Vaiana, Evil Dead Burn e mais quatro estreias dividem os cinemas portugueses esta semana

Os cinemas portugueses recebem seis estreias que dificilmente poderiam ser mais diferentes entre si. De um lado, o regresso em carne e osso de uma das princesas mais amadas da Disney e o sexto capítulo de uma das sagas de terror mais duradouras de Hollywood. Do outro, cinema de autor vindo de Cannes e Toronto, um biopic sobre Franz Kafka e uma comédia dramática com um elenco de peso mas percurso comercial modesto. Eis o que vale a pena saber sobre cada uma.

Vaiana estreia-se em carne e osso, com Dwayne Johnson a repetir o papel de Maui

A grande aposta comercial da semana é a versão live-action de Vaiana, dirigida por Thomas Kail. Catherine Laga’aia assume o papel principal, numa estreia que a coloca ao lado de Dwayne Johnson, que regressa como Maui dez anos depois da versão animada original. John Tui, Frankie Adams e Rena Owen completam o elenco, esta última no papel da avó Tala.

O filme segue a mesma história que tornou o original um fenómeno global: a jovem navegadora que parte à descoberta do oceano para salvar o seu povo. “How Far I’ll Go” volta a ser cantada no ecrã, com Lin-Manuel Miranda de regresso à composição de canções originais. A Disney tem um histórico recente de remakes live-action que abrem com força considerável nas bilheteiras — casos de Aladdin, O Rei Leão e Lilo & Stitch — e todos os sinais apontam para que Vaiana siga o mesmo caminho.

Evil Dead Burn traz Sam Raimi de volta à saga que ajudou a criar

Para os fãs de terror, a estreia da semana é Evil Dead Burn, sexto filme da franquia Evil Dead e sequela autónoma de Evil Dead (2013) e Evil Dead Rise (2023). Sébastien Vaniček dirige, com Sam Raimi de novo como produtor. Souheila Yacoub, Tandi Wright e Hunter Doohan protagonizam a história de uma viúva recente que procura consolo junto da família do marido, apenas para ver o reencontro familiar transformar-se em pesadelo quando o Livro dos Mortos volta a despertar Deadites.

Nos Estados Unidos, onde a Warner Bros. distribui o filme, as previsões apontam para uma abertura entre 30 e 40 milhões de dólares, o que representaria o melhor arranque de sempre da franquia. O género terror tem tido um ano particularmente forte nas bilheteiras em 2026, e Evil Dead Burn chega a Portugal pela Big Picture embalado nessa tendência.

George Washington chega a Portugal depois de surpreender nos EUA

Estreado nos Estados Unidos com o título Young Washington, George Washington já não é uma incógnita comercial. Realizado por Jon Erwin e centrado nos anos de juventude do futuro primeiro presidente norte-americano durante a Guerra Franco-Indígena, o filme junta William Franklyn-Miller no papel principal a Ben Kingsley e Andy Serkis.

A estreia norte-americana, pela Angel Studios, rendeu 19,3 milhões de dólares no fim de semana de abertura — o segundo melhor arranque de sempre do estúdio, atrás apenas de Sound of Freedom. O sucesso foi suficiente para o realizador anunciar uma sequela, já intitulada 1776, que deverá seguir Washington até à Revolução Americana. Chega agora a Portugal pela NOS Audiovisuais.

O Convite junta Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton

Com estreia marcada para 9 de julho pela Cinemundo, O Convite (The Invite, no título original) é a nova longa-metragem de Olivia Wilde como realizadora, a partir de um argumento de Will McCormack e Rashida Jones. Trata-se de um remake norte-americano de Els vents favorables, o filme espanhol de Cesc Gay conhecido internacionalmente como The People Upstairs.

A história acompanha um casal em crise que recebe os vizinhos de cima para jantar, numa única noite que expõe tudo o que já não funciona na relação. Seth Rogen, a própria Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton dão corpo às personagens. O filme estreou no Festival de Sundance com boa receção crítica, mas o lançamento limitado nos Estados Unidos pela A24 e as críticas mornas na imprensa levaram a uma bilheteira modesta — pouco mais de 1,3 milhões de dólares arrecadados mundialmente até agora, apesar do elenco de peso.

Franz revisita a vida de Kafka pela mão de Agnieszka Holland

A realizadora polaca Agnieszka Holland assina Franz, biopic sobre o escritor Franz Kafka que percorre a sua vida desde a infância em Praga até à morte prematura em 1924. Idan Weiss interpreta Kafka, com Peter Kurth e Katharina Stark no elenco. O filme, construído como um mosaico não-linear em torno da figura do autor, estreou mundialmente no Festival de Toronto de 2025.

Chega às salas portuguesas pela distribuidora No Comboio, com uma proposta claramente dirigida a um público de cinefilia e não ao circuito comercial: são 127 minutos de reflexão sobre a relação de Kafka com o pai, com os seus editores e com os amores da sua vida, mais do que uma biografia convencional.

Pelo Adam, de Laura Wandel, chega de Cannes com Léa Drucker

Fechando a lista está Pelo Adam (L’Intérêt d’Adam), thriller psicológico da realizadora belga Laura Wandel, apresentado na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2025. Léa Drucker interpreta Lucy, enfermeira-chefe de pediatria, e Anamaria Vartolomei dá corpo a Rebecca, mãe de um menino de quatro anos hospitalizado por desnutrição por ordem judicial. Quando Rebecca se recusa a respeitar os limites de visita impostos pelo tribunal, a situação escala.

Rodado quase em tempo real e com grande proximidade às personagens, o filme confirma Wandel — autora também de Un Monde (2022) — como uma das vozes mais interessantes do cinema social belga-francês da atualidade. Chega a Portugal pela Alambique, com distribuição inevitavelmente limitada face à sua natureza de autor.

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