“Disclosure Day” — Spielberg está de volta, Emily Blunt está fenomenal.

Disclosure Day chega com o peso de tudo o que o realizador já fez — e carrega-o com mais elegância do que a maioria. Steven Spielberg tem 79 anos, regressou à ficção científica que o tornou quem é, e fê-lo com uma competência e uma generosidade que o cinema de entretenimento raramente atinge. É um filme muito bom. Não é E.T. Não é Encontros Imediatos do Terceiro Grau. E não precisa de ser.

A premissa é simples e eficaz: Margaret Fairchild (Emily Blunt), meteorologista de televisão em Kansas City, é subitamente dominada por uma força extraterrestre em directo durante uma emissão de meteorologia. Daniel Kellner (Josh O’Connor), um whistleblower que leva anos a tentar provar que o governo esconde provas de vida extraterrestre, encontra-a e decide que ela pode ser a chave para revelar a verdade ao mundo. Colin Firth é o homem da corporação Wardex que os persegue. Colman Domingo é o aliado inesperado. John Williams compõe, é a trigésima sétima colaboração com Spielberg, e o score é exactamente o que se espera de Williams em modo Spielberg: presente sem esmagar, emotivo sem manipular.

A crítica do Collider chamou-lhe “a melhor actuação de Emily Blunt de todos os tempos” e “o melhor filme de Spielberg em 20 anos”. É entusiasmo legítimo. Blunt está extraordinária, com uma fisicalidade e uma vulnerabilidade que tornam as cenas mais exigentes genuinamente perturbadoras. O Hollywood Reporter descreveu-o como “profundamente humano, com interpretações à altura e Emily Blunt verdadeiramente maravilhosa”. A crítica do Deadline apontou “o argumento de David Koepp, X-Files encontra a Bíblia, como um acto de equilíbrio de alto risco que funciona”.

O que funciona mesmo: o ritmo, que nunca afrouxa; a relação entre Blunt e O’Connor, construída com o cuidado que Spielberg sempre dedicou aos duos improváveis; e a escala visual de Janusz Kamiński atrás da câmara, que consegue fazer uma perseguição de carro parecer um acontecimento cósmico. O que não é propriamente novo: a conspiração governamental, a inocente envolvida involuntariamente, a corrida contra o tempo para revelar a verdade. São peças que Spielberg domina como ninguém — mas são peças que já vimos.

É o filme perfeito para este momento — com OVNIs na conversa política americana, com um realizador que sempre soube como usar o espectáculo para perguntar coisas sérias, e com uma actriz no topo da sua forma. Vale absolutamente a viagem ao cinema. Quanto a ser o melhor Spielberg em 20 anos — isso depende do quanto entusiasmo está disponível. O que é certo é que é o Spielberg mais confortável e mais generoso em muitos anos. E isso, por si só, já é muito.

Em cartaz nos cinemas portugueses a partir de 11 de Junho.

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