“Being John Malkovich”: A Odisseia Que Quase Não Contou Com John Malkovich

“Being John Malkovich” (1999) é um dos filmes mais originais e bizarros da história do cinema, um marco na carreira do argumentista Charlie Kaufman e do realizador Spike Jonze. Contudo, poucos sabem que o próprio John Malkovich, a peça central desta narrativa surreal, resistiu fortemente à ideia de protagonizar o filme. Kaufman, com uma visão clara e irredutível, recusou-se a conceber o projeto sem Malkovich no papel principal, mesmo quando o próprio ator tentou convencer o realizador a escolher outra pessoa.

ver também : O Romance Surpreendente de Jennifer Connelly e Paul Bettany: Um Amor de Longa Data

A génese deste filme único começou quando Kaufman escreveu um argumento que se centrava num portal para a mente de John Malkovich, onde as pessoas podiam literalmente “ser” o ator durante alguns minutos. No entanto, a viagem até à sua concretização foi tudo menos simples. Kaufman nunca tinha considerado outro ator para o papel, mas várias ofertas de produção vinham com uma condição: trocar Malkovich por outro ator. Até o próprio Malkovich, ao ser abordado com o projeto, ofereceu-se para ajudar na produção e colaborar com Jonze, mas insistiu que um outro ator deveria desempenhar o papel de “John Malkovich”.

A resistência de Malkovich deveu-se ao desconforto de ver o seu nome no título e à ideia de ser eternamente associado a esta representação excêntrica de si próprio. Segundo Jonze, Malkovich sentia que, se o filme fosse um fracasso, a sua carreira poderia sofrer danos irreparáveis. Por outro lado, se o filme tivesse sucesso, ele ficaria para sempre ligado a esta versão absurda de si mesmo. De facto, esta foi uma preocupação recorrente entre Malkovich e o seu grupo de produção, que pensaram que um ator como Tom Cruise poderia ser uma escolha mais segura e comercial. Não por coincidência, o presidente da New Line Cinema, Robert Shaye, rejeitou o projeto com uma pergunta que ficou na história: “Porque raio não pode ser ‘Being Tom Cruise’?”

Apesar de todas estas barreiras, Kaufman manteve-se firme. Ele não tinha um plano B. A visão sempre foi clara para o argumentista: ou o filme era sobre John Malkovich, ou não havia filme. Este comprometimento com a sua visão artística acabou por ganhar a batalha e, após alguns anos de persuasão, Malkovich finalmente cedeu. O ator aceitou o desafio, abordando o papel como faria com qualquer outro personagem ficcional. Em entrevistas, Malkovich referiu que, embora interpretasse a si mesmo, tratou o papel como se fosse qualquer outra personagem, separando a realidade da ficção, com a única exceção de que o seu guarda-roupa no filme era de facto o seu guarda-roupa real.

A jornada até à luz verde para o projeto foi repleta de momentos inusitados. Kaufman recorda que, durante as negociações, foi informado pelos representantes de Malkovich que o ator vivia num apartamento numerado 7-1/2 em Manhattan, um detalhe que refletia diretamente a estranheza do enredo do filme, onde os personagens encontram um portal para a mente de Malkovich num andar de escritório igualmente peculiar, o . Este pequeno detalhe quase fez com que os representantes de Malkovich suspeitassem que Kaufman fosse um stalker, tal era a coincidência.

ver também : Brad Pitt Forçado a Filmar “Inimigos Íntimos” para Evitar Processo Judicial

O filme acabaria por ser um sucesso tanto crítico quanto comercial, aplaudido pela sua originalidade e pela performance corajosa de John Malkovich. Olhando para trás, Spike Jonze admitiu não ter percebido na altura o quão ousada foi a decisão de Malkovich em aceitar o papel. Hoje, “Being John Malkovich” é lembrado como um exemplo brilhante de meta-cinema, onde a linha entre a realidade e a ficção é habilmente distorcida, e a coragem de Malkovich em representar esta versão distorcida de si mesmo é um dos principais motivos do seu sucesso.

John Turturro Recusa Papel na Série ‘The Penguin’ Devido à Violência Contra Mulheres

O talentoso ator John Turturro, conhecido por papéis icónicos em filmes como “O Grande Lebowski” e “Miller’s Crossing”, voltou a estar em destaque ao recusar uma oportunidade no spin-off de “The Batman”, a série “The Penguin”, citando preocupações com a forma como a violência contra mulheres seria representada na produção. Esta decisão do ator de 67 anos surpreendeu muitos, já que Turturro tinha interpretado o papel de Carmine Falcone no filme “The Batman” (2022), mas a personagem será agora interpretada por Mark Strong na série.

ver também : Sabia que Eva Longoria Salvou secretamente John Wick?

Em entrevista, Turturro explicou que a sua recusa foi motivada pela quantidade de violência explícita contra mulheres que estaria presente na nova série. “Não é a minha cena”, declarou o ator, referindo-se à direção violenta que a história de Carmine Falcone tomaria em “The Penguin”. Embora Falcone seja uma figura de grande brutalidade no universo de Gotham, Turturro mencionou que preferiu distanciar-se deste projeto devido à maneira como a violência seria tratada, especialmente em relação às personagens femininas.

Esta decisão é consistente com a abordagem de Turturro em relação aos papéis que escolhe. O ator tem uma longa carreira marcada por performances que, muitas vezes, destacam-se pela sua profundidade emocional e pela exploração de questões humanas complexas, como demonstrou no seu mais recente papel no filme de Pedro Almodóvar“The Room Next Door”. Neste drama, Turturro interpreta Damian, um académico que ajuda a sua amante, Ingrid (interpretada por Julianne Moore), a cuidar da sua amiga terminalmente doente, Martha (interpretada por Tilda Swinton), que decidiu acabar com a própria vida. A personagem de Turturro, embora bem-intencionada, revela-se pomposa e desligada da realidade, o que permite ao ator mostrar o seu talento para papéis multifacetados.

Durante a promoção de “The Room Next Door”, Turturro falou sobre a experiência pessoal que o ajudou a preparar-se para o papel. O ator perdeu o seu irmão Ralph em 2022, após uma longa batalha contra o cancro, e a dor e a luta emocional que viveu enquanto cuidava do irmão acabaram por influenciar a sua interpretação de Damian. “Quando se envelhece, a dor e a perda tornam-se mais frequentes,” refletiu Turturro, recordando como a sua relação com Ralph o preparou emocionalmente para o papel.

Além de “The Room Next Door”, Turturro tem outros projetos ambiciosos em andamento. O ator revelou que está a trabalhar para trazer ao cinema a adaptação de “Sabbath’s Theater”, uma obra de Philip Roth que Turturro já interpretou nos palcos. Outro projeto que o entusiasma é a adaptação do livro “Is There No Place on Earth for Me?”, uma história intensa sobre uma mulher esquizofrénica, vencedora do Prémio Pulitzer.

ver também : Lionsgate e a Sua Série de Flops: O Que Está a Correr Mal e O Que Podemos Esperar no Futuro

No entanto, Turturro decidiu que não irá regressar ao universo de “The Batman”, preferindo focar-se em projetos que ressoem mais com os seus valores e interesses criativos. Embora seja conhecido por interpretar personagens impetuosas e muitas vezes explosivas, o ator parece determinado a manter um equilíbrio entre o conteúdo que explora no ecrã e as suas convicções pessoais. “Há tantos papéis que gostaria de fazer, mas não se pode fazer tudo,” admitiu Turturro, sublinhando a necessidade de escolher cuidadosamente os projetos em que se envolve.

Com o seu regresso à segunda temporada de “Severance”, uma das séries mais aclamadas dos últimos anos, e os seus projetos cinematográficos em desenvolvimento, John Turturro continua a mostrar porque é considerado um dos atores mais versáteis e respeitados da sua geração.

Carrie Está de Volta! Nova Adaptação de Stephen King a Caminho da Amazon Prime Video

Preparem-se, fãs de terror! A icónica história de Carrie, a famosa personagem do escritor Stephen King, vai ganhar uma nova vida no ecrã, desta vez numa minissérie de oito episódios, que será lançada pela Amazon Prime Video. Depois de duas adaptações cinematográficas — uma em 1976, dirigida por Brian De Palma, e outra em 2013, com Chloë Grace Moretz —, Carrie promete mais uma vez arrepiar os espectadores, com uma nova abordagem desenvolvida por Mike Flanagan, um realizador já bem conhecido por adaptar o universo de King para o cinema.

ver também : “Chucky” regressa para a temporada final com episódio duplo em outubro

Flanagan, que anteriormente dirigiu adaptações de King como “Doutor Sono” (2019) e “Jogo Perigoso” (2017), é a mente por trás desta nova versão da clássica história de terror. Embora os detalhes sobre o elenco e a data de lançamento ainda sejam mantidos em segredo, a simples confirmação de que o projeto já está em desenvolvimento faz crescer a expetativa em torno desta produção. A escolha de Flanagan como showrunner parece ser um casamento perfeito, dado o seu sucesso em trabalhar com o material de King e em criar atmosferas aterradoras, como demonstrado nas suas séries da Netflix“A Maldição de Hill House” e “A Maldição de Bly Manor”.

Para aqueles que não estão familiarizados com a história, Carrie foi publicada pela primeira vez em 1974 e foi a obra que colocou Stephen King no mapa literário. A trama gira em torno de Carrie White, uma adolescente socialmente marginalizada que vive sob o jugo da sua mãe fanática religiosa. Com o despertar dos seus poderes telecinéticos, Carrie acaba por se vingar cruelmente dos colegas que a humilham de forma brutal no liceu, culminando num dos finais mais explosivos e memoráveis da história do terror.

A primeira adaptação cinematográfica, de 1976, foi um grande sucesso e tornou-se um clássico do género, com Sissy Spacek no papel principal e John Travolta num dos seus primeiros papéis importantes. O filme é amplamente reconhecido como uma das melhores adaptações de Stephen King, sendo responsável por catapultar a carreira tanto de Spacek como do realizador Brian De Palma. No entanto, as tentativas subsequentes de reviver a história de Carrie, incluindo uma sequela de 1999 e um remake televisivo de 2002, não conseguiram alcançar o mesmo impacto.

Agora, com Mike Flanagan ao leme, os fãs têm razões para acreditar que esta nova adaptação pode capturar novamente a essência aterradora e emocional da história original. Flanagan tem provado ser um mestre em explorar o horror psicológico e a profundidade emocional dos seus personagens, o que faz dele a escolha ideal para retratar a luta de Carrie com os seus demónios internos e com a crueldade do mundo à sua volta.

ver também : Amazon Prime Video Disponibiliza Gratuitamente o Primeiro Episódio da Terceira Temporada de “A Lenda de Vox Machina”

Ainda não existem datas de estreia confirmadas para Carrie na Amazon Prime Video, mas o desenvolvimento do projeto parece ser uma prioridade, com o grupo de argumentistas a ser rapidamente reunido. Para os fãs de Stephen King e dos clássicos do terror, esta é uma excelente notícia, e promete uma nova oportunidade de ver Carrie White a libertar todo o seu poder numa nova geração de espectadores.

Chris Hemsworth em Negociações para Interpretar o Príncipe Encantado no Próximo Filme da Disney

A Disney continua a expandir o seu catálogo de histórias clássicas reinventadas, e desta vez o foco está em uma das personagens mais icónicas dos contos de fadas: o Príncipe Encantado. Chris Hemsworth, conhecido mundialmente pelo seu papel como Thor no universo cinematográfico da Marvel, está em negociações com a Disney para interpretar o protagonista no próximo filme “Prince Charming”, de acordo com uma notícia avançada pelo Deadline.

ver também : Sabia que Eva Longoria Salvou secretamente John Wick?

Embora o título possa sugerir uma ligação à história da Cinderela, fontes próximas ao projeto indicam que este novo filme não terá qualquer relação direta com a famosa história da Gata Borralheira. Em vez disso, o filme pretende explorar um novo ângulo da figura clássica do Príncipe Encantado, uma personagem que, apesar de ser presença constante em vários contos de fadas, nunca foi profundamente explorada no cinema. Os detalhes da narrativa ainda estão sob sigilo, mas tudo aponta para uma abordagem original que pode vir a redefinir a imagem do Príncipe no imaginário popular.

O projeto está a ser desenvolvido com a colaboração de Paul King, realizador dos filmes Paddington e do mais recente sucesso “Wonka”, protagonizado por Timothée Chalamet. King está encarregue da realização e está também a co-escrever o argumento ao lado de Simon Farnaby e Jon Croker, com quem trabalhou nos seus filmes anteriores. O envolvimento desta equipa criativa é um bom presságio, considerando o seu historial de sucesso em misturar humor e coração nas suas histórias.

A decisão de escalar Chris Hemsworth como o Príncipe Encantado é interessante, visto que o ator australiano de 41 anos é mais conhecido pelos seus papéis em filmes de ação e aventura. No entanto, Hemsworth já demonstrou versatilidade em várias ocasiões, nomeadamente na comédia “Thor: Ragnarok” e no reboot de “Ghostbusters”. Esta pode ser uma oportunidade para o ator explorar um lado mais romântico e encantador, enquanto ainda mantém a sua presença carismática no ecrã.

O filme encontra-se ainda em fase de desenvolvimento, sem datas de produção ou de estreia confirmadas. No entanto, a expetativa já é elevada, tanto por parte dos fãs de Hemsworth como pelos admiradores da Disney, que têm acompanhado a tendência de recriações live-action dos seus clássicos de animação. Ainda que este projeto não seja um remake, é possível que a Disney esteja a apostar na fórmula de sucesso que tem trazido novos públicos aos cinemas, com filmes como “A Bela e o Monstro”“Aladdin” e “O Rei Leão”.

ver também Marvel cancela “Blade”: filme com Mahershala Ali é retirado da agenda

Para já, os detalhes do enredo permanecem envoltos em mistério, mas com a equipa criativa por trás de Paddington ao leme e Hemsworth potencialmente à frente do elenco, o projeto “Prince Charming” promete trazer uma nova perspetiva a uma personagem que, até agora, tem sido retratada como uma figura relativamente estática nos contos de fadas.

Sabia que Eva Longoria Salvou secretamente John Wick?

Quem diria que, por trás do sucesso massivo da saga John Wick, existe uma história de bastidores surpreendente envolvendo uma das estrelas mais improváveis? Se não fosse por Eva Longoria, a icónica franquia de ação, protagonizada por Keanu Reeves, poderia nunca ter chegado às salas de cinema. O primeiro filme da série, que abriu portas para uma saga de sucesso global, esteve muito perto de ser cancelado poucos dias antes das filmagens, e foi Longoria quem entrou em cena para evitar o desastre financeiro.

ver também : Lionsgate e a Sua Série de Flops: O Que Está a Correr Mal e O Que Podemos Esperar no Futuro

Segundo uma recente entrevista dos realizadores Chad Stahelski e David Leitch, a produção de John Wick enfrentava um sério obstáculo financeiro apenas uma semana antes de as câmaras começarem a rodar. Com cerca de 6 milhões de dólares em falta devido a um investidor que não conseguiu levantar o dinheiro a tempo, a produção estava a apenas 24 horas de ser encerrada. Numa tentativa desesperada de salvar o filme, a CAA (Creative Artists Agency) ofereceu a alguns dos seus atores a oportunidade de investir no projeto. Foi então que Eva Longoria, mais conhecida pelo seu trabalho em televisão e filmes de comédia, entrou em cena.

A atriz investiu os 6 milhões de dólares em falta, e com isso, permitiu que a produção de John Wick avançasse. Longoria, que acreditava no potencial do filme, mais tarde revelou aos realizadores que não esperava que o projeto tivesse tanto sucesso. No entanto, essa aposta acabou por ser um dos melhores investimentos da sua carreira, dado o sucesso massivo da franquia.

O primeiro John Wick estreou há dez anos e foi um sucesso imediato, abrindo caminho para três sequências que, até à data, já arrecadaram mais de mil milhões de dólares em todo o mundo. O estilo de ação visceral e coreografado do filme, combinado com a performance de Keanu Reeves, conquistou tanto críticos como o público, e transformou a série num fenómeno da cultura pop.

Os realizadores, Stahelski e Leitch, recordam o momento em que souberam que Longoria tinha sido a salvadora do filme. Após o fim das filmagens, Basil Iwanyk, o produtor do filme, levou-os a jantar e contou-lhes a surpreendente história por trás do financiamento. “Ele disse-nos: ‘Sabem quem vos financiou? Eva Longoria.’ Ficámos todos espantados!”, recorda Stahelski. Posteriormente, levaram Longoria a almoçar como forma de agradecimento, onde ela confessou, com um sorriso, que não esperava que o filme funcionasse. No entanto, Longoria admitiu que investir em John Wick acabou por ser “o melhor dinheiro que já gastei”.

ver também : Ana de Armas Estrela no Spinoff de John Wick: “Ballerina”

Agora, dez anos após o lançamento do primeiro filme, a saga John Wick está a caminho de expandir ainda mais o seu universo com spin-offs, incluindo “Ballerina”, protagonizado por Ana de Armas, e uma possível série baseada no icónico hotel The Continental, que tem uma importância crucial na narrativa dos filmes. Quanto a Longoria, os realizadores expressaram o desejo de trabalhar com ela num futuro projeto, talvez até numa futura entrada na saga John Wick. “Ela quer fazer ação”, disse Leitch, acrescentando que estão à procura de algo adequado.

Por agora, John Wick continua a ser uma das franquias de ação mais amadas do cinema contemporâneo, mas poucos sabem que tudo isso se deve à intervenção de última hora de Eva Longoria, que salvou o filme da beira do colapso. Esta história de bastidores é apenas mais um exemplo das surpresas que Hollywood tem para oferecer, e de como grandes filmes podem depender de pequenos momentos decisivos.

Lionsgate e a Sua Série de Flops: O Que Está a Correr Mal e O Que Podemos Esperar no Futuro

Lionsgate tem enfrentado um período difícil em 2024, com uma série de sete filmes consecutivos a fracassar nas bilheteiras, resultando em um total de quase dois meses de decepções para o estúdio. Entre os lançamentos que falharam em captar a atenção do público estão “Borderlands”, uma adaptação de videojogo, e o reboot de “The Crow”, entre outros filmes que se provaram financeiramente desapontantes. Estes fracassos têm levantado questões sobre o futuro da Lionsgate, especialmente num mercado dominado por gigantes tecnológicos e estúdios mais poderosos.

ver também : Amy Adams protagoniza nova série da Netflix sobre a queda de Elizabeth Holmes

O ano começou com promessas para o estúdio, cuja linha de produção era composta por géneros diversos, desde comédias de assalto até dramas históricos, oferecendo uma alternativa às produções mais convencionais de Hollywood. No entanto, nenhum desses filmes conseguiu ter o impacto esperado nas bilheteiras. “Borderlands”, dirigido por Eli Roth, arrecadou apenas 32 milhões de dólares a nível global, e o muito aguardado reboot de “The Crow” fez apenas 23,7 milhões, valores que ficaram muito abaixo do esperado.

Mesmo com orçamentos controlados, a Lionsgate não conseguiu atrair o público às salas de cinema. “Megalopolis”, o épico de ficção científica de Francis Ford Coppola, foi outra grande desilusão, trazendo apenas 11,2 milhões de dólares em receitas, apesar de Coppola ter financiado pessoalmente uma grande parte do projeto, estimado em 120 milhões de dólares. Este padrão de fracassos levantou questões sobre a capacidade da Lionsgate de competir num mercado onde cada vez mais filmes são relegados diretamente para as plataformas de streaming.

Mas, qual é o motivo para esta queda? De acordo com Matthew Harrigan, analista sénior da Benchmark Co., o problema não é a concorrência interna entre os filmes do estúdio, mas sim o facto de que “nada realmente funcionou”. A Lionsgate tem feito um esforço concertado para apostar em filmes de orçamento médio, mas os sucessivos fracassos sugerem que este modelo pode estar a precisar de uma revisão. Apesar disso, o estúdio tem sido elogiado por tentar preencher nichos do mercado, como o cinema para audiências religiosas e afro-americanas. Um exemplo disso é o sucesso de “Unsung Hero”, um drama cristão de baixo orçamento que arrecadou 21 milhões de dólares.

ver também : “Chucky” regressa para a temporada final com episódio duplo em outubro

Há, no entanto, esperança no horizonte para a Lionsgate. Em 2025, o estúdio planeia lançar novos projetos ambiciosos, incluindo o biopic do Michael Jackson, o spin-off de John Wick, protagonizado por Ana de Armas, intitulado “Ballerina”, e uma nova prequela de The Hunger Games. Estes projetos têm o potencial de reverter a maré para o estúdio e trazer de volta os dias de sucesso que experimentou com filmes como “John Wick: Chapter 4”, que arrecadou 440 milhões de dólares mundialmente, e o prequela de The Hunger Games: The Ballad of Songbirds and Snakes, que também foi um sucesso nas bilheteiras.

Além disso, a Lionsgate está a explorar outras formas de expandir o seu catálogo, transformando os seus filmes mais populares em produções teatrais, como é o caso de “La La Land”“Dirty Dancing” e “The Hunger Games”, que estão a ser adaptados para os palcos. Esta aposta no teatro pode ser uma forma criativa de manter vivos os seus filmes de maior sucesso e atrair novos públicos.

Apesar dos desafios, a Lionsgate não é o único estúdio a enfrentar dificuldades em 2024. Outros estúdios, como a Warner Bros. e a Universal, também viram grandes produções falharem em gerar receitas significativas. Contudo, para um estúdio mais pequeno como a Lionsgate, a margem de erro é muito menor, e o impacto de uma série de fracassos consecutivos pode ser mais devastador.

Com uma lista de filmes mais promissores a caminho e uma aposta na diversificação, resta saber se a Lionsgate conseguirá reverter a sua sorte e voltar a encontrar o seu lugar de destaque em Hollywood. Por enquanto, o estúdio continua a navegar águas incertas, mas com algumas cartas fortes ainda por jogar.

John Williams: O Legado Imortal do Compositor em Destaque no Novo Documentário ‘Music by John Williams’

John Williams é, sem sombra de dúvida, um dos maiores compositores da história do cinema. Aos 92 anos, o autor das bandas sonoras mais reconhecidas do século XX, como Star WarsIndiana Jones e Harry Potter, continua a ser uma referência absoluta no mundo da música cinematográfica. Agora, num novo documentário intitulado “Music by John Williams”, o seu legado é celebrado por amigos, colaboradores e fãs, numa homenagem que promete emocionar tanto os cinéfilos como os melómanos.

ver também : Estreia de ‘Os Papéis do Inglês’ Celebra Ruy Duarte de Carvalho e a Paisagem de Angola

O documentário, realizado por Laurent Bouzereau, apresenta uma série de entrevistas com o próprio Williams e outros gigantes da indústria cinematográfica, como Steven Spielberg e George Lucas, que reconhecem o impacto profundo do compositor nas suas obras. Spielberg, em particular, reforça a importância de Williams na criação da tensão em “Jaws”, cujo famoso “ba-dum” se tornou sinónimo de perigo iminente no imaginário popular. O documentário explora essa colaboração lendária entre o realizador e o compositor, que resultou numa parceria criativa sem igual ao longo de mais de quatro décadas.

Um dos momentos mais cativantes do documentário é a história por trás da banda sonora de “Star Wars”, uma obra que Williams quase recusou para compor a música de “A Bridge Too Far”. No entanto, foi com Star Wars que ele alcançou uma das suas mais reconhecíveis criações, um tema que se tornou uma assinatura da própria saga e que é, ainda hoje, inconfundível mesmo para quem nunca viu os filmes. Para além disso, o documentário explora a versatilidade de Williams ao falar da sua capacidade de alternar entre diferentes géneros musicais, como demonstrado em “Schindler’s List”, cuja música profundamente emocional, baseada no violino, contrasta com os ritmos grandiosos de Jurassic Park, ambos lançados no mesmo ano.

Apesar do foco ser predominantemente na obra cinematográfica de Williams, o filme oferece também vislumbres das suas contribuições fora do grande ecrã, incluindo obras sinfónicas e peças de concerto. Contudo, a mensagem clara de “Music by John Williams” é que a sua maior contribuição para o mundo da arte continuará a ser a sua capacidade de elevar o cinema através da música. Yo-Yo Ma, um dos instrumentistas que trabalhou de perto com Williams, elogia a sua habilidade em criar composições que ressoam profundamente no público, uma característica que fez de Williams o salvador das bandas sonoras orquestrais, num momento em que os sintetizadores e a música pop ameaçavam dominar as trilhas sonoras de Hollywood.

ver também : Ennio Morricone em Cannes 2007

Williams, que iniciou a sua carreira com partituras para programas de televisão e séries B, conquistou 54 nomeações para os Óscares, uma proeza apenas superada por Walt Disney. No entanto, o compositor mantém-se humilde, preferindo deixar que a sua música fale por si. “Music by John Williams” celebra essa humildade e a sua genialidade, ao mesmo tempo que recorda ao mundo que a sua música será, sem dúvida, ouvida e apreciada por muitas gerações vindouras.

Infelizmente, o documentário ainda não tem data de estreia confirmada para Portugal, mas os fãs de cinema e música podem esperar que esta homenagem ao mestre Williams chegue brevemente às nossas salas. Seja para ouvir novamente o arrepio do tubarão em Jaws ou a aventura galáctica de Star Wars, este filme promete ser um verdadeiro presente para os admiradores de John Williams.

Estreia de ‘Os Papéis do Inglês’ Celebra Ruy Duarte de Carvalho e a Paisagem de Angola

O cinema português ganha nova profundidade com a estreia de “Os Papéis do Inglês”, o mais recente filme do realizador Sérgio Graciano. A longa-metragem, que chegou às salas de cinema na última quinta-feira, é uma homenagem ao escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho, explorando a sua relação íntima com Angola, um país que marcou profundamente a sua obra e vida.

Produzido por Paulo Branco, um nome incontornável no panorama cinematográfico português, “Os Papéis do Inglês” é descrito como uma “grande história de aventuras”. O filme baseia-se na trilogia “Os Filhos de Próspero” de Ruy Duarte de Carvalho, mais especificamente no volume homónimo “Os Papéis do Inglês” (2000), um dos trabalhos mais celebrados do autor. A narrativa é uma mistura de ficção e realidade, mergulhando nas paisagens áridas do deserto do Namibe, em Angola, onde o protagonista, interpretado por João Pedro Vaz, parte em busca de documentos antigos deixados pelo seu pai.

O projeto é de cariz profundamente pessoal para o produtor Paulo Branco, que mantém uma amizade de longa data com o escritor. Branco sublinha que o filme não é apenas uma adaptação literária, mas também uma reflexão sobre a relação de Duarte de Carvalho com Angola e o impacto do território nas suas criações. Esta é uma viagem de descoberta, tanto geográfica como emocional, que explora a interligação entre o homem e a paisagem.

ver também : Zoe Saldana protagoniza e produz thriller de espionagem “Lioness” para a Paramount+

Sérgio Graciano, o realizador, passou dez semanas a rodar o filme no deserto do Namibe, capturando a beleza desoladora da paisagem que tanto fascinava Duarte de Carvalho. “O objetivo era transmitir a relação única que Ruy tinha com este espaço extraordinário e com as comunidades locais”, explica Graciano. O filme apresenta também uma série de personagens que habitam o universo literário de Duarte de Carvalho, nomeadamente Severo e Trindade, que podem ser vistos como alter egos do escritor.

Com argumento de José Eduardo Agualusa, o filme apresenta um elenco talentoso, que inclui atores como Miguel BorgesDélcio RodriguesJoana Ribeiro e Carolina Amaral. A obra é descrita pelo realizador como uma rara reflexão sobre a história e o território, algo que não é comum no cinema português atual. O filme tem como objetivo retratar a pluralidade do artista Ruy Duarte de Carvalho, cuja obra nunca se limitou a uma única forma de expressão, abrangendo a literatura, a antropologia, as artes plásticas e o cinema.

ver também : Amy Adams protagoniza nova série da Netflix sobre a queda de Elizabeth Holmes

“Os Papéis do Inglês” estreia em cerca de 30 salas de cinema em Portugal e tem já garantida uma estreia em novembro em Angola, terra que tanto influenciou a vida e obra do autor. Além disso, o filme integra a competição do Festival Internacional de Cinema de Tóquio, que começa a 28 de outubro, um sinal da ambição internacional do projeto.

Ruy Duarte de Carvalho, natural de Santarém, Portugal, em 1941, naturalizou-se angolano na década de 1980 e tornou-se uma figura central na cultura de ambos os países. Faleceu em 2010 na Namíbia, onde residia, deixando um legado artístico que continua a inspirar novas gerações. “Os Papéis do Inglês” surge, assim, como uma celebração do seu talento multifacetado e da sua ligação íntima com a vastidão do deserto africano.