Um Ano para a História dos Óscares: “Sinners” Arrasa Nomeações e Reescreve o Livro dos Recordes

A temporada de prémios aquece com a lista oficial de nomeados aos Óscares 2026

Preparem os smokings (ou, pelo menos, o pijama de gala): foram finalmente reveladas as nomeações para a 98.ª edição dos Óscares, promovida pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, e o ano de 2026 já entra directamente para a história do cinema. O grande protagonista chama-se Sinners, o ambicioso filme de Ryan Coogler, que soma impressionantes 16 nomeações — um novo recorde absoluto, ultrapassando clássicos como TitanicLa La Land e All About Eve, todos com “apenas” 14.

Lançado ainda em Abril de 2025, muito antes da habitual janela da temporada de prémios, Sinners conseguiu algo raríssimo: manter relevância, impacto crítico e entusiasmo durante quase um ano inteiro. O filme surge nomeado para Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actor Principal para Michael B. Jordan (num duplo papel como os gémeos Smoke e Stack), Actor Secundário para Delroy Lindo, Actriz Secundária para Wunmi Mosaku, Argumento Original, Banda Sonora, Fotografia — e a lista continua. Um verdadeiro fenómeno.

Uma corrida renhida… apesar do domínio

Logo atrás surge One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, com 13 nomeações. Em qualquer outro ano lideraria confortavelmente a corrida, mas 2026 tem outro tipo de ambição. O filme marca presença nas categorias principais, incluindo Melhor Filme, Realização, Actor Principal para Leonardo DiCaprio, actores secundários para Benicio Del Toro e Sean Penn, e Actriz Secundária para Teyana Taylor.

Ambos os filmes concorrem ainda numa das novidades do ano: a nova categoria de Casting, uma adição há muito pedida pela indústria e que estreia com peso pesado logo à primeira edição.

Terror, autor europeu e cinema de género em grande forma

Um dos dados mais interessantes desta lista é a forte presença do cinema de terror e de propostas mais ousadas. Frankenstein, de Guillermo del Toro, arrecada nove nomeações, incluindo Melhor Filme, Argumento Adaptado, Caracterização e Actor Secundário para Jacob Elordi.

Já o perturbador Bugonia soma quatro nomeações, incluindo Melhor Filme e Actriz Principal para Emma Stone, confirmando que o cinema de género deixou definitivamente de ser tratado como parente pobre pela Academia.

O cinema europeu também marca forte presença, com Sentimental Value e Marty Supreme a arrecadarem nove nomeações cada. Joachim Trier e Josh Safdie surgem ambos nomeados para Melhor Realização, enquanto Timothée ChalametRenate Reinsve e Stellan Skarsgård reforçam o peso interpretativo destas produções.

Quem vai triunfar na grande noite?

A cerimónia dos Óscares realiza-se a 15 de Março, e a pergunta impõe-se: conseguirá Sinners transformar este domínio esmagador em vitórias históricas? Ou haverá espaço para surpresas, divisões de prémios e aquele clássico “Oscar moment” que ninguém vê chegar? 🎬✨

Para já, fica a lista completa de nomeados, para análise, debates acesos e apostas de última hora.

Lista Completa de Nomeados aos Óscares 2026

Melhor Filme

Bugonia

F1

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

The Secret Agent

Sentimental Value

Sinners

Train Dreams

Realização

Chloé Zhao – Hamnet

Josh Safdie – Marty Supreme

Paul Thomas Anderson – One Battle After Another

Joachim Trier – Sentimental Value

Ryan Coogler – Sinners

Actor Principal

Timothée Chalamet – Marty Supreme

Leonardo DiCaprio – One Battle After Another

Ethan Hawke – Blue Moon

Michael B. Jordan – Sinners

Wagner Moura – The Secret Agent

Actriz Principal

Jessie Buckley – Hamnet

Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You

Kate Hudson – Song Sung Blue

Renate Reinsve – Sentimental Value

Emma Stone – Bugonia

Actor Secundário

Benicio Del Toro – One Battle After Another

Jacob Elordi – Frankenstein

Delroy Lindo – Sinners

Sean Penn – One Battle After Another

Stellan Skarsgård – Sentimental Value

Actriz Secundária

Elle Fanning – Sentimental Value

Inga Ibsdotter Lilleaas – Sentimental Value

Amy Madigan – Weapons

Wunmi Mosaku – Sinners

Teyana Taylor – One Battle After Another

Argumento Adaptado

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

One Battle After Another

Train Dreams

Argumento Original

Blue Moon

It Was Just An Accident

Marty Supreme

Sentimental Value

Sinners

Fotografia

Frankenstein

Marty Supreme

One Battle After Another

Sinners

Train Dreams

Documentário

The Alabama Solution

Come See Me In The Good Light

Cutting Through Rocks

Mr. Nobody Against Putin

The Perfect Neighbour

Filme Internacional

The Secret Agent

It Was Just An Accident

Sentimental Value

Sirāt

The Voice Of Hind Rajab

Animação

Arco

Elio

KPop Demon Hunters

Little Amélie Or The Character Of Rain

Zootopia 2

Caracterização

Frankenstein

Kokuho

Sinners

The Smashing Machine

The Ugly Stepsister

Banda Sonora

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

One Battle After Another

Sinners

Casting

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

The Secret Agent

Sinners

Figurinos

Avatar: Fire And Ash

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

Sinners

Canção Original

‘Dear Me’ – Diane Warren: Relentless

‘Golden’ – KPop Demon Hunters

‘I Lied To You’ – Sinners

‘Sweet Dreams Of Joy’ – Viva Verdi!

‘Train Dreams’ – Train Dreams

Direcção Artística

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

Sinners

Montagem

F1

Marty Supreme

One Battle After Another

Sentimental Value

Sinners

Som

F1

Frankenstein

One Battle After Another

Sinners

Sirāt

Efeitos Visuais

Avatar: Fire And Ash

F1

Jurassic World Rebirth

The Lost Bus

Sinners

Curta-Metragem – Ficção

Butcher’s Stain

A Friend Of Dorothy

Jane Austen’s Period Drama

The Singers

Two People Exchanging Saliva

Curta-Metragem – Animação

Butterfly

Forevergreen

The Girl Who Cried Pearls

Retirement Plan

The Three Sisters

Curta-Metragem – Documentário

All The Empty Rooms

Armed Only With A Camera

Children No More

The Devil Is Busy

Perfectly A Strangeness

Leonardo DiCaprio Não Ganhou o Globo… Mas Ganhou a Internet

Um momento fora do palco que roubou protagonismo à noite dos prémios

Leonardo DiCaprio pode ter saído de mãos a abanar da cerimónia dos Golden Globe Awards no que toca a prémios de interpretação, mas acabou por conquistar algo que, em 2026, vale quase tanto como uma estatueta dourada: a atenção total da internet. Um momento espontâneo, captado longe do palco e sem qualquer encenação, tornou-se viral nas redes sociais e voltou a provar que DiCaprio continua a ser uma das figuras mais magnéticas de Hollywood — mesmo quando não está a actuar oficialmente.

O actor, actualmente em destaque com One Battle After Another, foi filmado no salão do Beverly Hilton num diálogo animado com outro convidado. O vídeo, partilhado pela conta oficial dos Globos de Ouro no TikTok com a simples legenda “Enjoy 30 seconds of Leonardo DiCaprio”, rapidamente se espalhou como fogo em palha seca.

Lip readers, teorias e uma imitação improvável

No clip, DiCaprio aponta para outro convidado, faz o gesto clássico de “estava a observar-te” com dois dedos apontados aos olhos e termina com aquilo que parece ser uma imitação exagerada — quase teatral — de alguém conhecido. O que exactamente está a dizer não é claro, mas isso não impediu a internet de fazer o que faz melhor: especular.

Uma das teorias mais populares, avançada por leitores de lábios amadores, sugere que o actor estaria a brincar com o entusiasmo de alguém em relação ao fenómeno K-pop. A hipótese mais aceite é que DiCaprio estivesse a falar com o seu colega de elenco Chase Infiniti, conhecido fã assumido de K-pop, depois do filme da Netflix KPop Demon Hunters ter vencido dois prémios — Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original com “Golden”.

Derrota nos prémios, vitória na boa disposição

Na cerimónia, DiCaprio acabou por perder o Globo de Ouro de Melhor Actor em Comédia ou Musical para Timothée Chalamet, premiado pela sua performance em Marty Supreme. Ainda assim, longe de qualquer azedume, os dois foram filmados a conversar animadamente e a trocar um abraço, num daqueles momentos que ajudam a manter viva a ilusão de camaradagem em Hollywood.

Nikki Glaser e a piada que também deu que falar

Mais cedo na noite, DiCaprio já tinha sido alvo de uma das piadas mais comentadas da cerimónia, lançada pela apresentadora Nikki Glaser. Referindo-se à carreira do actor, Glaser atirou: “Trabalhaste com todos os grandes realizadores, ganhaste três Globos de Ouro, um Óscar… e a coisa mais impressionante é teres conseguido tudo isso antes de a tua namorada fazer 30 anos.” O comentário arrancou gargalhadas e confirmou que DiCaprio continua a ser um alvo preferencial do humor em noites de prémios.

Um lembrete de porque continua a ser uma estrela

Entre derrotas elegantes, piadas afiadas e momentos genuínos captados por acaso, Leonardo DiCaprio voltou a mostrar porque continua a ser uma presença central na cultura popular. Nem sempre é preciso subir ao palco para roubar a cena — às vezes basta ser… Leonardo DiCaprio.

Timothée Chalamet bate DiCaprio e conquista o Globo de Ouro numa noite cheia de surpresas Marty Supreme dá a vitória ao actor, enquanto One Battle After Another domina a cerimónia

A 83.ª edição dos Globos de Ouro confirmou aquilo que Hollywood já vinha a sussurrar: Timothée Chalamet está cada vez mais perto de se afirmar como um dos grandes nomes da sua geração. O actor venceu o prémio de Melhor Actor em Filme de Musical ou Comédia pela sua prestação em Marty Supreme, batendo uma concorrência de luxo que incluía Leonardo DiCaprio e George Clooney.

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A vitória representa um momento simbólico na carreira de Chalamet: depois de cinco nomeações, foi a primeira vez que subiu ao palco para receber um Globo de Ouro. No discurso, sublinhou a importância da gratidão, recordando os ensinamentos do pai, e admitiu que as derrotas passadas tornaram este triunfo “ainda mais doce”. O actor aproveitou ainda para agradecer aos pais e à companheira, Kylie Jenner, presente na plateia.

DiCaprio perde o actor, mas vence o filme

Apesar de Leonardo DiCaprio ter saído de mãos a abanar na categoria de interpretação, o seu filme One Battle After Another foi o grande vencedor da noite em termos absolutos. A produção arrecadou quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme de Musical ou Comédia, Melhor Realização e Melhor Argumento para Paul Thomas Anderson.

Visivelmente emocionado, Anderson agradeceu o carinho demonstrado pela indústria, sublinhando o privilégio de continuar a fazer cinema com liberdade criativa. O filme confirmou-se, assim, como um dos pesos pesados da actual temporada de prémios.

Hamnet surpreende no drama

Uma das maiores surpresas da noite foi a vitória de Hamnet na categoria de Melhor Filme Dramático, numa corrida onde Sinners era apontado como favorito. A protagonista Jessie Buckley venceu também o prémio de Melhor Actriz em Drama, agradecendo a oportunidade de participar numa produção internacional que cruzou culturas, equipas e sensibilidades.

A realizadora Chloé Zhao mostrou-se surpreendida ao receber o prémio, enquanto o produtor Steven Spielberg elogiou o romance de Maggie O’Farrell e afirmou que Zhao era “a única cineasta capaz de contar esta história”.

Discursos marcantes e afirmação internacional

Outro dos momentos mais emocionantes da noite pertenceu a Teyana Taylor, distinguida como Melhor Actriz Secundária por One Battle After Another. Em lágrimas, deixou uma mensagem poderosa dirigida às “irmãs e raparigas racializadas”, lembrando que a sua luz não precisa de permissão para brilhar.

Na vertente internacional, o thriller político brasileiro The Secret Agent venceu o prémio de Melhor Filme Internacional, com Wagner Moura a conquistar o Globo de Melhor Actor em Drama. No discurso, falou de trauma geracional e da importância de manter valores em tempos difíceis.

Televisão também em destaque

Como é tradição, os Globos de Ouro distinguiram igualmente a televisão. A série Adolescence continuou a somar prémios, com Owen Cooper, de apenas 16 anos, a vencer como Melhor Actor Secundário. Humilde, descreveu-se como “um aprendiz que ainda está a aprender todos os dias”.

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A cerimónia confirmou, assim, que os Globos continuam a ser um termómetro essencial rumo aos Óscares — e que uma nova geração de talentos está pronta para assumir o protagonismo.

Chris Pratt e o túmulo de São Pedro: o novo documentário que leva Hollywood às profundezas do Vaticano

Um Star-Lord no subsolo da Basílica de São Pedro

Chris Pratt trocou, por uns dias, as galáxias distantes e os blockbusters de acção pelas galerias silenciosas sob a Basílica de São Pedro, no Vaticano. O actor norte-americano está a filmar um documentário sobre a descoberta da Necrópole Vaticana e do túmulo do Apóstolo Pedro, num projecto que junta o Vatican Media, a Fabbrica di San Pietro e a produtora AF Films. A estreia está prevista para 2026, ano em que se assinala o 400.º aniversário da inauguração e dedicação da actual basílica.

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Segundo o Vatican News, as filmagens decorrem na própria Basílica de São Pedro e na Necrópole Vaticana, num acesso raríssimo que transforma Pratt no guia de um itinerário que mistura fé, história e arqueologia. O actor confessou sentir-se “extraordinariamente honrado” por colaborar com o Vaticano neste projecto e por ter a oportunidade de ajudar a levar a história de São Pedro ao grande público.

A direcção do documentário fica a cargo da realizadora espanhola Paula Ortiz, enquanto o argumento é assinado por Andrea Tornielli, com a colaboração de Pietro Zander. O filme deverá ser lançado em 2026, alinhado com a data simbólica de 18 de Novembro de 1626, quando a actual Basílica de São Pedro foi oficialmente inaugurada e consagrada.

Da Galileia ao Vaticano: a rota de Pedro

A história da basílica e a do próprio cristianismo estão intimamente ligadas à figura de Pedro, o pescador da Galileia a quem, segundo a tradição cristã, Jesus confiou a liderança da Igreja. Pedro terá sido martirizado em Roma, na colina vaticana, por volta do ano 64 d.C., e desde os primeiros séculos que o seu local de sepultamento se tornou destino de peregrinação, devoção e culto — ao ponto de muitos cristãos desejarem ser sepultados o mais perto possível do Apóstolo.

O documentário pretende precisamente revisitar, passo a passo, esse percurso, conduzindo o espectador numa viagem no tempo através de imagens exclusivas e de acesso restrito. O ponto central será a identificação do local do túmulo de Pedro na Necrópole Vaticana, uma questão que ocupou arqueólogos, historiadores e papas durante décadas.

Da escavação às relíquias: um enigma de séculos

Foi o Papa Pio XII que, em 1939, ordenou as escavações sob a Basílica de São Pedro, num impulso que mudou para sempre o conhecimento sobre o subsolo do Vaticano. Em 1950, Pio XII anunciava oficialmente a identificação do local de sepultamento do Apóstolo na Necrópole Vaticana, com base nas evidências então encontradas.

As investigações prosseguiram durante as décadas seguintes e, em 1968, o Papa Paulo VI deu um novo passo, revelando ao mundo que os ossos associados a Pedro tinham sido identificados de forma que considerava “convincente”. O pontífice declarou ter “razões para crer” que os poucos, mas sacrossantos, restos mortais do Príncipe dos Apóstolos tinham sido finalmente localizados.

É este caminho — entre fé e ciência, tradição e arqueologia — que o documentário agora em rodagem pretende tornar acessível ao grande público, com Chris Pratt como rosto e narrador desta descoberta contínua.

Chris Pratt como guia de um património invisível

Para além da curiosidade óbvia de ver uma grande estrela de Hollywood a guiar um documentário profundamente enraizado na tradição cristã, há aqui também um gesto claro de aproximação entre linguagens: a do cinema popular e a da comunicação religiosa e histórica.

Pratt, que já manifestou publicamente a sua fé em várias ocasiões, surge aqui numa faceta menos habitual, longe da comédia e da acção, para conduzir o espectador por corredores estreitos, câmaras funerárias e zonas do Vaticano que a maioria dos crentes — e cinéfilos — nunca verá ao vivo.

Visualmente, o projecto promete explorar não só a monumentalidade da Basílica de São Pedro, mas também o lado invisível da cidade-estado: a necrópole que foi preservada, redesenhada e protegida ao longo de séculos para guardar o lugar onde, segundo a tradição, repousa São Pedro.

Um lançamento pensado ao milímetro

O calendário não foi escolhido ao acaso. Lançar o documentário em 2026, exactamente no 400.º aniversário da dedicação da actual basílica, permite ao Vaticano e às entidades envolvidas reforçar a ligação entre o edifício que hoje vemos e a memória do Apóstolo que o funda simbolicamente.

Para o público, o filme deverá funcionar tanto como experiência espiritual e histórica como produto cinematográfico acessível, ajudado pelo carisma de Chris Pratt e pela curiosidade natural em torno de tudo o que se passa por detrás dos muros do Vaticano.

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Seja visto como acto de fé, exercício de divulgação histórica ou estratégia inteligente de comunicação, uma coisa é certa: em 2026, muitos espectadores vão descer, sem sair do sofá, às profundezas da colina vaticana, à procura do lugar onde começou uma das histórias mais influentes da civilização ocidental

Críticos de Nova Iorque Elegem One Battle After Another Como Melhor Filme de 2025 — E Há Surpresas nas Categorias Principais

Um arranque forte na época de prémios

A temporada de prémios acabou de ganhar novo fôlego: a New York Film Critics Circle (NYFCC) anunciou os seus vencedores e o grande destaque vai para One Battle After Another, eleito Melhor Filme de 2025. A escolha reforça o estatuto crescente do filme, que já tinha conquistado atenção no circuito de festivais e que agora entra oficialmente na corrida ao Óscar com selo crítico de peso.

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A performance de Benicio del Toro, também distinguida com o prémio de Melhor Actor Secundário, ajudou a cimentar o filme no topo das preferências do painel nova-iorquino. Curiosamente, esta vitória chega apenas um dia depois de o filme vencer Melhor Filme nos Gotham Awards, revelando um raro alinhamento entre diferentes círculos de crítica.

Jafar Panahi e uma consagração inesperada

Na categoria de Melhor Realizador, a NYFCC voltou a repetir a sintonia com os Gotham Awards, atribuindo o prémio a Jafar Panahi por It Was Just an Accident. O cineasta iraniano, admirado mundialmente pela sua capacidade de criar sob condições adversas, reforça assim a sua posição como uma das vozes mais influentes do cinema contemporâneo.

O triunfo de Panahi confirma aquilo que muitos críticos têm dito desde o início do ano: estamos perante uma obra que combina autorismo puro com uma inesperada leveza narrativa, desafiando tanto expectativas políticas como estéticas.

Wagner Moura conquista Nova Iorque — duas vezes

Outro destaque evidente é o filme The Secret Agent, que arrecadou dois prémios:

— Melhor Actor, para Wagner Moura,

— Melhor Filme Internacional.

O actor brasileiro, que tem vindo a conquistar Hollywood de forma sustentada, recebe aqui um dos galardões mais prestigiados da crítica norte-americana. A distinção surge num momento de crescente reconhecimento internacional do seu trabalho, elevando ainda mais o perfil do filme.

Rose Byrne surpreende no prémio de Melhor Actriz

O prémio de Melhor Actriz foi para Rose Byrne, pela sua performance em If I Had Legs I’d Kick You — um título tão peculiar quanto ousado, que já está a gerar curiosidade no público cinéfilo. A vitória reafirma Byrne como uma intérprete versátil, capaz de brilhar tanto na comédia como no drama.

Argumento, animação e primeiras obras: um retrato diverso do cinema de 2025

O prémio de Melhor Argumento foi para Marty Supreme, realizado por Josh Safdie e protagonizado por Timothée Chalamet. A escrita do filme tem sido amplamente elogiada pela sua energia irreverente e pela forma inventiva como reinventa convenções dramáticas.

Em Animação, a vitória foi para KPop Demon Hunters, um filme que tem cativado audiências e críticos com a sua fusão de cultura pop, humor estilizado e acção sobrenatural.

A fotografia de Sinners arrecadou o galardão de Melhor Cinematografia, enquanto o prémio de Melhor Primeira Longa-Metragem foi para Eephus, um nome que deverá tornar-se presença regular nos festivais do próximo ano.

Documentário e prémios especiais

Na categoria de Melhor Filme de Não-Ficção, voltou a repetir-se o alinhamento com os Gotham Awards: o vencedor foi My Undesirable Friends: Part I – Last Air in Moscow, uma obra que tem sido descrita como profundamente humana e cinematograficamente arrojada.

A NYFCC atribuiu ainda prémios especiais à Screen Slate e ao Museum of the Moving Image, reconhecendo o impacto cultural e educativo de ambos.

Os prémios estudantis foram para London Xhudo (NYU) e Tan Zhiyuan (The New School), reforçando o compromisso do círculo com o futuro da crítica e da produção cinematográfica.

Uma tradição quase centenária

Fundado em 1935, o New York Film Critics Circle reúne anualmente alguns dos críticos mais respeitados dos Estados Unidos, representando jornais, revistas e publicações digitais de referência. A votação ocorre sempre em Dezembro, definindo um dos primeiros e mais influentes passos na temporada de prémios.

No ano passado, o grupo escolheu The Brutalist como Melhor Filme de 2024 — um título que, mais tarde, também conquistou espaço significativo nas nomeações da Academia.

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Um mapa claro para a corrida aos Óscares

Com a divulgação destes prémios, a NYFCC redesenha o cenário da temporada de prémios:

— One Battle After Another emerge como frontrunner;

— Jafar Panahi confirma o seu estatuto de favorito na realização;

— Wagner Moura e Rose Byrne ganham força nas categorias de interpretação;

— e o circuito de festivais prepara-se para um 2025 intensamente competitivo.

A cerimónia oficial de celebração está marcada para Janeiro, em Nova Iorque. Até lá, Hollywood terá muito para analisar — e ainda mais para especular.

“One Battle After Another”: Leonardo DiCaprio Surpreende Como Revolucionário Descompensado no Filme Mais Louco de Paul Thomas Anderson 💣🎥🍷

Se te disseram que o novo filme de Paul Thomas Anderson seria uma mistura de There Will Be Blood com Fear and Loathing in Las Vegas, estavam mais perto da verdade do que pensas. One Battle After Another, apresentado pela primeira vez com imagens explosivas na CinemaCon 2025, é uma das grandes apostas da Warner Bros. para o final do ano — e promete fazer faísca tanto nas bilheteiras como na temporada de prémios.

Com um orçamento a rondar os 130 milhões de dólares (sim, leste bem), este é o filme mais caro alguma vez realizado por Anderson, e marca a sua primeira colaboração com Leonardo DiCaprio. E que estreia! A julgar pelas reações em Las Vegas, o ator de O Lobo de Wall Street está prestes a oferecer-nos uma das interpretações mais selvagens, intensas e surreais da sua carreira.

Um revolucionário em queda… e em fúria

No filme, DiCaprio interpreta um revolucionário exausto, alcoólico e visivelmente afetado por décadas de abuso de substâncias, que embarca numa missão para salvar a filha raptada. A trama, adaptada de um romance de Thomas Pynchon (o autor que já inspirou Inherent Vice), decorre num universo de intrigas políticas, caos urbano e paranoia revolucionária, com uma pitada generosa de humor negro e uma realização grandiosa em formato VistaVision para IMAX.

Durante a CinemaCon, foi mostrada uma sequência hilária em que o personagem de DiCaprio tenta lembrar-se de uma palavra-passe para ativar uma célula de radicais. “Fritei o meu cérebro”, diz ao telefone. “Abusei de drogas e álcool durante 30 anos. Sou um amante de drogas e álcool.” Do outro lado da linha, a resposta é inesperadamente woke: “Estás a ser agressivo e isso está a dar-me ‘gatilhos de ruído’.”

Rimos? Rimos muito. Mas também percebemos que este é o tipo de sátira anárquica que só Paul Thomas Anderson se atreveria a levar a cabo com esta escala.

Um elenco de luxo e um vilão com olhos de gelo

A acompanhar DiCaprio estão Regina Hall, Teyana Taylor e o recém-chegado Chase Infiniti, mas há mais: Sean Penn interpreta o principal vilão — um coronel com um olhar glacial que, segundo quem viu, “mete mesmo medo”. Benicio del Toro surge como um camarada revolucionário armado até aos dentes e com ar de quem também abusou das substâncias erradas nos momentos certos.

É um elenco que transpira talento, caos e carisma — tudo o que este tipo de cinema precisa para se tornar lendário.

“Don’t f*cking panic”

O trailer apresentado foi tudo menos subtil: perseguições de carro, tiroteios de metralhadora, equipas de intervenção especial a arrombar portas e DiCaprio em plena espiral de colapso mental. A última frase, gritada entre explosões e sirenes: “Don’t f*cking panic. Keep your shit together.” Aparentemente, não estava a falar só para si próprio.

E apesar do tom irreverente, DiCaprio garantiu que One Battle After Another “toca em algo político e cultural que arde sob o nosso subconsciente coletivo”.

A estreia estava originalmente marcada para 8 de agosto de 2025, mas a Warner adiou o lançamento para 26 de setembro — um movimento claro para posicionar o filme na rota dos Óscares.

Uma aposta arriscada… mas com pedigree

Apostar 130 milhões num filme sem super-heróis, sabres de luz ou sequelas de animações é quase um ato de resistência nos dias que correm. Mas se há alguém que pode justificar essa aposta, é Paul Thomas Anderson. E com DiCaprio no leme da loucura, tudo pode acontecer. Lembremo-nos que The Revenant (2015) e O Lobo de Wall Street (2013) também pareciam “demasiado estranhos para o grande público” — e renderam fortunas.

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Neste caso, há quem fale já num regresso à glória do cinema audaz e autoral, com músculo técnico e ambição desmedida. E, convenhamos, só o facto de One Battle After Another existir já é um pequeno milagre num mercado saturado de fórmulas previsíveis.

Conclusão: DiCaprio + PTA = caos cinematográfico imperdível

One Battle After Another é, como o título indica, uma luta constante — tanto para os personagens como para a própria indústria que tenta recuperar da estagnação pós-pandemia. Mas se há filme que pode reacender a paixão pelo cinema audaz, provocador e livre, é este.

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A estreia mundial está marcada para 26 de setembro de 2025. E já há quem diga que os bilhetes vão esgotar antes mesmo de sabermos a palavra-passe do revolucionário de DiCaprio.

Hollywood Vai a Jogo em Las Vegas: CinemaCon 2025 Pode Ser a Última Cartada

🎰 Las Vegas chama e Hollywood responde. Mas não é para apostar nas slot machines: é para tentar salvar um ano que já parece um filme de terror. A CinemaCon — o maior evento anual da indústria cinematográfica — arrancou esta segunda-feira no Caesars Palace com um objectivo claro: devolver esperança (e bilheteiras gordas) aos donos de salas de cinema e aos fãs de grandes estreias.

📉 A verdade é dura: 2025 começou com mais tropeções do que uma personagem secundária em filme de acção. Entre fracassos como a nova “Branca de Neve” da Disney, o Capitão América que ninguém pediu e o enigmático “Mickey 17” (onde nem Pattinson conseguiu salvar o dia), a indústria arrecadou 1,3 mil milhões de dólares na América do Norte… 7% abaixo do já fraco início de 2024.

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E tudo isto depois de um 2023 com greves históricas de argumentistas e actores. O lema não oficial da indústria tornou-se: “Aguenta até 2025”. E agora que 2025 chegou, todos olham para Las Vegas como quem espreita o número da sorte na roleta.


🎬 Cartaz com promessas (e muita pressão)

A primeira apresentação ficou a cargo da Sony Pictures, a casa do “Homem-Aranha”, que já nos habituou a boas surpresas. Mas os olhos também estão postos noutros pesos pesados que vão subir ao palco esta semana:

• Amazon MGM: depois de comprar a saga James Bond por uns trocos (cof cof… mil milhões), o estúdio promete mostrar as cartas para o futuro do 007 — agora com novos produtores ao leme.

• Warner Bros.: está a precisar desesperadamente de um “do-over” após a queda livre de Mickey 17 e The Alto Knights, com Robert De Niro. Mas entre Superman (reboot fresquinho) e o novo filme de DiCaprio (One Battle After Another), pode ser que ainda haja salvação.

• Paramount: tradição é tradição, e lá virá mais um Missão: Impossível. A questão do costume: Tom Cruise vai saltar do tecto do Caesars Palace ou não?

• Universal: traz de volta dinossauros e bruxas com novas entradas nas sagas Mundo Jurássico e Wicked.

• Lionsgate: o arsenal dos John Wick continua a crescer, e Keanu Reeves nunca se atrasa… excepto quando o guião exige.

• Disney: encerra o evento com as suas eternas galinhas dos ovos de ouro — Marvel e Avatar. Mas depois de algumas escorregadelas recentes, todos estão atentos ao que vai revelar (e com que confiança o fará).


🎞️ Apostas altas, nervos à flor da pele

A expectativa é clara: os donos das salas querem razões para voltar a acreditar. Afinal, nem mesmo os blockbusters estão a conseguir cumprir os mínimos. Em muitos casos, nem chegam perto de recuperar os orçamentos astronómicos investidos — e isso sem contar com campanhas de marketing dignas de presidentes dos EUA.

CinemaCon serve também de termómetro: será que o público está farto de super-heróis? Será que o futuro está nas sequelas ou nas histórias originais? E acima de tudo, será que Hollywood ainda sabe o que os espectadores querem ver?


🍿 O que esperar a seguir?

O que sair desta semana em Las Vegas vai moldar o resto de 2025 — e, muito possivelmente, a forma como Hollywood se adapta aos novos tempos. O streaming continua a morder os calcanhares das salas, os orçamentos têm crescido mais do que as receitas, e os espectadores… bem, esses parecem cada vez mais difíceis de conquistar.

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Por agora, resta-nos ficar atentos às luzes de Las Vegas — e esperar que desta vez, a sorte esteja do lado da indústria.

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