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“Unabomber” torna-se o filme mais visto do mundo na Netflix, apesar das críticas dececionantes

Estreou no fim de semana passado na Netflix “Unabomber”, o filme biográfico sobre Ted Kaczynski protagonizado por Jacob Tremblay e Russell Crowe, e os números não deixam margem para dúvidas: tornou-se rapidamente o título mais visto a nível mundial na plataforma, confirmando o apetite do público por este tipo de true crime biográfico, independentemente daquilo que a crítica especializada teve para dizer sobre o resultado final.

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E o que a crítica teve para dizer não foi famoso: no Rotten Tomatoes, o filme fixou-se nos 31% de aprovação, um dos números mais baixos de toda a carreira recente de Russell Crowe, com adjetivos pouco lisonjeiros como “problemático” e uma “mistura batida” a aparecerem repetidamente nas análises. Dito isto, quase todas as críticas fazem questão de destacar as interpretações principais como o ponto mais forte do filme, com Crowe a capturar com eficácia a arrogância intelectual da sua personagem, o psicólogo de Harvard Henry Murray, e Tremblay a mostrar de forma convincente a frustração e a deterioração gradual de um jovem Kaczynski.

A estrutura do filme, realizado por Janus Metz Pedersen e escrito por Sam Chalsen e Nelson Greaves, alterna entre duas linhas temporais: os anos de Kaczynski em Harvard no final da década de 1950, onde é sujeito às já hoje amplamente documentadas e controversas experiências psicológicas do professor Murray, e a caça ao homem nos anos 90, com Shailene Woodley no papel de uma agente do FBI encarregada de capturar o terrorista que aterrorizou os Estados Unidos durante quase duas décadas com uma campanha de encomendas-bomba. O problema mais apontado pela crítica está precisamente na falta de diálogo real entre estas duas linhas temporais: a secção de Harvard é descrita como a mais interessante e original, enquanto a caça ao homem nos anos 90 é tratada como material de thriller mais convencional, sem que as duas partes se enriqueçam mutuamente da forma que a estrutura parecia prometer.

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Esta desconexão entre receção crítica e sucesso de audiência não é propriamente inédita no panorama do streaming, onde os números de visualizações e as cotações da crítica especializada seguem cada vez mais frequentemente caminhos completamente distintos, algo que a própria Netflix já várias vezes veio a demonstrar com outros títulos de true crime biográfico que a crítica recebeu com frieza mas que se tornaram, ainda assim, sucessos indiscutíveis em termos de audiência.

Para o público interessado na história real de Kaczynski, e não tanto nas notas da crítica, “Unabomber” continua ainda assim a oferecer, segundo o consenso quase geral, duas interpretações principais que valem a pena por si só, mesmo que o conjunto final não convença tanto quanto poderia.

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