Na véspera da abertura oficial da 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto, marcada para amanhã, dia 10 de setembro, a organização revelou a programação completa da secção “Primetime”, dedicada a narrativa episódica de autor, com um alinhamento que junta nomes consagrados da televisão a vozes emergentes canadianas, refletindo a aposta declarada do festival em dar particular destaque a talento nacional nesta edição.
O grande nome da secção é, sem dúvida, Mike Flanagan, o realizador responsável por êxitos de terror televisivo como “A Maldição da Residência Hill” e “O Andar do Meio”, que apresenta em Toronto a sua nova adaptação de “Carrie”, o romance de Stephen King, escolhida para encerrar a programação Primetime deste ano. A abrir a secção está “Below”, uma produção canadiana realizada por Jesse McKeown, escolhida precisamente para abrir a programação com uma voz nacional, uma decisão simbólica que sublinha a intenção do TIFF de dar palco de honra ao seu próprio país num ano particularmente significativo para o festival. Entre os títulos mais aguardados está ainda “Crystal Lake”, a esperada série que funciona como prelúdio à mitologia de “Sexta-Feira 13”, assinada por Brad Caleb Kane e Michael Lennox, um projeto que os fãs do género de terror slasher têm vindo a acompanhar de perto desde o anúncio.
O lado canadiano da programação inclui ainda “Yaga”, de Kat Sandler, Rachel Talalay e David Frazee, com Hudson Williams no elenco, e “Alice”, uma coprodução franco-canadiana realizada por Virginie Verrier e Guillaume Lonergan, protagonizada por François Arnaud. Do lado internacional, a secção reserva ainda espaço para “American Hostage”, criada por Shawn Ryan com a colaboração de Eileen Myers e Adam Arkin, “Blindspot Berlin”, do realizador alemão David Nawrath, “2.6 Seconds: Death in the Outback”, documentário australiano de Darren Dale, e “Oxygen Masks Will (Not) Drop Automatically”, produção brasileira de Marcelo Gomes e Carol Minêm, um sinal de como o TIFF continua a fazer questão de equilibrar a sua seleção entre diferentes continentes e tradições televisivas. A sexta temporada de “Slow Horses”, já estreada este mês na Apple TV+, integra também a seleção, uma escolha que confirma o estatuto da série de espionagem britânica como uma das apostas mais seguras e mais consistentemente aclamadas da televisão de prestígio atual.
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Elencos de peso completam o quadro: nomes como Bérénice Bejo, Linda Cardellini, Jon Hamm, Carrie-Anne Moss e Gary Oldman surgem associados a diferentes projetos da secção, um indicador claro de que a fasquia de estrelas dispostas a trabalhar em formato televisivo de prestígio continua a subir ano após ano, um fenómeno que já não surpreende ninguém na indústria mas que continua a alimentar a relevância crescente destas secções televisivas dentro de festivais historicamente pensados apenas para cinema.
A escolha de destacar tão fortemente vozes canadianas nesta edição, tanto na programação Primetime como no resto do festival, não é acidental: numa altura em que a indústria audiovisual canadiana tem procurado ativamente maior visibilidade internacional face à hegemonia de produções americanas, o TIFF parece disposto a usar o seu peso simbólico como um dos maiores festivais do mundo para reforçar precisamente essa causa, sem por isso abdicar de continuar a atrair os maiores nomes internacionais da televisão de autor.
