Um fim de semana de cinema indie de prestígio: quatro êxitos internacionais estreiam no TVCine Edition

O TVCine Edition reserva o fim de semana de 5 e 6 de setembro, a partir das 19h55, para um “Especial Sucessos Indie”, em exclusivo no canal e depois disponível também no TVCine+: a estreia televisiva de quatro dos títulos mais aclamados do circuito de festivais internacional do último ano, todos eles com passagens de peso por Cannes, Veneza ou Berlim. É um alinhamento raro de qualidade concentrada num único fim de semana, que vale a pena percorrer filme a filme.

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Hot Milk, sábado, às 21h15

Abre o especial “Hot Milk”, o drama realizado por Rebecca Lenkiewicz, adaptado do romance homónimo de Deborah Levy, com estreia mundial no Festival de Berlim de 2025. A história acompanha Sofia (Emma Mackey), uma jovem antropóloga com a carreira estagnada, que viaja até à costa espanhola com a mãe, Rose (Fiona Shaw), numa última tentativa de curar a doença misteriosa que a prende a uma cadeira de rodas. À medida que os dias avançam, a relação simbiótica entre as duas ferve de ressentimentos antigos, precisamente quando Sofia encontra uma inesperada sensação de liberdade ao aproximar-se de Ingrid (Vicky Krieps). A crítica recebeu a estreia de Lenkiewicz na realização com sentimentos moderados, mas é unânime num ponto: as interpretações de Mackey e, sobretudo, de Fiona Shaw, elevam significativamente o material, com Shaw a construir em Rose uma personagem cuja identidade de “inválida” se revela tão deliberada quanto genuína.

A Cronologia da Água, sábado, às 22h50

Segue-se “A Cronologia da Água”, a estreia de Kristen Stewart na realização de uma longa-metragem, projeto que recebeu, em Cannes 2025, uma ovação em pé de mais de quatro minutos. Adaptado do livro autobiográfico de Lidia Yuknavitch, o filme acompanha, através de uma estrutura fragmentada e não-linear, a jornada da autora (Imogen Poots) desde uma infância marcada pela violência doméstica até uma vida adulta atravessada pela adição, encontrando na natação competitiva e, mais tarde, na escrita, os dois refúgios que lhe permitem transformar o trauma em arte. A crítica elogiou a ambição formal de Stewart e a interpretação devastadora de Poots, num dos projetos de estreia na realização mais arriscados do ano.

O Estrangeiro, domingo, às 19h55

No domingo, o especial recupera “O Estrangeiro”, a adaptação de François Ozon ao célebre romance de Albert Camus, estreada em Veneza a 2 de setembro de 2025. Ambientado em Argel, em 1938, o filme segue Meursault (Benjamin Voisin), um empregado de escritório que acompanha o funeral da mãe sem manifestar qualquer emoção, antes de a sua existência aparentemente normal ser perturbada pelo vizinho Raymond Sintès (Pierre Lottin), num percurso que conduz inexoravelmente a uma tragédia numa praia sob um sol impiedoso. Ozon optou por rodar a preto e branco, uma escolha que a crítica associou diretamente à secura emocional que define tanto o protagonista como a prosa original de Camus.

Pillion, domingo, às 22h00

Fecha o especial “Pillion”, a estreia na realização de Harry Lighton, um dos filmes mais celebrados de Cannes 2025: oito minutos de ovação em pé e o prémio de Melhor Argumento na secção Un Certain Regard, com distinções adicionais nos British Independent Film Awards e no Gotham Awards. A história segue Colin (Harry Melling), um jovem tímido cuja vida muda por completo ao conhecer Ray (Alexander Skarsgård), misterioso líder de um clube de motards, por quem se torna devoto ao ponto de se submeter inteiramente a ele. Adaptado do romance “Box Hill”, de Adam Mars-Jones, o filme tem sido elogiado pela forma direta como aborda dominação, submissão e desejo queer, equilibrando humor genuíno com vulnerabilidade emocional, com Harry Melling completamente irreconhecível para quem só o conhece do papel de Dudley Dursley em “Harry Potter”.

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Quatro filmes, quatro registos completamente distintos, mas todos unidos pelo mesmo denominador: cinema independente que já passou pelo escrutínio mais exigente dos festivais internacionais antes de chegar, finalmente, à televisão portuguesa.

“Mestres da Ilusão: Nada É o Que Parece” reúne os Quatro Cavaleiros no NOS Studios

O NOS Studios estreia, no domingo, 27 de setembro, às 21h15, “Mestres da Ilusão: Nada É o Que Parece”, o terceiro filme da saga que arrancou em 2013 com “Now You See Me”, conhecido em Portugal desde então como “Mestres da Ilusão”. Realizado por Ruben Fleischer, o filme tinha estreado nos cinemas norte-americanos em novembro de 2025, onde abriu em primeiro lugar na bilheteira com 21 milhões de dólares, acabando por arrecadar mais de 213 milhões de dólares em todo o mundo, um resultado sólido que confirma a longevidade comercial desta franquia de heist movies com truques de magia.

A história junta, mais uma vez, os “Quatro Cavaleiros”, o grupo de ilusionistas que já protagonizou os dois filmes anteriores, a uma nova geração de jovens magos, unidos por um objetivo comum: roubar o lendário Diamante Coração a Veronika Vanderberg, uma poderosa magnata do crime que lidera um império construído em torno de branqueamento de capitais e tráfico. Como é habitual na saga, o roubo em si é apenas o ponto de partida para uma teia mais complexa de golpes dentro de golpes, ilusões dentro de ilusões, e uma exposição final de uma rede de corrupção que ultrapassa em muito o simples objeto a roubar.

O elenco reúne praticamente todos os nomes que tornaram a franquia reconhecível: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco, Isla Fisher, Lizzy Caplan e Morgan Freeman regressam aos seus papéis originais, agora ao lado de uma geração mais jovem de atores, entre os quais Justice Smith, Dominic Sessa, Ariana Greenblatt e Rosamund Pike, que interpreta a antagonista da história. Esta mistura entre elenco veterano e sangue novo tem sido apontada por vários críticos como um dos pontos mais bem conseguidos do filme, permitindo à saga renovar-se sem perder por completo a química que os fãs foram acompanhando ao longo de mais de uma década.

Segundo o próprio Ruben Fleischer, em declarações recentes à imprensa internacional, existe já vontade de continuar a expandir a franquia com um quarto filme, um sinal claro de confiança da Lionsgate no potencial comercial contínuo desta série, que se tem mantido notavelmente resiliente mesmo num mercado cada vez mais saturado de sequelas e reboots. Fleischer defendeu ainda, na mesma entrevista, que críticos tendem a subestimar sistematicamente o trabalho de construção necessário para fazer um filme comercial funcionar junto de audiências massivas, uma reflexão que ajuda a contextualizar o tom entre autoconsciente e orgulhoso com que a própria equipa encara este tipo de produção.

Para quem gosta de heist movies com uma pitada extra de espetáculo mágico, “Mestres da Ilusão: Nada É o Que Parece” garante, no mínimo, mais uma dose confiável daquilo que a saga sempre prometeu: nada é o que parece, até ao momento em que finalmente é.

“The Gentlemen” T2 estreia amanhã na Netflix, com o império criminal a expandir-se para Itália

A Netflix estreia, já amanhã, dia 3 de setembro, a segunda temporada de “The Gentlemen”, a série criminal de Guy Ritchie que se tornou, desde a estreia da primeira temporada em 2024, um dos maiores êxitos da plataforma dentro do género de crime britânico. Os oito episódios ficam disponíveis de uma só vez, seguindo o modelo de lançamento que a Netflix reserva às suas apostas mais fortes.

A nova temporada retoma a história um ano depois de Eddie Horniman, interpretado por Theo James, e Susie Glass, interpretada por Kaya Scodelario, terem selado a improvável aliança que lhes permitiu assumir o controlo de um império da canábis construído sobre décadas de tradição aristocrática britânica misturada com crime organizado, uma das premissas mais originais que Guy Ritchie já levou para a televisão. Desta vez, a dupla vê-se obrigada a navegar um império criminal cada vez mais volátil, à medida que tenta expandir o negócio para além-fronteiras, com Itália a tornar-se o novo palco de negociações, alianças e traições.

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Ao elenco regressam praticamente todos os nomes que definiram a primeira temporada: Ray Winstone, Joely Richardson, Vinnie Jones, Jasmine Blackborow e Giancarlo Esposito, entre outros, mantendo a continuidade que ajudou a construir a identidade coral da série. As grandes novidades desta temporada chegam precisamente pelo lado italiano da história, com a chegada de Hugh Bonneville, Benedetta Porcaroli, Michele Morrone e Sergio Castellitto ao elenco, um reforço que promete alargar significativamente o alcance geográfico e cultural da série, até agora firmemente ancorada na aristocracia rural inglesa.

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Guy Ritchie, criador da série e responsável por filmes como “Snatch” e “RocknRolla”, mantém-se fiel à fórmula que o tornou reconhecível ao longo de mais de duas décadas: diálogo afiado, violência estilizada, humor negro britânico e uma fascinação genuína por personagens que transitam livremente entre a alta sociedade e o submundo criminal, muitas vezes sem qualquer linha clara a separar as duas coisas. A primeira temporada de “The Gentlemen” tinha sido recebida com bastante entusiasmo pela crítica e pelo público, consolidando a série como uma das apostas de crime mais bem-sucedidas do catálogo da Netflix nos últimos anos, um sucesso que ajuda a explicar a rapidez com que a segunda temporada chega, pouco mais de um ano depois da primeira.

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Para os fãs de crime britânico com uma boa dose de humor ácido, “The Gentlemen” continua a ser uma das apostas mais seguras do catálogo Netflix, e esta segunda temporada, com a expansão para Itália, promete injetar uma nova dimensão visual e narrativa a uma fórmula que já tinha conquistado o público à primeira tentativa.

Novo trailer de “Street Fighter” mostra o elenco mais improvável de sempre de um filme de videojogo

Foi divulgado um novo trailer de “Street Fighter”, a adaptação em ação real do icónico jogo de luta da Capcom, que confirma aquele que é, sem grande margem para dúvida, um dos elencos mais inesperados e mais eclécticos de qualquer adaptação recente de videojogo para o cinema. O filme, realizado por Kitao Sakurai a partir de argumento de Dalan Musson, estreia nos cinemas a 16 de outubro, distribuído pela Paramount.

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À frente do elenco estão Andrew Koji no papel de Ryu e Noah Centineo como Ken Masters, os dois protagonistas históricos da franquia, ao lado de Callina Liang no papel de Chun-Li, uma das personagens femininas mais icónicas de toda a história dos videojogos de luta. É, no entanto, o restante elenco que tem gerado mais conversa nas redes sociais desde a revelação do trailer: Jason Momoa interpreta Blanka, o lutador brasileiro com pele esverdeada e capacidades elétricas, enquanto o rapper e ator Curtis “50 Cent” Jackson dá corpo a Balrog, o pugilista agressivo do jogo original. A isto junta-se ainda uma dupla de estrelas do wrestling profissional: Joe “Roman Reigns” Anoa’i interpreta Akuma, um dos vilões mais temidos da franquia, e Cody Rhodes assume o papel de Guile, o militar norte-americano de topete inconfundível. Completam o elenco David Dastmalchian como o vilão principal M. Bison, além de Orville Peck no papel de Vega e Mel Jarnson como Cammy.

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Esta combinação pouco convencional entre atores de ação consagrados, figuras da música e nomes do wrestling profissional reflete uma estratégia de casting cada vez mais comum em adaptações de videojogos e de propriedades de cultura pop voltadas para um público que valoriza tanto a fidelidade ao material original como a espetacularidade física dos intérpretes escolhidos, uma fórmula que outras adaptações recentes do género já tinham testado com sucesso variável.

Vale notar que este novo “Street Fighter” chega numa altura particularmente favorável para adaptações de videojogos no cinema, um género que, depois de décadas de resultados comerciais e críticos irregulares, tem vindo a conquistar progressivamente mais credibilidade junto do público e da indústria, impulsionado por sucessos recentes que provaram ser possível equilibrar fidelidade aos fãs de sempre com apelo comercial mais alargado.

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Com Capcom, a criadora original do jogo, envolvida diretamente na coprodução, “Street Fighter” promete um nível de cuidado com o material de origem que os fãs mais antigos da franquia vão certamente escrutinar de perto, mal o filme chegue às salas em outubro.

“The Mandalorian and Grogu” estreou ontem no Disney+, depois de uma passagem morna pelos cinemas

“The Mandalorian and Grogu” chegou ontem , 2 de setembro, ao Disney+, cerca de três meses depois da sua estreia nos cinemas de todo o mundo, a 22 de maio. A janela de 103 dias entre a exibição em sala e a chegada ao streaming é relativamente longa para os padrões recentes da Disney, um sinal, segundo analistas do setor, de uma estratégia deliberada para maximizar ainda algum retorno adicional em bilheteira antes de disponibilizar o filme na plataforma.

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Realizado por Jon Favreau, o filme transporta para o grande ecrã a relação entre Din Djarin, o caçador de recompensas mandaloriano interpretado por Pedro Pascal, e Grogu, a pequena criatura que se tornou, desde a estreia da série original em 2019, um dos fenómenos culturais mais duradouros de toda a franquia “Star Wars” das últimas duas décadas. A dupla, que já tinha conquistado o público ao longo de três temporadas da série homónima, transita agora para uma aventura de escala cinematográfica, mantendo o tom que sempre distinguiu a saga: uma mistura de western espacial, aventura familiar e um vínculo emocional pouco habitual entre um pistoleiro solitário e a sua improvável companhia.

Apesar do entusiasmo inicial gerado pela estreia em sala, com um arranque global de 167 milhões de dólares no fim de semana do Memorial Day, “The Mandalorian and Grogu” acabou por se tornar, surpreendentemente, o filme de “Star Wars” em ação real com a bilheteira mundial mais baixa de sempre, fechando a exibição em cinemas com um total global de 345 milhões de dólares, um valor inferior mesmo aos 393 milhões arrecadados por “Han Solo”, até agora o resultado mais fraco da saga. É um dado que surpreendeu boa parte da indústria, tendo em conta a popularidade que tanto a série como a personagem de Grogu continuam a demonstrar junto do público em geral, sobretudo nas redes sociais e no mercado de produtos licenciados.

Esta discrepância entre popularidade cultural e desempenho direto em bilheteira tem alimentado alguma discussão dentro da indústria sobre até que ponto certas franquias de streaming, profundamente enraizadas no hábito doméstico de consumo, conseguem realmente converter esse sucesso numa experiência de cinema que o público sinta necessidade de pagar para ver em sala, uma questão que a chegada do filme ao Disney+, já hoje, promete finalmente esclarecer, ao expor o título a uma base de assinantes muito mais vasta do que aquela que efetivamente o foi ver ao cinema.

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Independentemente do resultado comercial em sala, para os fãs de sempre da dupla, a chegada ao Disney+ representa a oportunidade mais acessível de sempre para revisitar, ou descobrir pela primeira vez, esta aventura na comodidade de casa.

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Creative Arts Emmys 2026: “I Love Lucy” recebe o primeiro Legacy Award de sempre

Decorrem esta semana, nos dias 5 e 6 de setembro, no Peacock Theater, em Los Angeles, os 78ºs Creative Arts Emmy Awards, a cerimónia que antecede sempre a grande gala dos Emmys, marcada para 14 de setembro, e que distingue as categorias mais técnicas e criativas da produção televisiva: som, montagem, direção de arte, coreografia, composição musical e dezenas de outras disciplinas fundamentais à televisão, mas raramente contempladas na cerimónia principal transmitida em direto.

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A primeira noite, dia 5, está reservada sobretudo à televisão não-ficcional, enquanto a segunda, dia 6, se dedica principalmente à programação de ficção. Este ano, a cerimónia ganha um significado histórico adicional: pela primeira vez, a Academia de Televisão vai atribuir um “Legacy Award”, um novo galardão criado especificamente para reconhecer um programa televisivo com impacto profundo e geracional junto do público. A primeira série a receber esta distinção inédita é “I Love Lucy”, a sitcom protagonizada por Lucille Ball que, mais de setenta anos depois da estreia, continua a ser apontada como uma das produções mais influentes na história da comédia televisiva americana, tendo definido convenções de formato e de produção que a indústria ainda hoje utiliza.

Entre os nomeados mais destacados nas categorias musicais, Dave Porter reúne duas nomeações pelo trabalho na banda sonora e tema de “Pluribus”, enquanto Daniel Pemberton soma igualmente duas nomeações, uma pela partitura de “Slow Horses”, em parceria com Toydrum, e outra pela canção “The Devil You Know”, composta para “Spider-Noir”, confirmando a presença consistente destes compositores no radar da Academia ao longo dos últimos anos.

Ao contrário da cerimónia principal, os Creative Arts Emmys não têm transmissão em direto: as duas noites são posteriormente editadas e compiladas numa única emissão televisiva, disponibilizada ao público depois do evento presencial, uma prática que se mantém há vários anos e que reflete a natureza mais intimista e menos mediática desta parte da temporada de prémios televisivos, apesar da sua importância para reconhecer o trabalho de centenas de profissionais que raramente sobem a um palco para receber aplausos em direto.

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Para quem acompanha de perto a indústria televisiva, os Creative Arts Emmys funcionam como um prenúncio valioso do que está para vir na noite de 14 de setembro, além de constituírem, por direito próprio, um momento de reconhecimento merecido para quem trabalha, quase sempre nos bastidores, para tornar possível a televisão que todos vemos.

“Crime Em Direto”: Gus Van Sant recria um dos reféns mais mediáticos dos anos 70, com Bill Skarsgård e Al Pacino

Os Canais TVCine estreiam, no sábado, 5 de setembro, às 21h30, no TVCine Top e no TVCine+, “Crime Em Direto” (“Dead Man’s Wire”, no título original), o novo filme de Gus Van Sant, realizador de títulos incontornáveis como “O Bom Rebelde”, “Milk” ou “Elephant”. O filme tinha tido a sua estreia mundial fora de competição no Festival de Veneza de 2025, chegando aos cinemas norte-americanos em exibição alargada em janeiro de 2026.

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A história recria um dos casos mais mediáticos da década de 1970 nos Estados Unidos: a 8 de fevereiro de 1977, Tony Kiritsis entra no escritório de Richard Hall, presidente da Meridian Mortgage Company, e faz o banqueiro refém, ligando uma caçadeira ao próprio pescoço e ao do próprio Hall através de um mecanismo que, se acionado, mataria ambos instantaneamente, o “fio da morte” que dá nome ao filme no título original. Kiritsis acusa Hall de o ter enganado num negócio de crédito hipotecário e exige cinco milhões de dólares, além de uma desculpa pública. O que começa como um ato extremo de desespero pessoal transforma-se rapidamente num cerco mediático e policial de grandes proporções, expondo falhas profundas no sistema financeiro norte-americano, abuso de poder institucional e a fragilidade de um sistema de justiça que, segundo o próprio filme sugere, falhou repetidamente em proteger os mais vulneráveis muito antes de Kiritsis pegar na arma.

É precisamente essa ambiguidade moral, entre o ato de um homem desesperado e a responsabilidade das instituições que o levaram a esse ponto, que o filme explora ao longo da narrativa, deixando deliberadamente em aberto a pergunta incómoda sobre quem é, realmente, o criminoso nesta história. Bill Skarsgård, ator sueco que se tem destacado sobretudo em papéis de género com forte carga física e emocional, interpreta Kiritsis num dos registos mais exigentes da sua carreira até à data, segundo a generalidade da crítica que já viu o filme. Ao seu lado, o elenco reúne nomes de peso como Al Pacino, Colman Domingo, Dacre Montgomery e Myha’la, um conjunto que confere ao filme uma dimensão de prestígio adicional, ainda mais notável tratando-se de uma produção relativamente independente.

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Gus Van Sant, um dos realizadores mais versáteis do cinema americano contemporâneo, capaz de transitar com a mesma naturalidade entre o cinema mais experimental e produções de forte apelo comercial, incorpora aqui o espírito dos thrillers políticos e sociais dos anos 70, um género que floresceu precisamente na década em que o caso Kiritsis aconteceu, para lançar questões que continuam incomodamente atuais: a luta de classes, o papel dos meios de comunicação social na construção de narrativas públicas, e a persistência de um “sonho americano” cada vez mais distante da realidade vivida por muitos cidadãos comuns.

Quase cinquenta anos depois do caso real, “Crime Em Direto” chega aos Canais TVCine como um lembrete pouco confortável de como certas questões estruturais mudam muito menos do que gostaríamos de acreditar.

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