Tom Hardy pode estar a perder o papel em “MobLand” — e para quem acompanha a série, é uma notícia que custa a digerir

Vamos começar pelo que mais importa a quem acompanha a série: MobLand é uma das melhores séries de crime dos últimos anos, Tom Hardy como Harry Da Souza é uma das suas melhores performances televisivas — e agora o Hollywood Reporter informa que o seu futuro na série está “muito em limbo” devido a conflitos com os produtores. Para nós, que temos seguido Da Souza desde o primeiro episódio, é uma notícia que custa a digerir.

Segundo o Hollywood Reporter, Hardy não foi despedido — como outros meios chegaram a reportar — mas há discussões em curso sobre essa possibilidade. Os conflitos envolvem o produtor executivo Jez Butterworth e elementos da 101 Studios, a produtora por detrás das séries de Taylor Sheridan. A segunda temporada de MobLand terminou as rodagens em Março e a Paramount+ ainda não confirmou uma terceira temporada — embora tenha aberto uma sala de argumentistas para um potencial terceiro ciclo, o que é um sinal de intenção mas não uma garantia. 

Hardy interpreta Harry Da Souza, o fixer de uma família do crime organizado liderada por Helen Mirren e Pierce Brosnan — uma combinação de elenco que diz tudo sobre o nível de ambição da série. Paddy Considine, Joanne Froggatt e Jasmine Jobson completam um conjunto que Guy Ritchie produz executivamente, com o showrunner Ronan Bennett a assinar os argumentos. 

Esta não é a primeira vez que Hardy se envolve em conflitos no set. A tensão com Charlize Theron durante as filmagens de Mad Max: Fury Road é provavelmente o caso mais documentado — o realizador George Miller descreveu Hardy como alguém com “um dano mas também uma brilliance que vem com isso”, e apontou a sua habitual falta de pontualidade como fonte de atrito com Theron, que era “incrivelmente disciplinada — sempre a primeira no set”. “Não há desculpa para isso”, disse Miller, “e acho que há uma tendência neste negócio de usar grandes performances como desculpa para outras perturbações que poderiam ser evitadas.”

É uma frase que se aplica directamente ao dilema de MobLand: Hardy é extraordinário como Da Souza. A série pode sobreviver sem ele — o Hollywood Reporter diz explicitamente que o formato é suficientemente forte para continuar. Mas não seria a mesma coisa. E quem investiu duas temporadas nesta história sabe exactamente o que se perde se Harry Da Souza ficar mesmo por aqui.

O Late Show terminou com 6,74 milhões de espectadores — o episódio mais visto da era Colbert

Encontros do Cinema Português regressam a 28 de Maio — e trazem 40 novos projetos e um estudo inédito sobre o que os portugueses pensam do cinema nacional

“O Passageiro do Inferno” estreou ontem em Portugal — um dia antes dos Estados Unidos — e é terror da melhor escola

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

O Late Show terminou com 6,74 milhões de espectadores — o episódio mais visto da era Colbert

The Late Show with Stephen Colbert encerrou na quinta-feira com 6,74 milhões de espectadores em live + same-day — o episódio de dia de semana mais visto de toda a era Colbert, superando até o episódio de estreia de Setembro de 2015, que tinha reunido 6,55 milhões. É uma despedida que a CBS certamente não esperava quando cancelou o programa. 

Paul McCartney foi o único convidado do sofá na noite final — mas o episódio encheu-se de visitas dos colegas de late-night de Colbert: John Oliver, Seth Meyers, Jimmy Kimmel, Jimmy Fallon e Andy Cohen, além de Neil DeGrasse Tyson e Elvis Costello. É o tipo de reunião que só acontece quando toda a indústria reconhece que está a assistir ao fim de uma era. 

O contexto do cancelamento continua a pairar sobre o encerramento. O Late Show foi cancelado três semanas antes de David Ellison assumir formalmente o controlo da Paramount — e a CBS insistiu que foi “uma decisão puramente financeira” sem qualquer relação com o conteúdo do programa. Mas o cancelamento chegou dias depois de Colbert ter chamado ao acordo de 16 milhões de dólares da Paramount com Donald Trump “um suborno enorme” — e tem sido difícil para muitos acreditar que as duas coisas não estão relacionadas. 

The Late Show começou em Agosto de 1993 com David Letterman, que o abandonou em Maio de 2015 após 33 anos. Colbert assumiu em Setembro de 2015. Onze anos depois, o programa que sobreviveu a mudanças políticas, pandemias e guerras de audiências não sobreviveu à mudança de dono da rede. Acontece. 

Já tínhamos coberto a despedida antecipada com Letterman no telhado — mas os números do episódio final confirmam o que já se suspeitava: quando a audiência quer dizer adeus, aparece. 6,74 milhões de pessoas disseram adeus a Colbert. A CBS devia estar a corar.

Encontros do Cinema Português regressam a 28 de Maio — e trazem 40 novos projetos e um estudo inédito sobre o que os portugueses pensam do cinema nacional

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

Encontros do Cinema Português regressam a 28 de Maio — e trazem 40 novos projetos e um estudo inédito sobre o que os portugueses pensam do cinema nacional

A pergunta que o cinema português tem evitado fazer a si próprio durante décadas vai finalmente ter resposta. Na próxima quinta-feira, 28 de Maio, nos Cinemas NOS Vasco da Gama, a 11.ª edição dos Encontros do Cinema Português apresenta pela primeira vez um estudo de mercado dedicado exclusivamente à percepção dos portugueses sobre o cinema nacional — os seus hábitos de consumo, as barreiras que os afastam das salas, as expectativas e as motivações. Chama-se Cinema Português aos Olhos do Público e pode ser o documento mais útil que a indústria nacional produziu em anos.

O evento — promovido pela NOS Audiovisuais com apoio do ICA — reúne anualmente produtores, realizadores, distribuidores e exibidores num dia de reflexão sobre o estado e o futuro do sector. Em dez edições, passaram pelo encontro mais de 400 projetos e cerca de 2.500 participantes. Esta edição tem o mote Como transformar o cinema português num verdadeiro instrumento de audiências para as salas nacionais — uma formulação que reconhece abertamente aquilo que os dados de bilheteira confirmam ano após ano: o cinema português tem dificuldade em convencer o grande público a comprar bilhete.

A sessão de abertura está a cargo da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes. Ao longo do dia serão apresentados cerca de 40 novos projetos de longa-metragem — uma fotografia do que o cinema português vai ser nos próximos anos. A lista é suficientemente diversa para ser interessante: Santo António — O Casamenteiro de Lisboa de Ruben Alves (o realizador de A Gaiola Dourada), Carminho de Ana Rocha de Sousa, Playback de Sérgio Graciano — o biopic de Carlos Paião que já anunciámos e que chega aos cinemas em Agosto —, Memórias de um Cárcere também de Graciano, Ela Olhava Sem Nada Ver de Fanny Ardant — sim, a actriz francesa a realizar em Portugal — e O Dia em que Ewan McGregor Me Apresentou aos Seus Pais, de Marta Puig, que é simultaneamente o título mais longo e mais intrigante da lista.

Será também apresentado o estudo CresCine Produção de Cinema em Pequenos Países Europeus de Manuel Damásio, que coloca Portugal em perspectiva comparativa com outras cinematografias europeias de menor dimensão — uma análise que pode ajudar a perceber se os problemas do cinema português são únicos ou partilhados com outros mercados semelhantes.

O debate de encerramento, moderado por Graça Costa Pereira da SIC, reúne Susanna Barbato (NOS Audiovisuais), Luis Chabi (ICA), Manuel Damásio e os produtores Luis Urbano, Rui Lima Miranda e Paulo Branco. São nomes com visões muito diferentes sobre o que o cinema português deve ser — e essa diferença de perspectivas é precisamente o que torna o debate interessante.

Os Encontros do Cinema Português realizam-se a 28 de Maio nos Cinemas NOS Vasco da Gama, em Lisboa.

“O Passageiro do Inferno” estreou ontem em Portugal — um dia antes dos Estados Unidos — e é terror da melhor escola
TVCine Edition dedica dois domingos ao melhor cinema de festival que não passou por Cannes
As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

“O Passageiro do Inferno” estreou ontem em Portugal — um dia antes dos Estados Unidos — e é terror da melhor escola

Raramente um filme de terror estreia em Portugal antes de estrear nos Estados Unidos. O Passageiro do Inferno fez exactamente isso — chegou às salas portuguesas ontem, 21 de Maio, com um dia de avanço sobre o mercado americano. É um sinal de confiança da Paramount Pictures e da NOS Audiovisuais num filme que tem por detrás uma equipa com um historial invejável no género.

André Øvredal realiza — o norueguês de Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, dois dos títulos de terror mais respeitados da última década. A produção é de Walter Hamada, o homem por detrás dos universos The Conjuring e It — responsável por alguns dos maiores êxitos comerciais e críticos do terror contemporâneo. O argumento é de Gary Dauberman, que escreveu AnnabelleA Freira e It. É uma combinação de nomes que qualquer fã do género reconhece imediatamente — e que diz muito sobre o nível de ambição do projecto.

A premissa é clássica na sua eficácia: um jovem casal testemunha um acidente grave numa estrada isolada. Param. Saem do carro. E quando retomam a viagem, percebem que não saíram do local sozinhos. A presença que os acompanha — conhecida como “The Passenger” — não descansa e não negoceia. O que começa como uma noite fora do comum transforma-se numa luta pela sobrevivência contra algo que não obedece às regras do mundo físico.

Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo protagonizam. Scipio — que o público português conhece de Mau Rapaz e de A Esquadrão Suicida — lidera numa performance que as primeiras reacções descrevem como fisicamente exigente e emocionalmente contida. Leo, Óscar de Melhor Actriz de Apoio por The Fighter, traz ao filme o peso dramático que o género frequentemente dispensa e de que raramente não beneficiaria.

Øvredal tem uma assinatura muito específica como realizador de terror: constrói a ameaça através do que não se vê, instala o desconforto antes de o justificar e recusa a gratuitidade fácil dos sustos sem contexto. Autópsia de Jane Doe é um estudo de como o medo se instala quando a explicação racional vai falhando uma a uma. O Passageiro do Infernopromete a mesma lógica — desta vez numa estrada aberta que, paradoxalmente, oferece menos saídas do que uma sala fechada.

Já em cartaz nas salas portuguesas, com distribuição NOS Audiovisuais.

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas
Alec Baldwin respondeu a Elon Musk sobre o casting de Lupita Nyong’o em “The Odyssey” — e foi em duas linhas

TVCine Edition dedica dois domingos ao melhor cinema de festival que não passou por Cannes

Cannes tem toda a atenção — e merece-a. Mas o mapa do cinema contemporâneo é muito maior do que a Croisette, e o TVCine Edition decidiu prová-lo. Nos domingos de 24 e 31 de Maio, a partir das 15h20, o canal emite dez filmes distinguidos nos festivais mais relevantes do mundo — Berlim, Veneza, Sundance, San Sebastián, Karlovy Vary — num ciclo chamado Além Cannes que é, provavelmente, a programação televisiva mais ambiciosa do mês.

No domingo de 24 de Maio, a tarde começa com O Lugar do Trabalho de Michele Riondino — vencedor de três David di Donatello e cinco Nastri d’Argento, os prémios mais importantes do cinema italiano. Riondino, que é simultaneamente realizador e protagonista do filme, retrata a empresa siderúrgica ILVA de Taranto, a sua terra natal, através da história de Caterino, um operário recrutado para espiar os colegas que acaba confinado num edifício destinado a funcionários “incómodos”. É um retrato da violência do poder industrial com Elio Germano no elenco — às 15h20.

Até Sempre da norueguesa Lilja Ingolfsdóttir — Prémio Especial do Júri e Melhor Actriz em Karlovy Vary para Helga Guren — segue às 17h00: um drama sobre um casamento perfeito que desmorona quando o marido pede o divórcio sem explicação. Do Outro Lado do Muro de Kate Beecroft, vencedor do Prémio do Público em Sundance 2025, chega às 18h45 com a história de uma treinadora de cavalos viúva que cria um refúgio improvável para animais e jovens em risco. Na Linha da Frente de Petra Volpe — Melhor Filme no Haifa International Film Festival, Golden Frog no Camerimage — mostra a Leonie Benesch como enfermeira num turno que escapa progressivamente ao controlo, às 20h25. A noite fecha às 22h00 com Não Deixemos Que Tudo Se Perca Esta Noite, a estreia na realização de Embeth Davidtz — a actriz de A Lista de Schindler — numa adaptação das memórias de Alexandra Fuller sobre a infância no Zimbabué do final da Guerra de Independência.

O domingo de 31 de Maio é ainda mais denso. Pequenos Clarões de Pilar Palomero — Concha de Prata de Melhor Interpretação em San Sebastián para Patricia López Arnaiz — abre às 14h20 com um drama sobre uma mulher que volta a cruzar-se com o ex-marido doente após quinze anos de separação. Três Amigas de Emmanuel Mouret, em Veneza 2024, é a tragicomédia romântica mais elegante e mais melancólica de ver às 16h00: três mulheres, três relações, e a descoberta progressiva de que ninguém está a ser honesto com ninguém. Abril de Dea Kulumbegashvili — Prémio Especial do Júri em Veneza 2024 — chega às 18h00 com Ia Sukhitashvili como obstetra numa zona rural da Geórgia que ajuda mulheres em situações clandestinas de aborto. É um dos filmes mais corajosos do ciclo.

Kontinental ’25 de Radu Jude — Urso de Prata de Melhor Argumento em Berlim 2025 — é a sátira social do realizador romeno de Má Sorte no Sexo ou Porno Acidental sobre uma oficial de justiça que executa um despejo com consequências trágicas, às 20h15. O ciclo fecha às 22h00 com Na Terra dos Nossos Irmãos da dupla iraniana Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli — Melhor Realização em Sundance 2025 — sobre refugiados afegãos no Irão e o preço invisível de ser estrangeiro num país hostil.

Dez filmes, dois domingos, dez países diferentes. TVCine Edition e TVCine+.

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

Esta semana o cartaz português tem sete estreias — e pela primeira vez em sete anos, Star Wars está de volta ao grande ecrã. É o acontecimento cinematográfico da semana, mas não é o único motivo para ir ao cinema.

Star Wars: The Mandalorian e Grogu (NOS Audiovisuais, M/12) é o filme do momento — 140 minutos com Pedro Pascal como Din Djarin e o seu aprendiz Grogu numa missão para a Nova República, com Sigourney Weaver como a Coronel Ward e Jeremy Allen White num papel que a produção mantém em segredo. Jon Favreau realiza com um orçamento de 165 milhões de dólares e a promessa de um filme que funciona para quem nunca viu um episódio da série. As primeiras críticas estão nos 61% no Rotten Tomatoes — abaixo do esperado mas com audiências entusiastas. Em cartaz nos Cinemas NOS e UCI, com sessões em IMAX no NOS Colombo e Forum Almada.

O Passageiro do Inferno (NOS Audiovisuais) é o thriller de terror da semana — e vem com um nome por detrás que garante qualidade. André Øvredal, o realizador norueguês de Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, constrói a história de um jovem casal que testemunha um acidente numa estrada isolada e percebe que não saiu do local sozinho. Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo protagonizam. É o tipo de terror que trabalha a atmosfera antes de trabalhar os sustos — e Øvredal raramente desilude.

Família à Força (Outsider Films) é a comédia dramática francesa da semana: Sandrine Kiberlain como uma mulher que descobre, depois da morte do marido, que ele tinha uma família secreta — e que agora tem de lidar com os filhos que não sabia que existiam. Jean-Baptiste Léonetti realiza com o humor contido que o cinema francês domina como nenhum outro. 100 minutos, sem classificação etária indicada.

A Baleia Cantora (Pris Audiovisuais) completa o cartaz familiar — uma animação de aventura sobre uma baleia cantora e a missão de a proteger, realizada por Reza Memari com 91 minutos e adequada a todas as idades.

Para o público mais exigente, esta semana tem dois títulos que merecem atenção especial. Fogo do Vento, de Marta Mateus, é um drama português de 72 minutos com Soraia Prudêncio que passou por vários festivais internacionais — o cinema português mais radical e mais pessoal, para quem aprecia esse território. E Uma Mãe e o Seu Filho (Midas Filmes), do iraniano Saeed Roustaee — o realizador de Leila’s Brothers, um dos filmes mais aclamados de Cannes 2022 — é um drama de 131 minutos com Parinaz Izadyar e Payman Maadi sobre uma mãe que luta pelo filho numa sociedade que os esmaga. É cinema iraniano contemporâneo no seu melhor: denso, político e absolutamente humano.

Fecha o cartaz A Memória das Borboletas, um documentário de Tatiana Fuentes Sadowski sobre memória e identidade, com 77 minutos.