Uma Noite para a História: O Brasil Brilha nos Globos de Ouro e Hollywood Rende-seWagner Moura e O Agente Secreto fazem história numa cerimónia marcada por cinema, política e emoção

A 83.ª edição dos Globos de Ouro ficará para sempre gravada na história do cinema brasileiro — e não só. Numa noite intensa, politizada e cinematograficamente rica, O Agente Secreto e Wagner Moura colocaram o Brasil no centro do mapa da temporada de prémios, enquanto Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, emergia como o grande vencedor da noite em Los Angeles.

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O filme brasileiro venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, enquanto Wagner Moura conquistou o prémio de Melhor Ator em Filme de Drama — uma estreia absoluta para um intérprete brasileiro nesta categoria. Um momento simbólico, mas também profundamente político e artístico, que confirma o excelente momento do cinema brasileiro nos grandes palcos internacionais.

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Um filme sobre memória, trauma e resistência

Realizado por Kléber Mendonça FilhoO Agente Secreto mergulha nos anos da ditadura militar brasileira, explorando a tensão psicológica, a ambiguidade moral e as marcas deixadas pelo trauma colectivo. Desde a sua estreia no Festival de Cannes, onde arrecadou os prémios de Melhor Realização e Melhor Ator, o filme tornou-se um dos títulos mais comentados do ano, tanto pela crítica como pelos votantes das principais academias.

No discurso de aceitação, Wagner Moura definiu o filme como “uma obra sobre memória, a falta de memória e o trauma geracional”, lembrando que, tal como o trauma, também os valores podem ser transmitidos entre gerações. O actor terminou o discurso em português, dirigindo-se directamente ao público brasileiro — um momento de forte carga emocional numa sala repleta de estrelas de Hollywood.

A consagração de um momento brasileiro

Este triunfo surge na continuidade de um período particularmente fértil para artistas brasileiros nos Globos de Ouro. No ano anterior, Fernanda Torres venceu o prémio de Melhor Actriz em Drama por Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, filme que viria mais tarde a conquistar o Óscar de Melhor Filme Internacional.

Ao receber o prémio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, Kléber Mendonça Filho dedicou-o aos jovens cineastas, sublinhando que este é “um momento crucial para fazer cinema”, tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

Batalha Atrás de Batalha: o grande vencedor da noite

Se o Brasil viveu um momento histórico, a noite teve um claro dominador. Batalha Atrás de Batalha, drama com contornos de sátira política sobre um revolucionário envelhecido e a sua filha adolescente, chegou aos Globos com nove nomeações e saiu com quatro estatuetas: Melhor Filme em Musical ou Comédia, Melhor Argumento, Melhor Realização e Melhor Actriz Secundária para Teyana Taylor.

No seu discurso, Taylor deixou uma das frases mais marcantes da noite: “A nossa luz não precisa de permissão para brilhar”, dirigindo-se às mulheres e raparigas racializadas que se viram representadas naquele momento.

Cinema nos cinemas — e séries em alta

Outro dos discursos mais aplaudidos foi o de Stellan Skarsgård, vencedor de Melhor Actor Secundário por Valor Sentimental, que aproveitou para defender a experiência colectiva das salas de cinema: “O cinema deve ser visto nos cinemas”.

Na televisão, a grande surpresa foi The Pitt, da HBO Max, eleita Melhor Série Dramática, com Noah Wyle a vencer como Melhor Actor. Já Adolescência, da Netflix, dominou a categoria de Minissérie, arrecadando quatro prémios, incluindo Melhor Série e três distinções de interpretação.

Uma cerimónia com consciência social

Apresentada por Nikki Glaser, a cerimónia não fugiu à sátira política nem à crítica social, com referências a figuras como Donald Trump e ao caso Jeffrey Epstein. Várias celebridades desfilaram ainda na passadeira vermelha com pins “Be good”, numa homenagem a Renee Good e num gesto de protesto contra a violência policial e as políticas migratórias nos EUA.

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Uma noite onde o cinema, a televisão e a política se cruzaram — e onde o Brasil escreveu, finalmente, uma das suas páginas mais importantes na história dos Globos de Ouro.

“Batalha Atrás de Batalha” domina os Critics Choice Awards e afirma-se como o filme do momento

Paul Thomas Anderson e Leonardo DiCaprio no centro da noite em Santa Mónica

A temporada de prémios arrancou oficialmente esta madrugada, com a realização da 31.ª edição dos Critics Choice Awards, e houve um grande vencedor inequívoco. Batalha Atrás de Batalha, protagonizado por Leonardo DiCaprio, conquistou o prémio de Melhor Filme, afirmando-se desde já como um dos títulos mais fortes da corrida aos Óscares.

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A longa-metragem arrecadou ainda os prémios de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Realização, distinção entregue a Paul Thomas Anderson, que subiu ao palco visivelmente emocionado. “Este foi o melhor tempo que já passei a fazer um filme e penso que isso se nota”, afirmou o realizador, sublinhando a importância da equipa e do elenco que o acompanhou, onde se destacam nomes como Benicio del Toro e Teyana Taylor.

Chalamet surpreende DiCaprio na corrida a Melhor Actor

Apesar do domínio de Batalha Atrás de Batalha, a noite também ficou marcada por uma das surpresas da cerimónia. Timothée Chalamet, de apenas 30 anos, venceu o prémio de Melhor Actor pelo seu desempenho como Marty Mauser em Marty Supreme, superando Leonardo DiCaprio, Michael B. Jordan, Wagner Moura, Ethan Hawke e Joel Edgerton.

No discurso de agradecimento, Chalamet destacou o trabalho do realizador Josh Safdie, elogiando a forma como construiu “a história de um homem imperfeito com um sonho com o qual todos nos podemos identificar”. O actor aproveitou ainda para agradecer à namorada, Kylie Jenner, que o acompanhou na gala.

Jessie Buckley emociona com discurso sobre criação e comunidade

Um dos momentos mais aplaudidos da noite aconteceu na categoria de Melhor Atriz, entregue a Jessie Buckley pelo papel de Agnes Shakespeare em Hamnet, realizado por Chloé Zhao. Buckley superou concorrentes de peso como Emma Stone, Amanda Seyfried e Rose Byrne.

“Criar é um privilégio absoluto”, afirmou a actriz, destacando o espírito de partilha entre todas as nomeadas e descrevendo o cinema como uma verdadeira “aldeia”. As palavras dedicadas a Chloé Zhao, sobre o poder das histórias e a sua ligação à condição humana, foram particularmente emocionantes.

Terror, fantasia e surpresas técnicas

Nos papéis secundários, o terror e a fantasia dividiram honras. Amy Madigan venceu Melhor Atriz Secundária por Weapons, enquanto Jacob Elordi arrecadou o prémio de Melhor Ator Secundário por Frankenstein. Esta reinvenção do clássico de Guillermo del Toro destacou-se ainda nas categorias técnicas de guarda-roupa, caracterização e design de produção.

O filme mais nomeado da noite, Sinners, com 17 indicações, acabou por vencer Melhor Argumento OriginalMelhor Banda SonoraMelhor Jovem Ator (Miles Caton) e Melhor Elenco.

Cinema internacional, animação e televisão em destaque

Na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, venceu o brasileiro O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho. Já KPop Demon Hunters confirmou o favoritismo ao conquistar Melhor Filme de Animação e Melhor Canção, com “Golden”.

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Na televisão, The Pitt foi a grande vencedora entre as séries dramáticas, enquanto Adolescência brilhou nas categorias de minissérie e interpretação.

Apresentada por Chelsea Handler e transmitida pelo canal E!, a cerimónia confirmou tendências, revelou surpresas e deixou claro que Batalha Atrás de Batalha parte na dianteira nesta temporada de prémios.

🏆 Vencedores dos Critics Choice Awards – Cinema

Melhor Filme

– Batalha Atrás de Batalha

Melhor Realização

– Paul Thomas Anderson (Batalha Atrás de Batalha)

Melhor Ator

– Timothée Chalamet (Marty Supreme)

Melhor Atriz

– Jessie Buckley (Hamnet)

Melhor Ator Secundário

– Jacob Elordi (Frankenstein)

Melhor Atriz Secundária

– Amy Madigan (Weapons)

Melhor Jovem Ator / Atriz

– Miles Caton (Sinners)

Melhor Filme de Comédia

– The Naked Gun: Aonde É Que Pára a Polícia

Melhor Filme de Animação

– KPop Demon Hunters

Melhor Filme em Língua Estrangeira

– O Agente Secreto (Brasil)


✍️ Argumento e Música

Melhor Argumento Original

– Ryan Coogler (Sinners)

Melhor Argumento Adaptado

– Batalha Atrás de Batalha

Melhor Banda Sonora

– Ludwig Göransson (Sinners)

Melhor Canção Original

– “Golden” (KPop Demon Hunters)


🎬 Categorias Técnicas

Melhor Fotografia

– Train Dreams (Adolpho Veloso)

Melhor Montagem

– F1

Melhor Som

– F1

Melhores Efeitos Visuais

– Avatar: Fogo e Cinzas

Melhor Design de Produção

– Frankenstein

Melhor Caracterização

– Frankenstein

Melhor Guarda-Roupa

– Frankenstein


👥 Elenco

Melhor Elenco

– Sinners

(Casting: Francine Maisler)


📺 Televisão (principais vencedores)

Melhor Série Dramática

– The Pitt

Melhor Ator em Série Dramática

– Noah Wyle (The Pitt)

Melhor Atriz Secundária em Série Dramática

– Katherine LaNasa (The Pitt)

Melhor Minissérie

– Adolescência

Melhor Ator em Minissérie

– Stephen Graham (Adolescência)

Melhor Ator Secundário em Minissérie

– Owen Cooper (Adolescência)

Melhor Atriz Secundária em Minissérie

– Erin Doherty (Adolescência)

Melhor Série de Comédia

– The Studio