As previsões de bilheteira para a versão live-action de Moana, que estreou esta semana, têm vindo a cair de forma acentuada nos últimos dias. Se em junho as estimativas apontavam para uma abertura doméstica de 85 milhões de dólares, os números mais recentes já falam de um intervalo entre 60 e 70 milhões, um recuo que dificilmente passará despercebido à Disney.
Para o fim de semana alargado, a fasquia aponta para algo como 60 a 65 milhões de dólares nos EUA e mais 70 a 75 milhões a nível internacional, totalizando cerca de 130 milhões a nível global. Números que, à primeira vista, parecem sólidos, mas que ficam aquém do que se esperava de uma das apostas mais caras do ano da Disney, e apenas ligeiramente acima da abertura da animação original de 2016, sem ajuste à inflação.
Às previsões revistas em baixa juntou-se um problema adicional: a receção crítica. Moana estreou com apenas 33% de aprovação no Rotten Tomatoes, um resultado fraco que ecoa as dificuldades que têm perseguido a maioria dos remakes em ação real da Disney, quase sempre acusados de repetirem a fórmula original sem lhe acrescentarem nada de relevante.
Resta agora saber se o boca-a-boca negativo vai acentuar a quebra nas próximas semanas, ou se a força da marca Moana, ainda fresca na memória do público graças à sequela em animação, consegue segurar as receitas nos fins de semana seguintes.
Sullivan’s Crossing estreia a quarta temporada a 15 de julho, em exclusivo no TVCine+, com os dez episódios disponíveis em simultâneo logo no lançamento, um modelo de binge-watching que dispensa a espera semanal a que grande parte das séries continua agarrada. A série junta-se assim à terceira temporada, já disponível no serviço de streaming dos Canais TVCine.
Baseada nos bestsellers de Robyn Carr, Sullivan’s Crossing acompanha a neurocirurgiã Maggie Sullivan (Morgan Kohan), cuja vida vira do avesso depois de um escândalo profissional a obrigar a regressar à cidade natal e ao parque de campismo do pai, na pitoresca costa da Nova Escócia, em busca de um novo começo. Não é por acaso que a premissa recorda Virgin River: a série é produzida pela mesma equipa, incluindo a showrunner Roma Roth, e nasce da mesma autora que deu origem ao fenómeno da Netflix, ainda que por aqui a protagonista seja cirurgiã em vez de enfermeira e o cenário mude de costa a costa do continente norte-americano.
Nesta nova temporada, a vida de Maggie parecia finalmente a encaixar-se, depois de ter escolhido um novo rumo profissional e renovado o compromisso com Cal (Chad Michael Murray). A estabilidade dura pouco: o ex-marido, Liam (Marcus Rosner), reaparece com uma revelação que volta a pôr tudo em causa, deixando Cal a questionar se Maggie conseguirá mesmo deixar o passado atrás de si.
Com quatro temporadas já emitidas e uma quinta já confirmada nos EUA e no Canadá, Sullivan’s Crossing consolida-se como uma aposta segura para quem procura o conforto do drama romântico de pequenas comunidades, um género que a sombra de Virgin River tornou praticamente incontornável na grelha das plataformas.
Depois de gerar reações fortemente polarizadas na sua estreia em competição no Festival de Cannes, Hope, o novo filme do realizador sul-coreano Na Hong-jin (O Perseguidor, O Mar Amarelo, A Chegada do Mal), ganhou finalmente trailer internacional completo e data de estreia confirmada.
A história passa-se numa aldeia remota junto à zona desmilitarizada da fronteira entre as duas Coreias, onde o avistamento do que parece ser um tigre desencadeia uma investigação que rapidamente escala para algo muito mais perturbador: criaturas de origem desconhecida que a comunidade nunca antes enfrentou. No elenco, contam-se os atores sul-coreanos Hwang Jung-min e Zo In-sung, além de Hoyeon, conhecida de Squid Game, com Michael Fassbender e outros nomes de Hollywood a emprestar a voz às criaturas alienígenas do filme.A receção em Cannes já anunciava um filme divisivo, e assim se confirma: entre elogios à ambição visual e à escala da ação, e críticas a um estilo pouco convencional, Hope tornou-se um dos títulos mais comentados do festival deste ano, para o bem e para o mal.
O filme estreia primeiro nas salas sul-coreanas a 15 de julho, com a distribuidora norte-americana Neon a marcar a estreia nos EUA para 9 de setembro. Para os fãs de A Chegada do Mal, esta pode ser a prova de que Na Hong-jin continua incapaz de fazer um filme pequeno.
A Disney revelou esta semana o trailer de Enfeitiçadas: Bem-vindos a Hexe, novo filme de animação que assinala a 65.ª longa-metragem produzida pelos Walt Disney Animation Studios. Hailee Steinfeld, conhecida da série Hawkeye, dá voz à protagonista Billie, uma adolescente que, ao libertar acidentalmente poderes mágicos secretos, é transportada de um subúrbio comum para um reino mágico chamado Hexe.
O elenco de vozes junta ainda Rashida Jones, Tracey Ullman e Stephen Fry, e o filme tem a particularidade de ser dirigido a três mãos, por Fawn Veerasunthorn (argumentista de Wish), Jason Hand (realizador de Moana 2) e Josie Trinidad (responsável pelas curtas-metragens de Zootopia+), uma combinação que junta experiência recente em animação de aventura, comédia e construção de mundos.
A aposta em três realizadores, cada um com um currículo distinto dentro da própria Disney, sugere uma produção que tenta equilibrar humor, espetáculo visual e uma narrativa de descoberta pessoal, fórmula que tem funcionado bem para o estúdio nos últimos anos. Enfeitiçadas: Bem-vindos a Hexe estreia nos cinemas a 24 de novembro de 2026, posicionando-se já como uma das grandes apostas de animação da Disney para o final do ano.
Chegaram as primeiras críticas a Evil Dead Burn, e a receção tem sido, na generalidade, positiva, ainda que com reservas já previsíveis para quem acompanha a saga desde o filme original de Sam Raimi. Sob o comando de Sébastien Vaniček, realizador que assume agora as rédeas da franquia, o filme é descrito como o capítulo mais brutal de sempre, com sequências de violência que os críticos consideram inventivas e, nalguns casos, genuinamente perturbadoras.
Vários críticos elogiam o ritmo, que nunca esmorece, e a coragem em levar a mitologia dos Deadites ao limite, quarenta e cinco anos depois da estreia da saga original. Ao mesmo tempo, há um coro de vozes que sente falta do humor negro e do tom de comédia pastelão que sempre caracterizou os filmes de Evil Dead, uma marca que as entradas mais recentes têm vindo a abandonar em favor de um registo mais sombrio e visceral.
A crítica mais dura acusa mesmo o filme de ser um exercício técnico de violência sem substância, sem espaço para o humor ou para o exagero cómico que, para muitos fãs, é tão essencial à identidade da franquia quanto o sangue. Ainda assim, o consenso geral aponta para um filme de terror competente e visualmente marcante, ainda que distante do espírito mais brincalhão que consagrou o nome Evil Dead.
O filme estreia nos cinemas portugueses a 24 de julho.
As nomeações para a 78.ª edição dos Emmy foram anunciadas esta quarta-feira, e o drama médico The Pitt saiu com a folha de serviço mais robusta: 25 nomeações, à frente de todas as outras séries em competição. Do lado das comédias, a temporada final de Hacks, com Jean Smart e Hannah Einbinder, arrecadou 24 nomeações, um recorde absoluto para uma comédia na sua última temporada, superando a marca antes detida por Schitt’s Creek.
Ainda entre os mais nomeados, a nova comédia de terror da Apple TV+, Widow’s Bay, surpreendeu com 19 nomeações, seguida de perto pelo drama Pluribus, com 18. A cerimónia está marcada para 14 de setembro, uma segunda-feira em vez do habitual domingo, devido a um jogo da NFL transmitido pela NBC nesse fim de semana, e terá Mariska Hargitay como anfitriã.
Nem tudo foram boas notícias para os habituais favoritos: Jeremy Allen White ficou de fora da categoria de Melhor Ator de Comédia pela primeira vez desde a estreia de The Bear, série que no total recebeu apenas oito nomeações, um recuo acentuado face às edições anteriores. Séries como Outlander, Industry e Landman ficaram também completamente arredadas da corrida.
Em contrapartida, houve espaço para surpresas simpáticas: Sally Field regressou à corrida aos Emmy 17 anos depois, nomeada por Remarkably Bright Creatures, e o concurso Dancing with the Stars conseguiu, pela primeira vez numa década, uma nomeação para Melhor Programa de Competição.
Os cinemas portugueses recebem seis estreias que dificilmente poderiam ser mais diferentes entre si. De um lado, o regresso em carne e osso de uma das princesas mais amadas da Disney e o sexto capítulo de uma das sagas de terror mais duradouras de Hollywood. Do outro, cinema de autor vindo de Cannes e Toronto, um biopic sobre Franz Kafka e uma comédia dramática com um elenco de peso mas percurso comercial modesto. Eis o que vale a pena saber sobre cada uma.
Vaiana estreia-se em carne e osso, com Dwayne Johnson a repetir o papel de Maui
A grande aposta comercial da semana é a versão live-action de Vaiana, dirigida por Thomas Kail. Catherine Laga’aia assume o papel principal, numa estreia que a coloca ao lado de Dwayne Johnson, que regressa como Maui dez anos depois da versão animada original. John Tui, Frankie Adams e Rena Owen completam o elenco, esta última no papel da avó Tala.
O filme segue a mesma história que tornou o original um fenómeno global: a jovem navegadora que parte à descoberta do oceano para salvar o seu povo. “How Far I’ll Go” volta a ser cantada no ecrã, com Lin-Manuel Miranda de regresso à composição de canções originais. A Disney tem um histórico recente de remakes live-action que abrem com força considerável nas bilheteiras — casos de Aladdin, O Rei Leão e Lilo & Stitch — e todos os sinais apontam para que Vaiana siga o mesmo caminho.
Evil Dead Burn traz Sam Raimi de volta à saga que ajudou a criar
Para os fãs de terror, a estreia da semana é Evil Dead Burn, sexto filme da franquia Evil Dead e sequela autónoma de Evil Dead (2013) e Evil Dead Rise (2023). Sébastien Vaniček dirige, com Sam Raimi de novo como produtor. Souheila Yacoub, Tandi Wright e Hunter Doohan protagonizam a história de uma viúva recente que procura consolo junto da família do marido, apenas para ver o reencontro familiar transformar-se em pesadelo quando o Livro dos Mortos volta a despertar Deadites.
Nos Estados Unidos, onde a Warner Bros. distribui o filme, as previsões apontam para uma abertura entre 30 e 40 milhões de dólares, o que representaria o melhor arranque de sempre da franquia. O género terror tem tido um ano particularmente forte nas bilheteiras em 2026, e Evil Dead Burn chega a Portugal pela Big Picture embalado nessa tendência.
George Washington chega a Portugal depois de surpreender nos EUA
Estreado nos Estados Unidos com o título Young Washington, George Washington já não é uma incógnita comercial. Realizado por Jon Erwin e centrado nos anos de juventude do futuro primeiro presidente norte-americano durante a Guerra Franco-Indígena, o filme junta William Franklyn-Miller no papel principal a Ben Kingsley e Andy Serkis.
A estreia norte-americana, pela Angel Studios, rendeu 19,3 milhões de dólares no fim de semana de abertura — o segundo melhor arranque de sempre do estúdio, atrás apenas de Sound of Freedom. O sucesso foi suficiente para o realizador anunciar uma sequela, já intitulada 1776, que deverá seguir Washington até à Revolução Americana. Chega agora a Portugal pela NOS Audiovisuais.
O Convite junta Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton
Com estreia marcada para 9 de julho pela Cinemundo, O Convite (The Invite, no título original) é a nova longa-metragem de Olivia Wilde como realizadora, a partir de um argumento de Will McCormack e Rashida Jones. Trata-se de um remake norte-americano de Els vents favorables, o filme espanhol de Cesc Gay conhecido internacionalmente como The People Upstairs.
A história acompanha um casal em crise que recebe os vizinhos de cima para jantar, numa única noite que expõe tudo o que já não funciona na relação. Seth Rogen, a própria Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton dão corpo às personagens. O filme estreou no Festival de Sundance com boa receção crítica, mas o lançamento limitado nos Estados Unidos pela A24 e as críticas mornas na imprensa levaram a uma bilheteira modesta — pouco mais de 1,3 milhões de dólares arrecadados mundialmente até agora, apesar do elenco de peso.
Franz revisita a vida de Kafka pela mão de Agnieszka Holland
A realizadora polaca Agnieszka Holland assina Franz, biopic sobre o escritor Franz Kafka que percorre a sua vida desde a infância em Praga até à morte prematura em 1924. Idan Weiss interpreta Kafka, com Peter Kurth e Katharina Stark no elenco. O filme, construído como um mosaico não-linear em torno da figura do autor, estreou mundialmente no Festival de Toronto de 2025.
Chega às salas portuguesas pela distribuidora No Comboio, com uma proposta claramente dirigida a um público de cinefilia e não ao circuito comercial: são 127 minutos de reflexão sobre a relação de Kafka com o pai, com os seus editores e com os amores da sua vida, mais do que uma biografia convencional.
Pelo Adam, de Laura Wandel, chega de Cannes com Léa Drucker
Fechando a lista está Pelo Adam (L’Intérêt d’Adam), thriller psicológico da realizadora belga Laura Wandel, apresentado na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2025. Léa Drucker interpreta Lucy, enfermeira-chefe de pediatria, e Anamaria Vartolomei dá corpo a Rebecca, mãe de um menino de quatro anos hospitalizado por desnutrição por ordem judicial. Quando Rebecca se recusa a respeitar os limites de visita impostos pelo tribunal, a situação escala.
Rodado quase em tempo real e com grande proximidade às personagens, o filme confirma Wandel — autora também de Un Monde (2022) — como uma das vozes mais interessantes do cinema social belga-francês da atualidade. Chega a Portugal pela Alambique, com distribuição inevitavelmente limitada face à sua natureza de autor.
Lola Tung, protagonista da série A Sete Léguas do Amor (The Summer I Turned Pretty), vai integrar o elenco de Please, o próximo filme de Halina Reijn, realizadora de Babygirl e Bodies Bodies Bodies, produzido pela A24. O acordo marca um salto significativo na carreira da atriz, que troca o registo essencialmente juvenil da série pela sensibilidade mais adulta e provocadora que tem definido o trabalho de Reijn nos últimos anos.
A escolha não é inocente: depois de Bodies Bodies Bodies, sátira geracional sobre um grupo de jovens ricos, e Babygirl, drama sobre desejo e poder que relançou a conversa em torno de Nicole Kidman, Reijn tornou-se uma das vozes mais interessantes a explorar a psicologia de personagens jovens em contextos de tensão social e sexual, um território que parece talhado para testar Tung fora da zona de conforto que a tornou popular.
Para a A24, reforçar o elenco com um nome já com base de fãs consolidada é também uma jogada comercial inteligente, sem abdicar da assinatura de autor que caracteriza o estúdio. Resta agora esperar por mais detalhes sobre o argumento e restante elenco de Please, que deverá continuar a reforçar-se nos próximos meses.