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Uma viagem pelas estrelas que nos faz voltar a ser miúdos — mas nem tudo é perfeito

Há filmes que vemos. E há filmes que sentimos. Super Mario Galaxy – O Filme pertence claramente à segunda categoria — uma experiência que não se limita ao ecrã, mas que nos puxa directamente para aquele lugar especial onde guardamos a infância.

Depois do sucesso estrondoso de Super Mario: O Filme, a expectativa para esta sequela era elevada. E a verdade é que esta nova aventura não tenta simplesmente repetir a fórmula — expande-a. E muito.

Uma odisseia cósmica com coração

A história leva Mario para longe do confortável Reino do Cogumelo, lançando-o numa jornada espacial onde cada planeta parece ter vida própria. É uma aposta clara na escala e no espectáculo, com Aaron Horvath e Michael Jelenic a elevarem a ambição narrativa e visual a um novo patamar.

Mas essa ambição tem um preço.

Se por um lado o filme cresce em dimensão, por outro perde alguma da coesão narrativa que tornava o primeiro capítulo tão eficaz. Há múltiplos arcos — relações, conflitos internos, novas personagens — e nem todos recebem o tempo que mereciam.

Ainda assim, o coração está lá. E sente-se.

Um espetáculo visual absolutamente deslumbrante

Se há algo que não deixa margem para dúvidas é o nível técnico. A animação da Illumination atinge aqui um patamar impressionante, com mundos vibrantes, jogos de perspectiva criativos e uma atenção ao detalhe que roça o obsessivo.

Momentos que alternam entre 3D, sequências em estilo clássico 2D e até piscadelas ao pixel art criam uma ponte directa entre passado e presente — um verdadeiro presente para quem cresceu com a Nintendo.

E depois há a música.

A banda sonora de Brian Tyler é, sem exagero, um dos pontos mais altos do filme. Ao recuperar e reinterpretar os temas de Koji Kondo, o compositor consegue transformar nostalgia em emoção pura. Não há distrações comerciais — só respeito pelo legado.

Personagens que brilham… e outras que ficam aquém

O elenco vocal continua sólido, com Chris Pratt, Charlie Day e Jack Black a entregarem exactamente aquilo que se espera — energia, humor e carisma.

Jack Black, aliás, continua a ser o verdadeiro MVP como Bowser, equilibrando ameaça e comédia de forma brilhante.

As novas adições, como Brie Larson no papel de Rosalina, trazem frescura, mas nem sempre são bem aproveitadas. A relação entre Rosalina e Peach, que prometia um dos núcleos emocionais mais fortes, acaba por saber a pouco — uma oportunidade clara que ficou por explorar.

Em contrapartida, o arco de Bowser e Bowser Jr. surpreende pela profundidade, introduzindo uma dinâmica inesperadamente emocional sobre identidade e legado.

Fan service que funciona (mesmo quando exagera)

Sim, há muito fan service. Mas, ao contrário de outros filmes, aqui não parece gratuito.

Cada referência, cada personagem surpresa — incluindo momentos inesperados que vão deixar muitos fãs de sorriso rasgado — contribui para a sensação de um universo vivo e em expansão.

E ver Luigi assumir um papel mais activo, especialmente ao lado de novas figuras, é particularmente recompensador.

Mais do que nostalgia — uma experiência emocional

No meio de todas as críticas que apontam estes filmes como “produtos comerciais”, há algo que importa dizer: emoção não se fabrica.

Super Mario Galaxy – O Filme tem-na.

Pode não ser perfeito. Pode tropeçar no ritmo e dispersar-se em excesso. Mas consegue algo que poucos filmes hoje conseguem: fazer-nos sentir outra vez como crianças.

E isso… não tem preço.

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