Há realizadores que fazem um grande filme e desaparecem durante anos à procura do próximo. Greta Gerwig não parece ser esse tipo. Depois de Barbie — o maior êxito de bilheteira de 2023, com 1,4 mil milhões de dólares arrecadados em todo o mundo e uma conversa cultural que durou meses —, a realizadora acaba de assinar contrato com a CAA, uma das maiores agências de talentos do mundo, numa movimentação que a indústria de Hollywood acompanhou com atenção. O próximo projecto confirmado é a adaptação de As Crónicas de Nárnia para a Netflix.
A notícia tem mais peso do que parece. A CAA não é apenas uma agência — é um símbolo de estatuto dentro de Hollywood, e assinar com ela depois de Barbie é a formalização de algo que já era óbvio: Gerwig passou de realizadora respeitada para um dos nomes mais poderosos da indústria. Com Lady Bird e Mulherzinhas no currículo antes de Barbie, tem uma consistência criativa rara entre os realizadores que também trabalham com grandes orçamentos de estúdio. Não sacrificou o seu ponto de vista pelo espectáculo — ela encontrou uma forma de os fazer coexistir.
As Crónicas de Nárnia é, em termos de escala e expectativa, um projecto completamente diferente de tudo o que fez até agora. A série de sete livros de C.S. Lewis — publicados entre 1950 e 1956 — é uma das mais vendidas da história da literatura infantil e juvenil, com mais de 100 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Portugal não é excepção: Nárnia é uma referência cultural transgeracional, lida por crianças nos anos 70, 80, 90 e 2000 com a mesma intensidade. A Netflix adquiriu os direitos em 2018, mas o projecto ficou paralisado durante anos à espera de uma visão criativa que fosse à altura do material.
A escolha de Gerwig sugere que a plataforma quer exactamente o que ela fez a Barbie: tomar um ícone cultural conhecido por toda a gente, tratá-lo com seriedade e sensibilidade, e devolvê-lo ao mundo de uma forma que surpreenda mesmo quem achava que já sabia tudo sobre ele. A questão da fé — central nos livros de Lewis, que eram declaradamente uma alegoria cristã — será certamente um dos pontos mais delicados a navegar. Gerwig, que cresceu numa família religiosa e tem falado sobre a sua relação complexa com espiritualidade, pode ser exactamente a pessoa certa para o fazer com honestidade e sem condescendência.
Datas de produção ainda não confirmadas. Mas com Greta Gerwig a assinar e a Netflix a investir, Nárnia voltou a estar em movimento — e o leão voltará a rugir.
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