“Está na Hora de Queimar a Casa”: Karim Aïnouz Ataca os Super-Ricos em Rosebush Pruning

Há filmes que criticam os ricos. E depois há filmes que lhes pegam numa tesoura de poda e começam a cortar sem piedade. É esse o caso de Rosebush Pruning, a nova obra do realizador brasileiro Karim Aïnouz, que promete transformar a sátira social num verdadeiro acto de demolição moral.

ler também : A Série Que Abalou o Género: Porque “Watchmen” Continua a Ser o Último Grande Risco da Televisão de Super-Heróis

Com um elenco de luxo — Callum TurnerJamie BellRiley KeoughElle FanningPamela Anderson e Tracey Letts — o filme mergulha na intimidade tóxica de uma família americana abastada que vive numa villa em Espanha, cercada de luxo, serventes e ressentimentos.

“Pessoas são rosas. Famílias são roseiras. E roseiras precisam de poda.” É com esta metáfora ameaçadora que a narrativa se apresenta. O que se segue é um retrato cruel de privilégio, patriarcado e decadência emocional.

Uma Família Podre Até à Raiz

Inspirado livremente em Fists in the Pocket, clássico radical de Marco Bellocchio, o filme adapta a ideia de uma família disfuncional ao contexto contemporâneo. O argumento é assinado por Efthimis Filippou, colaborador habitual de Yorgos Lanthimos, o que desde logo indica o tom absurdo e mordaz da proposta.

Aqui, o pai — uma figura cega, autoritária e abusiva — surge como símbolo de um poder masculino omnipresente, sem nome próprio, quase arquetípico. À sua volta, filhos emocionalmente fracturados: um irmão aparentemente estável mas marcado pelo trauma, outros à beira da psicose, relações ambíguas, segredos enterrados e a sombra da morte da mãe.

Aïnouz descreve o projecto como parte de uma trilogia de “monstros de carne e osso” iniciada com Firebrand e continuada com Motel Destino — filmes centrados em figuras masculinas tóxicas que exercem poder com naturalidade assustadora.

Sátira Como Arma

Se a premissa é sombria, o tom é surpreendentemente cómico. A decisão de abordar temas como desigualdade extrema e masculinidade venenosa através da sátira foi, segundo o realizador, essencial para tornar o discurso acessível — e eficaz.

Nos últimos anos, vimos várias obras a desmontar o luxo obsceno das elites — de Parasitas a Triangle of Sadness ou The White Lotus. Mas Aïnouz quis ir mais longe: não apenas criticar o privilégio, mas questionar como quebrar o ciclo de violência e concentração de riqueza que se tornou quase “natural”.

A metáfora da poda não é apenas estética: implica a ideia de que, por vezes, cortar é necessário para que algo novo possa crescer.

Um Laboratório Internacional

Rodado integralmente em Espanha, o filme nasceu de um processo colaborativo intenso. O elenco ensaiou durante semanas na própria casa onde decorre a acção, criando dinâmicas familiares para além do texto. Refeições improvisadas, exercícios fora do guião, convivência constante — tudo para construir uma intimidade desconfortável, mas palpável.

A produção é também um cruzamento cultural: realizador brasileiro-argelino, argumentista grego, actores americanos e britânicos, equipa espanhola. Um verdadeiro terreno fértil para experimentação.

“Queimar a Casa”

Ao aproximar-se dos 60 anos, Aïnouz afirma não ter nada a perder. Numa indústria cada vez mais dominada por plataformas de streaming e gestão de risco, o realizador defende o regresso à ousadia do cinema dos anos 60 — uma época de ruptura formal e política.

ler também : O “Teste da Paixão Famosa”: A Nova Mania nos Encontros Está a Deixar Homens em Alerta

Rosebush Pruning surge assim como um manifesto: contra o conformismo, contra a reverência excessiva, contra a neutralidade confortável. Se o sistema está podre, talvez seja preciso incendiá-lo para reconstruir algo diferente.

E, ao que tudo indica, Aïnouz não quer apenas podar a roseira. Quer mesmo deitar abaixo a casa inteira.

Callum Turner como James Bond? Quatro pistas sobre como o novo 007 pode mudar tudo

Ainda não há confirmação oficial, mas os rumores sobre o próximo James Bond ganharam força no arranque de 2026. Tudo indica que Callum Turner poderá ser o escolhido para vestir o fato de 007, numa altura em que a saga procura redefinir-se após a compra da MGM pela Amazon e várias mudanças ao nível da produção. Desta vez, não se trata apenas de especulação: há sinais claros de que o projecto está finalmente a avançar.

ler também :Sigourney Weaver, os Beatles e uma carta embaraçosa para John Lennon: “Espero que a tenham deitado fora”

Uma das novidades mais entusiasmantes é a escolha de Denis Villeneuve como realizador. Conhecido pelo seu trabalho em filmes como Dune, Arrival e Blade Runner 2049, Villeneuve traz um cinema elegante, contido e profundamente humano. Um estilo que poderá encaixar bem com a presença clássica e algo introspectiva de Callum Turner, apontando para um Bond mais cerebral e menos dependente do espectáculo puro.

A comparação com Bonds anteriores é inevitável. Será Turner mais próximo do charme de Sean Connery ou da fisicalidade austera de Daniel Craig? A resposta poderá estar algures entre os dois. O actor britânico já demonstrou versatilidade em vários projectos, revelando uma sobriedade clássica aliada a uma vulnerabilidade moderna. Um Bond menos invencível, mais humano, capaz de pensar e sentir.

James Bond sempre funcionou como um reflexo do seu tempo. Nos anos 90, Pierce Brosnan representava sofisticação e gadgets. Com Daniel Craig, o início do século XXI pediu realismo, trauma e cinismo. Em 2026, o contexto é outro. Entre debates sobre masculinidade e um certo regresso a valores conservadores, a indústria parece apostar num equilíbrio mais neutro. Turner, com 35 anos, encaixa nessa visão: tem presença física, carisma clássico e uma imagem suficientemente contemporânea para agradar a várias gerações.

Por fim, há a sugestão inevitável e assumidamente divertida. Callum Turner é noivo de Dua Lipa, uma das maiores estrelas pop da actualidade. E se fosse ela a cantar o próximo tema de Bond? A sua voz grave, o glamour moderno e um historial de êxitos tornam a ideia surpreendentemente plausível. Não seria a primeira vez que a saga 007 aposta numa artista contemporânea para marcar uma nova era.

ler também : O quarto remake de Intocáveis bate recordes e prova que a história continua a conquistar o público

Seja Callum Turner o próximo Bond ou não, uma coisa é certa: o futuro de James Bond começa finalmente a ganhar forma. E, desta vez, há motivos reais para ficar curioso.

Pierce Brosnan e Helen Mirren concordam: James Bond “tem de ser um homem”

O debate sobre quem deverá assumir o icónico papel de James Bond ganhou novo fôlego depois de duas figuras incontornáveis do cinema britânico — Pierce Brosnan e Helen Mirren — terem defendido que o espião criado por Ian Fleming deve continuar a ser interpretado por um homem.

Pierce Brosnan, que vestiu o fato de 007 em quatro filmes entre 1995 e 2002 (GoldenEyeTomorrow Never DiesThe World Is Not Enough e Die Another Day), surpreendeu ao recuar em declarações que fizera em 2019, quando afirmara que seria “excitante” ver uma mulher no papel. Agora, aos 72 anos, o ator irlandês sublinha outra perspetiva:

ver também : Nobody 2: a inesperada saga à la John Wick que conquista a crítica e mantém a “streak” no Rotten Tomatoes

“Oh, acho que tem de ser um homem. Estou tão entusiasmado por ver o próximo homem a subir ao palco e a trazer nova vida a esta personagem”, disse em entrevista à revista Saga.

Brosnan, que chegou a acusar a saga de sexismo no passado, acrescentou que, apesar de se considerar feminista, Bond tem de manter-se fiel à sua essência: “Não se pode ter uma mulher. Simplesmente não resulta. James Bond tem de ser James Bond, caso contrário transforma-se noutra coisa.”

O apoio de Helen Mirren

A seu lado nesta opinião esteve Dame Helen Mirren, que contracena com Brosnan na adaptação cinematográfica de The Thursday Murder Club. A atriz de 80 anos, também entrevistada pela mesma publicação, reforçou o ponto de vista:

“Sou uma grande feminista, mas James Bond tem de ser um homem. Não funciona de outra forma. O conceito nasceu de um mundo profundamente sexista, sim, mas é precisamente isso que define a personagem. É divertido assim.”

Mirren reconheceu, no entanto, que muitas mulheres desempenharam papéis importantes no universo do espionagem real e ficcional, mas que Bond é, por natureza, uma figura masculina.

O futuro da saga nas mãos da Amazon

A franquia, que esteve mais de 60 anos sob o controlo da família Broccoli, passou recentemente para a alçada da Amazon-MGM Studios, num negócio avaliado em cerca de mil milhões de dólares. A nova etapa promete uma abordagem “fresca”, mas sem abdicar do “legado” de 007.

O próximo filme, o 26.º da saga oficial, terá argumento de Steven Knight, criador de Peaky Blinders, e realização de Denis Villeneuve (Dune), numa aposta clara em revitalizar o agente secreto para as novas gerações.

ver também . Box Office: A Hora do Desaparecimento  continua imparável, Nobody 2 estreia em terceiro e Americana com Sydney Sweeney é um desastre total

Enquanto isso, a especulação sobre o sucessor de Daniel Craig continua intensa. Os nomes de Aaron Taylor-Johnson (Bullet Train) e Callum Turner (Masters of the Air) surgem como favoritos, embora James Norton também seja apontado como forte candidato.

🎬 Conclusão

Mais de seis décadas depois da estreia de Dr. No, a questão mantém-se: quem será o próximo James Bond? Uma coisa parece certa para Pierce Brosnan e Helen Mirren — 007 tem de continuar a ser um homem. O público, por sua vez, aguarda impaciente pelo anúncio oficial que definirá o futuro de uma das sagas mais lendárias da história do cinema