Às vezes as notícias que mais importam demoram a chegar. Marjane Satrapi morreu na quarta-feira, 1 de Junho, aos 56 anos. Não houve comunicado oficial imediato, não houve conferência de imprensa, não houve o aparato mediático que acompanha as mortes de celebridades convencionais. Satrapi nunca foi uma celebridade convencional — era uma artista, e a notícia correu como as notícias sobre artistas correm: devagar, por quem realmente a conhecia, e depois de repente em todo o lado.
Persépolis foi publicado em 2000 e tornou-se num dos romances gráficos mais lidos e mais traduzidos do mundo. Uma autobiografia visual sobre a infância em Teerão durante a Revolução Islâmica, a guerra com o Iraque e o exílio na Europa — contada em traço a preto e branco com uma clareza que nenhuma prosa poderia igualar. Em 2007, Satrapi co-realizou com Vincent Paronnaud a adaptação cinematográfica de animação, com vozes de Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni e Danielle Darrieux. O filme ganhou o Prémio do Júri em Cannes e foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme de Animação. Era a história da sua família, da sua cidade, do seu país — e ao mesmo tempo de qualquer pessoa que alguma vez foi forçada a deixar tudo para trás.
Vivia em Paris desde os 14 anos mas o Irão nunca saiu do seu trabalho. Fumava constantemente em entrevistas, dizia o que pensava sem filtros, fazia filmes, pintava, escrevia. Realizou As Galinhas em 2011 com Mathieu Amalric. Foi argumentista, professora, figura pública que recusava ser só uma coisa. Tinha 56 anos. Era demasiado cedo.
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