Cinema português em destaque na Europa: Laura Carreira vence Prémio Descoberta com 

On Falling Uma primeira longa-metragem que confirma um novo talento a seguir de perto

O cinema português voltou a merecer atenção internacional este fim-de-semana com a distinção de Laura Carreira, vencedora do Prémio Descoberta atribuído pela Academia Europeia de Cinema. O galardão foi entregue ao filme On Falling, a primeira longa-metragem da realizadora, que tem vindo a construir um percurso sólido e coerente entre Portugal e o Reino Unido.

Produzido numa parceria luso-britânica entre a BRO Cinema e a Sixteen Films, On Falling confirma Laura Carreira como uma das vozes mais interessantes do cinema europeu emergente, apostando num registo intimista, socialmente atento e profundamente contemporâneo.

Precariedade, solidão e emigração no centro da narrativa

O filme acompanha Aurora, uma jovem portuguesa emigrada na Escócia, cuja vida é marcada por empregos precários, rotinas extenuantes e uma solidão silenciosa que se vai instalando de forma quase invisível. Longe de discursos fáceis ou dramatizações excessivas, On Falling observa o quotidiano da personagem com uma câmara contida, quase documental, deixando que os pequenos gestos e silêncios falem por si.

É precisamente nesta abordagem discreta, mas emocionalmente incisiva, que reside a força do filme. Laura Carreira constrói um retrato honesto da experiência migrante contemporânea, tocando em temas como a alienação laboral, a fragilidade das redes de apoio e o desgaste psicológico de quem vive permanentemente “em queda”, num equilíbrio instável entre sobrevivência e identidade.

Um percurso de prémios que não pára de crescer

A distinção agora atribuída pela Academia Europeia de Cinema junta-se a um impressionante conjunto de prémios conquistados por On Falling ao longo do último ano. Em 2024, Laura Carreira venceu um prémio de realização no Festival de San Sebastián, um dos mais prestigiados eventos cinematográficos da Europa. O filme foi também distinguido no Festival de Cinema de Londres com o Prémio de Primeira Longa-Metragem.

Na Escócia, onde a realizadora vive e trabalha há mais de uma década, On Falling recebeu ainda dois prémios BAFTA Scotland — Melhor Argumento e Melhor Filme de Ficção — consolidando a recepção entusiasta da crítica britânica.

Joana Santos também em evidência

O reconhecimento internacional estende-se igualmente ao elenco. A actriz Joana Santos, protagonista do filme, foi distinguida no Festival Internacional de Cinema de Salónica, na Grécia, graças a uma interpretação contida, sensível e profundamente humana, que evita qualquer tentação de exagero dramático.

A sua composição de Aurora é fundamental para o impacto do filme, funcionando como âncora emocional de uma história onde o não-dito é tão importante quanto o que é verbalizado.

Um nome a fixar no novo cinema europeu

Depois das curtas-metragens Red Hill (2018) e The Shift (2020), On Falling marca um passo decisivo na carreira de Laura Carreira. A distinção da Academia Europeia de Cinema não só valida o percurso já feito, como projeta a realizadora portuguesa para um futuro onde o seu nome deverá continuar a surgir associado ao melhor cinema de autor europeu.

Sem ruído, sem pressa e sem concessões fáceis, On Falling prova que, por vezes, é nos gestos mais simples que se escondem os filmes mais duradouros.

Jimmy Kimmel satiriza Trump por “abraçar” Nobel Peace Prize como um biberão

O apresentador Jimmy Kimmel dedicou parte do seu monólogo no programa Jimmy Kimmel Live! a fazer uma crítica mordaz ao Donald Trump após este ter aceite, de forma simbólica, a medalha do Nobel Peace Prize de 2025 das mãos da líder da oposição venezuelana María Corina Machado.  

Machado tinha sido premiada pelo seu papel na resistência democrática no seu país, mas abraçou Trump com uma entrega de medalha durante uma visita à Casa Branca, gesto que rapidamente se tornou tema de debate público.  

Kimmel não poupou na ironia. Durante o segmento de abertura transmitido a 16 de janeiro, comparou a forma como Trump segurou a medalha à imagem de um bebé a chupar um biberão, sugerindo que o ex-presidente parecia mais interessado no troféu do que no reconhecimento ou no significado político do gesto.  

O apresentador também fez piada com a frustração alegada de Trump por não ter ganho o prémio oficialmente — um ponto que alimentou a sua sátira — e utilizou o momento para propor uma troca caricatural: ofereceu a Trump alguns dos seus próprios troféus, incluindo Emmys e outros prémios conquistados ao longo da carreira, em troca da retirada da agência federal ICE de Minneapolis, numa crítica bem-humorada mas cortante às políticas de imigração e à presença de agentes federais na cidade.  

Kimmel explorou ainda essa “troca de prémios” com humor adicional, lembrando que, se Trump gosta tanto de troféus, oferecer-lhe algo que ele valorize poderia, ironicamente, incentivá-lo a agir politicamente de acordo com os desejos do apresentador.  

A abordagem de Kimmel insere-se numa tradição de comédia política em que figuras da política são alvo de sátira no palco de programas late night, misturando crítica social com humor popular. 

Rachel Ward responde a críticos sobre o envelhecimento: “Sou agricultora agora — e mais feliz do que nunca”

A estrela de The Thorn Birds (Pássaros Caídos)  rejeita padrões de beleza e celebra uma nova fase da vida

Há figuras do cinema e da televisão que envelhecem sob os holofotes — e outras que decidem simplesmente viver. Rachel Ward, eternamente recordada como Maggie Cleary na icónica minissérie The Thorn Birds, pertence claramente ao segundo grupo. Aos 68 anos, a actriz australiana decidiu responder de forma elegante, irónica e profundamente serena às críticas que surgiram nas redes sociais sobre o seu aspecto actual.

Depois de alguns comentários menos simpáticos — os habituais “trolls” — questionarem o facto de Ward “parecer a sua idade”, a actriz recorreu ao Instagram para deixar uma mensagem clara: não tem qualquer receio de envelhecer e muito menos vontade de pedir desculpa por isso.

ler também : George R.R. Martin tem um trunfo escondido para o novo Game of Thrones — e pode mudar tudo

Num vídeo simples, sem maquilhagem, de cabelo grisalho curto e óculos de aro dourado, Ward começa por brincar com a situação, dizendo que tentou “fazer um bocadinho melhor hoje”, passando a mão pelo cabelo antes de lançar a verdadeira mensagem: “Não tenham medo de envelhecer”.

“Os 60 são um período maravilhoso”

Longe de qualquer tom defensivo, Rachel Ward optou por uma reflexão honesta e inspiradora sobre o passar do tempo. “É um período maravilhoso da vida, os 60”, afirmou, acrescentando que se sente “mais realizada do que nunca” e sem qualquer arrependimento por deixar para trás a juventude e a beleza tal como estas são entendidas pela indústria do entretenimento.

A actriz reconheceu que existe uma obsessão colectiva com a juventude, resumindo-a com ironia: “Juventude é beleza, beleza é juventude — e é tudo o que precisam de saber”. Mas logo a seguir desmontou essa lógica, explicando que, embora já não seja jovem, é “uma pessoa muito feliz”.

Para Ward, os anos mais tardios devem ser celebrados, não temidos. “Têm tantos outros presentes para oferecer que só os compreendemos quando lá chegamos”, sublinhou, numa mensagem que rapidamente gerou apoio e aplausos dos fãs.

Uma vida longe de Hollywood — e perto da terra

Rachel Ward não vive apenas afastada dos padrões estéticos de Hollywood; vive literalmente longe de Hollywood. Há vários anos que gere uma exploração pecuária na Austrália com o marido, Bryan Brown, também ele actor e colega de elenco em The Thorn Birds. “Sou agricultora agora”, escreveu com humor na legenda do vídeo, brincando com o facto de talvez devesse “arranjar o cabelo e pôr um bocadinho de batom” antes de aparecer nas redes sociais.

A actriz aproveitou ainda a ocasião para promover um novo projecto ligado à agricultura regenerativa, reforçando a ligação entre bem-estar, alimentação e respeito pela terra — e mostrando que esta nova fase da sua vida está longe de ser passiva ou nostálgica.

Um exemplo raro — e necessário

Num tempo em que tantas figuras públicas recorrem a procedimentos extremos para travar o inevitável, a postura de Rachel Ward destaca-se pela tranquilidade e coerência. Sem discursos moralistas nem ataques pessoais, a actriz limitou-se a afirmar algo simples e poderoso: envelhecer não é uma falha, é um privilégio.

ler também : Speedy Gonzales acelera rumo ao cinema: Warner Bros. recupera o rato mais rápido do México

E talvez seja por isso que, décadas depois de The Thorn Birds, continua a ser admirada — não apenas pelo que foi em frente às câmaras, mas pelo que escolheu ser fora delas.

George R.R. Martin tem um trunfo escondido para o novo Game of Thrones — e pode mudar tudo

O prequel mais discreto de Westeros guarda um segredo inesperado

Quando se fala em novos projectos no universo de Game of Thrones, a expectativa costuma girar em torno de dragões, intrigas políticas sangrentas e batalhas épicas. A Knight of the Seven Kingdoms segue por um caminho bem diferente — e é precisamente aí que reside a sua maior força. A nova série da HBO, centrada nas aventuras de Dunk e Egg, é mais pequena em escala, mais leve no tom… mas pode ter um futuro muito maior do que se imaginava.

ler também: O novo mistério de Agatha Christie da Netflix transforma o oeste de Inglaterra num palco de crime elegante

O responsável pela série, Ira Parker, revelou que George R. R. Martin lhe confiou 12 histórias inéditas de Dunk e Egg — narrativas que nunca foram publicadas e que acompanham as personagens ao longo de toda a vida. Um detalhe que pode transformar um projecto inicialmente pensado para três temporadas numa saga de longo fôlego dentro de Westeros.

Dunk e Egg: heróis sem dragões nem feitiços

A Knight of the Seven Kingdoms acompanha Ser Duncan, o Alto, um cavaleiro errante sem fortuna, interpretado por Peter Claffey, e o seu jovem escudeiro Egg, vivido por Dexter Sol Ansell — uma criança com um segredo que os fãs do universo criado por Martin rapidamente reconhecerão. A série passa-se cerca de 90 anos antes dos acontecimentos de Game of Thrones e abdica propositadamente de magia, dragões e grandes exércitos.

O resultado é uma narrativa mais intimista, construída a partir de diálogos, relações humanas e pequenos conflitos morais. A primeira temporada conta apenas com seis episódios, muitos deles com menos de 40 minutos, numa decisão que Parker considera essencial para manter a história coesa e fiel às novelas originais, começando por The Hedge Knight.

Uma adaptação fiel — com Martin sempre por perto

Ao contrário do que aconteceu nas últimas temporadas de Game of Thrones, George R. R. Martin esteve profundamente envolvido neste projecto. Leu versões iniciais de todos os episódios, deu feedback directo — e nem sempre gentil — e participou em reuniões criativas desde a fase embrionária da série.

Segundo Parker, Martin não só aprovou as alterações necessárias à adaptação televisiva como ajudou a preencher os espaços entre as histórias, oferecendo contexto e ideias que nunca chegaram ao papel. É aqui que entram as tais 12 histórias secretas: algumas resumidas em poucos parágrafos, outras mais desenvolvidas, mas todas traçando o percurso completo de Dunk e Egg ao longo dos anos.

Um futuro aberto… se o público quiser

Oficialmente, o plano da HBO passa por adaptar apenas as três novelas publicadas por Martin. No entanto, Parker não esconde a ambição: faria 12 temporadas, espaçadas ao longo de décadas, acompanhando o envelhecimento natural das personagens — à semelhança de Boyhood, de Richard Linklater.

A grande incógnita continua a ser a reacção do público. Sem dragões, sem grandes reviravoltas chocantes logo no primeiro episódio e com um ritmo assumidamente paciente, A Knight of the Seven Kingdoms aposta no charme, na química entre personagens e numa visão mais humana de Westeros.

ler também : O primeiro filme imperdível de 2026 já está na Netflix — e junta Damon e Affleck num jogo perigoso

Se isso for suficiente para conquistar os fãs, George R. R. Martin já garantiu que há histórias de sobra para muitos anos.

O novo mistério de Agatha Christie da Netflix transforma o oeste de Inglaterra num palco de crime elegante

De Bath a Somerset, uma produção de época com impacto real

A Netflix voltou a apostar forte no universo de Agatha Christie e escolheu o oeste de Inglaterra como cenário privilegiado para The Seven Dials Mystery, um novo thriller de época que já está a dar que falar — não só pelo elenco e pedigree criativo, mas também pelo impacto económico e cultural deixado nas regiões onde foi filmado.

ler também : O Exorcista regressa aos carris: Mike Flanagan e Scarlett Johansson apontam estreia para 2027

A série, escrita por Chris Chibnall (criador de Broadchurch), centra-se num homicídio ocorrido numa luxuosa casa de campo, recuperando todo o charme, tensão e elegância associados às melhores adaptações da autora britânica. Para dar vida a este mistério, a produção passou por locais emblemáticos como Bristol, a West Somerset Railway e a icónica Great Pulteney Street, em Bath.

Um elenco de luxo para um crime clássico

À frente do elenco estão Martin Freeman e Helena Bonham Carter, dois nomes que dispensam apresentações e que prometem dar profundidade e ambiguidade moral a uma história onde nada é exactamente o que parece. A combinação de um argumento de Chibnall com este duo de actores eleva imediatamente as expectativas, sobretudo entre os fãs de mistérios clássicos com um toque moderno.

Comboios históricos, hotéis do século XV e cenários “limpos” de modernidade

Um dos destaques da rodagem foi a escolha da West Somerset Railway, uma linha ferroviária histórica que serpenteia junto à costa, passando por paisagens de cortar a respiração. Segundo a responsável de locais, Dee Gregson, a equipa procurava um cenário rural e visualmente marcante onde o comboio pudesse parar num ponto “verdadeiramente cinematográfico”. A solução surgiu junto à baía de Blue Anchor, com vista para o mar e o campo — uma escolha que promete resultar em imagens memoráveis.

Durante as filmagens, elenco e equipa ficaram alojados no Luttrell Arms Hotel, em Dunster, uma unidade do século XV. A proprietária, Anne Way, revelou que os actores foram “encantadores”, destacando o interesse particular de Helena Bonham Carter pelos interiores históricos do edifício.

Em Bath, o trabalho foi igualmente minucioso. Durante dois dias de filmagens, as equipas locais passaram semanas a remover qualquer vestígio de vida moderna: paragens de autocarro, caixotes do lixo, iluminação contemporânea e sinalética actual desapareceram temporariamente para devolver à cidade o seu ar de época.

Um mistério que deixa marcas fora do ecrã

Para além do valor artístico, The Seven Dials Mystery teve um impacto económico significativo. O Conselho de Bath e North East Somerset confirmou a geração de receitas directas, bem como benefícios claros para hotéis, restauração e outras áreas ligadas à hospitalidade. Houve ainda donativos feitos pela produção a organizações locais, reforçando a relação positiva entre a indústria audiovisual e a região.

ler também : Speedy Gonzales acelera rumo ao cinema: Warner Bros. recupera o rato mais rápido do México

Com um cenário deslumbrante, uma equipa criativa sólida e um elenco de primeira linha, esta nova adaptação de Agatha Christie promete ser mais um trunfo da Netflix no campo do crime elegante. E, pelo caminho, ajudou a mostrar que o oeste de Inglaterra continua a ser um segredo bem guardado… agora com cadáver incluído.

Speedy Gonzales acelera rumo ao cinema: Warner Bros. recupera o rato mais rápido do México

Um clássico dos Looney Tunes prepara finalmente o salto a solo

Depois de anos a surgir apenas de raspão no grande ecrã, Speedy Gonzales está novamente em desenvolvimento para um filme próprio. A Warner Bros. Pictures Animation voltou a pôr o projecto em marcha e já escolheu quem vai liderar esta nova corrida: Jorge R. Gutiérrez, um dos nomes mais reconhecidos da animação contemporânea com forte identidade cultural.

ler também : O primeiro filme imperdível de 2026 já está na Netflix — e junta Damon e Affleck num jogo perigoso

Para já, o estúdio mantém tudo em segredo: não há elenco anunciado, não existe data de estreia e o argumento ainda não tem guionista associado. Ainda assim, a simples confirmação de que Speedy Gonzales terá finalmente um filme autónomo é suficiente para entusiasmar fãs de várias gerações.

Mais de 70 anos de velocidade, humor e polémica

Criado nos anos 40, Speedy Gonzales é uma das personagens mais icónicas do universo Looney Tunes, conhecido como “o rato mais rápido de todo o México”. Ao longo de décadas, conquistou público com a sua astúcia, rapidez e humor físico, mas também se tornou uma figura controversa, frequentemente discutida à luz das mudanças culturais e sociais.

Nos últimos anos, a Warner optou por reduzir a sua presença a participações pontuais em projectos como Space Jam: A New Legacy ou na série infantil Bugs Bunny Builders. Agora, o estúdio parece confiante numa reinterpretação que respeite o legado da personagem, mas que fale para um público global e contemporâneo.

Jorge R. Gutiérrez: identidade visual e cultural forte

A escolha de Jorge R. Gutiérrez não é inocente. O realizador destacou-se com projectos como The Book of Life e a série Maya and the Three, sempre com uma abordagem visual exuberante e um profundo respeito pela cultura mexicana e latino-americana.

Bill Damaschke, presidente da Warner Bros. Pictures Animation, descreveu Gutiérrez como “um contador de histórias singular”, sublinhando que a sua voz artística consegue ser simultaneamente intemporal e moderna — uma combinação essencial para reinventar Speedy Gonzales sem o descaracterizar.

Um projecto antigo que regressa à vida

Esta não é a primeira tentativa de levar Speedy Gonzales para o cinema. Em 2016, esteve em desenvolvimento um filme intitulado Speedy, com Eugenio Derbez associado ao projecto. A ideia acabou por morrer na secretária dos estúdios, muito por receios ligados à sensibilidade cultural da personagem. Em 2024, Derbez chegou mesmo a afirmar que Hollywood tinha “medo” do politicamente incorrecto.

Resta saber se algum elemento dessa versão será reaproveitado ou se esta nova abordagem começará completamente do zero.

Um futuro animado para os Looney Tunes

O regresso de Speedy Gonzales surge numa fase curiosa para a Warner. Ao mesmo tempo que o estúdio volta a apostar nas suas personagens clássicas, projectos outrora dados como perdidos começam a ressurgir, como Coyote vs. Acme, agora com estreia prevista para Agosto de 2026 através da Ketchup Entertainment.

ler também : O Exorcista regressa aos carris: Mike Flanagan e Scarlett Johansson apontam estreia para 2027

Ainda sem data definida, o filme de Speedy Gonzales deverá chegar depois disso, integrando uma nova vaga de adaptações animadas que procuram equilibrar nostalgia, identidade cultural e sensibilidades modernas. Uma coisa é certa: desta vez, o rato mais rápido do México parece mesmo não estar disposto a ficar para trás.

O primeiro filme imperdível de 2026 já está na Netflix — e junta Damon e Affleck num jogo perigoso

Quando dois velhos amigos trocam a comédia pela tensão máxima

Há duplas que o cinema aprendeu a respeitar com o passar das décadas, e a de Matt Damon e Ben Affleck pertence claramente a esse clube restrito. Amigos desde a adolescência em Boston, parceiros criativos há quase 30 anos e vencedores de Óscares, os dois regressam agora lado a lado em The Rip, um thriller de acção duro, sombrio e surpreendentemente diferente do que habitualmente associamos a esta dupla.

ler também : Matt Damon e a cultura do cancelamento: “Segue-te até à campa”

Disponível na NetflixThe Rip assume-se já como o primeiro filme verdadeiramente obrigatório de 2026 no streaming, apostando numa narrativa seca, sem filtros, e num ambiente onde a confiança é tão escassa quanto a moralidade.

Polícias corruptos, dinheiro sujo e desconfiança total

No centro da história estão dois agentes da polícia envolvidos numa investigação sensível sobre colegas corruptos que desviam dinheiro de casas de droga durante rusgas. Damon interpreta o tenente Dane Dumars, enquanto Affleck dá vida ao sargento-detetive JD Byrne. O que começa como mais um caso incómodo rapidamente se transforma num jogo psicológico perigoso quando Byrne começa a suspeitar que o próprio parceiro pode não ser tão íntegro quanto aparenta.

A partir daí, The Rip constrói-se como um duelo silencioso entre duas personagens que se conhecem demasiado bem — um detalhe que ganha uma camada extra de interesse quando sabemos que Damon e Affleck são amigos inseparáveis fora do ecrã. Essa proximidade real é usada de forma inteligente pelo filme, transformando cumplicidade em ameaça e confiança em potencial sentença de morte.

Joe Carnahan e a herança de Tony Scott

A realização está a cargo de Joe Carnahan, conhecido por Smokin’ Aces e The Grey, que aqui assume sem pudor a influência do cinema de Tony Scott. O ritmo intenso, a atmosfera crua e o lado quase “B-movie” do projecto são escolhas conscientes, pensadas para servir uma história directa, agressiva e sem grandes concessões ao conforto do espectador.

Carnahan revelou que quis explorar precisamente a relação real entre Damon e Affleck para reforçar o conflito dramático: dois homens que, no ecrã, são obrigados a confiar um no outro quando tudo à sua volta indica que isso pode ser um erro fatal.

Recepção crítica e reacções do público

Apesar de algumas críticas apontarem um tom excessivamente sombrio, The Rip tem sido bem recebido no geral. O filme apresenta actualmente uma pontuação de 84% no Rotten Tomatoes, com elogios frequentes à química entre os protagonistas e à sua energia de thriller clássico, quase artesanal, num panorama cada vez mais dominado por fórmulas previsíveis.

É também refrescante ver Damon e Affleck longe da comédia ou de projectos mais auto-referenciais. Aqui, ambos apostam num registo contido, tenso e adulto, lembrando porque continuam a ser duas das figuras mais interessantes do cinema americano contemporâneo.

Um regresso que vale mesmo a pena

The Rip pode não ser um filme para todos os gostos, mas é exactamente esse risco que o torna relevante. Num catálogo saturado de apostas seguras, esta colaboração entre Damon, Affleck e Carnahan destaca-se como uma proposta diferente, madura e sem medo de incomodar.

ler também : The White Lotus reforça elenco da 4.ª temporada com Steve Coogan e uma aposta inesperada

Se 2026 precisava de um ponto de partida forte no streaming, a Netflix encontrou-o com dois velhos amigos a jogarem um jogo onde perder não é opção.

O Exorcista regressa aos carris: Mike Flanagan e Scarlett Johansson apontam estreia para 2027

A nova visão para um clássico do terror volta a ter data marcada

Depois de meses de incerteza, o novo The Exorcist já tem finalmente uma data oficial de estreia. A Universal confirmou que o filme, descrito como um “radical redo” do clássico do terror, chegará aos cinemas a 12 de Março de 2027, reassumindo um lugar de destaque no calendário de lançamentos de primavera.

ler também : The White Lotus reforça elenco da 4.ª temporada com Steve Coogan e uma aposta inesperada

O projecto, escrito, realizado e produzido por Mike Flanagan, contará com Scarlett Johansson no papel principal e representa uma aposta clara do estúdio numa reinvenção profunda — e não numa simples continuação — de um dos títulos mais influentes da história do cinema de terror.

Inicialmente previsto para Março de 2026, o filme acabou por ser retirado do calendário no Verão passado, levantando dúvidas sobre o seu estado de desenvolvimento. A confirmação agora divulgada devolve alguma estabilidade ao projecto e reforça a confiança da Universal nesta nova abordagem ao universo criado por William Friedkin em 1973.

Um Exorcista desligado do franchise recente

Ao contrário do que aconteceu com The Exorcist: Believer, este novo filme não terá qualquer ligação narrativa ao reboot iniciado em 2023. A versão de Flanagan será uma história totalmente independente, sem continuidade directa com os capítulos recentes do franchise, uma decisão que parece alinhar-se com a filosofia criativa do realizador.

The Exorcist: Believer, recorde-se, arrecadou 65,5 milhões de dólares na América do Norte e 136,2 milhões a nível mundial — números respeitáveis, mas aquém das expectativas criadas após a aquisição dos direitos por parte da NBCUniversal, Peacock e Blumhouse em 2021. A nova estratégia passa, assim, por começar do zero.

Flanagan em modo total, após uma década de sucesso

A confirmação do envolvimento total de Mike Flanagan surgiu em Maio de 2024, numa altura em que o realizador vivia um dos pontos mais altos da sua carreira. Séries como The Haunting of Hill HouseMidnight Mass e The Fall of the House of Usher consolidaram o seu estatuto como uma das vozes mais respeitadas do terror contemporâneo, tanto junto do público como da crítica.

No cinema, Flanagan deixou igualmente marca com Doctor Sleep e, mais recentemente, com The Life of Chuck, provando uma versatilidade rara dentro do género.

A entrada de Scarlett Johansson no elenco reforçou ainda mais o peso do projecto, seguindo-se a confirmação de Jacobi Jupe, conhecido pelo drama Hamnet.

Uma produção de luxo para um regresso ambicioso

O filme é uma co-produção entre Blumhouse Productions, Atomic Monster e Morgan Creek Entertainment, em associação com Red Room Pictures. A produção está a cargo de Jason Blum, David Robinson e do próprio Flanagan, com Alexandra Magistro e Ryan Turek como produtores executivos.

ler também : O Futuro de Star Wars Começa a Ganhar Forma: Taika Waititi, Filmes Independentes e Personagens-Chave em Jogo

Com uma data sólida, uma equipa criativa de peso e a promessa de uma abordagem verdadeiramente nova, The Exorcistde Mike Flanagan perfila-se como um dos títulos de terror mais aguardados da segunda metade da década. A questão que se coloca agora é simples — mas assustadora: conseguirá esta nova visão fazer justiça a um dos filmes mais perturbadores de sempre?

The White Lotus reforça elenco da 4.ª temporada com Steve Coogan e uma aposta inesperada

A sátira de luxo da HBO prepara-se para mudar de cenário

A quarta temporada de The White Lotus continua a ganhar forma e promete manter — ou até elevar — o estatuto de uma das séries mais comentadas da última década. A HBO confirmou a entrada de Steve Coogan e de Caleb Jonte Edwardsno elenco da nova temporada, juntando-se a um conjunto de nomes que mistura estrelas consagradas e rostos ainda pouco conhecidos do grande público.

ler também : Matt Damon e a cultura do cancelamento: “Segue-te até à campa”

Como já é tradição na série criada por Mike White, os detalhes sobre as personagens permanecem em absoluto segredo, assim como a linha narrativa específica da temporada. A única certeza é que voltaremos a acompanhar, ao longo de uma semana, um novo grupo de hóspedes e funcionários de um hotel White Lotus, com todas as tensões sociais, hipocrisias e conflitos morais que isso inevitavelmente implica.

De Saint-Tropez para o mundo: a nova localização

Depois de passar pelo Havai, Itália e Tailândia, a quarta temporada de The White Lotus muda-se para França, tendo como epicentro o luxuoso Château de la Messardière, em Saint-Tropez. A escolha do local encaixa na perfeição no ADN da série: riqueza ostensiva, paisagens idílicas e um ambiente onde os privilégios se cruzam com frustrações mal disfarçadas.

A França, com o seu imaginário associado ao glamour, à decadência elegante e às tensões de classe, surge como um terreno fértil para a abordagem mordaz que Mike White tem vindo a afinar desde a primeira temporada.

Steve Coogan: humor ácido num contexto perfeito

A entrada de Steve Coogan é particularmente interessante. O actor britânico, duas vezes nomeado aos Óscares, é mundialmente conhecido pela personagem Alan Partridge, um ícone da comédia desconfortável e socialmente embaraçosa. A sua presença sugere uma personagem potencialmente deliciosa num universo onde o ridículo das elites é constantemente exposto.

Nos últimos anos, Coogan tem alternado entre televisão e cinema, com participações em séries como The Sandman, e prepara-se ainda para integrar o thriller Legends, da Netflix, bem como Love Is Not the Answer, a estreia na realização de Michael Cera.

Um nome novo num palco de luxo

Já Caleb Jonte Edwards representa o outro lado da moeda. Praticamente desconhecido, o actor australiano tem como principal crédito uma participação na série Black Snow. A sua contratação confirma uma tendência recorrente em The White Lotus: colocar actores emergentes ao lado de estrelas estabelecidas, criando dinâmicas inesperadas tanto dentro como fora do ecrã.

Além de Coogan e Edwards, a temporada contará ainda com Alexander Ludwig e AJ Michalka. Há também negociações em curso com Helena Bonham Carter e conversas preliminares com Chris Messina, embora nenhuma destas participações esteja ainda confirmada oficialmente.

Expectativas elevadas para mais uma temporada

Criada, escrita e realizada por Mike White, com produção executiva de David Bernad e Mark KamineThe White Lotustornou-se um raro fenómeno de crítica e público. Cada nova temporada traz um novo começo, mas mantém uma identidade tão forte que o simples anúncio de elenco já é suficiente para gerar expectativa.

ler também : Pamela Anderson Continua à Espera de um Pedido de Desculpas de Seth Rogen por “Pam & Tommy”

Com França como pano de fundo e um elenco que cruza experiência, risco e curiosidade, a quarta temporada promete continuar a dissecar, com humor negro e precisão cirúrgica, os vícios e contradições de quem pode pagar o luxo… mas não escapar a si próprio.

Matt Damon e a cultura do cancelamento: “Segue-te até à campa”

Declarações fortes num podcast sem filtros

Durante a promoção de The Rip, o novo projecto da Netflix, Matt Damon e Ben Affleck passaram pelo mediático The Joe Rogan Experience, um espaço conhecido por conversas longas, directas e, muitas vezes, polémicas. Foi aí que Damon deixou uma das reflexões mais duras que se lhe ouviram nos últimos anos sobre a chamada “cultura do cancelamento” em Hollywood — e não só.

ler também : “Alright, Alright, Alright”… Com Direitos Reservados: Matthew McConaughey Avança Contra o Uso Indevido de IA

Segundo o actor, ser “cancelado” é um castigo sem fim, sem possibilidade de redenção pública. “Isto segue-te para sempre”, afirmou, acrescentando que acredita que algumas das pessoas alvo desse fenómeno “preferiam ir para a prisão durante 18 meses” do que viver com o estigma eterno associado a um erro passado. A comparação é extrema, mas resume bem a ideia central de Damon: ao contrário da justiça formal, a condenação social não prevê cumprimento de pena nem absolvição.

Joe Rogan, por seu lado, definiu o cancelamento como a amplificação máxima de um erro isolado, usada para expulsar alguém da vida pública “para toda a vida”. Damon concordou sem hesitações, sublinhando que, uma vez marcada, a pessoa nunca se livra totalmente desse rótulo — mesmo quando pede desculpa, explica o contexto ou demonstra evolução.

Um tema que Damon conhece bem

As palavras do actor não surgem no vazio. Em 2021, Matt Damon esteve no centro de uma forte polémica depois de uma entrevista ao The Sunday Times, onde afirmou ter deixado de usar um termo ofensivo apenas “há alguns meses”, após uma conversa com a filha. A reacção foi imediata e intensa, sobretudo nas redes sociais, levando Damon a esclarecer a situação num comunicado à Variety.

Nesse texto, explicou que nunca utilizou insultos desse género na sua vida pessoal e que a conversa com a filha foi, acima de tudo, um exercício de contextualização histórica e social. Longe de se colocar como vítima, Damon reconheceu que compreendia porque motivo as suas palavras tinham sido mal interpretadas e reafirmou publicamente o seu apoio à comunidade LGBTQ+.

A controvérsia acabou por não deixar marcas profundas na sua carreira, algo que o próprio Damon reconhece como um privilégio que nem todos têm. Ainda assim, a experiência parece ter reforçado a sua visão crítica sobre a forma como a indignação pública se transforma, muitas vezes, numa punição perpétua.

Carreira intacta e novos desafios no horizonte

Apesar do ruído mediático, Damon continuou a ser presença regular em grandes produções de Hollywood. Participou em Air, destacou-se em Oppenheimer e prepara-se para regressar ao grande ecrã como protagonista de The Odyssey, o ambicioso novo projecto de Christopher Nolan.

ler também . Pamela Anderson Continua à Espera de um Pedido de Desculpas de Seth Rogen por “Pam & Tommy”

As declarações no podcast não são, portanto, o desabafo de alguém afastado da indústria, mas sim a reflexão de um actor no topo, consciente dos seus privilégios e das contradições do sistema em que trabalha. Concorde-se ou não com a analogia entre cancelamento e prisão, Damon levanta uma questão incómoda: existe espaço para erro, aprendizagem e redenção na era digital, ou estamos condenados a arrastar o passado para sempre?

No mínimo, a conversa volta a provar que, quando Matt Damon fala fora do guião, Hollywood — e a Internet — pára para ouvir.

“Alright, Alright, Alright”… Com Direitos Reservados: Matthew McConaughey Avança Contra o Uso Indevido de IA

Um precedente histórico na defesa da imagem e da voz das estrelas de Hollywood

Matthew McConaughey deu um passo inédito na indústria do entretenimento ao registar oficialmente a sua imagem, voz e uma das frases mais icónicas da história do cinema — o célebre “alright, alright, alright” — com o objectivo claro de travar o uso abusivo de inteligência artificial. Segundo o Wall Street Journal, trata-se da primeira vez que um actor tenta recorrer à lei das marcas registadas como escudo legal contra a apropriação não autorizada da sua identidade por plataformas de IA.

ler também : Pamela Anderson Continua à Espera de um Pedido de Desculpas de Seth Rogen por “Pam & Tommy”

A frase eternizada em Dazed and Confused passou assim a constar da base de dados do United States Patent and Trademark Office, juntamente com vários excertos audiovisuais associados ao actor. A medida surge num contexto de crescente preocupação em Hollywood, onde deepfakes, vozes sintéticas e imagens geradas por IA têm vindo a proliferar sem controlo — muitas vezes sem consentimento e com claros impactos reputacionais e financeiros.

Proteger hoje… e valorizar amanhã

Os advogados de McConaughey admitem que, até ao momento, não existem provas concretas de que a sua imagem ou voz tenham sido manipuladas por IA. Ainda assim, o objectivo é preventivo — e estratégico. Kevin Yorn, um dos representantes legais do actor, explicou que a iniciativa pretende também “capturar parte do valor económico que está a ser criado por esta nova tecnologia”.

O próprio McConaughey foi claro quanto às suas intenções: quer garantir que qualquer utilização futura da sua voz ou imagem seja feita com consentimento explícito. “Queremos criar um perímetro claro de propriedade, onde a autorização e a atribuição sejam a norma num mundo dominado pela IA”, afirmou.

Curiosamente, vários dos registos foram feitos através do braço comercial da Just Keep Livin Foundation, organização criada pelo actor e pela sua mulher, Camila Alves, o que reforça a dimensão ética e institucional da decisão.

Um problema que não pára de crescer

Especialistas em direito digital consideram este movimento particularmente relevante. Alina Trapova, professora de direito de autor na University College London, sublinha que os famosos enfrentam hoje um dilema duplo: danos de reputação e perda de oportunidades de licenciamento. Num mercado onde a “comercialização não autorizada” de identidades digitais se torna cada vez mais fácil, as figuras públicas estão a experimentar novas formas de protecção jurídica.

O caso de McConaughey não surge isolado. Scarlett Johansson denunciou publicamente uma voz sintética “assustadoramente semelhante” à sua, lançada pela OpenAI em 2024. Taylor Swift foi alvo de vídeos sexualizados gerados por IA sem qualquer pedido prévio. E, em 2025, Disney e Universal Pictures avançaram com um processo contra a Midjourney, acusando a empresa de “plágio em escala industrial”.

Ironia do destino: McConaughey também investe em IA

Apesar da posição firme, McConaughey não é um opositor radical da tecnologia. O actor é investidor na ElevenLabs, especializada em modelação de voz por IA, e já autorizou a criação de uma versão sintética da sua própria voz. A diferença, sublinha, está no consentimento.

ler também: Jennifer Lawrence Diz que Perdeu Papel em Filme de Tarantino por “Não Ser Bonita o Suficiente”

Tudo indica que o gesto de McConaughey poderá abrir caminho a uma nova vaga de protecção legal no sector criativo. Num mundo onde a tecnologia corre mais depressa do que a lei, Hollywood começa, finalmente, a reagir.

Pamela Anderson Continua à Espera de um Pedido de Desculpas de Seth Rogen por “Pam & Tommy”

“Foi estranho e desconfortável”: a ferida que a série nunca fechou

Anos depois da estreia de Pam & TommyPamela Anderson continua a lidar com as consequências emocionais de ver um dos episódios mais traumáticos da sua vida transformado em entretenimento televisivo — sem o seu consentimento. Numa conversa recente com Andy Cohen, a actriz confessou que ainda aguarda um pedido de desculpas de Seth Rogen, que participou na série como actor e produtor executivo.

ler também : Jennifer Lawrence Diz que Perdeu Papel em Filme de Tarantino por “Não Ser Bonita o Suficiente”

As declarações surgem na sequência da presença de ambos na gala dos Golden Globe Awards, no ano passado. Anderson esteve nomeada pelo filme The Last Showgirl, enquanto Rogen concorria — e acabaria por vencer — graças à série The Studio. A proximidade física entre os dois na cerimónia foi suficiente para reacender sentimentos que, claramente, nunca desapareceram.

“Não sou invisível”: o desconforto de partilhar o mesmo espaço

Segundo Pamela Anderson, ver Seth Rogen “mesmo ali ao lado” deixou-a profundamente desconfortável. Não houve confronto directo, mas houve um confronto interior. A actriz admite que, na sua cabeça, disse tudo aquilo que nunca teve oportunidade de dizer pessoalmente. O simples facto de Rogen ter participado numa série baseada num período tão doloroso da sua vida, sem nunca falar consigo, continua a ser algo difícil de aceitar.

Para Anderson, a questão vai muito além da fama ou da exposição pública. O argumento de que figuras públicas não têm direito à privacidade é, para ela, uma falácia perigosa. A actriz sublinha que tragédias pessoais, traumas íntimos e momentos de vulnerabilidade não deveriam ser “material livre” para séries televisivas — sobretudo quando as pessoas retratadas continuam vivas e nunca foram ouvidas.

A série que reabriu velhas feridas

Pam & Tommy, lançada em 2022, baseia-se num artigo da Rolling Stone publicado em 2014 e retrata a divulgação não autorizada da sex tape de Pamela Anderson e Tommy Lee, roubada e vendida por um eletricista ressentido, Rand Gauthier — personagem interpretada por Rogen.

Desde o primeiro momento, Anderson deixou claro que não tinha qualquer interesse em ver a série. Em declarações anteriores à Rolling Stone, confessou que o simples tema lhe provocava ansiedade, insónias e recordações perturbadoras. Nunca viu a gravação, nunca quis reviver aquele período e recusa-se, até hoje, a assistir à série que dramatiza esses acontecimentos.

Um pedido de desculpas que talvez nunca chegue

Apesar de tudo, Pamela Anderson mantém uma posição surpreendentemente serena. Continua à espera que Seth Rogen “eventualmente, talvez” lhe dirija um pedido de desculpas. Mas acrescenta, com um misto de resignação e lucidez, que isso “talvez nem importe assim tanto”. O que importa, realmente, é a discussão maior: onde termina o direito à criação artística e começa o respeito pela dignidade humana?

ler também : O Futuro de Star Wars Começa a Ganhar Forma: Taika Waititi, Filmes Independentes e Personagens-Chave em Jogo

A história de Pam & Tommy pode ter rendido prémios, audiências e manchetes, mas para a mulher que esteve no centro de tudo, continua a ser uma ferida aberta. E essa, ao contrário das séries de sucesso, não se resolve em oito episódios.

Jennifer Lawrence Diz que Perdeu Papel em Filme de Tarantino por “Não Ser Bonita o Suficiente”

Uma confissão desconcertante sobre Hollywood, aparência e oportunidades perdidas

Jennifer Lawrence é uma das actrizes mais bem-sucedidas da sua geração, vencedora de um Óscar e protagonista de algumas das maiores sagas do cinema moderno. Ainda assim, nem o estatuto de estrela global a livrou de ouvir uma das frases mais cruéis que Hollywood continua a saber repetir: “não és bonita o suficiente”.

ler também : Mudança Histórica na Lucasfilm: Dave Filoni Assume o Comando Criativo Após Saída de Kathleen Kennedy

A revelação surgiu durante uma conversa no podcast Happy Sad Confused, apresentado por Josh Horowitz, onde Lawrence falou abertamente sobre realizadores com quem gostaria de trabalhar — e sobre papéis que lhe escaparam. Entre eles, um em particular: Once Upon a Time… in Hollywood, de Quentin Tarantino.

Segundo a actriz, o seu nome chegou a ser considerado para interpretar Sharon Tate, mas a ideia acabou descartada com um argumento devastador. “Disseram que eu não era bonita o suficiente”, afirmou, entre o sarcasmo e a incredulidade, perante a reacção solidária do público.

Tarantino, Lawrence e uma relação cheia de “quase”

Esta não foi a primeira vez que Jennifer Lawrence esteve perto de colaborar com Quentin Tarantino. Em 2015, o realizador revelou ser um “grande fã” da actriz e confirmou que lhe propôs o papel de Daisy Domergue em The Hateful Eight. Na altura, Lawrence recusou — decisão que hoje admite ter sido um erro — devido ao intenso ciclo promocional de The Hunger Games.

Mais tarde, já durante o desenvolvimento de Once Upon a Time… in Hollywood, Tarantino voltou a ponderar trabalhar com a actriz, ainda que não como Sharon Tate. Em 2021, no podcast WTF with Marc Maron, o realizador revelou ter considerado Lawrence para o papel de “Squeaky”, seguidora de Charles Manson. A actriz chegou a ler o guião em sua casa, mas o papel acabaria por ir para Dakota Fanning.

O peso da comparação e o veredicto público

O papel de Sharon Tate acabou, como se sabe, por ser interpretado por Margot Robbie. Meses antes da estreia do filme, Debra Tate chegou a afirmar publicamente que preferia Robbie a Lawrence, elogiando a “beleza física” e a forma como esta se movimentava, acrescentando que Lawrence “não era bonita o suficiente”. Uma declaração que gerou polémica, mas que ilustra bem a lógica implacável da indústria.

Lawrence, com o seu humor característico, não deixou de ironizar a situação, chegando mesmo a dizer — em tom morto — que também não ficou com um papel em Twilight porque “era demasiado feia”. A piada funciona precisamente porque toca num nervo real.

Um problema que Hollywood insiste em não resolver

O episódio revela algo mais profundo do que um simples casting falhado. Mostra como, mesmo em 2026, a aparência física continua a ser usada como critério absoluto — sobretudo para mulheres — independentemente do talento, currículo ou reconhecimento crítico.

ler também : O Futuro de Star Wars Começa a Ganhar Forma: Taika Waititi, Filmes Independentes e Personagens-Chave em Jogo

Jennifer Lawrence pode rir-se da situação, mas a história levanta uma questão incómoda: quantas carreiras menos consolidadas não ficam pelo caminho por razões semelhantes? Em Hollywood, nem um Óscar garante imunidade.

O Futuro de Star Wars Começa a Ganhar Forma: Taika Waititi, Filmes Independentes e Personagens-Chave em Jogo

Kathleen Kennedy revela o que avança, o que espera… e o que ainda mete respeito em Hollywood

Numa altura de profunda reorganização criativa na Lucasfilm, Kathleen Kennedy decidiu levantar um pouco o véu sobre o futuro imediato (e menos imediato) de Star Wars. Em declarações à Deadline, a histórica presidente do estúdio — agora em transição para um papel focado na produção — confirmou avanços concretos em vários projectos, esclareceu dúvidas antigas e admitiu, sem rodeios, que o clima à volta da saga continua a intimidar criadores.

ler também : Mudança Histórica na Lucasfilm: Dave Filoni Assume o Comando Criativo Após Saída de Kathleen Kennedy

Star Wars: Starfighter: um filme pensado para ser… só um filme

Uma das confirmações mais relevantes prende-se com Star Wars: Starfighter, realizado por Shawn Levy e protagonizado por Ryan Gosling, ao lado do jovem Flynn Gray. Segundo Kennedy, o projecto foi concebido desde início como uma história totalmente independente do resto da saga.

“Foi pensado como um verdadeiro filme stand-alone. Podemos simplesmente fazer um filme e contar uma história”, explicou. Ainda assim, deixou a porta aberta a possíveis continuações, elogiando o desempenho de Gray e admitindo que seria difícil ignorar o potencial do actor se o público responder positivamente.

O próximo passo no cinema: 

The Mandalorian and Grogu

Antes disso, o próximo lançamento cinematográfico de Star Wars já está fechado: The Mandalorian and Grogu, realizado por Jon Favreau, chega aos cinemas em Maio de 2026. O filme terminou as filmagens em Novembro e encontra-se agora em pós-produção, com Kathleen Kennedy a acompanhar de perto o trabalho de efeitos visuais.

Este projecto representa um passo simbólico importante: a transição de personagens nascidas no streaming para o grande ecrã, algo que poderá definir o futuro modelo da saga.

Taika Waititi, Lando e outros guiões… todos em cima da mesa

Depois de anos envolto em incerteza, o filme de Taika Waititi parece finalmente ganhar tração. Kennedy confirmou que o realizador já entregou um guião completo — e que a sua reacção foi bastante clara: “é hilariante e óptimo”. Um comentário que sugere que o tom irreverente de Waititi continua intacto.

Também Donald Glover entregou um guião relacionado com Lando, enquanto um projecto inesperado envolvendo Steve SoderberghAdam Driver e o argumentista Scott Burns foi igualmente elogiado. No entanto, Kennedy fez questão de sublinhar que as decisões finais não dependerão apenas dela, sobretudo nesta fase de transição.

O peso dos fãs… e o medo de criar Star Wars

Talvez a parte mais reveladora da entrevista tenha sido a reflexão sobre o impacto da reacção online nos criadores. Kennedy admitiu que Rian Johnson terá ficado “assustado” com a negatividade gerada após The Last Jedi, algo que, segundo ela, não é caso único.

ler também : Ladybug Está de Volta: Fevereiro Traz Novas Aventuras da Heroína Que Conquistou o Mundo

“Todos os realizadores e actores perguntam: ‘o que vai acontecer?’ Estão um pouco assustados”, confessou, acrescentando que as mulheres são frequentemente alvo de ataques injustos. Uma realidade que ajuda a explicar porque tantos projectos Star Wars demoram anos a sair do papel — ou nunca chegam a fazê-lo.

Um futuro aberto… mas cauteloso

Entre filmes independentes, regressos aguardados e criadores de peso à espera de luz verde, Star Wars continua a avançar — mas com mais prudência do que nunca. O próximo capítulo da saga será, ao que tudo indica, menos sobre quantos filmes serão feitos… e mais sobre como contar histórias sem medo.

Mudança Histórica na Lucasfilm: Dave Filoni Assume o Comando Criativo Após Saída de Kathleen Kennedy

Uma nova era começa numa das casas mais icónicas da história do cinema

A Lucasfilm entra oficialmente numa nova fase da sua história. Após 14 anos à frente do estúdio, Kathleen Kennedydeixa o cargo de presidente da Lucasfilm para regressar em exclusivo à produção, abrindo caminho a uma nova liderança que promete moldar o futuro de Star Wars e muito mais. A transição foi anunciada pela própria Lucasfilm em conjunto com The Walt Disney Studios, confirmando Dave Filoni como Presidente e Chief Creative Officer, ao lado de Lynwen Brennan, que assume o cargo de Co-Presidente.

ler também : Ladybug Está de Volta: Fevereiro Traz Novas Aventuras da Heroína Que Conquistou o Mundo

Não se trata apenas de uma mudança administrativa. É, acima de tudo, uma redefinição criativa num estúdio que gere um dos universos mais influentes da cultura popular contemporânea.

Kathleen Kennedy: o fim de um ciclo decisivo

Kathleen Kennedy assumiu a presidência da Lucasfilm em 2012, no mesmo ano em que a Disney adquiriu o estúdio fundado por George Lucas. Ao longo de mais de uma década, liderou uma expansão sem precedentes do universo Star Wars, tanto no cinema como na televisão, enfrentando elogios, polémicas e expectativas colossais.

Sob a sua liderança nasceram fenómenos como Star Wars: The Force Awakens, que quebrou recordes de bilheteira, e Rogue One: A Star Wars Story, que não só superou mil milhões de dólares como deu origem à aclamada série Andor. Kennedy foi também a grande impulsionadora da aposta em séries de imagem real para o streaming, abrindo caminho a títulos como The MandalorianObi-Wan Kenobi e Ahsoka.

Agora, regressa à produção a tempo inteiro, mantendo-se ligada a projectos-chave como The Mandalorian and Grogu e Star Wars: Starfighter, realizado por Shawn Levy.

Dave Filoni: o discípulo assume o legado

A escolha de Dave Filoni para liderar criativamente a Lucasfilm é tudo menos surpreendente. Presença central no estúdio desde 2005, Filoni trabalhou directamente com George Lucas em Star Wars: The Clone Wars, ajudando a definir o tom moderno da saga. Mais tarde, foi uma peça-chave na transição para a televisão de imagem real, ao lado de Jon Favreau, com The Mandalorian.

Filoni tornou-se, aos olhos de muitos fãs, o grande guardião do espírito de Star Wars, equilibrando mitologia, emoção e coerência narrativa. Actualmente, é showrunner de Ahsoka, cuja segunda temporada já se encontra em produção, e prepara-se para estrear o filme The Mandalorian and Grogu nos cinemas a 22 de Maio de 2026.

Nas suas primeiras declarações, Filoni fez questão de sublinhar a influência determinante de Kathleen Kennedy e George Lucas na sua formação, assumindo o novo cargo com um tom de humildade pouco comum em posições desta dimensão.

Lynwen Brennan: estabilidade e inovação nos bastidores

Se Filoni representa a visão criativa, Lynwen Brennan simboliza a continuidade operacional e tecnológica. Na Lucasfilm desde 1999, começou na Industrial Light & Magic, onde chegou à liderança em 2009. Mais tarde, assumiu funções executivas centrais no grupo Lucasfilm, guiando o estúdio por profundas transformações tecnológicas.

O seu percurso foi reconhecido com distinções como o Lifetime Achievement Award da Visual Effects Society e o título de Comendadora da Ordem do Império Britânico. A sua nomeação como Co-Presidente garante equilíbrio entre criatividade, inovação e gestão — uma combinação essencial num estúdio com esta dimensão.

Um legado que atravessa gerações

Para lá da Lucasfilm, o nome de Kathleen Kennedy confunde-se com a própria história do cinema moderno. Co-fundadora da Amblin Entertainment ao lado de Steven Spielberg e Frank Marshall, esteve ligada a clássicos absolutos como E.T.Jurassic ParkBack to the Future e Schindler’s List. Ao longo de uma carreira de 50 anos, produziu mais de 70 filmes, responsáveis por 25 Óscares e centenas de nomeações.

A sua saída da liderança da Lucasfilm não representa um adeus, mas antes uma passagem de testemunho cuidadosamente preparada.

O futuro da Força

Com Dave Filoni e Lynwen Brennan ao leme, a Lucasfilm entra num novo capítulo com uma promessa clara: respeitar o legado, mas olhar em frente. Entre novos filmes, séries e abordagens narrativas mais coesas, a expectativa é elevada — e a responsabilidade também.

ler também : A Noiva Ganha Voz (e Atitude): Maggie Gyllenhaal Reinventa um Ícone do Terror Clássico

Como o próprio Filoni diria: a Força continua a estar presente. Resta saber como será usada.

Ladybug Está de Volta: Fevereiro Traz Novas Aventuras da Heroína Que Conquistou o Mundo

Marinette, segredos e super-vilões: o universo Miraculous continua a crescer

Fevereiro promete ser um mês especial para os fãs de animação no Disney Channel, com a estreia de novos episódios de Miraculous – As Aventuras de Ladybug. A partir de sábado, dia 7, a icónica heroína parisiense regressa ao pequeno ecrã com histórias inéditas, novos desafios e emoções à flor da pele, numa fase em que as relações entre personagens se tornam cada vez mais complexas.  

ler também : A Noiva Ganha Voz (e Atitude): Maggie Gyllenhaal Reinventa um Ícone do Terror Clássico

Criada por Thomas AstrucMiraculous tornou-se um fenómeno global ao combinar super-heróis, drama adolescente e uma mitologia própria que não pára de evoluir. No centro da narrativa continua Marinette Dupain-Cheng, uma jovem aparentemente comum que, ao transformar-se em Ladybug, assume a responsabilidade de proteger Paris ao lado de Gato Noir.

Amor, segredos e decisões difíceis

Os novos episódios prometem aprofundar ainda mais o lado emocional da série. Marinette e Adrien encontram-se cada vez mais próximos, mas continuam presos a segredos que não podem revelar — um jogo delicado entre identidade, confiança e responsabilidade. Esta tensão é um dos grandes trunfos de Miraculous, permitindo que a série cresça com o seu público e aborde temas como maturidade emocional, perda e escolhas difíceis.

Entre os momentos mais marcantes dos novos episódios está o dilema de Adrien perante a construção de uma estátua em memória do seu pai, situação que coloca Marinette numa posição particularmente desconfortável. Incapaz de revelar toda a verdade, a jovem heroína vê-se dividida entre aquilo que sente e aquilo que deve fazer. Paralelamente, surgem histórias mais leves e próximas do quotidiano adolescente, como a tentativa de Ondine de viver o seu primeiro beijo, com a habitual ajuda — bem-intencionada, mas nem sempre eficaz — de Marinette.

Um universo que não pára de se reinventar

Para além das estreias regulares ao longo dos fins de semana, o Disney Channel prepara ainda um momento especial para os fãs da série. No fim de semana de 28 de Fevereiro, chega o especial “Cities of Secrets”, uma celebração do universo Miraculous que destaca alianças épicas, episódios marcantes e os heróis que mantêm a Cidade das Luzes a salvo. Uma excelente oportunidade para revisitar momentos-chave e reforçar porque Ladybug continua a ser uma das heroínas mais carismáticas da animação contemporânea.

ler também: Quem Será a Nova Lisbeth Salander? As Actrizes Que Podem Marcar a Série de “Millennium”

Com a sua mistura única de acção, romance, humor e drama, Miraculous – As Aventuras de Ladybug mantém-se como uma das séries mais consistentes e queridas do Disney Channel. Fevereiro confirma que a jornada de Marinette está longe de terminar — e que cada novo episódio continua a deixar marca.

A Noiva Ganha Voz (e Atitude): Maggie Gyllenhaal Reinventa um Ícone do Terror Clássico

“The Bride” promete virar do avesso um dos mitos mais incompreendidos do cinema

Depois de 2025 ter sido marcado pelo muito aguardado Frankenstein de Guillermo del Toro, 2026 prepara-se para ser o ano de The Bride. A Warner Bros. acaba de divulgar o primeiro trailer do novo filme realizado por Maggie Gyllenhaal, uma reinterpretação arrojada, punk rock e declaradamente feminista de The Bride of Frankenstein, que promete devolver protagonismo a uma personagem historicamente secundarizada.

ler também : Quem Será a Nova Lisbeth Salander? As Actrizes Que Podem Marcar a Série de “Millennium”

Protagonizado por Jessie Buckley no papel da Noiva e Christian Bale como o monstro de Frankenstein, The Bride surge desde cedo como um dos títulos mais falados do próximo ano. E não apenas pelo conceito, mas também pelo elenco de luxo que inclui Peter SarsgaardAnnette BeningJake Gyllenhaal e Penélope Cruz.

A sombra de Elsa Lanchester e um impacto que atravessa décadas

Durante uma conferência de imprensa virtual realizada a 13 de Janeiro, Maggie Gyllenhaal explicou que a génese do projecto nasceu do impacto quase inexplicável que Elsa Lanchester teve no clássico de 1935 The Bride of Frankenstein. Apesar de aparecer apenas alguns minutos e não ter uma única fala, a actriz tornou-se uma presença icónica na história do cinema.

Gyllenhaal confessou que só mais tarde percebeu o paradoxo: um filme chamado The Bride of Frankenstein que, na verdade, pouco ou nada se interessa pela Noiva enquanto personagem. Ainda assim, Lanchester conseguiu criar uma figura “formidável”, quase ameaçadora, que ficou gravada na memória colectiva. Foi precisamente essa ausência de desenvolvimento que despertou o interesse da realizadora.

Dar agência à Noiva: a verdadeira revolução

O grande objectivo de The Bride é preencher aquilo que Maggie Gyllenhaal considera uma falha estrutural na mitologia de Frankenstein: a ausência total de agência da Noiva. Ao longo das várias versões da história, o monstro é retratado como uma figura trágica — violenta, sim, mas também solitária, humana e profundamente carente de afecto. O seu pedido por uma companheira surge, muitas vezes, como compreensível.

Mas… e ela?

A nova abordagem parte exactamente dessa pergunta incómoda. O que acontece quando alguém é trazido de volta à vida apenas para satisfazer as necessidades emocionais de outro? E se essa mulher regressar com desejos próprios, medos, ambições e uma agenda que não passa por ser “a namorada do monstro”? É nesse território que The Bride promete mergulhar, dando a Jessie Buckley espaço para construir uma personagem complexa, inquietante e imprevisível.

Um evento cinematográfico à porta

Com estreia marcada para 6 de Março, The Bride beneficia ainda de um momento particularmente favorável da Warner Bros., que atravessa uma fase de forte afirmação criativa e comercial. O trailer deixa antever um filme visualmente ousado, emocionalmente intenso e longe de qualquer reverência excessiva ao material original.

ler também : Prime Video Revela Primeira Imagem de Sophie Turner como Lara Croft no Novo “Tomb Raider”

Mais do que revisitar um clássico, Maggie Gyllenhaal parece interessada em reescrevê-lo — e, desta vez, colocando a Noiva no centro da narrativa.

Quem Será a Nova Lisbeth Salander? As Actrizes Que Podem Marcar a Série de “Millennium”

Sky prepara nova adaptação televisiva e a escolha da protagonista é tudo menos um detalhe

A Sky confirmou esta semana aquilo que muitos fãs da saga Millennium esperavam — e outros temiam: The Girl With the Dragon Tattoo vai ganhar uma nova adaptação, desta vez sob a forma de uma série televisiva de oito episódios. A obra seminal de Stieg Larsson, publicada em 2005, regressa agora num formato que promete aprofundar ainda mais o seu universo sombrio, contemporâneo e profundamente político.

Sabe-se, para já, que a série será passada nos dias de hoje e terá argumento de Steve Lightfoot e Angela LaManna. As filmagens arrancam na Primavera, o que indica que a decisão mais sensível de todas — a escolha da nova Lisbeth Salander — estará já tomada. Ainda assim, isso não impede o exercício favorito de qualquer cinéfilo: especular.

Uma personagem que cria estrelas (e expectativas altíssimas)

Lisbeth Salander não é apenas a protagonista de Millennium — é um teste de fogo para qualquer actriz. Em 2009, Noomi Rapace tornou-se uma revelação internacional na adaptação sueca, garantindo uma nomeação para os BAFTA. Dois anos depois, Rooney Mara recebeu uma nomeação para os Óscares sob a direcção de David Fincher. Já em 2018, Claire Foyassumiu a personagem em The Girl in the Spider’s Web, com uma abordagem diferente, mas igualmente intensa.

Ou seja: quem quer que venha a ser a nova Salander será imediatamente comparada a interpretações que entraram para a história do cinema recente.

Emma Corrin: intensidade fora do comum

Entre os nomes mais consensuais surge Emma Corrin. A sua interpretação de Diana em The Crown revelou uma actriz com magnetismo estranho, imprevisível e profundamente emocional — características que encaixam de forma quase inquietante em Lisbeth Salander. Acresce ainda o facto de a série ser produzida pela Left Bank Pictures, a mesma produtora de The Crown, o que torna esta hipótese particularmente sedutora.

Jodie Comer: versatilidade ao serviço do caos

Outra candidata de peso é Jodie Comer. O seu trabalho em Killing Eve demonstrou uma capacidade rara para oscilar entre vulnerabilidade, violência e humor negro. Comer sabe desaparecer dentro das personagens e lidar com complexidade psicológica extrema — algo essencial para uma Lisbeth credível.

Anya Taylor-Joy: tempo e terror psicológico

Apesar de mais associada ao cinema nos últimos anos, Anya Taylor-Joy continua a ser lembrada pelo impacto de The Queen’s Gambit. Lisbeth Salander beneficiaria claramente de uma actriz capaz de explorar o silêncio, o desconforto e a intensidade ao longo de vários episódios — e Taylor-Joy fá-lo como poucas.

Alba August… ou o regresso inesperado?

Há ainda quem defenda uma escolha mais fiel à origem escandinava da saga, como Alba August, vista em The Rain. E, numa hipótese mais ousada, porque não trazer de volta Noomi Rapace, agora numa versão mais velha e endurecida da personagem? Seria um risco criativo — mas também um gesto narrativo fascinante.

Independentemente de quem tenha sido escolhida, uma coisa é certa: Lisbeth Salander continua a ser uma das personagens femininas mais desafiantes e icónicas da ficção contemporânea. E a nova série da Sky terá muito a provar.

Prime Video Revela Primeira Imagem de Sophie Turner como Lara Croft no Novo “Tomb Raider”

Uma nova era para a heroína mais icónica dos videojogos

A Prime Video acaba de levantar o véu sobre uma das suas apostas mais ambiciosas no universo das adaptações de videojogos. A plataforma divulgou a primeira imagem oficial da nova série Tomb Raider, confirmando Sophie Turnercomo a nova encarnação de Lara Croft. As filmagens já estão em andamento e o reboot promete dar uma nova vida à arqueóloga aventureira que marcou gerações.

ler também : Um Novo Deus da Guerra Ganha Corpo: Ryan Hurst é Kratos na Série “God of War”

Anunciada oficialmente em Maio de 2024, a série adapta o clássico franchise de videojogos criado nos anos 90 e marca a primeira grande série televisiva em imagem real dedicada a Lara Croft. A escolha de Sophie Turner, tornada pública em Novembro, confirma a intenção da Prime Video de apostar numa abordagem mais serializada e aprofundada da personagem.

Uma heroína com legado pesado — e grandes expectativas

Sophie Turner junta-se assim a uma linhagem de actrizes de peso que já deram corpo à icónica aventureira. Angelina Jolie interpretou Lara Croft em dois filmes no início dos anos 2000, enquanto Alicia Vikander assumiu o papel no reboot cinematográfico de 2018. Agora, cabe a Turner reinventar a personagem para uma nova geração, num formato que permite explorar melhor a sua psicologia, fragilidades e evolução.

A série surge numa altura em que as adaptações de videojogos vivem um momento particularmente positivo, e Tomb Raider pretende capitalizar essa onda, apostando numa narrativa mais madura e consistente.

Um elenco de luxo e uma criadora de peso

Além de Sophie Turner, o elenco inclui nomes como Sigourney WeaverJason Isaacs, Martin Bobb-Semple, Jack Bannon, John Heffernan, Bill Paterson, Paterson Joseph, Sasha Luss, Juliette Motamed, Celia Imrie e August Wittgenstein. Um conjunto diversificado que aponta para uma narrativa global e ambiciosa.

À frente do projecto está Phoebe Waller-Bridge, que assume os papéis de criadora, argumentista principal e produtora executiva. Conhecida pela sua escrita afiada e personagens complexas, Waller-Bridge promete trazer uma nova camada emocional e narrativa ao universo Tomb Raider. Chad Hodge actua como produtor executivo e co-showrunner, enquanto Jonathan van Tulleken será realizador e produtor executivo.

De ícone dos anos 90 a franchise do futuro

O primeiro Tomb Raider chegou aos videojogos em 1996, transformando Lara Croft num verdadeiro ícone da cultura pop. O jogo mais recente, Shadow of the Tomb Raider, foi lançado em 2018, com vários títulos clássicos a receberem remasterizações. O futuro da saga continua garantido, com Tomb Raider: Legacy of Atlantis e Tomb Raider: Catalystprevistos para 2026 e 2027.

ler também : A Jogada de Mestre Que Hollywood Não Viu a Chegar: Como Timothée Chalamet Transformou “Marty Supreme” Num Fenómeno

Produzida pela Story Kitchen, Crystal Dynamics e Amazon MGM Studios, esta nova série faz parte de um acordo mais vasto para expandir o universo Tomb Raider no cinema e na televisão. Se a primeira imagem servir de indicação, a aventura está apenas a começar — e promete ser tudo menos conservadora.

Um Novo Deus da Guerra Ganha Corpo: Ryan Hurst é Kratos na Série “God of War”

Prime Video aposta forte numa das maiores lendas dos videojogos

A aguardada adaptação em imagem real de God of War acaba de dar um passo decisivo: Ryan Hurst foi oficialmente escolhido para interpretar Kratos, o icónico Deus da Guerra, na série da Prime Video. A notícia confirma uma escolha que surpreende, mas faz todo o sentido — especialmente para quem conhece bem o universo da saga.

ler também : Uma Paixão Escrita na Pele: “Almas Marcadas” Estreia no TVCine Top

Curiosamente, esta não é a primeira ligação de Ryan Hurst ao mundo God of War. O actor já tinha dado voz ao poderoso Thor no videojogo God of War: Ragnarok, regressando agora à franquia para assumir o papel central da narrativa. Desta vez, porém, deixa o martelo de lado para empunhar as Lâminas do Caos.

Kratos: do campo de batalha à paternidade

A descrição oficial da personagem relembra a origem trágica de Kratos: espartano de nascimento, deus por destino, moldado por uma cultura militar impiedosa. A sua ascensão como comandante de exércitos termina num pacto fatídico com Ares, que lhe garante vitória em troca da sua alma. Um passado sangrento que continua a assombrar cada passo do anti-herói.

A série irá adaptar os acontecimentos dos dois jogos mais recentes da saga, centrando-se na relação entre Kratos e o seu filho Atreus. Pai e filho embarcam numa jornada para espalhar as cinzas de Faye, esposa de Kratos e mãe de Atreus, numa viagem que é tanto física como emocional. Enquanto Kratos tenta ensinar o filho a ser um deus melhor, Atreus procura mostrar ao pai como voltar a ser humano.

Ryan Hurst: intensidade, dor e presença física

Ryan Hurst traz consigo um currículo televisivo impressionante. Ficou eternizado como Opie em Sons of Anarchy, papel que lhe valeu enorme reconhecimento, e voltou a marcar presença como o perturbador vilão Beta em The Walking Dead. A sua capacidade de transmitir dor contida, violência latente e humanidade ferida faz dele uma escolha particularmente interessante para dar vida a Kratos.

No cinema, participou em títulos como O Resgate do Soldado RyanDuelo de Titãs e We Were Soldiers, e prepara-se agora para integrar o elenco da próxima adaptação de A Odisseia, realizada por Christopher Nolan.

Um projecto turbulento, mas agora em mãos experientes

A adaptação de God of War para televisão teve um percurso atribulado. Anunciada em 2022, a série perdeu o seu showrunner original, Rafe Judkins, em Outubro de 2024. Pouco depois, o projecto encontrou novo rumo com a entrada de Ronald D. Moore, conhecido pelo seu trabalho em séries de grande fôlego narrativo.

Moore assume funções de argumentista principal, produtor executivo e showrunner, com realização dos dois primeiros episódios a cargo de Frederick E.O. Toye. A produção envolve pesos pesados como Sony Pictures Television, Amazon MGM Studios e PlayStation Productions, garantindo uma forte ligação ao ADN do material original.

ler também : A Jogada de Mestre Que Hollywood Não Viu a Chegar: Como Timothée Chalamet Transformou “Marty Supreme” Num Fenómeno

Se a escala épica dos jogos for respeitada e a complexidade emocional de Kratos for bem explorada, esta poderá ser uma das adaptações de videojogos mais marcantes da televisão moderna. E, com Ryan Hurst ao leme, o Deus da Guerra promete não passar despercebido.