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A Verdade Por Trás de “Indiana Jones e o Marcador do Destino”: Porque Spielberg Saiu e Mangold Mudou Tudo

A despedida de Harrison Ford foi pensada como um “pôr-do-sol” para o herói

Quando Steven Spielberg anunciou, em Fevereiro de 2020, que deixaria a realização de Indiana Jones e o Marcador do Destino (2023), muitos fãs ficaram surpreendidos. Afinal, era a primeira vez que outro cineasta assumia a saga desde o seu início em 1981. A decisão, porém, foi estratégica: Spielberg quis entregar a série a uma nova voz criativa, capaz de trazer uma perspectiva diferente ao universo do arqueólogo mais famoso do cinema.

O escolhido foi James Mangold, confirmado em Maio de 2020. A ligação entre o realizador e Harrison Ford já existia. Mangold tinha anteriormente oferecido ao actor um papel em Ford v Ferrari (2019), e ambos colaboraram em The Call of the Wild (2020), produzido por Mangold. Segundo vários relatos, terá sido o próprio Ford a sugerir o nome do realizador a Spielberg e à produtora Kathleen Kennedy.

Mangold tornou-se assim o primeiro realizador, além de Spielberg, a comandar um filme da saga.

Um Calendário Apertado e um Imprevisto Decisivo

Apesar do prestígio do convite, Mangold quase recusou o projecto. O estúdio pretendia iniciar as filmagens num prazo de apenas seis meses, com o objectivo de cumprir uma data de estreia em 2021. O realizador considerava esse calendário insuficiente para desenvolver um argumento sólido.

Foi a pandemia de COVID-19 que acabou por alterar o rumo dos acontecimentos. Os atrasos globais na produção cinematográfica adiaram o quinto filme de Indiana Jones e também o projecto seguinte de Mangold, a biografia musical A Complete Unknown (2024). Esse adiamento acabou por lhe conceder o tempo necessário para trabalhar o guião com maior profundidade.

Envelhecer Como Parte da História

Uma das principais preocupações de Mangold e de Harrison Ford prendia-se com a abordagem à idade da personagem. Ambos sentiram que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) não explorara suficientemente o facto de Indy já não ser o herói jovem das décadas anteriores. Existiam referências humorísticas à idade, mas o tema não era verdadeiramente integrado na narrativa.

Para Mangold, ignorar essa realidade seria um erro. Em entrevistas, explicou que quis transformar o filme numa história sobre um herói no ocaso da sua jornada. Em vez de contornar o envelhecimento, decidiu enfrentá-lo frontalmente. Para o realizador, a vulnerabilidade da personagem deveria ser assumida como elemento central da narrativa.

Tempo, Mudança e Relações Familiares

Mais do que um filme sobre envelhecer, Indiana Jones e o Marcador do Destino foi concebido como uma reflexão sobre o tempo — a forma como ele transforma pessoas, sociedades e relações. O mundo mudou, e Indy tem de encontrar o seu lugar numa nova era.

Segundo Mangold e Ford, o filme aborda também a dinâmica familiar e o legado, acrescentando uma dimensão emocional à habitual aventura arqueológica.

Se a despedida agradou a todos é outra questão. A recepção dividiu opiniões, como acontece frequentemente com capítulos finais de grandes franquias. No entanto, uma coisa é clara: este quinto filme não tentou fingir que o tempo tinha parado.

Pelo contrário, fez dele o seu tema central — e talvez a sua maior aposta narrativa.

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