no nível mínimo. O paradigma é simples: menos Oscar bait, mais produtos assumidamente comerciais.
DEI, guerra cultural e a sombra de Trump
Esta reorientação não se faz apenas na escolha de filmes, mas também na política interna. A Paramount foi um dos primeiros grandes estúdios a abandonar políticas formais de DEI (diversidade, equidade e inclusão) e, já com Ellison ao leme, destacou-se por tomar posições públicas contra o que vê como “anti-Israel” em Hollywood. É um posicionamento que agrada à ala mais conservadora e se alinha com a relação próxima entre Larry Ellison e Donald Trump.
Trump, por sua vez, não tem escondido o entusiasmo pela fusão Skydance-Paramount e pelo novo tom editorial, sobretudo na área de informação da CBS News. O antigo presidente vê em David Ellison um aliado potencial também na disputa por outro gigante: a Warner Bros. Discovery, onde a Skydance concorre com a Comcast e a Netflix pela compra do estúdio.
Para o espectador comum, tudo isto pode parecer distante, mas tem consequências muito concretas: define que histórias chegam às salas, quem as conta e com que lentes políticas e culturais são filmadas.
Tom Cruise, Top Gun 3 e o futuro da montanha
Nenhuma análise à nova Paramount fica completa sem falar de Tom Cruise, talvez o actor que mais simboliza a ligação do estúdio à ideia clássica de “movie star”. A relação entre Cruise e David Ellison teve momentos tensos, nomeadamente quando o actor pediu dezenas de milhões extra para os novos Mission: Impossible e ouviu que teria de encontrar parte do financiamento por conta própria.
Ainda assim, Cruise quer pôr de pé Top Gun 3 e procura casa para uma ambiciosa aventura de desastre em alto mar com um orçamento na casa dos 200 milhões. Depois de visitas recentes aos novos escritórios da Paramount, tudo indica que a paz foi, pelo menos, estrategicamente selada. Se Ellison conseguir também concretizar o sonho de comprar a Warner Bros., estará em posição de redesenhar, quase sozinho, o mapa dos grandes estúdios.
E para nós, espectadores?
Do ponto de vista estritamente cinéfilo, a era Ellison na Paramount é um cocktail curioso: por um lado, promete grandes produções de acção, horror e comédia R-rated, pensadas para um público que quer “evento” e não necessariamente prestígio. Por outro, levanta questões sérias sobre quem volta a ter megafones na indústria, como se reescrevem as consequências após o #MeToo e que lugar sobra para cinema arriscado, minoritário ou formalmente mais ousado.
Hollywood já passou por muitas fases e muitos “novos sheriffs”. A diferença, desta vez, é a mistura explosiva entre dinheiro de tecnologia, guerra cultural aberta e uma vontade quase missionária de provar que o público quer exactamente aquilo que o velho estúdio não se atrevia a dar-lhe. Se isso vai salvar a Paramount ou apenas transformá-la num parque temático de testosterona de luxo, é algo que vamos descobrir, bilhete de cinema na mão.
A décima edição do AnimaPIX, o festival de animação realizado na ilha do Pico, nos Açores, encerrou mais um capítulo memorável — daqueles que deixam marca não só no panorama artístico nacional, mas também na alma de quem participa. Pequeno em escala, gigantesco em ambição, o festival reafirmou aquilo que já todos sabíamos: a animação portuguesa vive um momento de ouro, e o Pico continua a ser um dos seus palcos mais especiais.
Abi Feijó e Regina Pessoa: Quatro Décadas de Magia Animada
Os nomes maiores da animação portuguesa regressaram ao arquipélago, e o Pico recebeu-os como se recebe família.
Abi Feijó e Regina Pessoa, fundadores da Casa Museu de Vilar e mestres incontornáveis do cinema de animação, apresentaram uma retrospectiva de 40 anos de carreira. Ambos foram também jurados desta edição e receberam o MiratecArts Prémio Atlante, com Regina a acumular ainda um papel particularmente simbólico: o de madrinha do festival e ilustradora do cartaz que celebra a sua primeira década..
Numa conversa à Rádio Pico, Abi Feijó sintetizou a magia do AnimaPIX:
“Quanto mais pequenino, mais facilmente se estabelecem laços. Aqui podemos usufruir do tempo, o que é muito bom.”
Regina Pessoa completou:
“É um privilégio voltar e aprofundar este laço.”
É difícil pensar numa definição mais perfeita para este festival que teima — orgulhosamente — em manter-se próximo, íntimo e humano.
Os Talentos que Estão a Moldar o Futuro da Animação Portuguesa
O público teve ainda oportunidade de ouvir e interagir com os vencedores do Prémio AnimaPIX, desde 2021 até 2025.
Pela primeira vez na ilha montanha, Alexandra Ramires, Alice Eça Guimarães, João Gonzalez, Laura Gonçalves e Maria Trigo Teixeira apresentaram as suas curtas-metragens premiadas internacionalmente e partilharam reflexões sobre o processo criativo, a repercussão do cinema português lá fora e o futuro da animação.
A eles juntaram-se os cineastas António Alves e Cláudio Jordão, a professora Elsa Cerqueira e Fernando Galrito, director da MONSTRA — o maior festival de animação do país.
Um verdadeiro encontro intergeracional que reforçou o papel do Pico como ponto de encontro entre mestres, criadores emergentes e público curioso.
Um Festival Pequeno apenas no Nome
O director artístico e fundador do AnimaPIX, Terry Costa, não esconde o orgulho:
“Momentos incríveis com a melhor turma do sector que qualquer um poderia imaginar. Esperamos ter inspirado centenas de crianças, jovens e educadores, levando consigo lições para a vida.”
E há números que contam histórias.
Enquanto a MONSTRA exibe mais de 450 filmes, o AnimaPIX, fiel ao seu espírito, limita-se a 75. Não porque lhe faltem obras — mas porque a prioridade é outra: o impacto humano.
Terry Costa recorda ainda um feito impressionante:
“O melhor ano do festival trouxe 1400 pessoas à Biblioteca Auditório da Madalena — 10% da população da ilha.”
Para muitos, foi a primeira vez num centro cultural ou a primeira vez a ver cinema numa tela grande.
É essa democratização cultural — feita com carinho, persistência e visão — que transforma o AnimaPIX num evento verdadeiramente singular.
Um Festival para Crianças… e para a Criança em Todos Nós
Há quem pense que animação é território exclusivo do público infantil. O AnimaPIX insiste, todos os anos, em provar o contrário.
Como diz Terry Costa:
“O festival não é só para crianças, é para a criança em todos nós.”
E talvez seja essa a sua maior força: conseguir que profissionais consagrados, jovens criadores, famílias, educadores e curiosos vivam a mesma experiência, no mesmo espaço, com a mesma disponibilidade para aprender e maravilhar-se.
O Futuro Aponta para 2026
A próxima edição já está marcada:
📅 1 a 6 de dezembro de 2026
As submissões abrem a 1 de janeiro.
A parceria com a Câmara Municipal da Madalena e o apoio da Direção Regional da Cultura continuam a sustentar a visão da MiratecArts — uma visão que aposta na cultura como motor de comunidade, descoberta e crescimento.
E se esta década nos ensinou alguma coisa, é que o AnimaPIX não é apenas um festival.
O autor de Titanic e Avatar continua a ser, acima de tudo, um cinéfilo voraz
James Cameron é talvez o cineasta mais identificado com superproduções gigantescas, tecnologias de ponta e mundos inteiros criados de raiz. Mas por detrás do realizador que quebrou recordes com Titanic, redefiniu a ficção científica com Terminator 2 e reinventou o cinema 3D com Avatar, está alguém que cresceu a ver filmes na televisão e que nunca perdeu o fascínio puro pelo acto de ver cinema.
Ao longo das últimas décadas, Cameron foi partilhando, aqui e ali, os seus filmes favoritos — e o resultado é uma colecção tão ecléctica que parece saída da mente de um devorador compulsivo de géneros, épocas e sensibilidades. Do clássico absoluto The Wizard of Oz a prazeres assumidamente culpados como Resident Evil, passando por Kubrick, Spielberg, Coppola e até Borat, a lista diz-nos mais sobre Cameron do que qualquer entrevista longa.
O encanto eterno de um mundo para lá do arco-íris
Se há título que surge sempre que Cameron fala das suas referências, é The Wizard of Oz (1939). O realizador descreve-o como um filme que o acompanha desde a infância — e que continua a revisitar com a família.
A cena em que Dorothy abre a porta e sai do preto e branco para o Technicolor continua a emocioná-lo profundamente. Cameron vê ali um momento de génio cinematográfico absoluto: uma revelação visual capaz de derrubar fronteiras entre o real e o imaginado. Talvez não seja coincidência que o autor de Avatar tenha encontrado, décadas mais tarde, o seu próprio “momento de abrir a porta para outro mundo”.
Da ternura ao terror: a amplitude de um cinéfilo sem preconceitos
Pode surpreender que alguém associado a máquinas assassinas, naves militares e criaturas subaquáticas diga abertamente que Resident Evil é um dos seus prazeres cinematográficos. Mas Cameron não só admite, como celebra o filme de Paul W. S. Anderson e, em particular, o desempenho físico de Michelle Rodriguez — «uma criatura feroz», descreveu.
A admiração por Alien é já menos chocante: Ridley Scott influenciou directamente Cameron e, como o próprio reconhece, Aliens foi criado em espírito de fã — uma tentativa de honrar e expandir o trabalho do original sem o replicar. É raro ver um realizador do calibre de Cameron a assumir, com tanta humildade, a sua posição na linhagem de outro cineasta.
E depois há Wait Until Dark, thriller de 1967 com Audrey Hepburn, que lhe deixou uma das memórias mais intensas de sempre numa sala de cinema. Segundo conta, o susto provocado por Alan Arkin terá sido o maior sobressalto que testemunhou no grande ecrã — maior, até, do que Alien ou Psycho.
Uma colecção que revela mais do que parece
Entre clássicos indiscutíveis (The Godfather, 2001: A Space Odyssey, Taxi Driver), blockbusters transformadores (Star Wars, Jaws), westerns icónicos (Butch Cassidy and the Sundance Kid) e comédias corrosivas (Borat), a lista de Cameron não segue qualquer lógica óbvia.
E é precisamente aí que reside a sua verdade: o realizador não procura coerência estética, narrativa ou formal. Procura impacto. Procura filmes que mexem consigo, seja através do assombro visual, da tensão, da irreverência ou pura genialidade técnica.
No fundo, Cameron pode ser o cineasta que nos trouxe alguns dos maiores espectáculos cinematográficos das últimas décadas, mas continua a ser, antes de mais, um espectador apaixonado — alguém que nunca deixou de olhar para o cinema como aquilo que sempre foi para si: um poço infinito de maravilhas, sustos, gargalhadas e descobertas.
Os 15 filmes preferidos de James Cameron
The Wizard of Oz (Victor Fleming, 1939)
Resident Evil (Paul W. S. Anderson, 2002)
Alien (Ridley Scott, 1979)
Close Encounters of the Third Kind (Steven Spielberg, 1976)
Jaws (Steven Spielberg, 1975)
Butch Cassidy and the Sundance Kid (George Roy Hill, 1969)
Wait Until Dark (Terence Young, 1967)
Borat (Larry Charles, 2006)
The Woman King (Gina Prince-Bythewood, 2022)
Star Wars: Episode IV – A New Hope (George Lucas, 1977)
Tom Hanks trouxe novamente Road to Perdition para a discussão pública — e fê-lo com uma dose de perplexidade. Numa conversa recente com o podcast ReelBlend, o actor confessou que não compreende porque motivo o filme, lançado em 2002, raramente é lembrado quando se fala dos grandes dramas criminais do cinema moderno. A observação não é descabida: apesar do elenco de luxo, da realização de Sam Mendes e da fotografia premiada de Conrad L. Hall, a obra continua a ser um daqueles títulos respeitados, mas pouco mencionados.
Parte do fascínio de Road to Perdition reside no conjunto invulgar de talentos envolvidos. Hanks sublinhou, com razão, que o filme reúne dois actores que, à data, ainda estavam longe de ser os colossos que se tornariam mais tarde: Jude Law e Daniel Craig. Ambos oferecem interpretações que antecipam o alcance que as suas carreiras viriam a ter — Law no papel de um assassino com uma fisicalidade perturbadora, Craig como o impulsivo herdeiro de uma família criminosa. Hoje são nomes incontornáveis, mas o filme captou-os num momento raro, num ponto charneira das suas trajectórias.
Há ainda um elemento de peso histórico que distingue esta obra: Paul Newman assina aqui a sua última grande interpretação em cinema. O papel de John Rooney, chefe do crime organizado e figura paternal ambígua, valeu-lhe uma nomeação aos Óscares e permanece como um dos desempenhos mais discretamente poderosos da sua carreira. A relação entre a sua personagem e a de Tom Hanks funciona como o eixo emocional do filme, sustentando a narrativa com uma tensão contida e sem artifícios.
A realização de Sam Mendes também merece novo olhar. Depois do sucesso global de American Beauty, Mendes escolheu uma abordagem mais austera e silenciosa, menos dependente de diálogos e mais comprometida com a construção visual. O trabalho com Conrad L. Hall, que venceu o Óscar de Melhor Fotografia de forma póstuma, é central para a atmosfera do filme. A composição de cada plano, o uso da chuva, das sombras e da luz difusa conferem ao filme uma identidade estética que ainda hoje é estudada em escolas de cinema. A célebre sequência do tiroteio, filmada com pouquíssimas palavras, é frequentemente citada como exemplo de como a imagem pode carregar sozinha a carga dramática.
Curiosamente, Road to Perdition nasceu de uma novela gráfica. No início dos anos 2000, adaptações desse género não tinham o prestígio que alcançariam mais tarde, e isso talvez tenha contribuído para que o filme fosse recebido de forma mais discreta. Mas Mendes nunca tratou o material original como um pretexto para estilização. Pelo contrário: optou por uma leitura adulta, sóbria, mais próxima do cinema noir do que das convenções que hoje associamos às produções baseadas em banda desenhada.
A pergunta de Hanks — “Porque é que não falamos deste filme?” — merece reflexão. A verdade é que Road to Perditionestreou num ano particularmente competitivo e mediaticamente saturado, com títulos como Gangs of New York, Minority Report ou The Two Towers a dominar a conversa. Além disso, é um filme que não procura aplausos fáceis. A sua força está na contenção, na relação entre pai e filho, na violência filmada com frieza documental e no peso moral das escolhas. Não é um thriller ruidoso; é uma tragédia íntima disfarçada de história de gangsters.
Com o passar dos anos, a obra ganhou densidade e reapreciação crítica, mas continua a carecer do reconhecimento mais amplo que merece. Hanks pode muito bem ter reaberto a porta para essa reavaliação. Road to Perdition não é apenas um capítulo importante na carreira de todos os envolvidos; é um filme que envelheceu com elegância e que diz mais ao público actual do que dizia em 2002.
A verdade é simples: se há clássicos silenciosos que merecem regressar às conversas cinéfilas, este está no topo da lista. E Tom Hanks tem toda a razão em perguntar porque motivo deixámos de falar dele.
Road to Predition pode ser visto ou revisto no Prime Video,
A adaptação de Wuthering Heights por Emerald Fennell ainda nem chegou às salas e já incendiou a internet — primeiro com o elenco, depois com o marketing sensual, e agora com as primeiras declarações de Margot Robbie, que protagoniza o filme ao lado de Jacob Elordi. A escolha de ambos agitou leitores, fãs de Brontë e puristas da literatura… mas Robbie mantém-se firme, confiante e até surpreendentemente compreensiva: “Eu percebo.”
A atriz reconhece que parte da polémica nasce do simples facto de ninguém ter visto o filme ainda. Catherine Earnshaw, no romance de 1847, é uma jovem morena e adolescente. Robbie tem 35 anos, é loira e, no imaginário de muitos, demasiado distante da versão literária. Fennell deixa claro que a personagem foi envelhecida deliberadamente para o cinema, passando a situar-se no final dos vinte, início dos trinta — uma decisão estética e narrativa que acompanha muitas das liberdades criativas da realizadora.
A controvérsia em torno de Heathcliff, porém, foi ainda maior. Na obra original, ele é descrito como “escuro”, marginal, alguém visto como intruso pelo mundo social que o rodeia. A escolha de Jacob Elordi — um dos atores mais desejados do momento, vindo do sucesso de Saltburn — gerou ondas de indignação. Mas a verdade é que a adaptação nasceu precisamente da visão de Emerald Fennell ao vê-lo em cena: “Oh meu Deus… é o Heathcliff da capa do livro que tenho desde adolescente”.
Margot Robbie vai mais longe: “Ele é o Heathcliff. Confiem. Vão ficar satisfeitos.”
Para a actriz, Elordi não só honra a linhagem de gigantes que desempenharam o papel antes — Laurence Olivier, Richard Burton, Ralph Fiennes, Tom Hardy — como o eleva. Robbie arrisca até a comparação mais ousada da entrevista: “Acredito que ele é o Daniel Day-Lewis da nossa geração.”
No caso de Catherine, Fennell faz uma defesa apaixonada da escolha de Robbie, argumentando que a personagem exige uma força carismática extrema: alguém cruel, fascinante, sedutora e impossível de resistir — mesmo quando se comporta de forma imperdoável. “Cathy é uma estrela”, diz Fennell, explicando que a personagem precisava de alguém com “energia avassaladora”. E acrescenta, sem rodeios, que Robbie surge com aquilo que a realizadora descreve como “big dick energy”, uma presença dominadora que faz a câmara ceder ao seu magnetismo.
Se o elenco provocou polémica, o marketing elevou-a a níveis históricos. A primeira imagem divulgada mostrava um dedo na boca de Robbie, um gesto erótico que gerou debates, comentários e receios de que a adaptação fosse apenas um pastiche provocador. Mas, segundo a actriz, essa expectativa não corresponde exactamente ao que o público vai encontrar. “É um filme provocador, sim, mas acima de tudo é um romance épico. Um romance daqueles que já não se fazem.”Robbie invoca The Notebook e The English Patient como comparações possíveis: histórias maiores do que a vida, que arrancam reacções físicas ao espectador. É isso que ela acredita ser a verdadeira assinatura de Emerald Fennell — provocar visceralmente, seja com desejo, desconforto ou arrebatamento emocional.
A nova visão de Wuthering Heights estreia já a 13 de Fevereiro, numa versão que promete dividir, desafiar e, acima de tudo, reimaginar um dos romances mais intensos da literatura. Entre polémicas e antecipação, uma coisa é certa: Emerald Fennell e Margot Robbie não vieram para replicar o clássico — vieram para incendiá-lo de novo.
Em pleno dezembro de 2025, o cinema parece querer recuperar um dos géneros mais injustiçados da Hollywood recente — a comédia paródia. Depois da reacção positiva ao reboot de The Naked Gun, chega agora Fackham Hall, uma sátira britânica que transforma palácios e aristocracia em palco de escândalo, romance e humor absurdo. O filme está marcado para estrear nos Estados Unidos em 5 de dezembro, mas — atenção — ainda não há confirmação oficial de data para os mercados de Portugal ou Brasil.
🎭 Por que Fackham Hall pode marcar o regresso das comédias de paródia
Fackham Hall junta o espírito de clássicos da comédia de paródia — pense em Airplane! ou Monty Python — com o luxo e a pompa dos dramas de época como Downton Abbey e Gosford Park. A premissa mistura uma trama de casamento aristocrático, segredos de família, romance proibido e até um assassinato misterioso — tudo isso transformado numa máquina de piadas, trocadilhos e humor irreverente.
O elenco não podia ser mais apetecível: nomes como Tom Felton (sim — o Draco Malfoy de Harry Potter), Damian Lewis, Thomasin McKenzie, Katherine Waterston, Ben Radcliffe e outros trazem credibilidade, charme e, sobretudo, compromisso com o exagero e o absurdo da sátira.
O trailer já quebrou recordes de visualizações da distribuidora norte-americana, o que sugere que há uma fome real por comédia fora do molde dos blockbusters tradicionais — humor rápido, irreverente, descaradamente exagerado, e sobretudo auto-consciente da própria cultura cinematográfica.
🎬 Ok, mas e Portugal e Brasil?
Apesar do entusiasmo global, a versão para o público lusófono ainda está envolta em nevoeiro. Fontes de programação portuguesas referem o dia 5 de dezembro como data prevista, mas não confirmam salas ou distribuidora, e sites especializados alertam que não há data oficial para Portugal ou Brasil.
Isto significa duas coisas:
A estreia por cá pode atrasar face aos EUA — portanto, se planeias ir ao cinema, convém verificar os catálogos locais.
A expectativa está aberta: se o filme tiver boa recepção, poderá transformar-se num fenómeno de culto — algo que as comédias de paródia raramente conseguem nos últimos anos.
✅ Vale a pena manter os olhos postos em Fackham Hall
Se és fã de humor absurdo, sátira social e aquele riso que vem da ironia, Fackham Hall promete entrar directo para a lista dos filmes mais divertidos do fim de ano. A sua fusão de pompa aristocrática com ridículo intencional pode ser exatamente aquilo de que o cinema precisa para reacender o amor por comédias inteligentes e irreverentes — com sangue real ou de aristocratas, mas sempre com gargalhadas garantidas.
Para já, a data segura continua a ser 5 de dezembro — nos EUA. Para Portugal e Brasil, resta aguardar confirmação. Mas um conselho: fica de olho nas programações dos cinemas — e prepara o riso.
Demorou década e meia, campanhas de crowdfunding, polémicas locais, recusas institucionais, uma pandemia e muita teimosia — mas, finalmente, Detroit tem o seu RoboCop. A icónica personagem do clássico de 1987 ganhou esta semana uma casa permanente na cidade que o filme retratou como um campo de batalha urbano onde só um ciborgue policial conseguiria impor ordem. E os fãs não podiam estar mais felizes.
A estátua, em bronze, mede 3,3 metros de altura, pesa 1.587 quilos e está agora instalada no exterior da produtora FREE AGE, no distrito Eastern Market. Mesmo com neve, escuridão e vento gelado, moradores e curiosos deslocaram-se ao local para ver de perto o símbolo renascido da cultura pop. Um guardião metálico finalmente de pé — e desta vez sem ordens da OCP.
De piada no Twitter a fenómeno mundial
A história deste monstro de bronze começa em 2010, quando um utilizador no Twitter sugeriu ao então presidente da câmara, Dave Bing, que Detroit precisava de um embaixador tão icónico quanto Filadélfia tem Rocky Balboa. A resposta foi um seco “não há planos para isso”. E, como tantas vezes acontece, foi precisamente essa negativa que inspirou uma multidão: fãs uniram-se e lançaram, em 2012, uma campanha no Kickstarter que arrecadou 67 mil dólares com mais de 2.700 apoiantes de vários países.
O escultor Giorgio Gikas concluiu a peça em 2017, mas o caminho estava longe de terminado. O Museu de Ciência de Michigan recuou em 2021 devido a restrições internas, e até uma cidade no Wisconsin — terra natal de Peter Weller, o actor por trás da personagem — ofereceu asilo à escultura. Um ícone em busca de morada, carregado em caixas, longe de qualquer reconhecimento público. Uma ironia que caberia perfeitamente no universo satírico e distópico do filme original.
Detroit mudou — e RoboCop regressa como símbolo de esperança
Durante anos, a cidade hesitou em associar-se a uma obra que, nos anos 80, ajudou a cristalizar a imagem de uma Detroit violenta, abandonada e dominada pelo crime. Mas a realidade evoluiu. As taxas de homicídio caíram para níveis abaixo dos anos 60, os índices de criminalidade diminuíram e Detroit renasceu culturalmente. Hoje, RoboCop já não é visto como um lembrete da decadência — é um artefacto de nostalgia, resiliência e reinvenção.
Jim Toscano, co-proprietário da FREE AGE, admitiu que pensou inicialmente tratar-se de uma brincadeira quando foi contactado para acolher a estátua. Mas percebeu rapidamente que se tratava de um gesto simbólico demasiado único para recusar. O entusiasmo do público tem-lhe dado razão: fãs tiram fotografias, partilham memórias e reconhecem o poder da personagem como um farol de ficção que marcou gerações.
“Eu sou dono disto”: o orgulho dos fãs
Entre os visitantes que já peregrinaram até à escultura encontra-se James Campbell, um dos contribuintes do Kickstarter. Doou 100 dólares em 2012 e faz questão de reivindicar a sua percentagem simbólica: “sou proprietário de 0,038% desta estátua”, brinca, enquanto admira a figura colossal. Para ele, RoboCop não é apenas uma referência cinematográfica; é uma representação clara do imaginário colectivo da cidade: “No filme, ele está lá para salvar Detroit. É um símbolo de esperança.”
E, olhando agora para a imponente silhueta de RoboCop, fixa e solene sob o céu gelado de Detroit, é difícil discordar. Não é apenas um pedaço de bronze — é um testemunho da capacidade dos fãs, uma celebração de cultura pop e uma prova de que até uma piada nas redes sociais pode, com o tempo e uma comunidade apaixonada, transformar-se em património urbano.
No final, talvez a frase escolhida por Toscano resuma tudo:
Os animatrónicos assassinos estão de volta — e, desta vez, chegaram em plena época natalícia. Five Nights at Freddy’s 2, a sequela do fenómeno global de 2023 inspirado na saga de videojogos de Scott Cawthon, estreou ontem em Portugal e chega hoje aos cinemas no Brasil, numa jogada de contraprogramação que já está a despertar curiosidade. Terror em dezembro? Josh Hutcherson diz que faz todo o sentido.
O actor, que regressa como Mike Schmidt, brincou durante a antestreia em Los Angeles: “É basicamente The Santa Clause… só que com animatrónicos possuídos.” O humor esconde uma verdade: lançar um filme de terror às portas do Natal é arriscado, mas o primeiro capítulo foi tão bem-sucedido no box office — mesmo com estreia simultânea em streaming — que a equipa acredita plenamente no entusiasmo dos fãs. Matthew Lillard, que também regressa, sublinha isso mesmo: “Hollywood não percebeu totalmente o poder desta fanbase. Mesmo com todas as limitações promocionais, o primeiro filme explodiu.”
Se havia um pedido claro por parte do público, era este: tornem a sequela mais assustadora. A realizadora Emma Tammi ouviu — e cumpriu. “Os fãs disseram que queriam mais sustos, mais intensidade. Demos isso. Amplificámos tudo”, afirma. Hutcherson concorda: “Gosto do primeiro filme, mas admito que não era tão assustador quanto poderia ter sido. Desta vez, subimos a fasquia.”
A ambição não termina aqui. Tammi confirma que o plano é transformar Five Nights at Freddy’s numa trilogia, caso o público responda bem. “Estamos prontíssimos para continuar”, diz. Lillard vai ainda mais longe: “Com este lançamento maior, esperamos um box office que justifique rapidamente o terceiro filme.”
A estreia em dezembro não é apenas provocadora — é estratégica. Com as salas ocupadas por filmes natalícios e blockbusters familiares, Freddy’s surge como alternativa perfeita para quem prefere adrenalina à doçura. E, tendo em conta o fenómeno viral que o primeiro filme gerou, a decisão pode revelar-se certeira. O espírito de Natal continua nas ruas, mas no cinema… as luzes piscam de outra maneira.
Five Nights at Freddy’s 2 promete animatrónicos mais agressivos, atmosfera mais densa, tensão mais constante e uma exploração emocional mais profunda das personagens — sobretudo do Mike de Hutcherson. O actor, que se tem reinventado no género de terror, parece completamente alinhado com esta nova fase da saga: “Às vezes ouvir os fãs para fazer uma sequela pode ser perigoso, mas aqui foi claro. Todos queríamos mais terror.”
Portugal já recebeu a sequela — os animatrónicos começaram a celebrar o Natal mais cedo. No Brasil, a festa (ou o pesadelo) começa hoje. Para uma franquia construída sobre sustos, nostalgia e histeria colectiva, poucas datas podiam ser mais apropriadas do que esta temporada onde todos esperam ternura… e recebem dentes afiados.
Hollywood adora um bom debate, mas poucos geram tanta chama como quando Quentin Tarantino decide dar a sua opinião. Após o realizador de Pulp Fiction ter descrito Paul Dano como “weak sauce” — uma crítica particularmente dura ao desempenho do actor em There Will Be Blood — surgiram várias respostas. A mais contundente veio de quem conhece Dano de muito perto: Matt Reeves, realizador de The Batman.
Reeves, que dirigiu Dano no papel perturbador de Edward Nashton/The Riddler na adaptação de 2022, não deixou o comentário passar em silêncio. Num post directo publicado no X, o cineasta escreveu:
“Paul Dano é um actor incrível, e uma pessoa incrível.”
Uma frase curta, mas cirúrgica — e que diz tudo sobre o respeito e admiração que Reeves sente pelo ator.
A defesa surge dias depois da participação de Tarantino no The Bret Easton Ellis Podcast, onde o cineasta classificou There Will Be Blood como o quinto melhor filme do século XXI, mas afirmou que o filme de Paul Thomas Anderson teria hipóteses de ocupar o primeiro lugar “se não tivesse um enorme defeito”. O tal “defeito”, segundo Tarantino, era precisamente Paul Dano. Para o realizador, o duelo interpretativo entre Dano e Daniel Day-Lewis não estaria equilibrado e isso prejudicaria a força dramática da obra.
Mas a crítica não ficou por aí: Tarantino referiu que Dano não entrega um desempenho terrível, mas sim um que considera “não-ente”, e acrescentou ainda que simplesmente “não gosta dele”. Colocou-o até no mesmo saco de actores de que também não aprecia o trabalho, como Owen Wilson e Matthew Lillard.
As declarações não passaram despercebidas — especialmente porque Paul Dano é amplamente considerado um dos actores mais consistentes e versáteis da sua geração. Basta recordar a sua presença em The Batman, Prisoners, Little Miss Sunshine, Swiss Army Man, The Fabelmans ou Okja. Não são poucos os realizadores de topo que o têm escolhido repetidamente: Steven Spielberg, Denis Villeneuve, Bong Joon-ho, Kelly Reichardt, Paul Thomas Anderson… e, claro, Matt Reeves.
A resposta do realizador de The Batman funciona também como uma revalorização pública do actor num momento em que a conversa — disparada por Tarantino — ganhava contornos de injustiça. Dano foi amplamente elogiado pela crítica e pelos espectadores pelo seu trabalho em There Will Be Blood, incluindo uma nomeação ao BAFTA, e tornou-se desde então um intérprete desejado por cineastas com visões fortes e estilos muito distintos.
Curiosamente, Matt Reeves prepara-se agora para iniciar rodagem de The Batman Part II, ao lado de Robert Pattinson — e, como já revelado, com Scarlett Johansson a juntar-se ao elenco num papel ainda guardado em segredo. Se Paul Dano regressará ou não como Riddler permanece incerto, mas uma coisa ficou clara nesta troca pública: Reeves está pronto a defender os seus actores com a mesma intensidade com que filma as sombras de Gotham.