O filme de Spider-Man que nunca existiu — e o escândalo que mudou tudo

Como um ataque informático travou um dos projectos mais ambiciosos da Marvel

Há filmes que nunca chegam a ser feitos… e depois há aqueles que desaparecem por motivos dignos de um thriller político. Foi exactamente isso que aconteceu com o ambicioso projecto dos Sinister Six, que prometia reinventar o universo de Spider-Man — mas acabou por ser cancelado após o infame ataque informático à Sony Pictures Entertainment em 2014.

Agora, anos depois, o argumentista Drew Goddard revelou novos detalhes sobre o que poderia ter sido um dos filmes mais diferentes do género.

Um filme de vilões… onde todos eram protagonistas

A ideia de Goddard para Sinister Six fugia completamente ao convencional. Em vez de um típico confronto entre herói e vilões, o plano era colocar todos os antagonistas no centro da narrativa.

Segundo o próprio, o objectivo era transformar cada membro do grupo em protagonista, criando uma história mais complexa e menos centrada no habitual “seis contra um”.

O projecto surgia como um spin-off da saga The Amazing Spider-Man, protagonizada por Andrew Garfield, e já tinha sido subtilmente preparado no final de The Amazing Spider-Man 2, com referências a personagens como Doctor Octopus, Vulture e Rhino. Havia ainda planos para incluir figuras como Green Goblin, Kraven e Mysterio.

Tudo indicava que seria um passo ousado — e potencialmente revolucionário — no cinema de super-heróis.

O ataque que mudou Hollywood

Mas então aconteceu algo completamente fora do guião.

O ataque informático à Sony Pictures em 2014 expôs dados sensíveis, incluindo emails internos, guiões, planos de filmes e até informações pessoais de executivos. O impacto foi devastador para o estúdio e abalou profundamente a sua estratégia.

Durante uma entrevista recente, Drew Goddard recordou o momento com clareza quase cinematográfica: viu agentes do FBI invadirem o estúdio e helicópteros a sobrevoarem o local. Um cenário digno de um filme… que acabou por matar outro antes de nascer.

Sem margem para continuar, o projecto de Sinister Six foi abandonado.

Um efeito dominó que redefiniu o Homem-Aranha

As consequências foram profundas. Após o escândalo, a Sony decidiu seguir um caminho diferente: chegou a um acordo com a Marvel Studios para integrar o Homem-Aranha no Universo Cinematográfico da Marvel.

Foi assim que nasceu a versão de Tom Holland como Peter Parker, redefinindo completamente o futuro da personagem no cinema.

Ao mesmo tempo, a Sony tentou construir o seu próprio universo alternativo, com filmes centrados em vilões como Venom e Kraven the Hunter — mas sem nunca recuperar totalmente a ambição inicial do projecto Sinister Six.

De um fracasso a uma nova oportunidade

Curiosamente, o cancelamento acabou por abrir portas a Drew Goddard. Após ver o seu projecto cair por terra, o argumentista dedicou-se a The Martian, que lhe valeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Argumento Adaptado.

Hoje, prepara-se para novos desafios, incluindo a escrita e realização de Matrix 5, mostrando que, por vezes, os maiores reveses podem levar a caminhos inesperados.

O “e se” que continua a intrigar os fãs

O filme dos Sinister Six permanece como um dos grandes “e se” da história recente de Hollywood. Como teria sido um filme de supervilões onde não havia heróis? Teria mudado o género? Teria criado um novo tipo de blockbuster?

Nunca saberemos.

Mas uma coisa é certa: desta vez, não foi um vilão a derrotar o Homem-Aranha.

Foi um hack

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Sharon Stone Revela Conflito com Michael Douglas Antes de Basic Instinct: “Ele Não Queria Que Eu Fosse Co-Protagonista”

A actriz conta como uma discussão acesa em Cannes quase comprometeu a sua participação no clássico erótico de Paul Verhoeven 

🧊 Quase tão explosiva quanto o famoso cruzar de pernas em Basic Instinct é a história que Sharon Stone agora revela sobre os bastidores do filme. Em entrevista recente ao Business Insider, a actriz confessou que Michael Douglas se recusou a fazer testes com ela antes das filmagens — e tudo devido a um confronto tenso entre os dois no Festival de Cannes. 

“O Michael não queria pôr o rabo nu no ecrã ao lado de uma desconhecida”, afirmou. “E percebo isso. Mas também havia outra razão: tivemos uma discussão antes disso.” 

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“Vamos lá fora”: o primeiro encontro que quase acabou à pancada 

O incidente aconteceu em Cannes, durante um jantar com várias pessoas do meio. Douglas fez um comentário sobre a relação entre um pai e os seus filhos. Stone conhecia bem a família em questão e decidiu intervir. A resposta de Douglas? Gritou-lhe: 

“O que é que tu sabes sobre isso?” 

Stone não recuou. 

“Levantei-me e disse: ‘Vamos lá fora.’” 

Lá fora, explicou-lhe o que sabia — e porquê — e o mal-estar acabou resolvido… mais ou menos. 

“Não diria que ficámos amigos, mas acabámos de forma cordial. Quando chegou a altura de escolherem a actriz para Basic Instinct, acho que ele não queria que fosse eu.” 

A tensão serviu bem o ecrã 

Apesar da resistência inicial, a química (e a fricção) entre os dois actores acabou por jogar a favor da história. Douglas interpreta um detective envolvido com a principal suspeita de um homicídio — a misteriosa e sedutora escritora Catherine Tramell, papel que transformou Sharon Stone numa estrela internacional

“Funcionou lindamente. O Michael tem um feitio difícil, mas isso não me intimidava. Isso trouxe algo interessante à dinâmica das personagens”, explicou. 

“Hoje, somos grandes amigos. Admiro-o imenso.” 

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A polémica do famoso “cruzar de pernas” 

O sucesso de Basic Instinct deve-se tanto ao enredo como à sua carga erótica — e, em particular, à infame cena do interrogatório. Em 2021, na sua autobiografia The Beauty of Living Twice, Sharon Stone revelou que foi enganada para filmar a cena sem roupa interior

“Disseram-me que não se via nada, que era só para evitar reflexos da luz. Mas vi a cena numa sala cheia de agentes e advogados. Foi assim que vi a minha vagina no ecrã pela primeira vez.” 

Stone conta que, chocada, confrontou o realizador Paul Verhoeven e deu-lhe uma estalada na cabine de projecção. 

“Já não havia nada a fazer. Era o meu corpo ali. Tive de tomar decisões.” 

E agora… um reboot? 

Segundo a Variety, a Amazon MGM Studios e a United Artists adquiriram os direitos para um reboot de Basic Instinct, com o regresso do argumentista original, Joe Eszterhas, ao leme do guião. Não se sabe ainda se Sharon Stone estará envolvida. A actriz participou na sequela de 2006 (Basic Instinct 2), que foi fortemente criticada e falhou nas bilheteiras. 

Num tempo em que o olhar sobre sexualidade, consentimento e poder em Hollywood mudou radicalmente, resta saber como será reimaginado um dos filmes mais provocadores da década de 90 — e se Catherine Tramell voltará a cruzar as pernas… ou as linhas da moral. 

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