David Ayer passou a carreira a filmar violência urbana e caos policial, de “Fury” a “Suicide Squad”. Em “Heart of the Beast”, muda de registo por completo: um veterano das forças especiais e o seu cão, perdidos no Alasca, num filme que a crítica já comparou a um clássico da Disney. Não é a única surpresa da semana: o Matthew McConaughey regressa à representação depois de cinco anos de pausa, e escolheu para isso não um blockbuster, mas um pequeno filme sobre mel e rivalidades no interior do Oklahoma, com argumento escrito pelo próprio realizador de “John Wick” para outra das estreias.
Heart of the Beast
Thriller de sobrevivência realizado por David Ayer, com Brad Pitt, J. K. Simmons e Anna Lambe. Um antigo soldado das Forças Especiais fica preso na selva do Alasca depois de um acidente de avião, e tenta sobreviver com a ajuda do cão de combate que o acompanhava. Pitt e Ayer produzem o filme em conjunto, na segunda colaboração dos dois depois de “Fury” (2014), mas desta vez a crítica destaca precisamente o contraste: um realizador conhecido pelo niilismo urbano a assinar algo próximo, em forma e espírito, de um filme de aventura familiar à antiga, quase um regresso ao cinema de sobrevivência clássico que já não se faz tanto. É já o filme mais bem cotado de toda a carreira de Ayer: 96% no Rotten Tomatoes e 70 no Metacritic. Distribuído pela NOS Audiovisuais.
Os Rivais de Amziah King (The Rivals of Amziah King)
Thriller policial realizado por Andrew Patterson, com Matthew McConaughey, Kurt Russell e Angelina LookingGlass. Nas zonas rurais do Oklahoma, um apicultor carismático que também lidera uma banda de bluegrass vê o regresso da filha adotiva ameaçado pela concorrência implacável do negócio de mel. É o filme que trouxe McConaughey de volta à representação depois de cinco anos afastado das câmaras, escolhido deliberadamente pelo ator como um projeto pequeno e pessoal, em vez de um regresso em grande escala. Estreou no SXSW em 2025 e a crítica descreve-o como um “género indefinível”, um cruzamento entre western, thriller e drama musical que a Roger Ebert.com já chamou de “novo clássico americano”. Tem 97% no Rotten Tomatoes e 8,0 no IMDb, a nota mais alta de toda esta lista de estreias.
A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta (Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom)
Terceiro filme de animação em stop-motion da Aardman sobre a Ovelha Choné, realizado por Matthew Walker e Steve Cox. O Halloween na quinta de Mossy Bottom corre mal quando o fazendeiro desaparece e um misterioso monstro peludo começa a rondar a zona, depois de uma troca de poções que o transforma, sem que ninguém saiba, num Pé Grande à solta. Já estreou no Reino Unido a 18 de setembro, onde a crítica o descreveu como “um regalo antecipado de Halloween”, ideal para ver em família antes da própria época assombrada chegar a Portugal. Tem 98% no Rotten Tomatoes e 80 no Metacritic, a nota mais alta de toda a trilogia da Ovelha Choné. Distribuído pela NOS Audiovisuais.
Normal
Thriller de ação e crime realizado por Ben Wheatley, escrito por Derek Kolstad, o argumentista responsável pela saga “John Wick”, com Bob Odenkirk, Henry Winkler e Lena Headey. Um xerife interino de uma cidade tranquila do Minnesota vê-se no meio de um submundo criminoso perigoso depois de um assalto a banco. Já tinha estreado nos Estados Unidos em abril, e chega a Portugal cinco meses depois, com a crítica a destacar sobretudo o registo divertido de Odenkirk e a violência exagerada, quase caricatural, da encenação de Wheatley, uma combinação que promete aos fãs de ação a mesma adrenalina estilizada de “John Wick”, mas com humor mais seco. Tem 79% no Rotten Tomatoes e 6,6 no IMDb. Distribuído pela NOS Audiovisuais.
Natal Amargo (Amarga Navidad)
Melodrama psicológico realizado por Pedro Almodóvar, o vigésimo quarto filme da carreira do realizador, com Bárbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo, Patrick Criado, Milena Smit e Quim Gutiérrez. Uma diretora de publicidade refugia-se no trabalho depois da morte da mãe, numa história que se cruza com a de um cineasta em crise criativa, que começa a escrever um guião inspirado numa tragédia real e a transformar a protagonista, aos poucos, num reflexo de si próprio. Estreou no Festival de Cannes e chegou às salas espanholas em março, um dos títulos mais aguardados do ano para os fãs do realizador de “Dor e Glória” e “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”. Tem 91% no Rotten Tomatoes, 69 no Metacritic e 6,4 no IMDb. Distribuído pela Pris Audiovisuais.
Adolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma (Teenage Sex and Death at Camp Miasma)
Comédia de terror satírica realizada por Jane Schoenbrun, com Hannah Einbinder e Gillian Anderson. Uma argumentista é contratada para reviver uma franquia de terror decadente e viaja até um acampamento de verão abandonado para encontrar a atriz reclusa que interpretou a final girl do filme original. Abriu a secção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2026, o lugar de honra reservado aos filmes mais aguardados fora da competição principal, e venceu ali a Palma Queer. Por trás da paródia ao slasher, Schoenbrun usa o género para falar de disforia de género e de reconciliação com o próprio corpo, e o filme foi alargando salas nos Estados Unidos, semana após semana, justamente por causa do boca a boca. Tem 94% no Rotten Tomatoes, com estatuto de “Certified Fresh”. Distribuído pela No Comboio.



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